Ler é Presente

O projeto social “Ler é Presente”, realizado pelo Instituto Avisa Lá com o apoio da Ultragaz, finalizou suas atividades de 2019, beneficiando mais de 1.100 crianças. A iniciativa aconteceu em escolas públicas de São Paulo e Minas Gerais, onde funcionários da empresa, após serem capacitados, praticaram a  leitura em sala de aula. Ao mesmo tempo em que os voluntários conheceram novos autores, puderam encantar as crianças com a leitura em voz alta de livros literários e a realização de rodas de conversa sobre o que foi lido. Resultados Ler é Presente 2019

Por dentro da moda

As roupas, os sapatos e acessórios contam muito sobre uma cultura e um tempo histórico. Por isso, constituem um rico material de investigação para as crianças de todas as idades
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Caixas de leite viram sapatos (fotos do desfile das crianças: Flávia Cunha Lima)

O mundo natural e social é campo de investigação para os cientistas, mas, sobretudo, para as crianças, que têm o frescor da dúvida, da inquietação, da curiosidade, do desejo de conhecer. As crianças pequenas possuem muito interesse acerca do mundo em que vivem, portanto, é preciso que a escola corresponda às expectativas infantis e dê respaldo às suas inquietudes e investigações.

As situações de aprendizagem devem proporcionar um caldo cultural fértil, capaz de aguçar ainda mais o desejo das crianças de construir explicações para o mundo. Na Educação Infantil, a aproximação das crianças com alguns procedimentos investigativos próprios das ciências naturais e sociais traz ótimos frutos1. Portanto, é necessário auxiliá-las na formulação de perguntas e explicações sobre o universo a ser conhecido; na utilização de diferentes fontes de informação; na busca por conhecimento em locais específicos, tais como bibliotecas, museus; na leitura e interpretação de registros, como desenhos e fotografias.

Além disso, fazer com que a criança aprenda a registrar informações (utilizando desenhos, textos orais ditados ao professor, comunicação oral registrada no gravador etc.) contribui para que ela valorize o conhecimento. Esses procedimentos são ferramentas importantes para a formação desses pesquisadores mirins, que têm um jeito muito particular de ver o mundo, repleto de relações criadas segundo sua ótica, que é simbólica e lúdica por natureza.Continue lendo >

Encontros e despedidas

Talvez a competência mais importante para uma professora de educação infantil seja Ouvir – assim mesmo, com “O” maiúsculo – suas crianças. Neste relato, karina, com delicadeza, humor e sabedoria, apresenta pequenas pérolas do pensamento infantil e deixa transparecer a qualidade dos vínculos que construiu com seu grupo de crianças

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Desenho: Teresa, 5 Anos


São 25 crianças de 4 anos, no período da manhã, e mais 35 no período da tarde. Para cuidar dos pequenos na sala de aula, só eu, Deus e os cinco anjos da guarda que cada um deles deve ter. Sim, porque cada criança pequena deve ter mais de um anjo da guarda. Afinal, elas fazem as maiores loucuras todos os dias e sempre voltam para casa inteiras. Mesmo nas condições mais complicadas conseguem se divertir, já que no caso desta turma, estudam em uma “escola de latinha”1. E, além disso, elas ainda dividem a alegria de viver conosco, as desvalorizadas professoras da Educação Infantil.

Infelizmente, muita gente não percebe que, trabalhando com crianças, dá para colecionar diariamente gotinhas de sabedoria, carinho e felicidade, mesmo desde o primeiro encontro, quando muitos choram, porque querem ir embora. Difícil essas coisas da vida. Eles chegam tão bebês, não sabem pegar no lápis, ir ao banheiro sozinhos. Muitos não sabem nem tirar a blusa quando faz calor ou falar o que pensam e sentem. Sofrem demais com essa coisa de ter de ir para um lugar desconhecido, sem nenhuma pessoa familiar por perto, só porque os adultos decidiram que é bom para eles.

Alguns choram muito, desesperados, mas, aos pouquinhos vão aprendendo que tem hora para tudo. Hora para aprender a amarrar o cadarço do tênis ou hora para aprender a se defender dos outros. E logo se dão conta de que, por mais que demore, a hora de ir para casa sempre vem. E, aos pouquinhos, eles vão aprendendo a contar o que pensam, a negociar, a conviver com os “nãos” e com os pontos de vista diferentes.
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