Está no almanaque?

Crianças de Osasco-SP avançam na leitura e na escrita ao participar do Projeto Almanaque. Tão rica e colorida quanto o produto final foi a aventura de produzi-lo: juntas, as crianças puderam pesquisar, ditar, escrever, revisar, ilustrar e editar a publicação

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Este é o registro do Projeto Almanaque1, um projeto sobre leitura e escrita de textos de gêneros diversos por meio da confecção de um almanaque, realizado com crianças de 6 anos, em 2004. Idealizar este projeto, planejá-lo em detalhes, participar de formações que foram fonte de subsídios e avaliá-lo constantemente foi um prazer, mas nada comparado à alegria dos resultados com as crianças. Com ele, venci dois desafios que há anos vinha tentando superar: o de compreender como um propósito social pode se articular aos propósitos didáticos e o de trabalhar leitura e escrita de forma significativa em pequenos grupos, aproveitando os conhecimentos prévios das crianças.

Escrevi originalmente o projeto com a ajuda da minha parceira Ana Paula. Depois da orientação da coordenadora da escola, de alguns estudos sobre o tema e de muitas dicas que foram surgindo durante as formações das quais participei, ele foi modificado muitas vezes de acordo com as necessidades das crianças e do conteúdo.Continue lendo >

Transformação de versos

Os alunos do Instituto Materno Infantil Flávio Lenzi, na Cidade de São José dos Campos, interior paulista, descobrem a poesia, transformam versos e produzem seus próprios livros, lançados e vendidos na escola

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É cada vez mais comum que as crianças se interessem pela escrita. Em nossa escola procuro, como coordenadora, incentivar os professores a realizarem propostas que desafiem ainda mais esse interesse de seu grupo. Creio que, pelo caminho da autoria, podemos oferecer boas oportunidades de aprendizagem, pois, ao produzir seus textos, as crianças participam do processo de construção de conhecimento.

Desde 2003, realizamos nas salas da Educação Infantil IV (crianças com seis anos) um projeto de produção de livros escritos pelas crianças e editados com apoio da Divisão de Publicações Técnicas da Secretaria Municipal de Educação e da Gráfica da Secretaria Municipal de Educação. Sem dúvida, uma edição bonita dos textos dá ao grupo motivo de orgulho, além da possibilidade de socializá-los com mais pessoas.
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O conhecimento didático como eixo da formação

O trabalho de formação com educadoras da 4ª série de três escolas municipais, no qual a leitura e escrita foram “práticas vivas e vitais”, possibilitou o estabelecimento de uma nova relação entre ensino e aprendizagem
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“O necessário é fazer da escola um âmbito onde leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir.
(Ler e Escrever na Escola: O Real, o Possível e o Necessário, de Delia Lerner. Ed. Artmed)

Estabelecer na escola um ambiente em que as práticas de leitura e escrita se instaurem com toda sua intensidade, com todas as suas potencialidades tem sido o norte deste trabalho de formação com professoras de Escolas de Ensino Fundamental de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Para isso, é necessário transformar as práticas pedagógicas, possibilitar a construção de novos conhecimentos didáticos.

Sabemos que, de acordo com a teoria de Jean Piaget1, toda ação, seja um movimento, pensamento ou sentimento, corresponde a uma necessidade que é sempre a manifestação de um desequilíbrio. A cada instante, pode-se dizer, a ação humana é desequilibrada pelas transformações que aparecem no mundo, exterior ou interior, e cada nova conduta vai funcionar não só para restabelecer o equilíbrio, como também para tender a um equilíbrio mais estável que o do estágio anterior a essa perturbação. A ação humana consiste nesse movimento contínuo e perpétuo de reajustamento ou de equilibração2.
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Nenhum a menos*

Inclusão na escola e democratização do acesso à cultura letrada é, sem dúvida, uma das prioridades da educação em nosso país. No município de embu, são paulo, um esforço coletivo de professores e formadores garante a aprendizagem de todas as crianças, incluindo-as na cultura escrita

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O título deste artigo, inspirado na produção cinematográfica de mesmo nome, reflete o espírito do projeto educacional desenvolvido pelo município de Embu. No filme, uma jovem novata no ofício de lecionar, ao ter que substituir o professor titular numa escola de precárias condições, segue as orientações que recebeu de seu antecessor: “Quando eu voltar quero encontrar todos os alunos, não quero nenhum a menos”. O desafio lançado ajuda-a a perceber que é preciso empenhar-se para que os alunos não desistam de estudar, abandonando a escola.Continue lendo >

As crianças e o universo dos cordéis

Crianças de 5 anos se entusiasmam com a leitura de cordel na escola. Conhecem não só o texto mas o contexto onde esta literatura está inserida e aproveitam o canto e encanto desta tradição brasileira

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o processo de alfabetização, o domínio da escrita tem tido um papel preponderante, muitas vezes em detrimento do desenvolvimento da oralidade, tão importante na Educação Infantil. Este projeto, que aproxima as crianças da literatura de cordel, possibilita uma união saudável entre a oralidade e a escrita.

