Ler é Presente

O projeto social “Ler é Presente”, realizado pelo Instituto Avisa Lá com o apoio da Ultragaz, finalizou suas atividades de 2019, beneficiando mais de 1.100 crianças. A iniciativa aconteceu em escolas públicas de São Paulo e Minas Gerais, onde funcionários da empresa, após serem capacitados, praticaram a  leitura em sala de aula. Ao mesmo tempo em que os voluntários conheceram novos autores, puderam encantar as crianças com a leitura em voz alta de livros literários e a realização de rodas de conversa sobre o que foi lido. Resultados Ler é Presente 2019

Práticas de Leitura na Escola – 2o. episódio

“Leitura em voz alta pelo professor” é o 2o. episódio da Série Práticas de Leitura na Escola, uma parceria do Avisa Lá com a Cia das Letras.
Nesta edição, Ana Carolina Carvalho fala sobre o contato das crianças com a linguagem escrita por meio da leitura feita pelo professor – momento importante em que também é estabelecida uma conexão com a magia do texto literário. Confira!

Qual é a melhor versão?

Sabemos que ler diariamente na escola é fundamental, mas serve qualquer livro? Veja aqui a discussão a distância entre profissionais de educação sobre critérios de escolha de acervo literário para crianças

No curso online* sobre leitura pelo professor, propusemos uma unidade de estudo sobre os critérios de seleção de textos para serem lidos para as crianças. Para além da ilustração, do tema e do gênero, o que é preciso considerar? Como selecionar o texto a partir de uma apreciação literária atenta à linguagem empregada?

Desenho: Arquivo Instituto Avisa Lá

Desenho: Arquivo Instituto Avisa Lá

Para iniciar a discussão, fizemos uma pesquisa e, depois, abrimos um fórum para discutir as justificativas de cada voto. Foi um sucesso! Tivemos 1.283 visitas a esse fórum, com 183 comentários em duas semanas. Foram produzidos tantos posts que não seria possível relacionar todos os nomes dos participantes e todos os comentários. Nesse artigo, procuramos realizar uma síntese e resgatar os momentos mais importantes da conversa.

Esperamos, com a apresentação do resultado de nosso trabalho, levar esse debate às escolas, provocando discussões que possam alimentar os momentos de reflexão e de estudo dos professores.

Tudo começou com uma escolhaContinue lendo >

Investigando contextos de formação do leitor

Crianças de quinto ano revelam sua trajetória como leitoras e a importância de alguns influenciadores: escola e família
Desenho: Pedro Melo Valim de Camargo

Desenho: Pedro Melo Valim de Camargo

Os resultados da mais recente pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”1 confirmam que os leitores mais experientes que convivem com crianças têm papel fundamental no ensino de comportamentos leitores, promovendo o contato com livros e a formação do repertório cultural dos leitores em formação. É deles a responsabilidade de mostrar às novas gerações o sentido e as características da linguagem escrita, e isso acontece de diversas maneiras. Por exemplo, servindo como modelo e inserindo-as em práticas de leitura. Assim, fica evidente a importância da participação da família e da escola nesse processo, que começa mesmo antes de a criança ler convencionalmente.Continue lendo >

Lendo para conhecer um autor

Rodas de leitura aproximam alunos dos traços característicos de um dos maiores escritores da literatura infantil inglesa contemporânea

Há algum tempo as rodas de leitura vêm fazendo parte da rotina de muitos professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Realizadas quase sempre no início do dia, nelas os alunos apreciam diferentes tipos de textos e compartilham suas impressões acerca das obras lidas em voz alta pelo professor ou pelos próprios colegas que retiram regularmente títulos do acervo escolar para apreciá-los em casa.

Um dos grandes desafios encontrados na prática dessa atividade é o de construir e aprofundar sentidos em torno das leituras comuns, criando um espaço sistemático de convivência e de relacionamento entre leitores e livros por meio da mediação de um leitor mais experiente. Além disso, esse trabalho possibilita a experiência do compartilhar, comparando a leitura individual com aquela realizada coletivamente.

No Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação Dra. Zilda Arns (Cecape), em São Caetano do Sul (SP), as professoras participam de várias atividades formativas. Continue lendo >

O espaço e a leitura

A organização de um lugar especial colabora para a relação dos pequenos leitores com os livros
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Crianças de Araraquara (SP) exploram e aprendem a manusear os livros (fotos: Eliana Chalmers Sisla)

Todos guardamos relações valiosas com muitos espaços que frequentamos ao longo da vida. Muitos ambientes permanecem vivos dentro de nós, despertando sentimentos e sensações com suas sombras ou luzes, seus cheiros, sua imensidão ou pequenas dimensões. Quem é que não se lembra dos longos corredores da escola, do pátio, de algumas salas de aula, ou de cantinhos que viraram casas, cabanas, esconderijos? Além de nos relacionarmos de afetivamente com alguns espaços que se tornam parte de nossa história, somos apresentados ao mundo também por meio dos ambientes em que vivemos. Pense, por exemplo, numa criança que aprende a engatinhar e a ficar em pé. Ela saberá muito sobre equilíbrio, força e apoio a partir de suas experiências com o espaço e seus móveis. Uma criança que entra na escola obterá muito rapidamente informações sobre o que vai ocorrer lá dentro, a partir da disposição das mesas, ou carteiras, da lousa, se há ou não acesso a livros, a brinquedos e a materiais.

