Qual é a melhor versão?

Sabemos que ler diariamente na escola é fundamental, mas serve qualquer livro? Veja aqui a discussão a distância entre profissionais de educação sobre critérios de escolha de acervo literário para crianças

No curso online* sobre leitura pelo professor, propusemos uma unidade de estudo sobre os critérios de seleção de textos para serem lidos para as crianças. Para além da ilustração, do tema e do gênero, o que é preciso considerar? Como selecionar o texto a partir de uma apreciação literária atenta à linguagem empregada?

Desenho: Arquivo Instituto Avisa Lá

Desenho: Arquivo Instituto Avisa Lá

Para iniciar a discussão, fizemos uma pesquisa e, depois, abrimos um fórum para discutir as justificativas de cada voto. Foi um sucesso! Tivemos 1.283 visitas a esse fórum, com 183 comentários em duas semanas. Foram produzidos tantos posts que não seria possível relacionar todos os nomes dos participantes e todos os comentários. Nesse artigo, procuramos realizar uma síntese e resgatar os momentos mais importantes da conversa.

Esperamos, com a apresentação do resultado de nosso trabalho, levar esse debate às escolas, provocando discussões que possam alimentar os momentos de reflexão e de estudo dos professores.

Tudo começou com uma escolha

A proposta de discussão desse Fórum de Estudos teve como ponto de partida a resolução de um problema proposto por nós. Havíamos discutido nas unidades anteriores que ler histórias é diferente de contá-las, que as crianças não aprendem as mesmas coisas nessas duas atividades. Depois, usando os conhecimentos construídos ao longo do curso, convidamos a todos para ajudar a professora Cristina a resolver o seguinte problema de planejamento:

Qual é o melhor texto para ler para as crianças? Mas atenção! A escolha é pelo texto que ela deveria ler, não contar! Nós oferecemos duas versões de uma história muito apreciada pelas crianças: Chapeuzinho Vermelho.

A primeira versão não trazia o nome do autor e apresentava um texto mais empobrecido. A segunda versão era o texto original de Jakob e Wilhelm Grimm, autores de Os contos de Grimm, traduzido por Tatiana Belink para a editora Paulus (São Paulo, 1989).

A seguir, apresentamos uma comparação de alguns trechos:

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Os textos foram apresentados de duas maneiras na versão escrita e na versão lida em voz alta, que podia ser acessada nos podcasts que ficaram disponíveis na área do Fórum. Pedimos que todos lessem os textos ou escutassem a leitura em voz alta em um dos podcasts do curso e, em seguida, escolhessem a melhor e explicassem para a professora Cristina os motivos da escolha, argumentando com ela sobre os benefícios de seguir a indicação feita.

Foi M.M., de Itaguaí (RJ) que saiu na dianteira. Ela votou na versão 2 porque tem um fim diferente. Depois dela, outras postagens foram feitas ao longo de toda a semana. A maioria do grupo escolheu a versão 2 por conta do vocabulário, mais rico do que o da versão 1, e porque a história é muito mais detalhada. Mas também surgiram outros argumentos.

Procuramos fazer uma lista com a síntese de todas as qualidades da versão 2. Concluiu-se que a segunda versão é a melhor porque tem:

  • enredo diferente;
  • riqueza de adjetivos;
  • boas descrições, muitos detalhes;
  • bons personagens, bem caracterizados;
  • presença de elementos mágicos na narrativa, cumprindo uma certa função estética;
  • narração dos lugares e das cenas com beleza e simplicidade;
  • clareza na apresentação dos fatos ao longo do tempo e do espaço, tem boa sequência narrativa;
  • vários momentos de tensão e suspense, até o desfecho;
  • bons diálogos (as crianças fazem muito uso dele ao narrar suas histórias);
  • perspectiva de fomentar o pensamento crítico, que auxiliará na resolução de conflitos a partir da reflexão da dualidade entre o bem e o mal, o certo e o errado;
  • autoria (a versão 1 não tem autor definido).

Reconhecemos que apenas essa lista das qualidades do texto a ser lido para as crianças nos auxiliava a definir importantes critérios para escolher melhor os textos que vamos ler em sala de aula. No entanto, sabemos que nem todos os textos que costumam ser oferecidos às crianças possuem tantas qualidades. Mas não paramos por aí. Outros debates surgiram, enriquecendo muito a nossa discussão.

Deve-se evitar a leitura de certos trechos de histórias que mencionem morte e outros temas mais difíceis?
Quem trouxe essa questão foi N., de Porto Alegre (RS). Embora tenha gostado da versão 2, ela ficou em dúvida porque pensou o seguinte:

“Não gostei da parte que relata a cena de uso de arma, mesmo que branca, para abrir a barriga de um animal. Essa cena, até eu fiquei chocada. Imagino uma criança. Penso que em épocas em que não havia tanta violência, as crianças até poderiam não estabelecer relações, mas hoje a violência está tão presente no dia a dia das pessoas, das crianças e dos animais.”

