Mural de marcas

Elaborar com os pequenos um espaço com fotos e outros elementos relacionados a eles contribui para a construção da identidade
avisala_37_jeitos4.jpg

Fotos: arquivo da Escola Criarte – SP/SP

O início da vida escolar marca um período de transição para qualquer criança, pois ela passa a conviver num segundo ambiente socializador. O primeiro é a sua casa. Esse processo de introdução à escola é gradual. As primeiras experiências são usualmente chamadas de adaptação, um tempo que varia de acordo com cada uma e que estabelece os primeiros vínculos dentro da instituição. Todo processo educativo envolve, de alguma maneira, aspectos emocionais. Na Educação Infantil, eles são intensos, pois desempenham papel fundamental no desenvolvimento infantil. A emoção age no nível da segurança, e essa estrutura possibilita prazer e bem-estar. A escola propicia a relação com o conhecimento e isso só acontece de maneira eficiente quando há confiança e estímulo.Continue lendo >

Que choro é esse?

Elemento constante da vida das crianças pequenas e, portanto, da rotina dos educadores, o choro revela sentimentos e necessidades das crianças e exige um ouvido atento de quem quer ajudá-las a se desenvolver bem

Embora haja muita produção acadêmica sobre desenvolvimento infantil, nem sempre é possível derivar do material acadêmico uma prática que apóie as questões interpessoais e emocionais enfrentadas pelos professores. Faltam mais relatos sobre situações reais vividas, pois explicitar determinados episódios cotidianos ajuda na reflexão. Portanto, a decisão de publicar o material a seguir visa contribuir para ampliar o olhar sobre o tema. No CEI Grão da Vida, no qual supervisiono1 um grupo de estagiárias de enfermagem da Universidade Santos Amaro – UNISA, a coordenadora pedagógica Vera Figueiredo – Teca, ao conduzir um grupo de educadores no estudo de alguns capítulos do livro Ética na Educação Infantil2, identificou como tema importante para estudo as necessidades individuais das crianças pequenas.

Algumas situações relatadas ao longo dos grupos de estudo ajudam a pensar sobre a questão.
Continue lendo >

Saúde todo dia

O CEU CEI Aricanduva, na Zona Leste paulistana, investe na formação dos educadores para uma efetiva promoção de saúde no cotidiano escolar das crianças
avisala_30_jeitos2.jpg

Além do filtro no refeitório, foi implantado um bebedouro na área externa

Num Centro de Educação Infantil (CEI), educar e cuidar das crianças são faces da mesma moeda. Integra o tempo de a criança ser acolhida, cuidada, alimentada, de ela repousar, aprender a cuidar de si própria e conhecer mais sobre o mundo que está ao seu redor. Neste processo, o educador exerce um papel fundamental: ele cuida e educa especialmente seu grupo de crianças, acompanhando o desenvolvimento de cada uma, construindo parcerias com as famílias, acolhendo e negociando os conflitos que surgem no dia-a-dia. Acreditando na importância da formação desse educador, iniciamos uma parceria com o Programa Capacitar Educadores – Promoção de Saúde no Centro de Educação Infantil – CEI1 em 2006, contribuindo para a implementação do nosso projeto de educação permanente dos profissionais, integrando cuidar e educar.

A participação no projeto é coordenada pelo Instituto Avisa Lá, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo (SME) e financiada pelas empresas Gerdau e C&A. Esta parceria resulta do nosso compromisso em atender o direito das crianças a uma educação de qualidade. Tanto a direção quanto a coordenação pedagógica identificam que o principal caminho é a formação continuada, para subsidiar e operacionalizar o projeto pedagógico, tendo em vista mudanças efetivas na qualidade do atendimento destinado às crianças.
Continue lendo >

Adeus às fraldas…

Deixar de usar fralda e aprender a ir ao banheiro é um processo significativo que precisa de atenção especial dos educadores, sempre em parceria com a família
avisala_29_jeitos2.jpg