No Brasil ainda há comunidades que pensam o mundo, transmitem conhecimentos e se expressam segundo a lógica própria da oralidade. Além disso, em algumas das capitais do nordeste, e mesmo em São Paulo, ainda podemos encontrar núcleos que se preocupam com a divulgação do cordel por meio de material impresso, o que permite um convívio harmonioso das duas linguagens, a escrita e a oral, sem que uma simplesmente substitua a outra.
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Jogar por prazer e para aprender

Quando a criação de jogos ganha o espaço da sala de aula a animação é geral, como atestam crianças de 8 a 10 anos da cidade de São Paulo. Ler, escrever e desenhar em um contexto significativo e lúdico favorecem a autoria, a criação e a aprendizagem. Veja como foram concebidos e produzidos por esta garotada os jogos Super Clarius e Super Batalha
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Daniel 8 Anos

Grande parte das crianças brasileiras entre 8 e 10 anos tem muita dificuldade para ler e escrever. É comum a escola oferecer propostas descontextualizadas de escrita, as quais são executadas mecanicamente pelas crianças. Esta situação, sem dúvida, colabora para a criação de um grande contingente de analfabetos funcionais. Pessoas que passaram pela escola mas não escrevem, e lêem com uma compreensão básica.

Pensar em propostas que criam um contexto no qual escrever é preciso e desejado pelas crianças parece se constituir em um desafio geral para a educação. A produção de sentido nos atos de leitura e escrita nas escolas precisa ser levada em conta se pretendemos realmente desenvolver nas crianças verdadeiros comportamentos leitores e escritores.

Neste projeto didático realizado pela turma do Núcleo Socioeducativo Santa Clara1 podemos ver como uma realização que leva em consideração a cultura lúdica das crianças traz bons resultados em diferentes aprendizagens.

Como tudo começou
A idéia de trabalhar na criação de cards2 com minha turma surgiu do diálogo com a formadora Denise Nalini3. Queríamos que as crianças avançassem na leitura e na escrita aprendendo a elaborar as regras de um jogo; que tivessem sua criatividade estimulada por meio do desenho e da pintura, além, é claro, do desenvolvimento de habilidades diversas que os jogos proporcionam. Planejamos em conjunto um projeto didático intitulado Super-Heróis. Compartilhei com o grupo a idéia da criação de um jogo do tipo Super Trunfo4, com personagens de heróis e vilões, já que o tema era muito apreciado pela turma.
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Ler para estudar, escrever e desenhar para comunicar

A partir de muita pesquisa, alunos da segunda série na cidade de Rio Piracicaba escrevem textos informativos, descritivos, fichas técnicas que auxiliam a produção de lindos postais ilustrados. Confira o desenrolar do projeto por meio das reflexões da formadora local

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PM Rio Piracicaba


Escolher um projeto para trabalhar em sala de aula sempre foi uma expectativa para os professores de 2ª série. Para as crianças, era um alvoroço, uma animação, uma curiosidade tremenda para saber qual seria o tema eleito e dar idéias de qual projeto poderiam trabalhar no semestre seguinte.

O projeto pequena enciclopédia foi o escolhido do 10 semestre de 2004 e foi desenvolvido por uma equipe de seis professoras, cada uma com sua turma, na respectiva escola, num total de quatro, todas situadas na zona urbana da cidade. As professoras trabalharam no mesmo projeto, de forma integrada, trocando suas experiências e sempre se reunindo, participando ativamente do processo de formação.

Após várias análises das aprendizagens adquiridas pelas crianças em projetos anteriores e muitas discussões sobre o que queriam que suas crianças aprendessem, a equipe de professoras decidiu que trabalhariam com textos informativos, desenvolvendo um projeto com textos de enciclopédia. Mas sobre que assunto poderia ser a Pequena Enciclopédia?
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Mira a poesia!

