A comunicação pela escrita

Simples troca de cartas coloca em prática o uso real da escrita e permite que os alunos de educação infantil e de séries iniciais do ensino fundamental se apropriem cada vez mais do nosso idioma
Produções feitas pelas crianças da Escola Criarte -SP

Produções feitas pelas crianças da Escola Criarte -SP

Durante o primeiro semestre, na Escola Criarte1, elaboramos projetos que favoreçam a autonomia dos alunos, estimulem a ampliação de seus conhecimentos, aprimorem as relações em grupo e contribuam para a organização do trabalho. “Correspondências” foi um dos projetos desenvolvidos pelo Grupo 62, em 2010. Pretendia-se, com esse projeto, desenvolver e ampliar a linguagem escrita e verbal pelo intercâmbio de correspondências, resgatar o hábito pela comunicação por meio de cartas – hábito comum entre pais e avós –, e ter acesso à internet.

Com base no apoio e no incentivo às amizades e no aprimoramento da oralidade, da leitura e da escrita, propusemos uma maneira envolvente de desenvolver essas habilidades com a produção e troca de correspondências entre os pequenos. Eles se mostraram animados diante dessa possibilidade e, por isso, logo iniciamos os estudos a respeito das diversas formas de nos comunicarmos por meio da escrita. Começamos pela definição de bilhete, carta e e-mail. Por meio de pesquisas e de várias produções, as crianças tiveram a oportunidade de se apropriar desses portadores textuais e de redigir seus recados a destinatários diversos (fotos ao lado e abaixo).

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Em roda, houve uma discussão sobre o que era preciso para a viabilização de uma troca de correspondências. As crianças, sempre espertas, responderam: “Saber ler”, “Saber escrever”, “Saber o número da porta”, “Saber o número do prédio”, “Saber o nome da pessoa”, “Saber onde é a rua”, “Precisa saber se fica perto do Parque do Ibirapuera ou do Shopping Ibirapuera”, “Tem que saber mexer na internet”, “Precisa perguntar para os pais o nome todo da pessoa”, “Precisa saber o endereço. É só perguntar para alguém e escrever certinho”, “Não. Tem um lugar que tem os endereços e chama agenda” etc.

Confeccionamos as agendas do Grupo 6 para que todos pudessem exercitar a escrita em casa. No decorrer das atividades, os alunos identificaram os elementos que compõem uma carta: cabeçalho, introdução, desenvolvimento e despedida. Indicamos diversas maneiras de início e de finalização para as correspondências, que serviram de apoio às produções.

Produção de cartas
Uma das etapas do projeto foi a leitura em capítulos de livros que tratam do tema correspondências, como Felpo Filva, de Eva Furnari3. A história desse coelho-poeta encantou o grupo que, a cada dia, se divertia com suas trapalhadas. As crianças ficaram curiosas em relação aos biscoitinhos da avó do personagem e logo pediram para que preparássemos a receita descrita no livro.

Houve também uma roda de apreciação de papéis de cartas decorados, que serviu de inspiração para a elaboração dos papéis que o grupo preparou para redigir as próprias correspondências, como também os respectivos envelopes. Iniciadas as trocas de cartas entre as crianças, depositadas nas respectivas caixas de correio da nossa sala, elas se mostraram bastante entusiasmadas com a proposta e muito envolvidas com a redação dos textos.

Em um jogo, cada aluno sorteou o nome de um amigo, que passou a ser o destinatário. Às sextas-feiras, abriam-se as caixas do correio. As crianças ficavam eufóricas, tentando descobrir quem havia escrito para quem. A entrevista com o carteiro foi uma etapa igualmente importante, marcada pela expectativa de conhecerem o trabalho desse profissional. Antes da visita, todas elas elaboraram uma carta para ser entregue ao carteiro. O porteiro Antonio se encarregou de entregar pessoalmente a cartinha.

