Qual é a melhor versão?

Sabemos que ler diariamente na escola é fundamental, mas serve qualquer livro? Veja aqui a discussão a distância entre profissionais de educação sobre critérios de escolha de acervo literário para crianças

No curso online* sobre leitura pelo professor, propusemos uma unidade de estudo sobre os critérios de seleção de textos para serem lidos para as crianças. Para além da ilustração, do tema e do gênero, o que é preciso considerar? Como selecionar o texto a partir de uma apreciação literária atenta à linguagem empregada?

Desenho: Arquivo Instituto Avisa Lá

Desenho: Arquivo Instituto Avisa Lá

Para iniciar a discussão, fizemos uma pesquisa e, depois, abrimos um fórum para discutir as justificativas de cada voto. Foi um sucesso! Tivemos 1.283 visitas a esse fórum, com 183 comentários em duas semanas. Foram produzidos tantos posts que não seria possível relacionar todos os nomes dos participantes e todos os comentários. Nesse artigo, procuramos realizar uma síntese e resgatar os momentos mais importantes da conversa.

Esperamos, com a apresentação do resultado de nosso trabalho, levar esse debate às escolas, provocando discussões que possam alimentar os momentos de reflexão e de estudo dos professores.

Tudo começou com uma escolhaContinue lendo >

Zoom e clic!

O uso da imagem para analisar, refletir e observar o trabalho pedagógico1.

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Muito já se falou sobre a importância do registro para educadores. A primeira forma é a própria memória. Da infinidade de cenas, visões e acontecimentos diários, registramos apenas os que são selecionados inconscientemente em função de diversos filtros: os conhecimentos anteriores, a história de vida, os interesses pessoais, os desejos, os medos e demais associações.

Na profissão docente, a memória tem papel fundamental para o professor, pois é parcialmente responsável pela constituição de suas histórias pessoal e profissional, compreensão e apropriação dos conhecimentos relacionados à carreira, bem como pela construção de novas experiências. No entanto, por si só, ela não é suficiente para o trabalho reflexivo, pois só registra aquilo que pode reconhecer ou o que está acostumada a enxergar, aquilo que tem significado ou que já passou por uma filtragem familiar à própria experiência, aos esquemas assimilativos. Sendo assim, qual é o espaço para a novidade? Quando e como podemos utilizar nossos registros como meios não apenas para acomodar as observações, para preservar a memória do que já sabemos, mas sim para aprender a ver o novo?
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Uma cabana no deserto

A partir do interesse das crianças por animais, a formadora de apoio, Silvana Augusto, propôs uma viagem por um mundo diferente: o deserto. Durante três meses, as crianças do centro de educação infantil meu abacateiro, na capital paulista, pesquisaram, desenharam, escreveram, brincaram e aprenderam sobre a relação dos animais, vida humana e meio ambiente.

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Mesquita


As crianças pequenas são muito atraídas pelo mundo dos bichos, sejam domésticos ou selvagens, pequenos ou gigantes. Descobrir a diversidade da vida animal pode ser um tema interessante e legítimo para ampliar o entendimento sobre o que é a própria vida. Uma criança de dois anos, por exemplo, pode com muita naturalidade confirmar que um carro é vivo só porque se mexe. Ela ainda não sabe que ser vivo requer outros atributos além da mobilidade.

Ficam encantadas quando descobrem que seres vivos têm pernas, boca, orelhas, e podem ser mamãe e filhote, características que as crianças conhecem bem. “Estudar” a vida dos bichos é fonte de prazer e curiosidade para os pequenos. Há muitas maneiras de trabalhar o tema, e eu escolhi apresentar-lhes os bichos nos ambientes em que vivem, e não apenas como organismos vivos isolados. Eu imaginava que o tema dos animais deveria aparecer em um contexto que incluísse o ser humano, afinal, o meio ambiente também contém a cultura de um povo.

