O espaço e a leitura

A organização de um lugar especial colabora para a relação dos pequenos leitores com os livros
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Crianças de Araraquara (SP) exploram e aprendem a manusear os livros (fotos: Eliana Chalmers Sisla)

Todos guardamos relações valiosas com muitos espaços que frequentamos ao longo da vida. Muitos ambientes permanecem vivos dentro de nós, despertando sentimentos e sensações com suas sombras ou luzes, seus cheiros, sua imensidão ou pequenas dimensões. Quem é que não se lembra dos longos corredores da escola, do pátio, de algumas salas de aula, ou de cantinhos que viraram casas, cabanas, esconderijos? Além de nos relacionarmos de afetivamente com alguns espaços que se tornam parte de nossa história, somos apresentados ao mundo também por meio dos ambientes em que vivemos. Pense, por exemplo, numa criança que aprende a engatinhar e a ficar em pé. Ela saberá muito sobre equilíbrio, força e apoio a partir de suas experiências com o espaço e seus móveis. Uma criança que entra na escola obterá muito rapidamente informações sobre o que vai ocorrer lá dentro, a partir da disposição das mesas, ou carteiras, da lousa, se há ou não acesso a livros, a brinquedos e a materiais.

Todo ambiente é carregado de intencionalidade. A maneira como o organizamos reflete o que queremos que aconteça ali e que relações permitimos que o usuário estabeleça com o lugar. Continue lendo >

Revista Avisa lá #38

Interação no berçário

Tempos, espaços, materiais e boas intervenções pedagógicas determinam a qualidade de atendimento a bebês em espaços de educação infantil
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B2: Apreciando imagens de movimento (foto: Clarice Ramos)

Segundo o Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa, a palavra ambiente pode ser compreendida como aquilo que rodeia ou envolve os seres por todos os lados e constitui o meio em que se vive. E na Educação Infantil, o que rodeia e envolve as crianças? As respostas variam de acordo com o contexto, mas certamente ligadas à organização de tempos, espaços e materiais presentes na instituição. Como princípio, acredito que esses elementos precisam ser bem organizados para possibilitar descobertas e aprendizagens.Continue lendo >

Mural de marcas

Elaborar com os pequenos um espaço com fotos e outros elementos relacionados a eles contribui para a construção da identidade
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Fotos: arquivo da Escola Criarte – SP/SP

O início da vida escolar marca um período de transição para qualquer criança, pois ela passa a conviver num segundo ambiente socializador. O primeiro é a sua casa. Esse processo de introdução à escola é gradual. As primeiras experiências são usualmente chamadas de adaptação, um tempo que varia de acordo com cada uma e que estabelece os primeiros vínculos dentro da instituição. Todo processo educativo envolve, de alguma maneira, aspectos emocionais. Na Educação Infantil, eles são intensos, pois desempenham papel fundamental no desenvolvimento infantil. A emoção age no nível da segurança, e essa estrutura possibilita prazer e bem-estar. A escola propicia a relação com o conhecimento e isso só acontece de maneira eficiente quando há confiança e estímulo.Continue lendo >

Pelo direito de beber água

Algo aparentemente simples e fundamental, como o ato de matar a sede, em geral, encontra dificuldades de ser concretizado a contento em escolas de educação infantil
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Torneiras com água filtrada para adultos e crianças maiores

Imagine a seguinte cena: Um bebedouro de alvenaria e uma caneca de plástico. Quem tem sede na escola – seja aluno, funcionário ou qualquer outra pessoa da comunidade –, basta ir até ele e se servir de um pouco de água. A pessoa toma a água na caneca disponível e coloca-a de volta no mesmo lugar. Detalhe: sem lavá-la. Esse procedimento era corriqueiro em nossa instituição. A situação incomodava-nos, mas não sabíamos como resolver o problema.
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Mobiliário – a hora de compartilhar

Um olhar cuidadoso para o local das refeições reflete na atitude das crianças

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Ao considerar que os rituais de uma refeição agradável e saudável são de extrema importância para a formação e o convívio social das crianças, nós, do CEI Jardim Rodolfo Pirani, sensibilizamo-nos e trabalhamos para que eles sejam vivenciados. Acreditamos que, ao oferecermos aos alunos pratos, talheres, mesas, cadeiras adequados e um local limpo e arejado, estamos dando as condições necessárias para que aprendam os rituais, que estão relacionados à escolha daquilo que se quer comer, à capacidade de se servir, ao respeito pelo trabalho de quem preparou o alimento, à possibilidade de conviver com o outro durante a refeição. Isso pode ser algo que, muitas vezes, as crianças não encontram em casa, entre os familiares, e, como profissionais da educação, devemos proporcionar-lhes isso.

