Qual é a melhor versão?

Sabemos que ler diariamente na escola é fundamental, mas serve qualquer livro? Veja aqui a discussão a distância entre profissionais de educação sobre critérios de escolha de acervo literário para crianças

No curso online* sobre leitura pelo professor, propusemos uma unidade de estudo sobre os critérios de seleção de textos para serem lidos para as crianças. Para além da ilustração, do tema e do gênero, o que é preciso considerar? Como selecionar o texto a partir de uma apreciação literária atenta à linguagem empregada?

Desenho: Arquivo Instituto Avisa Lá

Desenho: Arquivo Instituto Avisa Lá

Para iniciar a discussão, fizemos uma pesquisa e, depois, abrimos um fórum para discutir as justificativas de cada voto. Foi um sucesso! Tivemos 1.283 visitas a esse fórum, com 183 comentários em duas semanas. Foram produzidos tantos posts que não seria possível relacionar todos os nomes dos participantes e todos os comentários. Nesse artigo, procuramos realizar uma síntese e resgatar os momentos mais importantes da conversa.

Esperamos, com a apresentação do resultado de nosso trabalho, levar esse debate às escolas, provocando discussões que possam alimentar os momentos de reflexão e de estudo dos professores.

Tudo começou com uma escolhaContinue lendo >

Discurso escrito refinado

A reescrita de contos tradicionais amplia o repertório linguístico de crianças de educação infantil
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Desenhos feitos pelas crianças da Escola Global Me Bilingual School, de São Paulo – SP

Colocar as crianças de pré-escola em contato com diferentes gêneros textuais e desenvolver nelas o gosto pela leitura são tarefas da instituição escolar. As narrativas, tradicionalmente, sempre tiveram espaço marcado na Educação Infantil. Por proporcionarem momentos prazerosos ao serem lidas pelos professores, favorecem o envolvimento e a aproximação de todos com a linguagem escrita. Para a professora de linguística da Uni versi dade de Barcelona, Liliana Tolchinsky Landsmann, “quando começam a frequentar a escola, meninos e meninas já desenvolveram esquemas que lhes per mitem compreender e produzir histórias que influem na memorização dos acontecimentos relatados e na complementação que fazem de relatos. Vários autores chegam a afirmar que a organização narrativa é a metáfora orientadora pela qual os fenômenos podem ser compreendidos em quase todas as idades e culturas”.Continue lendo >

O hábito da escrita profissional

Documentar o trabalho profissional por meio da escrita é um hábito que precisa ser instituído nos espaços de formação

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No programa de formação continuada de educadores do Projeto Capacitar – EI2, o objetivo é atender às crianças de maneira mais significativa. No entanto, para mudar, é necessário que os profissionais sejam reflexivos, e a escrita sobre a própria prática é uma das ferramentas mais importantes desse processo. Escrever não é simples, ainda mais para quem não tem essa prática como hábito. Existem diversas maneiras de se analisar cuidadosamente o que acontece nas instituições educativas. Exemplos são os diários de campo, os projetos institucionais, os relatórios de acompanhamento, as devolutivas dos formadores registradas nos diários, os planejamentos, a narrativa dos projetos didáticos e as sínteses das reuniões de formação.
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Escolhas infantis

Falar de si tem a ver com escolher, selecionar e contém uma grande dose de afetividade

As crianças do Colégio Santo Américo, em São Paulo (SP), também elaboraram suas autobiografias estimuladas e orientadas por suas professoras. Os resultados dos desenhos e a qualidade dos textos, cujos exemplos ilustram esta página, inspiraram a reflexão que se segue. Continue lendo >

Quem sou eu

Produzir um livro de autobiografias com crianças em processo de alfabetização coloca em evidência a sua competência escritora
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Produção final: um livro do grupo

Em 2001, coordenei um projeto didático, ou seja, uma modalidade de trabalho que tinha uma seqüência de atividades com vistas a um produto final. No caso, um livro1. Desde o início, as crianças já sabiam que iriam escrever autobiografias e se empenharam em todas as atividades para alcançar o melhor resultado. Essa é a diferença mais relevante para outras formas de organizar os saberes culturais, quer dizer, os pequenos compartilham o objetivo do estudo, sabem por que estão realizando determinadas tarefas, qual é a funcionalidade delas e, com isso, esforçam-se e envolvem-se porque atribuem sentido a elas, condição determinante para uma relação favorável com o conhecimento.

Condições didáticas
Tudo começou com o grupo mostrando o que conhecia sobre autobiografias e biografias (leia a definição abaixo) por meio do contato com livros que foram selecionados previamente. Folheando e lendo as publicações, as crianças foram reconhecendo algumas leituras já feitas. O menino Mário Gabriel definiu o gênero com base no que conhecia: “São livros que contam a vida de pessoas que já morreram. Às vezes, elas escrevem sobre sua vida antes de morrer. Falam o nome dos filhos, da mulher, o que gostavam de fazer, sobre o trabalho”. Caroline completou: “No livro do Drácula, não foi ele que escreveu. Foi outra pessoa”.

