Apoiando a construção de uma identidade positiva

Crianças da educação infantil aprendem um caminho para a convivência e o respeito às diferenças
Autorretrato produzido por Adriane (Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos)

Autorretrato produzido por Adriane (Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos)

Com o intuito de colaborar com a construção de uma identidade positiva e de uma verdadeira autoimagem das crianças, as professoras da EMEI Prof. Arlindo Veiga dos Santos desenvolvem atividades significativas com as crianças e seus familiares que privilegiem o respeito às diferenças e à diversidade presente na sociedade brasileira.

Partindo da proposta da Escola, que é trabalhar com a questão da diversidade, sobretudo aquela que diz respeito à questão etnicorracial, cuja base está na Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Essa lei garante o direito a todas as crianças de aprenderem sobre a cultura e história africana e afro-brasileira, como também a conviver e respeitar as diferenças. Por meio de propostas diversificadas, oferecemos às crianças a oportunidade de elas conhecerem mais sobre si e seus colegas. Para isso, desenvolvemos com as turmas de segundo e terceiro estágios (crianças de 4 e 5 anos) um conjunto de atividades, intitulado “Resgatando Minhas Raízes”, propiciando a reflexão e a pesquisa sobre suas origens, cuja participação da família se deu pelo levantamento de fotos, pelo compartilhamento de informações e pela construção de bonecos de pano que os representaram fisicamente.Continue lendo >

O politicamente correto nas histórias infantis

Personagens de narrativas que provocam medo e tristeza nas crianças são fundamentais para que elas reconheçam seus sentimentos e possam refletir sobre seus dramas
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Ilustração: Samuel Casal. in O Turbante da Sabedoria e Outras Histórias de Nasrudin, de Ilan Brenman. Edições Sm, 2008

Nas últimas décadas, especialmente a partir dos anos 1980, tem-se prestado cada vez mais atenção ao termo “politicamente correto”. O que ele significa exatamente? Segundo a enciclopédia virtual Wikipédia, faz parte de uma política que consiste em tornar a linguagem neutra em termos de discriminação e evitar que possa ser ofensiva para certas pessoas ou grupos sociais, como a linguagem e o imaginário racistas ou sexistas. Exemplos não faltam. É possível enumerar diversas expressões que foram varridas da mídia, dos livros e de nossas conversas por serem politicamente incorretas, ou seja, por conterem ideias discriminatórias ou pejorativas relação a um grupo. No entanto, será que este comportamento é sempre positivo ou pertinente?

Recentemente, nota-se uma tendência de levar o “politicamente correto” para as histórias e cantigas tradicionais pelo fato de elas apresentarem conteúdos supostamente inadequados ou violentos demais para as crianças. Será que você já ouviu a famosa canção Atirei o pau no gato, entoada de maneira diferente da original, alardeando uma letra mais pacífica? Veja: “Não atire o pau no gato, porque ele é nosso amigo…” Ou então, já escutou versões em que o lobo não come a vovó nem a Chapeuzinho Vermelho em um dos mais famosos contos de fadas?
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Calorias e preconceitos

Reza a lenda que Calorias são seres minúsculos, praticamente invisíveis, que se escondem nos armários (têm preferência pelos femininos) e trabalham a noite toda, apertando as roupas. Já os Preconceitos são seres com características semelhantes de tamanho e invisibilidade, que formam uma família grande, mas com um traço comum: a violência moral ou física.

