Pensar e representar

A representação de uma vitória-régia impulsiona trabalhos que envolvem o raciocínio matemático, artes e muita interação entre crianças de pré-escola

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No fim do primeiro semestre de 2006, ao sairmos de férias, eu e a professora auxiliar Rebeca Schneider Mesquita já sabíamos que no reinício das aulas entraríamos em contato com a comunidade de Portel1, da Amazônia, para trocar informações sobre os modos de vida e aspectos da natureza. Assim, pensamos em desenvolver com o grupo 5 (crianças entre 4 e 5 anos), da Escola Vera Cruz, em São Paulo – SP, uma proposta que proporcionasse troca de experiências e permitisse o contato com outras culturas do País. Nesse contexto, e diante do intercâmbio cultural que iríamos desenvolver, aproveitei o momento para contar em sala as lendas amazônicas. Entre elas, estava a da vitória-régia. A partir da narrativa, todos ficaram muito interessados em conhecer a flor que era mencionada no texto. Começamos, assim, a coletar informações a respeito da região. Em uma das pesquisas, ficamos sabendo sobre o tamanho da folha e mais curiosidades, como o fato de ela medir até 2 metros de diâmetro e suportar o peso de uma pessoa. Em uma das fotos selecionadas pelas crianças na internet, vê-se a planta com sua flor e um bebê sentado sobre ela.
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Elementos da natureza e a produção em arte

Pesquisa e coleta de folhas, sementes, galhos e cascas de árvore despertam nas crianças o senso estético e possibilitam um trabalho com formas, linhas e texturas
Pintura da folha da palmeira e extração de tinta de beterraba

Pintura da folha da palmeira e extração de tinta de beterraba

Todos os anos, realizamos na Escola Tipuana, em São Paulo – SP, uma exposição de artes na festa da primavera, homenageando a Tipuana, árvore que dá nome à instituição e que floresce nessa época do ano. Unindo a beleza da estação com o nosso olhar artístico, realizamos, em 2008, um trabalho que favoreceu o diálogo das crianças com alguns artistas contemporâneos brasileiros. Luiz Sôlha, Arthur Luiz Piza, Beatriz Milhazes, Vick Muniz, Artur Bispo do Rosário, Carlos Vergara e Frans Krajcberg foram os escolhidos. Suas obras contribuíram para despertar e aguçar nos pequenos o olhar sensível e indagador, bem como o senso estético por meio da exploração de cores, formas, linhas e texturas. Além disso, esses fazeres artísticos alimentaram e possibilitaram estabelecer relações com os projetos de sala do semestre.Continue lendo >

Professores, crianças e a cidade

O lugar onde se vive é um excelente tema de trabalho com os pequenos de pré-escola porque possibilita a valorização da produção artística com essa faixa etária
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Ilustrações feitas pelas crianças da Rede Municipal de Educação de Recife – PE

Crianças entre 4 e 6 anos constroem cenas em seus desenhos. São marcantes os entornos, os cenários e as situações em que há casinhas, ruas, jardins, habitantes, céus, carros etc. Estamos diante de um indivíduo inserido em um contexto cultural, com imagens estáticas e em movimento, e que, por isso mesmo, alimentam suas produções. Por esse motivo, é fundamental oferecer desenhos, pinturas e gravuras aos pequenos. A intenção é dar repertório para ampliar o próprio universo gráfico e as possibilidades de representações com linguagens particulares, além de permitir que eles pensem sobre suas produções.

Exatamente por isso, elaborei algumas seqüências de atividades que serviram como guias, motes para propor conversas entre os professores, suas turmas e as cidades. Contudo, caberia fundamentalmente a cada educador adequar, criar situações, selecionar materiais e, principalmente, acompanhar todas as etapas para, coletivamente, definir novos passos. E assim, como parte do processo de formação continuada Continue lendo >

Dinossauros ajudam a pesquisar, ler e escrever

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Produção feita pelas crianças do Colégio Santo Américo

No Colégio Santo Américo, na cidade de São Paulo, os dinossauros contribuíram para um trabalho sobre textos informativos. Através da construção de um jogo tipo Super Trunfo1, diversos tipos de textos passaram a fazer parte do cotidiano da sala de aula. Isso possibilitou às crianças ampliarem seus conhecimentos e repertório, apropriando-se assim da linguagem específica de cada texto, estabelecendo um vínculo prazeroso com a leitura e a escrita.