Todo ambiente é carregado de intencionalidade. A maneira como o organizamos reflete o que queremos que aconteça ali e que relações permitimos que o usuário estabeleça com o lugar. Continue lendo >

Livros e brinquedos com muito significado

Trabalho com obras literárias permite que crianças pequenas construam conhecimentos sobre si e o entorno e façam parte do mundo contemporâneo
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Hellen Jessica C. Souza, E.M. Cecília Meireles, Juiz de Fora, MG

O filósofo e historiador holandês Johan Huizinga1 nos propõe o interessante conceito de homo ludens para pensarmos naquela propriedade que caracteriza tão bem a espécie humana e sua capacidade de tornar lúdicas as relações imediatamente perceptíveis. Para além do homo sapiens, para quem a inteligência outorgava-lhe o status de ser superior aos demais, e do homo faber, para quem o trabalho operava de modo dialético como um instrumento humanizante, para Huizinga será o conceito de homo ludens o que melhor definirá nossas capacidades humanizantes e humanizadoras.

O ludens refere-se àquilo que em nós brinca, cria sentidos, opera magias e encantamentos e, para isso, não há faixa etária específica. O ludens refere-se, pois, à capacidade de interpretar e de criar realidades. Estas últimas regidas não mais pela lógica da causalidade e da funcionalidade, mas, se preferirmos, pela lógica do absurdo, da imaginação, da representação. Uma lógica ludens opera com as mais diversas relações inúteis à vida cotidiana, o que significa afirmar que não há lógica nem serventia aparente e que são exatamente tais características que definem sua magia.
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O politicamente correto nas histórias infantis

Personagens de narrativas que provocam medo e tristeza nas crianças são fundamentais para que elas reconheçam seus sentimentos e possam refletir sobre seus dramas
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Ilustração: Samuel Casal. in O Turbante da Sabedoria e Outras Histórias de Nasrudin, de Ilan Brenman. Edições Sm, 2008

Nas últimas décadas, especialmente a partir dos anos 1980, tem-se prestado cada vez mais atenção ao termo “politicamente correto”. O que ele significa exatamente? Segundo a enciclopédia virtual Wikipédia, faz parte de uma política que consiste em tornar a linguagem neutra em termos de discriminação e evitar que possa ser ofensiva para certas pessoas ou grupos sociais, como a linguagem e o imaginário racistas ou sexistas. Exemplos não faltam. É possível enumerar diversas expressões que foram varridas da mídia, dos livros e de nossas conversas por serem politicamente incorretas, ou seja, por conterem ideias discriminatórias ou pejorativas relação a um grupo. No entanto, será que este comportamento é sempre positivo ou pertinente?

Recentemente, nota-se uma tendência de levar o “politicamente correto” para as histórias e cantigas tradicionais pelo fato de elas apresentarem conteúdos supostamente inadequados ou violentos demais para as crianças. Será que você já ouviu a famosa canção Atirei o pau no gato, entoada de maneira diferente da original, alardeando uma letra mais pacífica? Veja: “Não atire o pau no gato, porque ele é nosso amigo…” Ou então, já escutou versões em que o lobo não come a vovó nem a Chapeuzinho Vermelho em um dos mais famosos contos de fadas?
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Prazer de fazer em casa

Atividades lúdicas feitas por crianças em seus lares permitem que os pequenos aprendam a estudar de maneira autônoma e responsável

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As atividades enviadas para casa pelas escolas de Educação Infantil da rede municipal de ensino de São José dos Campos (SP) vão além das tarefas. Elas constituem um conjunto de ações que as instituições desenvolvem há tempos, como empréstimos de livros, pastas de socialização de projetos e trabalho com leitura de textos memorizados (caderno de leitura). No entanto, há dois anos, iniciamos um trabalho, em parceria com as famílias, com o objetivo de significar essas atividades. Para ampliar o envolvimento dos pais com a aprendizagem dos filhos, buscamos melhorar a compreensão deles em relação à proposta pedagógica estendendo as ações para além das reuniões, de palestras e conversas.Continue lendo >