Fotos: Sandra Spartani

Foto: Sandra Spartani

Um pouco de Arte
Ao longo desse trabalho a área de Artes, com foco em arte postal4, também esteve presente. Os estudos sobre os cartões-postais foram iniciados com uma roda de apreciação dos cartões enviados pelos pais. A seguir, os comentários das crianças:

– Tem pessoas.
– Tem quadros.
– Tem bichos.
– Tem países.
– Tem pinturas.
– Tem desenhos.
– Tem fotos. É só olhar e clic!
– Tem lugar para escrever. Eu vi as linhas para escrever em cima.
– Tem um quadrado atrás. É para colocar o selo?
– Não! É para fazer um desenho. Um desenho bem pequenininho.
– Não! É para fazer um retrato.
– Olha! Aqui tem um postal que tem um selo neste quadradinho.
– Eu vi que tem outros quadradinhos mais pequenininhos ainda. É para colocar um monte de selinhos?
– Ah, eu acho que isto não existe.
– Sandra, para que serve estes quadradinhos?
– Para colocar o CEP. Alguém sabe o que é CEP? – disse a professora.
– Ah, já sei. Nas placas de rua tem o nome da rua e uns números. Aqueles números são o CEP, né? Minha mãe me contou.
– No cartão-postal também tem muitas letras. É o nome da pessoa que fez o postal?
– É o endereço?
– Eu acho que não. O endereço é a gente que escreve. Não pode vir escrito. Se eu quiser mandar um cartão para um amigo e outro cartão para outro amigo, cada um mora numa casa. Então eu preciso escrever dois endereços.
– Então, se não é o endereço, o que está escrito?
– Eu li. Tá escrito Egypt. Acho que é Egito, porque tem fotos de camelos e pirâmides. – Ah, então as letrinhas devem ser os nomes dos lugares.
– Se eu receber este aí de castelo, é só ler atrás para saber onde é, né?
– Nossa! Que legal!
– Mas a gente ainda não sabe ler muito bem com estas letrinhas (imprensa minúscula).
– Sandra, lê para a gente os nomes de todos esses lugares?

A roda foi concluída com informações sobre os diversos locais apresentados nos postais e a leitura dos nomes dos artistas que os ilustraram. As crianças criaram os próprios cartões e selos com diversas técnicas artísticas.

Cartinhas para Rondônia
Além dos objetivos citados no início deste artigo, o projeto também propiciou aos pequenos a utilização das correspondências como fonte de pesquisa. Por intermédio de Beatriz Gouveia, mãe de Dora, foi possível um contato com uma escola de Rondônia. O intuito era fazer com que as crianças trocassem correspondências e descobrissem aspectos culturais, sociais e físicos desse estado brasileiro.

Os pequenos rondonienses moram em Ariquemes e cursam o 2º ano5 do Ensino Fundamental I, na Escola Municipal de Educação Infantil e de Ensino Fundamental Chapeuzinho Vermelho. O primeiro contato se deu pelo envio de um e-mail de apresentação do grupo no qual as crianças relataram a satisfação de as duas escolas poderem trocar correspondências. Também descreveram a Escola Criarte e algumas características da turma.

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Em seguida, foram elaboradas cartas individuais nas quais cada criança se descreveu e contou um pouco sobre suas preferências, além de formular uma pergunta relacionada a uma curiosidade (vide carta individual). Cada um também elaborou o autorretrato a ser enviado com a correspondência. Quando as respostas chegaram, a euforia tomou conta de todos.

Os conteúdos eram variados, e as crianças quiseram compartilhar com a turma as notícias recebidas dos novos amigos. Todas as cartas foram lidas. As cartas seguintes versaram sobre as pesquisas. Nelas, cada um teve a possibilidade de descobrir um mundo diferente, reconhecer coisas novas e explorar mais curiosidades. Enquanto as respostas com informações sobre a cidade de Ariquemes e o estado de Rondônia eram aguardadas, houve uma roda sobre os presentes que poderiam ser enviados para as crianças da EMEIEF Chapeuzinho Vermelho. As propostas dos pequenos foram as seguintes:

– Que tal a gente fazer um jogo?
– Não. Vai ficar muito grande e o carteiro não vai ter como levá-lo.
– E um livro com receitas?
– Boa ideia!
– A gente podia comprar uns bonequinhos do Ben 106.
– Ah, não. Lá tem muitas meninas e elas podem não gostar de Ben 10.
– Vamos fazer os biscoitinhos do Felpo Filva e mandar o livro para eles. O livro não é sobre cartas? Então, a gente manda o livro com os biscoitinhos.
– Boa ideia!