Na Amazônia, por exemplo, macaco, onça pintada, arara convivem com índios, seringueiros, etc. Tudo num ambiente está relacionado. E como seria no deserto? Essa foi a minha pergunta ao grupo e à professora Sônia Boaventura. Para tanto, trilhei os caminhos do jogo simbólico e da própria pesquisa. Queria mostrar como seres humanos e animais vivem em diferentes partes do mundo. Queria apresentar não só a diversidade animal, mas também a integração da vida.
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As crianças e o universo dos cordéis

Crianças de 5 anos se entusiasmam com a leitura de cordel na escola. Conhecem não só o texto mas o contexto onde esta literatura está inserida e aproveitam o canto e encanto desta tradição brasileira

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o processo de alfabetização, o domínio da escrita tem tido um papel preponderante, muitas vezes em detrimento do desenvolvimento da oralidade, tão importante na Educação Infantil. Este projeto, que aproxima as crianças da literatura de cordel, possibilita uma união saudável entre a oralidade e a escrita.

No Brasil ainda há comunidades que pensam o mundo, transmitem conhecimentos e se expressam segundo a lógica própria da oralidade. Além disso, em algumas das capitais do nordeste, e mesmo em São Paulo, ainda podemos encontrar núcleos que se preocupam com a divulgação do cordel por meio de material impresso, o que permite um convívio harmonioso das duas linguagens, a escrita e a oral, sem que uma simplesmente substitua a outra.
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Formação de leitores: por onde começar

O que é ser leitor? Como crianças não alfabetizadas podem ler um texto? essas são algumas das perguntas que foram discutidas no encontro de formação que você vai conhecer a seguir. Veja como a resolução de problemas e a análise de situações homólogas de leitura ajudam o professor a construir novas práticas educativas no campo da alfabetização inicial.

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Na era do computador

Enquanto muitos adultos fogem do mouse e do teclado, as crianças correm ao seu encontro. Veja o que elas pensam sobre o computador e como aproximá-las dessas máquinas no dia-a-dia da sala de aula

Desenho de Karina, 5 anos

O computador talvez seja a presença mais constante entre as novas tecnologias no nosso cotidiano. Nas grandes cidades, as máquinas estão por todo lado: no banco, no correio, no supermercado e em muitas casas, ampliando possibilidades de comunicação e alterando hábitos.

Seria espantoso imaginar que o computador pudesse passar despercebido aos olhos das crianças, sem ser objeto de sua atenção. As relações entre os adultos e as máquinas sempre exerceram fascínio para os pequenos e não seria diferente com a chegada dos computadores: em suas brincadeiras, imitam os adultos, conversam sobre o que vêem, imaginam e se esforçam para compreender o que se passa na tela de um monitor e no interior de uma CPU.

Por esse motivo, a presença do computador na educação infantil não espanta as crianças, que aderem a ele com entusiasmo e afinco. E, se questionadas sobre o assunto, elas têm sempre muito o que falar.Continue lendo >

Encontros de supervisão – O que o coordenador pode fazer para ajudar os professores

Muitas instituições não contam com o coordenador pedagógico no seu quadro funcional e, quando contam, acabam deixando a seu cargo infindáveis tarefas burocráticas, emergências e toda ordem de problemas do cotidiano. Veja como é possível mudar essa cultura e construir uma nova identidade profissional com a experiência de Carla Luizato e Cynthia Felipe Noszhese Magalhães, as coordenadoras que pararam de “apagar incêndio” e assumiram a formação de professores como principal meta de trabalho

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Bruno, suas professoras e as outras crianças…

Seu nome é Bruno. Eu não era sua professora, mas o via de tempos em tempos devido ao trabalho de formação que fazia na creche Casa da Criança. Sei que ele teve um longo processo de adaptação atrapalhado por muitas faltas, quase sempre por problemas de saúde. Quase 3 anos, mas não andava nem falava. Para completar, tomava um remédio fortíssimo por causa da epilepsia. Sem firmeza nas pernas e nos braços, não segurava nem o giz de cera. Como não se sentava sozinho, eu o acompanhava nos momentos de atividade, quando lá estava. Era preciso apoiá-lo em meu peito como se eu fosse uma poltroninha, e mesmo assim escorregava.Continue lendo >