A arte da gravura na madeira

A xilogravura é uma arte antiga e possibilitou as primeiras reproduções de imagens e textos. No brasil há muitos seguidores em diferentes regiões do país
Procuro porém não acho, poeta que me dê choque. Canto de qualquer maneira, quem quiser que me provoque. O gênio manda que eu diga, a viola manda que eu toque. Mestre Lourival Batista (1915-1992)

“Procuro porém não acho, poeta que me dê choque. Canto de qualquer maneira, quem quiser que me provoque. O gênio manda que eu diga, a viola manda que eu toque”. Mestre Lourival Batista (1915-1992)

Esta técnica de impressão consiste em gravar imagens numa madeira mole (cajá, imburana, cedro ou pinho) com instrumentos cortantes (goiva, faca, formão, buril). Pronta a matriz, pode-se repetir a impressão tantas vezes quantas se quer. A arte da gravura vem de longa data, de origem desconhecida. O que sabemos, por meio de documentação histórica, é que desde o século I, na Ásia, podemos encontrá-la. O livro Diamond Sutra, impresso na China no ano de 868, registra a mais antiga gravura encontrada. No ocidente, a gravura é encontrada desde o final do século XIV. Estas primeiras impressões foram feitas utilizando-se uma técnica semelhante à da xilogravura, prensando folhas contra tábuas gravadas e tintadas. Tal método foi amplamente adotado na Europa para a reprodução de gravuras de imagens de santos e baralhos e como recurso para imprimir páginas de texto e livros.

Xilografia nordestina ganha o mundo
No Brasil, a gravura, a princípio, tinha uma finalidade considerada menor, como a impressão em larga escala de rótulos de cachaça e outros produtos. Mas, certamente, sua popularidade cresceu quando passou a ser integrada à literatura de cordel, devido à falta de recursos gráficos que os autores de cordel enfrentavam. Segundo o pesquisador holandês Joseph Luyten (1941– ), as xilogravuras só aparecem nos folhetos de cordel a partir da década de 1940, ganhando maior força nos Estados de Pernambuco e Ceará. Em Caruaru (PE) houve uma inovação nessa técnica de reprodução de imagens, realizada por Dila (José Ferreira da Silva), que criou a linogravura (gravura em borracha). Na década de 1960, a xilogravura nordestina ganhou projeção nacional e internacional, fruto da valorização por parte de pesquisadores e intelectuais interessados nessa expressão artística.

Artistas da gravura
No Brasil, diversos gravuristas nacionais e estrangeiros destacaram-se e ainda se destacam nessa arte: Carlos Scliar (1920–2001), brasileiro; Evandro Carlos Jardim (1935– ), brasileiro; Fayga Ostrower (1920–2001), polonesa; Gilvan Samico (1928– ), brasileiro; Lasar Segall, (1891–1957), lituano; Lívio Abramo (1903–1992), brasileiro; Marcelo Grassmann (1925– ), brasileiro; Maria Bonomi (1935– ), italiana; Oswaldo Goeldi (1895–1961), brasileiro; Yolanda Mohalyi (1909–1978), húngara.

J. Miguel (fotos: Clóvis Arruda)

J. Miguel (fotos: Clóvis Arruda)

Atualmente, vários são os xilógrafos de cordel que continuam produzindo. Enumeramos: Abraão Batista (em Juazeiro – CE); Ciro Fernandes (no Rio de Janeiro – RJ); Dila, o José Ferreira da Silva, (em Bom Jardim – PE); J. Borges (em Bezerros – PE); José Costa Leite (em Condado – PE); Marcelo Alves Soares (em São Paulo – SP); Minelvino Francisco Silva (em Itabuna – BA); Severino Gonçalves de Oliveira (em Recife – PE). J. Miguel, filho do renomado gravurista J. Borges, vem cada vez mais aprimorando o conhecimento passado de geração a geração. E neste artigo, bem como na capa da revista, podemos apreciar seu trabalho.

Dicas para o professor
A seguir, algumas sugestões de trabalho com gravura possíveis de serem realizados em sala de aula, retiradas do fascículo Recursos Educativos em Artes: Gravura. Caderno do Professor do Itaú Cultural.

Trabalhando com o isopor
Para as crianças menores, que ainda não dispõem de habilidade suficiente para lidar com goivas ou para ateliês de curta duração, é possível trabalhar gravando com uma caneta esferográfica sobre bandejinhas de isopor (usadas para acondicionar legumes, carnes, etc. nos supermercados). A caneta desempenha o papel de ponta-seca ou goiva e o isopor, a matriz. De maneira simples e barata, esta variação de materiais permite o contato com o universo da gravura e suas características fundamentais como multiplicidade, impressão, incisão, inversão da imagem e construção da mesma. Para entintamento, o guache e rolinhos de espuma são suficientes.

O procedimento
O procedimento é o mesmo da oficina de linoleogravura1, porém, o entintamento será feito diretamente sobre a bandejinha de isopor com o guache e o rolinho de espuma. Basta pressionar a folha de papel sulfite sobre a matriz para obter o resultado esperado. As discussões serão as mesmas que as da oficina anterior, cuidando para direcionar os conteúdos de acordo com as faixas etárias, já que esta técnica permite que as crianças menores se aventurem no mundo da gravura.

Materiais

  • bandejinhas de isopor
  • canetas esferográficas
  • folhas de papel sulfite
  • rolinhos de espuma
  • guache preto

(Adriana Klisys, formadora do Instituto Avisa Lá)

1Gravura em relevo executada à faca e goiva em placa de linóleo.

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Para saber mais

  • Por um Triz. Ed. Paz e Terra. Tel.: (11) 3337-8399. Site: www.pazeterra.com.br
  • Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149. São Paulo – SP. Tel.: (11) 2168-1700 Site: www.itaucultural.org.br. E-mail: [email protected]
  • Vide o Verso. Clóvis Arruda – Rua Apinajés, 1922 / 1932 – Perdizes. São Paulo – SP. CEP: 01258-000 – Tel.: (11) 3676-0036. Site: www.videoverso.com.br

Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #22 de abril de 2005. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br

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