As esculturas e as crianças

A escolha das esculturas para o trabalho de artes com crianças de 3 anos foi uma decisão acertada pois é uma excelente porta de entrada para a experiência estética

A proposta de nutrição estética “Para comer com os olhos”, desenvolvida pela Eduque, envolve leitura visual, fruição de arte, reflexão, registro e construção de conhecimentos específicos da área. Incentiva-se a aproximação ao patrimônio estético cultural da cidade a partir de contatos acumulativos mediados dos alunos com museus de arte da cidade de São Paulo. Vimos, na edição 51 dessa revista, quais os propósitos deste projeto e o relato do trabalho realizado com os alunos do segundo ano do Ensino Fundamental. Continue lendo >

O despertar do olhar e da escuta

Diálogo entre música de vanguarda e arte visual contemporânea favorece a experiência de fruir arte pelas crianças pequenas

A prática educativa deve instigar, provocar, levar à reflexão e, sobretudo, abrir portas para a compreensão da arte que se produz hoje, pois ela caminha na contramão do que a mídia oferece. Deve, portanto, buscar novas estratégias para aproximar essas produções artísticas da realidade infantil. É desse princípio que partimos ao desenvolver um trabalho de artes com criança.Continue lendo >

Proposta de alfabetização estético-visual em museus

Museus e escolas podem ser excelentes parceiros desde que se saiba como aproveitar melhor as especificidades de cada um

Segundo Mirian Celeste Martins:

A arte é importante na escola, principalmente porque é importante fora dela. Por ser um conhecimento construído pelo homem através dos tempos, a arte é um patrimônio cultural da humanidade e todo ser humano tem direito ao acesso a esse saber1.

Comendo com os olhos, Sem título, de Sofu Teshigahara (desenho Henrique Yuji Ueno)

Comendo com os olhos, Sem título, de Sofu Teshigahara (desenho Henrique Yuji Ueno)

Entender a Arte como conhecimento significa articular a criação/produção, a percepção/análise e o conhecimento da produção artístico-estética da humanidade, compreendendo-a histórica e culturalmente. Foi pensando em garantir experimentações sensíveis e estéticas com o patrimônio artístico e cultural da cidade de São Paulo, do povo brasileiro e de outros povos por meio da mediação educativa que nasceu a proposta “Para comer com os olhos: uma proposta de alfabetização estético-visual a partir de contatos acumulativos mediados em museus”.

O legado da humanidade, construído ao longo de séculos por homens e mulheres em tempos e lugares diversos, é um bem simbólico que nem sempre tem sido respeitado e valorizado. Integrá-lo ao conjunto de saberes na Proposta Curricular de Arte possibilita abordar esses valores.

Nos museus, temos contato com a memória, a criação estética, as elaborações artísticas, a própria Arte, que se estrutura como um sistema simbólico, registrando e expressando experiências estéticas e estésicas3 como manifestações humanas.Continue lendo >

Costureiros reais

Crianças de quinto ano revelam sua trajetória como leitoras e a importância de alguns influenciadores: escola e família
Produção feita pelas crianças da Escola Grão de Chão

Produção feita pelas crianças da Escola Grão de Chão

Há grande diversidade de objetos nos espaços em que as crianças estão inseridas, com diferentes características, usos e estéticas. Conhecer o mundo implica conhecer as relações entre os seres humanos, a natureza, os objetos e a forma como interagem com os recursos com os quais dispõem.

Segundo os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCNEI):

Os materiais constituem um instrumento importante para o desenvolvimento da tarefa educativa, uma vez que são um meio que auxilia a ação das crianças. Se de um lado, possuem qualidades físicas que permitem a construção de um conhecimento mais direto e baseado na experiência imediata, por outro, possuem qualidades outras que serão conhecidas apenas pela intervenção dos adultos ou de parceiros mais experientes. As crianças exploram os objetos, conhecem suas propriedades e funções e, além disso, transformam-nos nas suas brincadeiras, atribuindo-lhes novos significados. (Vol. 1. p.71)

Para que os objetos possam ser utilizados como fonte de conhecimentos para as crianças, é necessário criar situações nas quais elas observem e percebam suas características sensíveis e também suas propriedades não evidentes. Foi pensando em oferecer às crianças de 4 e 5 anos do G5 novas informações sobre os materiais e seus usos e propiciar experiências diversas que organizamos o projeto Costureiros reais na Escola Grão de Chão, em São Paulo (SP).Continue lendo >