Os textos informativos propiciam às crianças vontade de ir à busca de conhecimentos, pesquisar e ampliar a aprendizagem através da curiosidade. Dinossauro é um tema pelo qual as crianças mostram interesse. É a ponte entre o real e o imaginário. Continue lendo >

Dinossauros alimentam o brincar

Um projeto bem direcionado possibilita a criança desenvolver pensamento investigativo, aprendendo a se perguntar e a procurar respostas

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No primeiro semestre tínhamos em nossa classe alguns dinossauros de brinquedo, e embora não fosse esse o tema dos estudos, percebíamos que, nas brincadeiras, as crianças demonstravam já possuir informações sobre esses animais. Integravam esses conhecimentos à ficção, construíam “casas” para os dinossauros, havia o pai, a mãe, o filho; separavam os animais em carnívoros e herbívoros, criavam diálogos. Observávamos, também, que elas buscavam entender a extinção dos dinossauros (atualmente, sabemos que não foram totalmente extintos, pois as aves são seus descendentes), se referiam a seus hábitos alimentares, aos diferentes tamanhos e ao ambiente em que viviam.

Quando, naquele semestre, pensamos em uma proposta para o evento do Sábado de Atividades com os pais do Jardim 2 – classe em que somos professoras de crianças de 5 anos, achamos que a construção de um ambiente para os dinossauros na areia seria uma proposta adequada para o nosso grupo. Pensamos que os pais, juntamente com seus filhos, poderiam modelar dinossauros e vulcões de argilas além de confeccionar plantas, rios e cachoeiras, criando um ambiente para os dinossauros. O evento aconteceu e deixou marcas. No segundo semestre encontramos os “fósseis dos dinos” e iniciamos o projeto.Continue lendo >

Voando alto

O estudo das aves dá asas à imaginação, desperta a curiosidade e estimula o conhecimento das crianças. Nesse percurso, a produção de desenhos contribui para a observação e a pesquisa da turma
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Desenhos feitos pelas crianças do pré 2, do Colégio Santa Cruz e ilustrações de pássaros retiradas do livro Brasil 500 Pássaros, Eletronorte, 2000

Ao longo de um semestre, os alunos do Pré 2, com 5 anos de idade, estudaram as aves. As propostas desenvolvidas durante esse período favoreceram rodas de conversa, atividades de observação e registro, além de pesquisas e muitas descobertas. Como sabemos, do estudo nascem dúvidas, e com este assunto não foi diferente: as crianças trouxeram para as conversas suas certezas, fizeram conjecturas e demonstraram curiosidades que desencadearam um movimento de observação e pesquisa acerca do mundo das aves:Continue lendo >

Por dentro da moda

As roupas, os sapatos e acessórios contam muito sobre uma cultura e um tempo histórico. Por isso, constituem um rico material de investigação para as crianças de todas as idades
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Caixas de leite viram sapatos (fotos do desfile das crianças: Flávia Cunha Lima)

O mundo natural e social é campo de investigação para os cientistas, mas, sobretudo, para as crianças, que têm o frescor da dúvida, da inquietação, da curiosidade, do desejo de conhecer. As crianças pequenas possuem muito interesse acerca do mundo em que vivem, portanto, é preciso que a escola corresponda às expectativas infantis e dê respaldo às suas inquietudes e investigações.

As situações de aprendizagem devem proporcionar um caldo cultural fértil, capaz de aguçar ainda mais o desejo das crianças de construir explicações para o mundo. Na Educação Infantil, a aproximação das crianças com alguns procedimentos investigativos próprios das ciências naturais e sociais traz ótimos frutos1. Portanto, é necessário auxiliá-las na formulação de perguntas e explicações sobre o universo a ser conhecido; na utilização de diferentes fontes de informação; na busca por conhecimento em locais específicos, tais como bibliotecas, museus; na leitura e interpretação de registros, como desenhos e fotografias.

