Brincar na quietude

Brinquedos e brincadeiras que envolvem elementos da natureza revelam a imaginação e a criatividade das crianças
Foto: Anne Vidal e João Correia Filho, Exposição Sesc Pinheiros, São Paulo –SP, 2006

Foto: Anne Vidal e João Correia Filho, Exposição Sesc Pinheiros, São Paulo –SP, 2006

Olhar as nuvens no céu e imaginar bichos… Qual é o menino ou menina que tem tempo para fazer isso atualmente? As crianças, principalmente as que vivem em áreas urbanas, têm a agenda lotada de compromissos. “Os adultos inventam uma rotina maluca de serviços terceirizados com aula até para aprender a brincar com os avós”, desabafa a professora Selma Maria Kuasne1, que estuda a Cultura da Infância. “Criança é feita para inventar o mundo, como diz o poeta Manoel de Barros2, e não para aprisionar energia ficando inquieta numa cadeira.” O brincar é a atividade principal das crianças. É durante as atividades lúdicas que elas descobrem como o mundo funciona. Muitos pesquisadores têm se dedicado ao assunto e descoberto coisas valiosas. No caso de Selma, ela aborda as maneiras de brincar de quem mora distante de centros urbanos. Em 2003, por conta de sua pesquisa, ela viajou pelo interior do Brasil, especialmente pelo sertão de Minas Gerais, onde o escritor Guimarães Rosa (1908-1967) nasceu e cresceu e tão belamente descreveu em sua obra.
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Para planejar bem o brincar

A observação, o conhecimento sobre como as crianças de diferentes idades brincam são importantes para planejar o brincar
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Na brincadeira, as regras não limitam a ação lúdica, a criança pode modificá-las, ausentar-se quando desejar, incluir novos membros (fotos: Arquivo da Creche Gota de Leite)

À luz dos registros de uma coordenadora pedagógica, vamos acompanhar as mudanças realizadas em uma instituição de Educação Infantil, acerca da presença do brincar neste espaço. Questões importantes como a organização do ambiente, do tempo e as ações das professoras ajudam a definir a brincadeira como uma das atividades prioritárias dos pequenos, digna de planejamento, de registros e avaliação. Momentos destinados a variadas formas de brincar certamente fazem parte da rotina das Unidades Educativas. E não poderia ser diferente, pois a brincadeira é sempre associada ao desenvolvimento infantil. Ao brincar, desde cedo as crianças conhecem o próprio corpo, o mundo em que vivem e seus objetos, imitam os comportamentos dos adultos à sua volta, assimilando valores e hábitos culturais, elaboram sentimentos e situações vividas. Brincar é uma das formas mais importantes de estar no mundo e pensar sobre ele.

Toda criança sabe brincar. E justamente por ser a brincadeira expressão típica da infância, muitas vezes acreditamos que ela sempre acontece naturalmente e não necessita da intervenção do adulto. Mas o planejamento da brincadeira deve ser idêntico ao de outras atividades? Precisamos propor novas organizações do espaço, ou a criança é quem deve criar os cantos destinados ao brincar? Como pensar a brincadeira na rotina de CEIs e de escolas de Educação Infantil?

Neste artigo, teremos a oportunidade de discutir essas questões a partir das reflexões feitas pela coordenadora pedagógica Carla Luizato Pereira sobre o projeto realizado na instituição Gota de Leite, em Santos (SP).Continue lendo >

Entre as sombras e as luzes : um contraste que diverte e ensina

Desde muito pequenas, as crianças se encantam com a luz e prestam muita atenção às sombras e seus movimentos. Neste artigo, vocês terão a oportunidade de conhecer um trabalho sobre luzes e sombras, conferindo como crianças de 9 meses a 2 anos de idade aprenderam e brincaram com esses elementos e seus contrastes
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Jean Morette – Contes de Grimm

Luzes e sombras têm realmente sua poesia. Oscilantes, mais ou menos intensas, elas brincam, sugerem formas, movimentos e até mesmo sensações. Há muito, esse contraste tem sido utilizado para encantar, sentir e fazer sonhar, como acontece no Teatro de Sombras. Não à toa, portanto, crianças são atraídas pelo jogo das luzes e das sombras. Quem trabalha com bebês e crianças bem pequenas sabe como uma fonte de luz pode chamar-lhes a atenção, e como o simples “acende e apaga” se transforma numa divertida brincadeira.

Crianças um pouco mais velhas gostam de brincar com sua própria sombra, tentando alcançá-la como em um jogo, entretendo-se também com os movimentos que fazem e as formas que produzem, a depender da hora do dia e da posição do Sol. Há tempos também sabemos que aquilo que encanta e atrai as crianças pode ser um bom tema para a elaboração de projetos nas escolas e creches.