Um começo que instiga

Ampliar o repertório de imagens pode contribuir para que as crianças se expressem de forma mais consistente e singular
Foto: Valéria Pimentel

Foto: Valéria Pimentel

O que fazer para ampliar o repertório de produção de imagens dos alunos? Há um universo de variações para encaminhar e propor desafios relacionados a esse conteúdo. Em muitas escolas, os professores respondem a essa pergunta planejando atividades que permitam aos alunos:Continue lendo >

Coisas do cotidiano e a criação artística

Além de trabalhar áreas do conhecimento, projeto sobre obras de artista brasileiro estimula os pequenos para que deixem suas marcas na escola
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Piston. Calendário Burti 2003 – Bispo do Rosário (foto: Fernando Chaves)

Como é costume na Escola Tipuana, em São Paulo – SP, homenageamos diversos artistas em nossa exposição anual de Artes. Em 2008, trabalhamos com obras de Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), artista brasileiro contemporâneo que explorava em suas obras objetos do cotidiano, reinventados com sucatas e sobras de materiais, que resultavam em miniaturas, assemblages1, bordados, mantos e estandartes (leia mais sobre ele em texto abaixo).Continue lendo >

Elementos da natureza e a produção em arte

Pesquisa e coleta de folhas, sementes, galhos e cascas de árvore despertam nas crianças o senso estético e possibilitam um trabalho com formas, linhas e texturas
Pintura da folha da palmeira e extração de tinta de beterraba

Pintura da folha da palmeira e extração de tinta de beterraba

Todos os anos, realizamos na Escola Tipuana, em São Paulo – SP, uma exposição de artes na festa da primavera, homenageando a Tipuana, árvore que dá nome à instituição e que floresce nessa época do ano. Unindo a beleza da estação com o nosso olhar artístico, realizamos, em 2008, um trabalho que favoreceu o diálogo das crianças com alguns artistas contemporâneos brasileiros. Luiz Sôlha, Arthur Luiz Piza, Beatriz Milhazes, Vick Muniz, Artur Bispo do Rosário, Carlos Vergara e Frans Krajcberg foram os escolhidos. Suas obras contribuíram para despertar e aguçar nos pequenos o olhar sensível e indagador, bem como o senso estético por meio da exploração de cores, formas, linhas e texturas. Além disso, esses fazeres artísticos alimentaram e possibilitaram estabelecer relações com os projetos de sala do semestre.Continue lendo >

Chita no Carnaval e no São João

Um simples tecido pode ser o mote para desencadear um bom trabalho com crianças sobre diversidade cultural e suas manifestações artísticas na música, na dança e nas artes visuais brasileiras
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Painel coletivo das festas de São João (fotos: arquivo da escola Grão de Chão)

No início do ano letivo, é importante planejar ações pedagógicas para conhecer as crianças, deixando espaço para atividades significativas que encerrem também muitas aprendizagens. Em fevereiro, em geral, além da adaptação e dos aspectos de incentivo à socialização, outro tema que sempre vem à tona é o Carnaval. Com ênfase na música e na dança, a intenção é contextualizar essa comemoração fazendo recortes das mais diferentes manifestações populares que acontecem nesse período no Brasil. As artes visuais se beneficiam na construção de fantasias, adereços e cenários, com base em pesquisas que envolvem diferentes materiais e suportes.
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Arte para todos

interatividade com esculturas permite que crianças com deficiência se aproximem da linguagem artística
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A artista Sandra Guinle (fotos: Wilton Montenegro)

Nasci no interior de São Paulo, em uma cidadezinha chamada Monte Mor. Na terra vermelha, que desconhecia asfalto, desenhei muitas amarelinhas. Na beira dos riachos, acompanhava minha mãe e outras mulheres que, lavando roupas, entoavam cantigas que tenho ainda frescas na memória. Ali, meu primeiro contato com o barro. Passava horas de cócoras perguntando à minha mãe o que é que ela queria que eu fizesse com o punhado de terra molhada que estava em minhas mãos. Enquanto isso, ela, com quatro agulhas de bambu, tecia uma trama linda e dizia: “Faz aquela lavadeira ali e, depois, faz você nos braços da mamãe”.
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