O assunto que N. trouxe foi tão interessante que chamou a atenção de outras pessoas. E. de Natal (RN), por exemplo, escreveu:

“No que diz respeito à violência abordada na versão 2, concordo que o assunto deve ser discutido com o grupo, observando o que pensam e que alternativas sugerem para o problema. Penso que questões como essas não devem ser camufladas na tentativa de se poupar as crianças, pois elas estão imersas em um mundo onde não há apenas paz e amor. Acredito que os textos literários também têm essa finalidade: fornecer elementos para lidarmos com nossos conflitos internos e externos.”

J., de São Paulo (SP), se animou com a discussão e trouxe a seguinte reflexão para o debate:

“Há uma coleção de Contos de Fadas da Landy Editora que traz vários contos russos (três volumes), celtas, indianos e chineses. Da Companhia das Letras, há contos e lendas da Europa Medieval e também Africanos. Toda e qualquer história retrata sempre uma época em que fora escrita. Pensando nos contos, que representam histórias tradicionais orais de vários lugares por volta dos séculos XVII a XIX, tragédia e violência são características dos costumes e das culturas de um determinado lugar e período. Como podemos interferir nisso? Os estúdios da Walt Disney adaptaram alguns contos de fadas justamente por achá-los muito violentos. Mas para quais crianças? E se pensarmos que as mulheres e as crianças trabalhavam em fábricas por quase quatorze horas diárias? O primeiro conto de fada a ser filmado foi Branca de Neve, em 1937, pré-Segunda Guerra Mundial. Mas quando modificamos uma história, fazemos isso com a intenção de proteger nossos alunos? Mas a vida de cada um não é real, há sempre alguém para protegê-los de algum sentimento? Tenho uma preocupação quanto à moral da história. Deixo sempre em aberto e realizo muitas perguntas para insistir no debate e, às vezes, termina com uma pergunta. Temos que buscar as discussões. Aliás, as crianças deveriam ter aula de filosofia para refletir sobre a vida. A literatura promove o pensamento crítico, o conhecimento, às vezes o conforto para algumas respostas da inquietação do ser humano ou não.”

Mas não é uma bela questão para se pensar? Depois desse post a discussão pegou fogo! C., de São José do Rio Preto (SP), concordou com N., e muitas pessoas se posicionaram com a mesma preocupação trazida por elas. Justamente por ser a questão tão polêmica é que é importante ouvir e pensar sobre outros pontos de vista.

Foi com esse espírito que L., de São José do Rio Preto (SP), também se manifestou. Ela refletiu sobre algumas questões:

“O que é um bom texto literário para crianças? Acredito que seja aquele texto que estabeleça uma relação significativa para a criança, que proporcione situações de prazer, de descobertas, de emoções, de cultura e também uma ampliação de visão de mundo. Um bom livro deve fazer pensar, interagir, deve aguçar a curiosidade, estimular o imaginário, deve promover o conhecimento crítico e reflexivo da criança. O que fazer quando um texto traz trechos violentos. Ler ou não ler? Hoje, independente da situação social ou cultural, a violência está em evidência. Já dei aulas em escolas de periferia, onde muitas dessas crianças já conviveram ou ainda convivem com as mais diversas situações de violência, tanto dentro de casa quanto fora dela. Por inúmeras vezes, os alunos me relatavam cenas ou acontecimentos violentos que eles presenciavam. Eram relatos que me deixavam muito impressionada. Já para as crianças era uma coisa normal, fazia parte do cotidiano daquele determinado bairro. Quando um texto traz algum trecho violento, independente se sua clientela tem um maior ou menor contato com a situação citada acima, acredito que deve ser lido e até levantar uma discussão sobre o assunto – o que é certo, o que é errado etc. Com isso, aproveitamos para trabalhar valores, atitudes, caráter, ou seja, tudo aquilo que já é trabalhado no cotidiano de uma sala de aula, para que a criança tenha exemplos do que é ser um bom cidadão.”

M., de São José do Rio Preto (SP), conseguiu expressar o que N. estava pensando, dizendo o seguinte:

“Concordo que as crianças, hoje em dia, sofrem e são bombardeadas com cenas de violência, mas acredito que a escola não tenha que dar uma extensão muito grande a isso, acabando por banalizar, virar algo comum. Tem que haver uma sistematização desse tipo de diálogo. Sinceramente, não sei como agir ou conduzir um debate com esse assunto, principalmente com crianças, por isso prefiro evitar. Procuro sempre trazer para meus alunos notícias, assuntos e exemplos de cidadania que possam melhorar suas vidas. A valorização da paz não é feita através da violência mas da própria vida em paz.”