O projeto Hora de compartilhar – a vez do gestor veio complementar a sistematização das práticas de alimentação no CEI Jardim Rodolfo Pirani, ao qual questões de espaço físico e mobiliário estão intimamente ligadas. Segundo o professor Antonio Vinão Frago: O espaço físico não apenas contribui para a realização da educação, mas é em si uma forma silenciosa de educar. Esta frase sintetiza o nosso pensamento, deixando claro que o espaço não é apenas um cenário, mas sim o local onde se desenvolve a educação. E foi com este olhar que este projeto foi construído.Continue lendo >

Um projeto aliado ao brincar

Nas unidades educacionais o brincar organiza o ambiente, a rotina e traz à tona o papel do professor
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Fotos: Arquivo Sme de São Bernardo do Campo

No município de São Bernardo do Campo, em São Paulo, um dos 30 participantes da primeira edição do Programa Formar em Rede1, percebeu-se, após a realização de uma avaliação inicial sobre o brincar em suas creches conveniadas, a necessidade de ampliação dos olhares dos educadores em relação ao espaço destinado às brincadeiras. O diagnóstico revelou, ainda, a necessidade de se investir na proposição de momentos de brincadeiras e suas intervenções, direta ou indiretamente. Essa tarefa colocou o profissional em um contexto de aprendizagem real no qual ele aprende fazendo, errando, acertando, tomando decisões. Desta forma, a resolução de problemas, um dos princípios da formação de educadores, foi contemplado diretamente.
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Saúde todo dia

O CEU CEI Aricanduva, na Zona Leste paulistana, investe na formação dos educadores para uma efetiva promoção de saúde no cotidiano escolar das crianças
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Além do filtro no refeitório, foi implantado um bebedouro na área externa

Num Centro de Educação Infantil (CEI), educar e cuidar das crianças são faces da mesma moeda. Integra o tempo de a criança ser acolhida, cuidada, alimentada, de ela repousar, aprender a cuidar de si própria e conhecer mais sobre o mundo que está ao seu redor. Neste processo, o educador exerce um papel fundamental: ele cuida e educa especialmente seu grupo de crianças, acompanhando o desenvolvimento de cada uma, construindo parcerias com as famílias, acolhendo e negociando os conflitos que surgem no dia-a-dia. Acreditando na importância da formação desse educador, iniciamos uma parceria com o Programa Capacitar Educadores – Promoção de Saúde no Centro de Educação Infantil – CEI1 em 2006, contribuindo para a implementação do nosso projeto de educação permanente dos profissionais, integrando cuidar e educar.

A participação no projeto é coordenada pelo Instituto Avisa Lá, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo (SME) e financiada pelas empresas Gerdau e C&A. Esta parceria resulta do nosso compromisso em atender o direito das crianças a uma educação de qualidade. Tanto a direção quanto a coordenação pedagógica identificam que o principal caminho é a formação continuada, para subsidiar e operacionalizar o projeto pedagógico, tendo em vista mudanças efetivas na qualidade do atendimento destinado às crianças.
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Muitos mundos numa única sala

Poderosa ferramenta de trabalho com as crianças pequenas, a organização de cantos de atividades diversificadas ainda não é uma prática usual no brasil, apesar de antiga em outros países. As instituições que experimentam a proposta obtém resultados significativos

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Os cantos de atividades diversificadas são uma modalidade de organização do espaço e do trabalho que oferece várias possibilidades de atividades ao mesmo tempo, de modo que as crianças possam escolher onde estar e o que fazer. Tais momentos são diários e acontecem por um período delimitado, entre 40 e 60 minutos. Esses cantos consideram a necessidade de acesso, por exemplo, a brinquedos e atividades de expressão plástica, sendo seguidos e/ou precedidos de outras formas de organização do tempo didático, incluindo atividades tais como roda de história, leitura, lanche, parque e também projetos e seqüências que possuem objetivos específicos de aprendizagem.