Além disso, fazer com que a criança aprenda a registrar informações (utilizando desenhos, textos orais ditados ao professor, comunicação oral registrada no gravador etc.) contribui para que ela valorize o conhecimento. Esses procedimentos são ferramentas importantes para a formação desses pesquisadores mirins, que têm um jeito muito particular de ver o mundo, repleto de relações criadas segundo sua ótica, que é simbólica e lúdica por natureza.Continue lendo >

O que nos contam as caveiras

Ao aproveitar o interesse das crianças pelas horripilantes histórias de caveiras e esqueletos, professoras de são paulo encontram maneira criativa de pesquisar e vivenciar o corpo humano
Desenhos feitos pelas crianças da Escola de Educação Infantil Recreio e retirados da Revista Avisa Lá, nº 15, junho/2003

Desenhos feitos pelas crianças da Escola de Educação Infantil Recreio e retirados da Revista Avisa Lá, nº 15, junho/2003

O projeto Caveiras Imaginárias, Esqueletos Científicos foi desenvolvido ao longo do 2º semestre de 2006 com crianças de cinco anos, na Escola de Educação Infantil Recreio, na cidade de São Paulo. Ao longo deste texto, relataremos nosso percurso, explicitaremos os objetivos e compartilharemos alguns frutos colhidos ao final da trajetória.

Antes de se configurar como um tema de estudos, o esqueleto humano despertava grande interesse no grupo, associado às “horripilantes” histórias de terror, bastante requisitadas pelas crianças! O livro Contos de enganar a morte, de Ricardo Azevedo, reinava soberano em nossas rodas de história, trazendo caveiras em suas ilustrações, além da temática recorrente do moço esperto que não quer “bater as botas” e, para tanto, inventa criativas estratégias para enganar a “marvada” e adiar sua partida “desta para melhor”.

Desmistificando a associação do esqueleto humano com histórias de terror, fantasmas e assombrações, propus às crianças a idéia de estudarmos o corpo humano de maneira científica. Um desafio e tanto, que logo contou com a adesão animada do interessado grupo de crianças.
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Está no almanaque?

Crianças de Osasco-SP avançam na leitura e na escrita ao participar do Projeto Almanaque. Tão rica e colorida quanto o produto final foi a aventura de produzi-lo: juntas, as crianças puderam pesquisar, ditar, escrever, revisar, ilustrar e editar a publicação

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Este é o registro do Projeto Almanaque1, um projeto sobre leitura e escrita de textos de gêneros diversos por meio da confecção de um almanaque, realizado com crianças de 6 anos, em 2004. Idealizar este projeto, planejá-lo em detalhes, participar de formações que foram fonte de subsídios e avaliá-lo constantemente foi um prazer, mas nada comparado à alegria dos resultados com as crianças. Com ele, venci dois desafios que há anos vinha tentando superar: o de compreender como um propósito social pode se articular aos propósitos didáticos e o de trabalhar leitura e escrita de forma significativa em pequenos grupos, aproveitando os conhecimentos prévios das crianças.

Escrevi originalmente o projeto com a ajuda da minha parceira Ana Paula. Depois da orientação da coordenadora da escola, de alguns estudos sobre o tema e de muitas dicas que foram surgindo durante as formações das quais participei, ele foi modificado muitas vezes de acordo com as necessidades das crianças e do conteúdo.Continue lendo >

A microbiologia e os cuidados

Os complexos conceitos da microbiologia se iluminam a partir da visita a um museu dedicado ao tema. Olhar os micróbios e bactérias pelo visor de um microscópio é um dado importante para iniciar uma ação fundamentada com vistas a profissionalizar a higienização em espaços educativos
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Os vírus não são visíveis em Microscópio comum. O Museu de Microbiologia exibe essa réplica, de
tamanho aumentado, feita em plástico

Hoje é consenso entre profissionais que atuam com Educação Infantil que cuidar é constituinte do educar. Isso significa que as creches e pré-escolas precisam planejar e manter ambiente adequado para operacionalização dos cuidados de crianças na faixa etária de quatro meses a seis anos em contexto educativo e coletivo. Para tanto, é preciso que os projetos de formação dos diretores, coordenadores, professores e agentes escolares incluam a construção de conhecimentos sobre cuidados com a saúde. Com a finalidade de contemplar essa necessidade, o Projeto Capacitar na Educação Infantil, desenvolvido na região Leste da cidade de São Paulo por meio de uma parceria entre o Instituto Avisa Lá, a Secretaria de Educação da Prefeitura do Município de São Paulo, as empresas Gerdau e o Instituto C&A, prevê, entre outros objetivos, conteúdos e estratégias formativas com vistas à integração do cuidar e educar e à promoção da saúde.
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