Além da diversão, os assuntos abordados devem trazer informações, levantar questões e possibilitar a expressão das hipóteses das crianças. Em São Paulo, a formadora Clélia; a coordenadora pedagógica Delzuita; as professoras Ana, Rita, Vera, Nadires e Vera Lúcia, do Centro Comunitário e Creche Sinhazinha Meirelles, realizaram uma interessante seqüência de atividades com luzes e sombras, em que crianças bem pequenas (entre 9 meses a 1 ano e meio) puderam observar os contrastes, brincar com os resultados derivados da experiência, adquirindo mais repertório para suas brincadeiras e explorando o espaço físico da creche a partir do jogo entre claro e escuro.
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Uma leitura inusitada: Harry Potter aos 4 anos

A professora Marcela põe abaixo, neste artigo, um mito da educação infantil: o de que não é possível ler livros com muitas páginas, sem ilustrações, para crianças muito pequenas. O entusiasmo de sua turma de leitores mirins com um texto considerado complexo para a faixa etária conduz a um repensar das propostas comumente oferecidas aos pequenos
Montagem do rosto ampliado de João Pedro sobre papelão dá origem ao “bruxo” que sobrevoa a sala de aula

Montagem do rosto ampliado de João Pedro sobre papelão dá origem ao “bruxo” que sobrevoa a sala de aula

Hoje se sabe, devido a inúmeras pesquisas etnográficas e piscolingüísticas, que viver em um ambiente no qual ler e escrever integra o cotidiano faz toda a diferença para o desenvolvimento de competências leitoras e escritoras. Dentre as inúmeras ações que uma criança ainda na educação infantil pode presenciar e participar, sem dúvida, a leitura compartilhada, dialógica, é uma das mais importantes. As interações entre adultos e crianças que uma leitura em voz alta pode proporcionar contribui para a construção de habilidades comunicativas fundamentais em nossa cultura da informação. Segundo Teberosky e Ribeira1, “O processo cognitivo de ler não é um processo natural, mas propiciado pelas interações com pessoas mais experientes no mundo letrado e que contribui para as formas de comunicação em nossa sociedade”.

Nessa atividade de leitura de um livro longo a professora, no caso a leitora experiente, conhecendo bem as experiências culturais de suas crianças, amplia significativamente a capacidade comunicativa desses leitores não convencionais. Neste caso, o cinema, por meio da filmografia de Harry Potter, não só virou pretexto para o encontro de crianças de 4 anos com a literatura, como também possibilitou um incremento do jogo simbólico e de outros conhecimentos, como se um grande caldeirão cultural fosse transportado para a sala de aula. Como num passe de mágica, o conhecimento foi oferecido tal qual um prato saboroso, convidativo, a ser degustado e transformado pelas crianças.Continue lendo >

Brincar com a água e aprender na ação

Um dia de sol, muito calor no parque. Na volta para a sala, um grupo de crianças da creche educandário são domingos fez uma parada para beber água. mas nesse dia, tomar água foi algo diferente do que acontece todos os outros dias no grupo de crianças de 2 e 3 anos

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Sol, água e brincadeiras no desenho de uma criança do minigrupo da Creche Jardim Miriam


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Água com moderação é questão de educação

Água com moderação é questão de educação

Como conciliar as aprendizagens, a vontade e o prazer que as brincadeiras de água proporcionam com a saúde e o cuidado com o meio ambiente
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O educador tem um papel fundamental no planejamento das atividades com água

Lavar panelinhas, dar banho nas bonecas, fazer bolhas de sabão, navegar o barquinho de papel, tomar banho de esguicho. Que criança não gosta de brincar com água? O contato da água com o corpo, a pele, os cabelos, sobretudo nos dias de intenso calor, é fonte de prazer e muita aprendizagem. Por esses motivos, as brincadeiras com água são tão freqüentes entre os pequenos.

Apesar dos benefícios e do prazer que o contato com a água traz para as crianças, é preciso cuidado ao desenvolver atividades que envolvam consumo de água, sobretudo nos dias de hoje, em que o mundo todo discute formas de enfrentar uma das maiores crises sociais e naturais de todos os tempos: a falta de água.

Estudos prevêem que, nos próximos 20 anos, haverá uma queda de cerca de um terço na média mundial de abastecimento por habitante. Embora a Terra seja um planeta composto em sua maior parte por água, apenas 1% é próprio para o consumo, e é justamente essa pequena cifra que está ameaçada pela poluição, pelo desperdício, pelas mudanças climáticas e, principalmente, pelo aumento do consumo mundial de água que, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), dobra a cada 20 anos.
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Mil e Uma Noites – uma aventura de faz de conta

Quando era professora, desenvolvi um projeto que procurava integrar o estudo sobre diferentes povos e o faz-de-conta da criança. Hoje, distanciada dessa experiência, aproveito este espaço para avaliar e refletir a respeito da relação lúdica que as crianças estabelecem com o conhecimento, procurando mostrar, por meio de minha experiência, como é possível alimentar suas brincadeiras e ao mesmo tempo apresentar a elas uma outra cultura

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Brincadeiras e Jogos no Parque

Os espaços lúdicos ao ar livre estão presentes na maioria das instituições de educação infantil, mas nem sempre fazem parte do projeto pedagógico. Refletir sobre o tempo dedicado às brincadeiras de parque, os materiais e equipamentos oferecidos, a formação dos grupos e as formas de interação das crianças com o ambiente, entre si e com os adultos, pode contribuir para que a utilização do espaço seja permeada de intencionalidade educativa. Nesta matéria, vamos discutir como planejar o uso do espaço lúdico ao ar livre através de soluções criativas e de baixo custo, que valorizam a brincadeiraContinue lendo >