A sugestão foi aprovada por unanimidade! Preparamos os deliciosos biscoitos e enviamos para Ariquemes. Recebemos o presente das crianças de Rondônia com muita alegria.

Projeto em quadrinhos
Como uma coisa puxa outra, tivemos a ideia de descrever todo o trabalho em uma história em quadrinhos (HQ). As crianças de Ariquemes também desenvolveram um projeto sobre HQ. Por isso, puderam colocar em prática os conhecimentos adquiridos no decorrer do semestre. Quando recebemos a história em quadrinhos feita pela turma de Rondônia, o Grupo 6 se divertiu muito ao se ver retratado na história.

Eu me emocionei ao ver como o grupo da professora Neide me imaginava. Agora, esse gibi faz parte do acervo da nossa biblioteca e é comum ver as crianças relendo a história, tecendo novos comentários e reconhecendo o carinho demonstrado pelos novos amigos. Logo as férias chegaram! Propus uma atividade para esse período: cada um deveria escolher um local de São Paulo para fotografar e redigir uma carta aos amigos de Rondônia contando algo sobre essa localidade. Diversos pontos de São Paulo foram privilegiados.

Na volta às aulas, as crianças apresentaram suas composições e perceberam que um novo semestre se iniciava. Com ele, novos projetos e novas sequências de atividades começaram a ser desenvolvidas. E um pedido especial: “Nós não vamos parar de mandar cartinhas para os nossos amigos, né?” Combinamos que enviaríamos cartas ou e-mails para Ariquemes sobre nossas novidades e perguntaríamos sobre as deles. As correspondências entre as crianças do nosso grupo também não se findaram! As caixas individuais de correio continuam na sala.

Produções feitas pelas crianças da Escola Criarte -SP

Produções feitas pelas crianças da Escola Criarte -SP

No decorrer do semestre, elas se apropriaram de diversos saberes referentes às correspondências, colocados em prática no momento da elaboração de um livro individual inspirado na obra O carteiro chegou, de Allan e Janet Ahlberg.7 Na publicação, cada um elaborou diferentes tipos de correspondências: carta, cartão- postal e até anúncio de venda para os diferentes personagens dos contos de fadas. O resultado foi uma produção muito bem-humorada e recheada de textos que foram escritos, relidos e revisados pelos próprios autores.

O Projeto Correspondência suscitou discussões muito interessantes, proporcionou a produção de textos bem elaborados, despertou o prazer pela leitura e possibilitou a amizade entre crianças de dois estados brasileiros. Além disso, foi possível observar, ao longo do semestre, alguns fundamentos defendidos pela pesquisadora argentina Delia Lerner, mais especificamente em seu livro Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário:

Projetos não são suficientes para instaurar uma relação tempo-saber que leve em conta o tempo da aprendizagem e preserve o sentido do objeto de ensino. Para consegui-lo, é necessário: articular muitas temporalidades diferentes, como atividades que se desenvolvam com certa periodicidade durante um quadrimestre ou um ano – ler notícias, contos ou curiosidades tal dia da semana, por exemplo – contribuir para se familiarizar com certos gêneros e para consolidar os hábitos de leitura, situações pontuais – como escrever uma mensagem por correio eletrônico para um aluno de outra escola – podem contribuir para consolidar certas práticas de comunicação por escrito.8

O trabalho também enfatizou a comunicação como prática social da linguagem, como bem demonstram as investigações de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky:

“O indivíduo deve compreender como funciona o processo de construção da escrita, encontrando um sentido no que está fazendo. Quando os alunos interagem com outras pessoas socialmente, são desafiados a evoluir e preencher ainda mais as lacunas da sua bagagem cultural. Os conhecimentos adquiridos nos relacionamentos sociais serão os propulsores de um novo saber que, imediatamente, serão somados e adicionados ao saber linguístico que os alunos trazem.”9

Enquanto isso, em Ariquemes…
Quando recebi o convite para participar do Projeto Correspondências, em parceria com a professora Sandra, fiquei muito entusiasmada. Trabalhar com projetos sempre é muito interessante, além de ser uma situação didática que apresenta uma expectativa no produto final. Também é uma modalidade que proporciona às crianças reflexão sobre a língua em práticas de leitura e escrita.