Seguimos com a leitura de personalidades da música, pintura e literatura. Com isso, os pequenos foram se familiarizando com esse tipo de texto e conhecendo um pouco da vida de Cândido Portinari2, da magnitude da obra de Mozart4, encantando-se com as férias de Monteiro Lobato5 no sítio e indignando-se com a infância de Heitor Villa-Lobos6, que tinha suas pernas amarradas pelo pai para fazer a lição. A partir desse repertório, eles prepararam um roteiro contemplando todos os assuntos que gostariam de escrever nas autobiografias: nome, local de nascimento, nomes dos pais e irmãos, o que mais gostavam de fazer na escola, as comidas preferidas e as histórias mais queridas.Continue lendo >

Escrever é uma aventura que vale a pena

Um olhar sensível e informado sobre as primeiras escritas; preocupado com a autoria e construção de significados pelas crianças

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Produções feitas pelos ex-alunos do Centro Educacional Monteiro Lobato, atual Coeducar – Viçosa – MG

Numa tarde ensolarada de domingo, Mayana, com seus cinco anos e meio, apanha uma rosa no jardim, arruma-a com cuidado num vaso com água, leva-a para o quarto, em seguida pega um papel e com os olhos brilhando, realiza a seguinte escrita:Continue lendo >

Formando alunos escritores

Formadoras relatam sua prática junto aos supervisores para desenvolver a competência de produção textual pelos alunos. Também em formação, elas próprias têm a chance de refletir e rever suas propostas
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Fotos: Assecom

No município mato-grossense de Sinop, a formação continuada das supervisoras e professores1 é desenvolvida por meio do projeto “Formando Formadores para Desenvolver a Competência na Produção Textual”, que tem o apoio do Programa Além das Letras2. Já no terceiro encontro, em junho deste ano, desenvolvemos uma proposta com atividades práticas e bastante reflexivas. Desde o início, esta reunião foi um pouco diferente das duas outras formações, pois a leitura realizada pelo formador no encontro anterior teve continuidade neste. As supervisoras estavam ansiosas para saber o final da história, e três delas confessaram não ter segurado a curiosidade e entraram na internet para descobrir o desfecho da crônica “Os Noivos”, de Nelson Rodrigues.Continue lendo >

Três focos para começar

O Programa Além das Letras tem como objetivo específico apoiar as práticas de leitura e escrita nas séries iniciais do ensino fundamental. Para isto, definiu três conteúdos principais que são apresentados por módulos à escolha dos municípios integrantes da rede. Para apoiar o formador local foi elaborado um manual, do qual o programa socializa alguns trechos neste artigo

avisala_31_formacao3O objetivo final do Programa Além das Letras1 é contribuir para a formação de usuários competentes da língua escrita. Ensinar a ler e escrever – missão original e irrenunciável da escola – significa desenvolver práticas sociais que envolvam a escrita. Hoje em dia não é mais possível pensar na alfabetização somente como um processo de apropriação de um código. Os estudos sobre didática do ensino da língua afirmam que para aprender a ler e escrever são necessários dois processos:Continue lendo >

O que nos contam as caveiras

Ao aproveitar o interesse das crianças pelas horripilantes histórias de caveiras e esqueletos, professoras de são paulo encontram maneira criativa de pesquisar e vivenciar o corpo humano
Desenhos feitos pelas crianças da Escola de Educação Infantil Recreio e retirados da Revista Avisa Lá, nº 15, junho/2003

Desenhos feitos pelas crianças da Escola de Educação Infantil Recreio e retirados da Revista Avisa Lá, nº 15, junho/2003

O projeto Caveiras Imaginárias, Esqueletos Científicos foi desenvolvido ao longo do 2º semestre de 2006 com crianças de cinco anos, na Escola de Educação Infantil Recreio, na cidade de São Paulo. Ao longo deste texto, relataremos nosso percurso, explicitaremos os objetivos e compartilharemos alguns frutos colhidos ao final da trajetória.

Antes de se configurar como um tema de estudos, o esqueleto humano despertava grande interesse no grupo, associado às “horripilantes” histórias de terror, bastante requisitadas pelas crianças! O livro Contos de enganar a morte, de Ricardo Azevedo, reinava soberano em nossas rodas de história, trazendo caveiras em suas ilustrações, além da temática recorrente do moço esperto que não quer “bater as botas” e, para tanto, inventa criativas estratégias para enganar a “marvada” e adiar sua partida “desta para melhor”.

Desmistificando a associação do esqueleto humano com histórias de terror, fantasmas e assombrações, propus às crianças a idéia de estudarmos o corpo humano de maneira científica. Um desafio e tanto, que logo contou com a adesão animada do interessado grupo de crianças.
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O carteiro chegou

A proposta inesperada de enviar e receber cartas deu novo sentido e entusiasmo ao exercício da escrita e da leitura realizado pelas crianças

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A pequena Giovanna no Canto de Escrita


Aos cinco anos, as crianças começam a descobrir que podem escrever com maior desenvoltura, mas sempre demonstram a mesma preocupação: “Eu não sei escrever do jeito certo e não quero escrever do meu jeito”. Geralmente percebem que há uma escrita convencional que difere de suas hipóteses iniciais sobre a escrita. Numa das reuniões de coordenação do Colégio Nossa Senhora do Morumbi – onde sou professora de um grupo de crianças nessa faixa etária – Denise Tonello1, coordenadora pedagógica da Educação Infantil, sugeriu um canto de atividade diversificada, em que as crianças pudessem brincar de escrever.

Nessa escola, a rotina da Educação Infantil inicia-se com atividades diversificadas, organizadas em pequenos cantos. Desse modo, as crianças podem escolher de qual atividade desejam participar, exercitando a responsabilidade e a autonomia. Além disso, enquanto algumas crianças participam de atividades interagindo entre si, o professor pode realizar intervenções mais pontuais para um pequeno grupo de crianças (geralmente atividades de escrita). Na maioria das vezes, priorizamos uma atividade de jogos, uma de desenho, uma de desafios matemáticos e a outra de escrita. A partir da sugestão de Denise, criamos o Canto da Escrita, com a proposta de as crianças escreverem e enviarem cartas para pessoas conhecidas.Continue lendo >