Desenho feito por Danyelle

Em nosso meio cultural, as crianças aprendem a usar o sanitário em torno de dois anos de idade. Nesta fase, elas começam a se interessar pelas suas excreções e experimentar, com mais consciência, as sensações provocadas pela contração e pelo relaxamento dos esfíncteres anal e vesical. Vale lembrar que os esfíncteres são músculos compostos por fibras circulares concêntricas dispostas em forma de anel, que controlam o grau de amplitude de um determinado orifício. No caso dos esfíncteres anal e vesical, eles controlam a saída das fezes e da urina. As crianças adquirem maior controle sobre essas musculaturas a partir dos 18 meses de idade. Como todo desenvolvimento orgânico, esse é um processo que integra fatores biológicos, emocionais e cognitivos. No final do segundo ano de vida, a bexiga urinária possui maior capacidade, permitindo que a criança retenha o xixi por mais tempo e mantenha-se seca em intervalos maiores, o que logo é percebido pela professora e pelos pais.
Continue lendo >

Areia: as crianças adoram, já os adultos…

Seja na praia ou no parquinho, no quintal ou na beira dos rios, os pequenos se deliciam com a areia. Mas, nos espaços de educação infantil, a vivência com a areia continua pouco incentivada. Veja como ela pode ser incorporada no dia-a-dia das crianças de forma criativa e segura

avisala_27_jeitos011.jpg

Crianças brincam na EMEI Profa Ana Maria Pappovic


Dos centros urbanos às comunidades indígenas (como mostram algumas fotos deste artigo), a areia desperta o interesse, a imaginação e a alegria dos pequenos. Muitos são os motivos que os levam a manipulá-la, se divertir e aprender com ela. Para começar, é fácil brincar com a areia: bastam duas mãos ou um pedacinho de pau para criar formas e desenhos. A areia oferece bons desafios, como vencer sua resistência ou obter consistências diversas ao misturá-la com água. Encher baldes, formas, planejar um castelo ou outras construções possibilita às crianças vivenciarem conceitos que só mais tarde poderão ser formalizados. Observar a areia escorrer por tubos e canos, descer numa ampulheta ou fazer caminhos no chão são experiências que podem ser planejadas por um professor preocupado em estimular as crianças a construir conhecimentos.

Oportunidades de aprendizado

Além do mais, brincar com areia proporciona muitas simbologias. Usada como elemento neutro, ela pode fazer o papel de muitas coisas: comidinhas que são misturadas nas panelas com folhas e água; material de construção que caminhões e carrinholas carregam de lá para cá e daqui para lá; sujeira para ser varrida; “pó de pirlimpimpim”; ou o que for necessário para alimentar o faz-de-conta de cada um. Também pode ser simbólica do ponto de vista da linguagem, pois muitas vezes a areia se torna a “companhia” para a criança conversar consigo mesma e estabelecerem diferentes narrativas.Continue lendo >

Um prato cheio de aprendizagens

Misturando saberes com procedimentos, e uma boa pitada de sensibilidade, o professor pode transformar a hora de comer em uma oportunidade de desenvolvimento infantil

avisala_26_prato1.jpg

Foto: Helô Pacheco/CEI Ação Social Largo 13

A hora de comer oferece ricas aprendizagens se o educador organizar essa experiência, interagir com a criança e desafiá-la a conhecer o ambiente, os pratos, talheres e copos, o outro e a si mesma. Afinal, cuidar é uma maneira de educar as crianças, especialmente até os três anos de idade. Constitui uma forma de se relacionar com o outro que envolve uma atitude de preocupação com o crescimento e o desenvolvimento humanos em toda sua complexidade.

Em um Centro de Educação Infantil – CEI, as atitudes e os procedimentos que operacionalizam o acolhimento diário dos pais e da criança, as refeições, os cuidados pessoais e a segurança devem ser integrados às brincadeiras e atividades pedagógicas, atendendo às necessidades individuais e coletivas de conforto, proteção, segurança, alimentação e aprendizagens específicas para cada idade.