Esse vai e vem de argumentos é muito importante para que a discussão avance. Nesse caso, o fórum foi tão significativo, tivemos tantas postagens, que nem todo mundo conseguiu ler e considerar todas as opiniões. Por isso, destacamos aqui nessa breve síntese algumas ideias que não foram muito desenvolvidas, como a da Ana Carolina (Lili), formadora do Avisa Lá. Lili concordou em parte com E., mas utilizou um argumento diferente:

“Essa questão da violência dos contos de fadas muitas vezes causa certo mal-estar. Não foi à toa que muitos escritores e estudiosos de histórias tradicionais e da educação se debruçaram sobre essa questão. Bruno Bettelheim, psicólogo radicado nos Estados Unidos da América, foi um deles. Algo que ele defende é que os contos, com toda a sua complexidade, possibilitam que as crianças entendam e encontrem um lugar para muitos sentimentos “pouco aceitos”, como a raiva, o ciúme, a inveja…
Histórias muito brandas não as ajudariam a identificar-se; ao contrário, poderiam até causar um mal-estar, pois elas não encontrariam um espelho, um espaço para dialogar com aquilo que sentem.”

Pois bem, as histórias originais, embora tenham passagens como a da morte do lobo, podem não soar violentas, no sentido estrito da palavra. Por outro lado, como disse Lili, se de fato for essa a ideia, não temos de lidar com isso? O importante é saber que tudo isso se passa na história, não na vida real. E é justamente porque as crianças têm o plano simbólico para elaborar esses sentimentos é que não necessitam vivê-lo dessa forma no plano real.

Além do mais, o que realmente é importante para a criança nessas histórias é a segurança de que no fi m tudo vai dar certo e que elas serão protegidas. Certamente esse tema é mais forte para elas do que o modo como o lobo mau morre. Por fim, diz Lili:

“Esse pensamento vai ao encontro de outro tema que ronda a educação: Para que serve a leitura de literatura, afinal? Será que precisamos sempre encontrar um porquê, uma correspondência para os assuntos estudados em sala de aula? Ou a literatura serve-nos para pensar sobre a vida, sentir, emocionar-se, descobrir-se? E olhem só… esse assunto também está relacionado ao modo como apresento, leio e o que faço depois de ler histórias para os alunos, não é?”

Foto: divulgação (Companhia das Letrinhas e Editora Moderna)

Foto: divulgação (Companhia das Letrinhas e Editora Moderna)

O trabalho a partir de diferentes versões de uma mesma história
Essa discussão sobre as versões diferentes da história da Chapeuzinho levou o grupo a pensar sobre a importância de se ler diferentes versões como parte do trabalho de língua portuguesa. Lançamos o convite, então: Vamos desenvolver essa ideia? O que vocês acham que as crianças podem aprender em um possível projeto que apresente diferentes versões de uma mesma história?

Por que um trabalho como esse poderia ser bom? T., de São José do Rio Preto (SP), disse:

“Como a profª Cristina está fazendo um planejamento de uma possível sequência didática, por que não apresentar as duas leituras às crianças em momentos distintos e confrontar com elas as semelhanças e diferenças existentes entre as duas versões?”

Muita gente concordou com a ideia dela. Outras participantes do fórum trouxeram novas versões da mesma história, com finais diferentes, com estilos diferentes… e essa diversidade só alimentou a discussão sobre a importância de se apresentar diferentes versões para ajudar as crianças (e a nós mesmos, por que não dizer?) a reconhecerem o que é um bom texto literário, as qualidades de cada um.

M.C., de Goiânia (GO), também achou que esse poderia ser um caminho:

“Estudar os autores das obras literárias é muito bom, mas também estudar as obras dos autores desconhecidos é intrigante e aguça a nossa imaginação, pois são textos sensacionais. Estudar a autoria permite que nossos alunos sejam autores de sua própria história.”

J. concordou e achou que é muito importante para a própria formação do leitor, dá autonomia para escolher o que vai ler:

“Há tanta produção para ser analisada e reescrita… mas dificilmente vimos, na escola, o aluno desenvolver a sua autonomia em relação às suas produções e quanto às leituras de gêneros. Nós precisamos dialogar mais com os alunos sobre as suas escolhas como leitores, e acreditar nisso. Muitas vezes queremos ‘controlar’ todos os passos dos alunos e acabamos engessados. E depois de anos nesse modo, quando proporcionamos o debate, o argumento, isso não acontece, pois se olham, inseguros. Ainda estão na dualidade entre o certo e o errado. Então começamos a desconstruir esse ‘padrão’, para a conquista da segurança e autonomia, mas isso levará muito tempo. Os professores de literatura deveriam ‘olhar’ para dentro de cada aluno e enxergar um escritor e um leitor em potencial.”