Neste projeto, a professora aproveita o repertório de poesias que o grupo está aprendendo para diferentes atividades de leitura e escrita. As crianças de 5 anos aceitam o desafio, com interesse e curiosidade, como vemos a seguir
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“Guardar uma coisa não é esconder ou trancá-la.
Em cofre não se guarda nada.
Em cofre perde-se a coisa de vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, mirá-la, por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.”
(Antonio Cícero)

Nestes versos do poema “Guardar”, de Antônio Cícero, encontrei a forma de expressar o meu encantamento com as poesias. Foram muitos os momentos em que “guardei” estas crianças tão especiais com que tenho trabalhado, olhando e admirando cada comentário, cada conquista, cada aprendizado. O semestre terminando, as férias chegando e eu começo a sentir saudades dos muitos sorrisos, beijos, carinhos, brincadeiras e também travessuras que tornam as nossas tardes tão gostosas. O envolvimento de todos com cada proposta, com cada projeto, foi muito significativo; acho que justamente por isso é que pudemos aprender tanto!
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Muitas revelações na história de cada escrita

Conhecer, acompanhar e analisar as hipóteses das crianças sobre a escrita é fundamental para o educador que alfabetiza. Em videira, município do sul do brasil, professores desenvolveram um interessante trabalho de organização de portfolios sobre o processo de aquisição da escrita de seus alunos

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Cronologia da escrita de Sara


A publicação de Psicogênese da Língua Escrita1, em 1979, trouxe mudanças significativas na teoria e na prática da alfabetização. Baseado em pesquisas desenvolvidas por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, o livro divulgou em larga escala os processos pelos quais as crianças constroem conhecimentos sobre a escrita. As autoras, alicerçadas na consistente teoria de Jean Piaget, de quem foram alunas, lançaram um olhar revelador sobre o sujeito que aprende. Graças a essas pesquisas, sabemos que as crianças já possuem hipóteses sobre a escrita antes mesmo de escreverem convencionalmente, e que se utilizam delas quando começam a escrever. O conhecimento que a criança vai construindo a respeito da língua escrita tem início em seu ambiente social, a partir do acesso a diferentes materiais portadores da escrita, das observações e das reflexões sobre o seu uso.
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Prazeres e saberes de leitores não convencionais

Muitos educadores não vêem com bons olhos a relação de crianças muito pequenas com a escrita. Neste artigo, Pedro (3 anos), Duda (4 anos), Diogo (5 anos) e Ana (5 anos) desafiam essa postura. Veja com que alegria e competência eles se revelam participantes da cultura escrita

“Ensinar a ler e escrever continua sendo uma das tarefas mais especificamente escolares. Um número muito significativo (demasiadamente significativo) de crianças fracassa já nos primeiros passos da alfabetização. O objetivo deste livro é mostrar que existe uma nova maneira de considerar esse problema. Pretendemos demonstrar que a aprendizagem da leitura, entendida como o questionamento a respeito da natureza, função e valor desse objeto cultural que é a escrita, inicia-se muito antes do que a escola o imagina, transcorrendo por insuspeitos caminhos.” (Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, psicogênese da língua escrita, nota preliminar)

Ilustração de aluno representando os ciclopes, personagens presentes nos mitos gregos (VIrginia Gastaldi)

Ilustração de aluno representando os ciclopes, personagens presentes nos mitos gregos (VIrginia Gastaldi)

O texto acima foi escrito há mais de duas décadas, mas a polêmica sobre alfabetizar ou não crianças na pré-escola ainda é grande. Há uma tendência à concordância na rejeição das práticas de exercício motor, repetição e cópia. O que a elas se opõe, porém, deve ser objeto de discussão, visto que, muitas vezes, essa oposição acaba por desconsiderar o que nelas há de melhor, ou seja, a responsabilidade da Educação Infantil com a alfabetização. Cabem, então, esclarecimentos sobre o que se entende por alfabetização, uma vez que é isso que está em jogo quando a discussão emerge, mas nem sempre a isso se faz referência. Enquanto as discussões se arrastam, grande parte das pré-escolas (e escolas) – públicas e particulares – está longe de serem ambientes em que circulam práticas de leitura e escrita em suas variadas formas, ou seja, ambientes alfabetizadores, e assim deixam de criar para as crianças a oportunidade de participar dessas práticas e com elas aprender. Um ambiente alfabetizador na Educação Infantil em nada se assemelha a práticas tediosas ou precoces.Continue lendo >