Quando um professor de Educação Infantil toma para si esta tarefa, ele favorece a construção de vínculos de uma forma saudável. Para a criança pequena é imprescindível que alguém a acolha, conforte, cuide, alimente e entenda as razões de seus protestos ou expressões de contentamento e satisfação.
Continue lendo >

Para cada ambiente um cuidado especial

A observação e análise dos espaços e atividades desenvolvidas em centros deeducação infantil permitem a identificação de problemas e soluções para evitar disseminação das doenças mais freqüentes entre crianças e profissionais que convivem nesses ambientes

avisala_24_jeitos1
Quando as famílias procuram um Centro de Educação Infantil (CEI), buscam um atendimento que colabore com a tarefa de educar e criar seus filhos em um ambiente protegido, saudável e, ao mesmo tempo, desafiante e enriquecedor. Em geral, as pessoas atribuem os problemas de saúde das crianças às condições climáticas, às brincadeiras na área externa em dias mais frios, às brincadeiras com água ou areia. É comum o desconhecimento de que os riscos à saúde podem ser decorrentes da organização do trabalho, da falta de procedimentos adequados na limpeza e desinfecção dos espaços, do descuido no preparo dos alimentos e das ações de cuidados, mesmo em instituições com aparência bonita, moderna e aparentemente limpa.

Assim, a tomada de consciência de todos sobre os determinantes do processo saúde-doença é o primeiro passo para construir modos de convívio saudáveis que resultem em qualidade de vida. É necessário um trabalho intenso de informação, estudo e reflexão sobre a forma como se organiza o trabalho nos Centros de Educação Infantil e sobre a responsabilidade de cada profissional na promoção de saúde das crianças e da equipe, para que sejam adotadas as precauções adequadas.
Continue lendo >

Tudo o que eu queria na vida era ler

Casos como o que relatamos a seguir são muito comuns no Brasil: crianças que freqüentam a escola por anos a fio e não conseguem ler nem escrever. Felizmente a situação não é irreversível. Veja o que é possível fazer
avisala_16_ler1.jpg

Foto: Marcelo Pereira Pinto

Fabrício, 10 anos, aluno da quarta série de uma escola pública e do programa de ação complementar EGJ1, é uma entre tantas crianças brasileiras em séries escolares avançadas que não sabem ler nem escrever. Deparei-me com esta realidade ao iniciar o trabalho nos EGJs: Rodrigo, 14 anos, Guilherme, 12 anos, Jéssica, 9 anos, Paulo, 9 anos. Crianças espertas, solícitas, inteligentes, todos alunos assíduos de suas escolas; no entanto, algumas não conheciam as letras, outras eram apenas capazes de escrever o nome. Podia-se dizer que estavam fadadas ao insucesso e a continuar na mesma condição de pobreza em que viviam. Não porque vinham de famílias pobres, pois condição social nunca foi pré-requisito para alfabetização, mas porque não tiveram a sorte de encontrar em seu percurso de aprendizagem condições mais favoráveis ao ingresso no mundo das letras.Continue lendo >

O sol e as crianças

Crianças de todas as idades necessitam tomar sol e permanecer algum tempo ao ar livre para que possam crescer e se desenvolver com saúde. Muitas vezes a organização da rotina não garante que crianças de todas as idades usufruam os benefícios do sol e da área externa em horários adequados. Conheça nessa matéria benefícios e cuidados que garantem às crianças bons momentos ao ar livre.

Continue lendo >

Bruno, suas professoras e as outras crianças…

Seu nome é Bruno. Eu não era sua professora, mas o via de tempos em tempos devido ao trabalho de formação que fazia na creche Casa da Criança. Sei que ele teve um longo processo de adaptação atrapalhado por muitas faltas, quase sempre por problemas de saúde. Quase 3 anos, mas não andava nem falava. Para completar, tomava um remédio fortíssimo por causa da epilepsia. Sem firmeza nas pernas e nos braços, não segurava nem o giz de cera. Como não se sentava sozinho, eu o acompanhava nos momentos de atividade, quando lá estava. Era preciso apoiá-lo em meu peito como se eu fosse uma poltroninha, e mesmo assim escorregava.Continue lendo >