S., professora de Assis (SP), trouxe mais elementos para validarmos esse trabalho. Ela afirma:

“Convidaria meus alunos a comparar versões diferentes. A comparação de versões de um mesmo texto deveria consistir em uma prática usual do leitor. Ela permite estabelecer critérios de escolha e realizar indicações literárias. Nesse trabalho, as comparações seriam inicialmente coordenadas pelo professor, que faria intervenções para que os alunos atentassem para outros aspectos da obra, além dos que normalmente levam em conta. Incentivaria também a pensarem sobre o que está escrito nesses textos. Como eles começam e terminam? Quais as palavras diferentes que o autor utiliza? Desse modo, ela desloca a discussão para além do debate apenas moral e faz com que as crianças reflitam sobre aspectos linguísticos e estilísticos dos textos, condição fundamental para formar escritores na escola1.”

Aprendendo com a experiência
N., de Porto Alegre (RS), deu uma versão mais sofisticada da história de Chapeuzinho Vermelho e avaliou que a atividade foi um desafio. Ela trabalhou com as duas versões apresentadas no fórum. Depois, pediu aos alunos que prestassem bastante atenção. Ao término da leitura, ela perguntou a eles qual das duas histórias haviam gostado mais. Eles disseram que gostaram mais da versão 2. N. ficou curiosa e quis saber o porquê. Responderam:

  • porque é bem mais explicada;
  • é maior que a outra;
  • é marcante;
  • é mais real.

Sobre a conclusão de seu trabalho, N. nos contou:

“Eu que havia achado a versão mais complexa muito forte e violenta para as minhas crianças, devido ao fato de elas viverem numa comunidade violenta e sofrerem vários tipos de violência, fiquei um pouco chocada e pedi a elas que contassem parte do texto da versão 2 que mais haviam gostado, e as respostas foram:

  • a parte em que o caçador abriu a barriga do Lobo;
  • quando o Lobo engoliu a Chapeuzinho;
  • quando a Chapeuzinho colocou as pedras na barriga do Lobo;
  • quando o lobo morreu;
  • a parte do diálogo do Lobo com a Chapeuzinho.”

Vimos como uma boa discussão coletiva pode gerar várias ideias e resultados, como esse artigo, por exemplo, que deixam a todos com vontade de estudar mais sobre esse assunto. É por isso que concluímos esse texto com as palavras de D., de Santa Rita do Sapucaí (MG):

“Estou iniciando uma sequência didática com meus alunos a respeito dos contos de fadas esta semana. O objetivo é levá-los a conhecer as características desse gênero textual. Estou bastante empolgada com o trabalho, e minha motivação veio principalmente da leitura do texto E depois de ler, fazer o que?2, da nossa atividade 2. Isso demonstra a importância que esse curso representa para minha prática e para a prática de todas nós. Enfim, é para isso que estamos aqui, não é?”

(Silvana Augusto, Formadora do Instituto Avisa Lá, coordenadora do curso “O coordenador pedagógico como formador em sua unidade” e professora do Instituto Superior de Educação Vera Cruz, em São Paulo-SP)

1Uma das vencedoras do prêmio Professor Nota 10, organizado pela Fundação Victor Civita, em 2011, realizou um projeto com diferentes versões do conto Chapeuzinho Vermelho com turmas de 1o ano. O objetivo era fazer os alunos avançar em suas hipóteses de escrita e ampliar seu repertório de textos literários, contribuindo para a formação do gosto e da apreciação estética. Para saber mais sobre o trabalho, acesse: <http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/reescrita-textos-literariosalfabetizacao-inicial-677955.shtml>.

2Artigo de Maria Virgina Gestaldi publicado na Revista Avisa lá no 26, em abril de 2006.

*Este curso fez parte da programação de cursos a distância do Instituto Avisa Lá.

Ficha Técnica

  • Executor: Instituto Avisa lá
    Parceria: Santander e Instituto Razão Social
    Coordenação pedagógica: Silvana Augusto
    E-mail: [email protected]
    Formadoras: Ana Carolina de Carvalho, Maria Paula Twiaschor e Silvana Augusto.
    Curso online: Leitura pelo professor, 2011

Para saber mais

Livros

  • O ensino da linguagem escrita, de Myriam Nemirovsky. Porto Alegre: Artmed, 2002. Tel.: 0800 703 3444 Site: www.grupoa.com.br
  • Narrar por escrito do ponto de vista de um personagem, de Ana Siro e Emilia Ferreiro. São Paulo: Ática, 2010. Tel.: (11) 4003-3061 Site: www.atica.com.br

Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #51 de agosto de 2012. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual –
http://loja.avisala.org.br

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