O universo lúdico do conhecimento

O universo científico está intrinsecamente relacionado ao lúdico. Ambos são espaços de possibilidades, investigação, autoria, autonomia, construção de conhecimento e subjetividade. É cada vez mais urgente que a escola de educação infantil assuma uma concepção de ensino que não separe o raciocínio da imaginação. É esse o objetivo do projeto homem das cavernas: uma viagem no tempo
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Grafismos encontrados na região de São Raimundo Nonato – PI
Ilustrações: A Arte Rupestre no Brasil

Encarar o estudo na escola de Educação Infantil por meio de uma perspectiva lúdica do conhecimento implica não apenas fazer associações dos projetos de pesquisa com brincadeiras, como também propor situações nas quais o aprendizado seja uma aventura de conhecimento em consonância com a forma de pensar das crianças e seu pensamento sincrético que mescla fantasia e realidade.

No projeto Homem das Cavernas: Uma Viagem no Tempo, do qual tive a oportunidade de participar enquanto coordenadora, dialogando com a professora Andréa Campidelli1, pude observar com atenção seu grupo de “pesquisadores mirins”, entre 4 e 5 anos. Foi possível investigar muitas situações de aprendizagem que realmente fazem sentido na Educação Infantil, as quais pretendo aqui partilhar com o leitor.
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A arte da gravura na madeira

A xilogravura é uma arte antiga e possibilitou as primeiras reproduções de imagens e textos. No brasil há muitos seguidores em diferentes regiões do país
Procuro porém não acho, poeta que me dê choque. Canto de qualquer maneira, quem quiser que me provoque. O gênio manda que eu diga, a viola manda que eu toque. Mestre Lourival Batista (1915-1992)

“Procuro porém não acho, poeta que me dê choque. Canto de qualquer maneira, quem quiser que me provoque. O gênio manda que eu diga, a viola manda que eu toque”. Mestre Lourival Batista (1915-1992)

Esta técnica de impressão consiste em gravar imagens numa madeira mole (cajá, imburana, cedro ou pinho) com instrumentos cortantes (goiva, faca, formão, buril). Continue lendo >

Arte e histórias das máscaras

Presentes na história da humanidade desde épocas muito remotas, as máscaras encantam adultos e crianças. Conheça algumas possibilidades de trabalho com crianças de 2 a 4 anos
Cavalhada – São Luís do Paraitinga

Cavalhada – São Luís do Paraitinga (Rômulo Fialdini)

Na antiguidade, os povos árabes usavam a palavra maskhara para dizer que alguém era um farsante, isto é, uma pessoa que finge ser de um jeito que não é. Sentido próximo ao que usamos hoje para falar de um objeto que é um falso rosto: uma máscara. As máscaras aparecem na história da humanidade desde as épocas mais remotas. Há registros de pinturas rupestres em que há cenas representando caçadores mascarados com cabeças de animais. É presumível que o homem primitivo usasse a máscara e a dança num ritual mágico para influir no êxito da caça. A máscara seria o elemento catalisador de forças misteriosas.

Na cultura africana, esse artefato representa a possibilidade de participar da multiplicidade da vida do universo, criando novas realidades fora daquela meramente humana – é o poder transfigurador da máscara que une o homem à energia extra-humana, ao mundo sagrado.Continue lendo >

Um dia depois do outro para ler e escrever

A continuidade é peça fundamental no planejamento das atividades de escrita. veja neste artigo como uma atividade permanente, a leitura de jornal, pode ser bem aproveitada didaticamente, instigando um grupo de crianças a ler, escrever e a conhecer mais.

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As crianças ajudam a construir o texto que a colega registra


A leitura de jornal pode fazer parte da rotina de um grupo de crianças. Ler a programação especial para o fim de semana é sempre um bom assunto para a sexta-feira. Além disso, conhecer o noticiário e artigos interessantes ou mesmo anúncios que possam dar ganchos para boas conversas, ou um projeto didático.

Às vezes, a conversa sobre uma notícia motiva as crianças a continuarem investigando uma questão em pauta, alimentando os projetos do grupo. Foi o que aconteceu em uma das atividades de uma sexta-feira, na Escola Projeto Vida.