No Centro de Educação Infantil (CEI) da Mina, no bairro de Heliópolis, na cidade de São Paulo, há uma preocupação tanto com a constância como com a inovação das propostas oferecidas nos cantos de atividades diversificadas, para que estes sejam sempre convidativos e contemplem muitas oportunidades de construção de conhecimentos. Não faltam, assim, no planejamento atividades lúdicas voltadas à interação entre as crianças e objetos, como um aconchegante canto de leitura, mesa com propostas artísticas, espaço de faz-de-conta e jogos.
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Areia: as crianças adoram, já os adultos…

Seja na praia ou no parquinho, no quintal ou na beira dos rios, os pequenos se deliciam com a areia. Mas, nos espaços de educação infantil, a vivência com a areia continua pouco incentivada. Veja como ela pode ser incorporada no dia-a-dia das crianças de forma criativa e segura

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Crianças brincam na EMEI Profa Ana Maria Pappovic


Dos centros urbanos às comunidades indígenas (como mostram algumas fotos deste artigo), a areia desperta o interesse, a imaginação e a alegria dos pequenos. Muitos são os motivos que os levam a manipulá-la, se divertir e aprender com ela. Para começar, é fácil brincar com a areia: bastam duas mãos ou um pedacinho de pau para criar formas e desenhos. A areia oferece bons desafios, como vencer sua resistência ou obter consistências diversas ao misturá-la com água. Encher baldes, formas, planejar um castelo ou outras construções possibilita às crianças vivenciarem conceitos que só mais tarde poderão ser formalizados. Observar a areia escorrer por tubos e canos, descer numa ampulheta ou fazer caminhos no chão são experiências que podem ser planejadas por um professor preocupado em estimular as crianças a construir conhecimentos.

Oportunidades de aprendizado

Além do mais, brincar com areia proporciona muitas simbologias. Usada como elemento neutro, ela pode fazer o papel de muitas coisas: comidinhas que são misturadas nas panelas com folhas e água; material de construção que caminhões e carrinholas carregam de lá para cá e daqui para lá; sujeira para ser varrida; “pó de pirlimpimpim”; ou o que for necessário para alimentar o faz-de-conta de cada um. Também pode ser simbólica do ponto de vista da linguagem, pois muitas vezes a areia se torna a “companhia” para a criança conversar consigo mesma e estabelecerem diferentes narrativas.Continue lendo >

Um prato cheio de aprendizagens

Misturando saberes com procedimentos, e uma boa pitada de sensibilidade, o professor pode transformar a hora de comer em uma oportunidade de desenvolvimento infantil

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Foto: Helô Pacheco/CEI Ação Social Largo 13

A hora de comer oferece ricas aprendizagens se o educador organizar essa experiência, interagir com a criança e desafiá-la a conhecer o ambiente, os pratos, talheres e copos, o outro e a si mesma. Afinal, cuidar é uma maneira de educar as crianças, especialmente até os três anos de idade. Constitui uma forma de se relacionar com o outro que envolve uma atitude de preocupação com o crescimento e o desenvolvimento humanos em toda sua complexidade.

Em um Centro de Educação Infantil – CEI, as atitudes e os procedimentos que operacionalizam o acolhimento diário dos pais e da criança, as refeições, os cuidados pessoais e a segurança devem ser integrados às brincadeiras e atividades pedagógicas, atendendo às necessidades individuais e coletivas de conforto, proteção, segurança, alimentação e aprendizagens específicas para cada idade.

Quando um professor de Educação Infantil toma para si esta tarefa, ele favorece a construção de vínculos de uma forma saudável. Para a criança pequena é imprescindível que alguém a acolha, conforte, cuide, alimente e entenda as razões de seus protestos ou expressões de contentamento e satisfação.
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