Ao aceitar a proposta, vieram algumas inquietações, pois nem todas as crianças liam e escreviam convencionalmente. No entanto, ao realizar as primeiras atividades, percebi que isso não era motivo de preocupação, descobri que, por estarem em hipóteses diferenciadas, não era o caso de privá-los de situações comunicativas. A coordenadora pedagógica da escola, Meire Débora Facundes, confirma:

É oportuno o professor desenvolver projetos didáticos com propósitos comunicativos tão claros. Com esse trabalho, nossas crianças conseguiram comunicar o que aprenderam. Além dos avanços das crianças na escrita, evidenciamos nesse processo o quanto a formação continuada do Programa Além das Letras10 tem contribuído com a formação profissional em nossa escola, pois, no início do projeto, já tínhamos começado nossas primeiras reflexões sobre produção de textos e isso possibilitou um olhar mais atento na hora de planejar e como proceder para criar verdadeiras situações de aprendizagens para as crianças.

Para efetivação do projeto, realizamos algumas etapas, que seguem:

  • Roda de leitura – Durante alguns dias, realizei a leitura de cartas em uma roda de leitura para repertoriar as crianças. Em uma dessas atividades, levei uma correspondência que havia recebido de meu namorado, hoje meu marido. Elas adoraram ouvir a leitura. Outras correspondências apareceram na sala, trazidas pelos alunos para serem lidas. Paulatinamente, fui apresentando a estrutura do gênero: saudação, despedida, data, local, remetente, destinatário e também o suporte desse gênero textual, o envelope.
  • Produção coletiva – Nossa primeira produção surgiu a partir do recebimento da primeira correspondência, enviada por e-mail pelas crianças paulistanas, da professora Sandra. Após a leitura da carta, elaboramos um texto coletivo. Durante essa escrita, tivemos de decidir coletivamente qual seria o conteúdo. Após muitas opiniões, concluímos que descreveríamos nossa escola e apresentaríamos algumas características: Nossa escola tem uma biblioteca, sala de informática, mesa de pingue-pongue, campo de areia e tem dois parquinhos; neles tem gangorras, balanços, uma grande mangueira, um pé de jaca e uma grande árvore com muitas flores. Para as crianças do Grupo 6 ficarem curiosas e também para despertar a imaginação de cada uma delas sobre quem seria seu amigo a distância, enviamos uma foto da turma, embaixo de uma árvore da escola, a paineira. Em alguns momentos da escrita, retornávamos ao texto para verificar o que precisaria ajustar para a carta ficar melhor. Nessa primeira escrita, percebi que, embora tivesse lido muitas cartas, não havia sido suficiente para estimular uma boa produção. As intervenções contribuíram para fluir a produção e levá-los a pensar na organização do texto.

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  • Produções individuais – Essa atividade foi um pouco diferente da primeira. Os pequenos descreveram suas características e contaram sobre o que mais gostavam de fazer. O momento foi oportuno por permitir que eles refletissem um pouco sobre a escrita, pois tinham como desafio a organização do discurso do gênero, como também pensar nas convenções ortográficas. Ao fim da produção, cada um desenhou-se para o amigo secreto a distância conhecê-lo melhor. Depois da primeira escrita individual, as crianças continuaram se correspondendo com os colegas a distância e passaram a se conhecer melhor por meio de sucessivas cartas. Nesse momento, foi possível perceber os comportamentos escritores, pois, durante a produção, elas liam, reliam várias vezes o que havia sido escrito, reescreviam e, quando acreditavam que o texto estava bom, passavam-no a limpo.
  • Produções em trio – Na roda de conversa, discutimos alguns temas selecionados sobre nossa região. Essa atividade foi realizada em trio, e cada grupinho ficou com um tema. Uma criança era a escriba e as outras duas ditavam o que escreveriam. O desafio para elas era descrever brincadeiras, danças, comidas, frutas, lugares e músicas da região.

Momentos de trocas
Recebidas as cartas das crianças da professora Sandra, meus alunos ficaram eufóricos. Após o recebimento, reservei um momento para que cada um pudesse compartilhar o conteúdo de sua carta com a turma. Percebi o quanto dá sentido à atividade uma produção de texto quando se tem um propósito comunicativo.