O jornal chega na sexta-feira à tarde
Escolhemos um artigo que falava sobre o Sítio Santa Luzia, onde hoje está sediada a Escola Projeto Vida. Era um artigo bastante antigo, de 1981. Tratava de um assunto de grande interesse para o grupo, e contava sobre a última moradora do Sítio Santa Luzia, local onde hoje funciona nossa escola.

As crianças ficaram muito curiosas com a parte que dizia que a construção era possivelmente uma casa rural do tempo dos bandeirantes.

– Professora, o que é bandeirantes?
– Tempo dos bandeirantes?

Resolvemos então saber mais sobre os bandeirantes. Continue lendo >

Observadores da natureza

O Brasil sempre exerceu grande fascínio sobre o olhar dos viajantes. Os relatos de viagens, as descrições das terras brasileiras, dos animais e das flores, tão estranhos ao estrangeiro, enchiam sua imaginação e excitavam sua curiosidade
Maracujá (ao fundo) Maria Sibylla Merian Metamorphosis Insectorum Surinamensium (em primeiro plano) Amsterdam 1705

Maracujá (ao fundo) Maria Sibylla Merian Metamorphosis Insectorum Surinamensium (em primeiro plano) Amsterdam 1705

As primeiras imagens das paisagens brasileiras foram produzidas pelos holandeses entre 1637 e 1645. Os pintores que acompanharam Maurício de Nassau em sua chegada ao Brasil vieram com a missão de registrar e enviar por meio de suas pinturas um pouco do que viam nas terras brasileiras. Frans Post é um dos mais importantes da época, seguido de Eckhout, que trouxe para o centro da paisagem os tipos humanos que aqui viviam. As produções, misto de realidade com a ficção criada pelos olhares dos artistas, traziam em suas paletas os tons e os modos da pintura holandesa do século XVII. Continue lendo >

Mil e Uma Noites – uma aventura de faz de conta

Quando era professora, desenvolvi um projeto que procurava integrar o estudo sobre diferentes povos e o faz-de-conta da criança. Hoje, distanciada dessa experiência, aproveito este espaço para avaliar e refletir a respeito da relação lúdica que as crianças estabelecem com o conhecimento, procurando mostrar, por meio de minha experiência, como é possível alimentar suas brincadeiras e ao mesmo tempo apresentar a elas uma outra cultura

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Entre laços e Chuteiras, a Paixão pelo Futebol – Educação Física ampliando horizontes

Jogar futebol tem sido desde sempre e a qualquer tempo um assunto dos meninos. As meninas em geral são apenas torcedoras. Mas o EGJ Santa Clara quebrou a barreira do preconceito em um projeto que colocou um grupo de meninos e meninas, entre 10 e 11 anos, para correr atrás da bola. As crianças pesquisaram sobre a história do futebol, leram crônicas, noticiário esportivo e jogaram bastante. Conheça aqui detalhes da

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Alguém morou aqui antes de nós

Os índios, primeiros habitantes do Brasil, tiveram grande influência em nossa formação cultural e social. No entanto, conhecemos pouco das diferentes etnias que povoaram nossas terras. Mesmo nas cidades que se originaram de povoações indígenas, pouco se sabe sobre quem eram essas pessoas e como viviam . Este é o caso da cidade paulista de Embu das Artes ou melhor M’Boy, aldeia original dos índios guaranis. Diante disso, educadoras da creche Emília, no Embu, propuseram às crianças estudar um pouco do passado desses povos que habitaram o Brasil muito antes das caravelas portuguesas aportarem aqui, 500 anos atrás.

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O que é que a nossa cidade tem

Arquitetura, história e arte do Embu

Conhecer a história da cidade onde vivemos para saber mais sobre nossa própria história e a de nossas famílias – essa foi uma das intenções que deram origem a um interessante projeto no Embu. Crianças de 4 a 6 anos puderam recontar a história de sua cidade a partir de fotos, produções de desenhos, da arquitetura e do patrimônio histórico, marcos e acontecimentos importantes que projetaram o nome Embu das Artes. Como resultado, um guia feito por eles próprios, com dicas para quem quer conhecer o centro turístico.

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