Alguns Preconceitos circulam livremente à luz do Sol, pois não têm medo de serem vistos. Acham que têm razão e, por isso, se mostram. São truculentos e valentões. Massacram quem não concorda com seus pontos de vista, pois não têm argumentos que resistam à reflexão ou à comprovação. Reproduzem-se de forma exuberante, especialmente em algumas épocas do ano e em diferentes lugares. Basta lembrar da prima Eugenia, que reinou absoluta na Alemanha nazista; dos primos Apartheid, da África do Sul; nos diversos momentos de escravidão, que se apoiaram no ramo do racismo. Na geração mais jovem, o Bullying está na crista da onda, mas, na verdade, ele esteve sempre por aí. Apenas modernizaram seu nome e, por isso, hoje é mais conhecido.Continue lendo >

Só vê quem sabe

É comum uma família receber queixas da escola sobre o aluno que mora em área rural. Muitas professoras possuem preconceitos em relação a essas crianças e, ignorando seus saberes, não conseguem fazê-los avançar naquilo que desconhecem. Mas isto pode ser muito diferente, como mostra este artigo
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Matheus e sua avó

Matheus, para a família, nasceu no dia 6 de setembro de 1997 em Campinas, São Paulo. Desde então mora em Santa Maria da Serra das Cabras, Joaquim Egídio – um subdistrito de Campinas, com o irmão Ronei, a mãe Alessandra, os avós Ana e Benedito (o Ditão) e o tio Tidão. A primeira imagem sua que me assoma são cachos dourados e grandes olhos verdes iluminando o sorriso, que me levaram a pintar um São João, a partir de uma história de seu avô Ditão. A história a seguir Matheus fez em meu computador.
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À imagem e semelhança

A elaboração dos bonecos
Fotografei digitalmente algumas crianças muito queridas do Centro de Convivência Infantil do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, creche onde desenvolvi com as educadoras o projeto O Ambiente Físico e Objetos que Educam. Trabalhei as imagens no computador – no programa Photoshop –, primeiro transformando-as em preto-e-branco e aumentando o contraste e brilho para realçar o volume. Distorci livremente para que ficassem um pouco mais gráficas e menos realistas. Adeqüei o tamanho das imagens para uma folha de papel A4 e imprimi. Escolhi uma de menino e outra de menina para servir de referência para meu desenho.

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Com fita adesiva, fixei-as uma a uma numa chapa de eucatex um pouco maior e, sobre elas, coloquei uma folha de papel vegetal fino, onde desenhei, com lápis counté, primeiro nas cores marrom claro e escuro e depois em preto, destacando e transformando detalhes para realçar e acentuar as sombras. Assinei e copiei o resultado com o scanner. Com um toque a mais de sombreado no computador, as imagens ficaram prontas para serem impressas na quantidade requerida.

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Profissional das artes
A artista visual Beatriz Bianco orienta oficinas de artes plásticas para formação de professores, educadores de creches e cursos projetados especialmente para escolas, empresas, instituições e eventos.

(Beatriz Bianco, educadora e artista plástica, E-mail: [email protected])


Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #23 de julho de 2005. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br

Só não enxerga quem não quer: racismo e preconceito na Educação Infantil

São pequenos gestos, situações cotidianas, uma palavra aqui outra ali, um material apresentado ou a falta dele e diariamente as crianças negras sofrem situações de discriminação na escola e muitas vezes já nos centros de educação infantil. Pouco se discute sobre o assunto. Na maioria das vezes paira um silêncio revelador da desigualdade de tratamento oferecido às crianças brancas e negras
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Brinquedos para valorizar a imagem dos afro-descendentes (foto: Marco Antonio Sá)

Temos uma amiga negra, a Ba, que ainda hoje, aos 40 anos, lembra-se da primeira vez em que a diferença de cor foi motivo de tratamento discriminatório. No jardim da infância que freqüentava, uma criança branca perdeu sua pulseira de ouro e sua mãe foi à escola reclamar exigindo conversar com a mãe de Ba. Nossa amiga não esteve presente e nunca conversou sobre isso com a sua mãe, mas sabe que o conteúdo da conversa foi uma acusação de roubo. Na época, Ba intuiu que estava sendo acusada por ser a única menina negra da classe. Muitos anos se passaram até que ela conseguisse falar sobre a situação sem ficar tomada pela emoção.
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