O presente para o amigo secreto a distância surgiu a partir de uma experiência pedagógica desenvolvida em Buenos Aires (Argentina), descrita no livro Compreensão da leitura e expressão escrita: a experiência pedagógica11. Fundamentados nessa experiência, trabalhamos com foco no produto final: preparar um presente coletivo para o amigo secreto a distância. Como estávamos desenvolvendo um projeto de história em quadrinhos (HQ) desde o início do ano, propus às crianças a elaboração de uma HQ, nosso presente para a turma de São Paulo. Elas adoraram a ideia.

Decidido o presente, partimos para a discussão em sala de aula. O que escrever? Um aluno sugeriu falarmos sobre o processo de correspondências. Mais uma vez, surgiram novas preocupações. Como produzir um presente coletivo de história em quadrinhos? Para que todos participassem, fiz os seguintes encaminhamentos:

  • Produzimos o texto coletivo, em que eu fiz o papel de escriba. Durante o trabalho, surgiram alguns conflitos. Por exemplo, como escreveriam o fim do texto sem saber que presentes receberiam? Decidiram que ganhariam muitos amigos a distância.
  • Todos escreveram uma parte do texto e também ilustraram a revista em quadrinhos. Esse momento foi muito engraçado para mim, pois cada um me desenhou de um jeito. As crianças não possuem as mesmas habilidades, mas são bem criativas. Durante a elaboração das ilustrações, também me emocionou bastante o fato de elas registrarem as características da escola, da sala e até a maneira como ilustram seus pensamentos, como imaginavam os amigos secretos quando receberam a primeira correspondência. Foi muito lindo!
  • Montamos uma equipe responsável pela postagem do presente no correio. Fizemos uma roda de conversa sobre os procedimentos necessários para se enviar uma correspondência pelo correio. Ruan foi logo dizendo: Eu retirei a senha. Todo empolgado, comentou com a turma que ficaram esperando na fila até chegar o momento de eles entregarem para a funcionária do correio a encomenda. Ruan contagiou os colegas ao falar da alegria que sentiu ao postar e assinar o documento de envio do presente. Presente enviado, ficamos esperando o presente das crianças do Grupo 6. A turma da professora Sandra enviou um riquíssimo livro – Felpo Filva, de Eva Furnari – e um pacotinho de biscoitos de uma receita descrita no livro. Realizei a leitura por partes, durante alguns dias. Sempre que chegava a carta da personagem Charlô, eu parava para aguçar a curiosidade. Quando terminei a leitura, combinamos que cada dia uma criança levaria o livro para casa e leria para os pais, que indiretamente também participaram do projeto.
foto tirada debaixo da paineira, especialmente para os amigos de São Paulo (Foto: acervo EMEIEF Chapeuzinho Vermelho – RO)

foto tirada debaixo da paineira, especialmente para os amigos de São Paulo (Foto: acervo EMEIEF Chapeuzinho Vermelho – RO)

O trabalho proporcionou inúmeras aprendizagens. Hoje, os alunos leem e escrevem melhor, e, pelas informações mencionadas nas cartas, puderam conhecer um pouco sobre as crianças do Grupo 6 e também sobre São Paulo. Pude constatar que as condições oferecidas contribuíram para o avanço de todos. No início, onze crianças encontravam-se na hipótese alfabética, seis eram silábico-alfabéticos, seis eram silábico-qualitativos (com valor sonoro), um era silábico-quantitativo (sem valor sonoro) e um era pré-silábico. Ao término, só uma criança estava na hipótese silábico-qualitativa (com valor sonoro) e dois eram silábico-alfabéticos. Os demais, alfabéticos.

Esse resultado demonstra o quanto é importante oferecer condições didáticas adequadas para que os alunos qualifiquem a leitura e a escrita. Saber o que escrever, para que escrever, para quem escrever despertou-as para uma escrita cada vez mais abundante e melhor.

(Sandra Spartani, formada em Pedagogia e Artes Visuais e professora da Escola Criarte, em São Paulo – SP; e Rosineide Barbosa da Silva, formada em Pedagogia e professora da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Chapeuzinho Vermelho – EMEIEF -, em Ariquemes – RO)

1A Escola Criarte atende a crianças de 2 a 6 anos, em São Paulo – SP

2As crianças do Grupo 6 têm entre 5 e 6 anos.Foi o grande divulgador da ideia de que o objetivo da Sociologia era reformar a sociedade. Ross não teve pares entre os sociólogos americanos em sua vida. Foi um estudioso erudito, palestrante, inspirador, reformador, corajoso e intransigente defensor da liberdade individual.

3Felpo Filva, de Eva Furnari. Ed. Moderna. Tel.: 0800-17-2002. Site: www.moderna.com.br.

4Trata-se de correspondências trocadas entre artistas plásticos na década de 1960. Esse movimento deu origem a mais uma forma de expressão da Arte contemporânea e se caracterizou por ser um meio de expressão livre no qual envelopes, telegramas, selos ou carimbos postais são alguns suportes possíveis para a expressão da sensibilidade. Os artistas utilizavam, principalmente, técnicas como colagens, fotografia, escrita ou pintura.

5As crianças do 2º ano têm 7 anos.

6Ben 10 é uma série de desenho animado, veiculado pela Cartoon Network. Os brinquedos são vendidos na versão de jogos de mesa ou bonecos de cada personagem.

7O carteiro chegou, de Allan Ahlberg e ilustrações de Janet Ahlberg. Ed. Companhia das Letrinhas. Tel.: (11) 3707-3500. Site: www.companhiadasletras.com.br

8Em Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário, de Delia Lerner. Ed. Artmed. Tel.: 0800-703-3444. Site: www.artmed.com.br

9Em Psicogênese da língua escrita, de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. Ed. Artmed. Tel.: 0800-703-3444. Site: www.artmed.com.br

10O programa Além das Letras é uma iniciativa do Instituto Avisa Lá e do Instituto Razão Social. É composto de uma premiação e de uma rede de formadores, que também conta com o apoio tecnológico da IBM, por meio da iniciativa Reinventando a Educação.

11Compreensão da leitura e expressão escrita: a experiência pedagógica, de Delia Lerner, Magaly Pimentel e Alicia Palacios. Ed. Artmed. Tel.: 0800-703-3444. Site: www.artmed.com.br.

Ficha Técnica

  • Escola Municipal de Educação Infantil e de Ensino Fundamental Chapeuzinho Vermelho
    Endereço: Setor 03 – Rua Vitória, 2924 – Ariquemes – RO. CEP: 76870-352 Tel.: (69) 3535-5341 E-mail: [email protected]
    Site: www.chapeuzinhovermelho.com.br
    Diretora: Terezinha Aparecida Costa Sanches
    Vice-diretora: Rosemeire Pereira Torres
    Coordenadora pedagógica: Meire Débora Facundes
    Formadoras locais: Claudiene Dias da Silva e Sandra da Silva Duarte
    Professora: Rosineide Barbosa da Silva E-mail: [email protected]

     

    Desenho feito por criança da escola Criarte – SP

    Desenho feito por criança da escola Criarte – SP

  • Escola Criarte
    Endereço: Rua Vahia de Abreu, 696 – Vila Olímpia – São Paulo – SP. CEP: 0549-003 Tel.: (11) 3842-7277 / 3842-4613
    E-mail: [email protected]
    Site: www.criarte.com.br
    Diretora: Vânia Luiza Avalos Maciel
    Coordenadora pedagógica: Luciana Caserta
    Professora: Sandra Spartani E-mail: [email protected]
    Professora auxiliar (na ocasião do projeto): Fernanda Gasparetto
  • Programa: Além das Letras
    Coordenadora: Beatriz Gouveia
    E-mail: [email protected]
    Consultora: Débora Rana
    E-mail: [email protected]
    Parceiro: Instituto Razão Social
    Responsabilidade técnica: Instituto Avisa Lá

Para Saber Mais

Livro

  • Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário, de Delia Lerner. Ed. Artmed. Porto Alegre. Tel.: 0800-703-3444. Site: www.artmed.com.br

Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #45 de janeiro de 2011. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF através de nossa loja virtual – https://loja.avisala.org.br

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