Escolhas infantis

Falar de si tem a ver com escolher, selecionar e contém uma grande dose de afetividade

As crianças do Colégio Santo Américo, em São Paulo (SP), também elaboraram suas autobiografias estimuladas e orientadas por suas professoras. Os resultados dos desenhos e a qualidade dos textos, cujos exemplos ilustram esta página, inspiraram a reflexão que se segue.

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Desenhos e textos feitos pelas crianças do Colégio Santo Américo, de São Paulo – SP

O que você escreveria se pedissem para que elaborasse sua autobiografia? Falaria sobre si? Explicaria quem é? Contaria a sua história? Revelaria o seu passado? A maioria dos adultos faria uma breve apresentação e, então, partiria para alguns fatos, como onde nasceu, como passou a infância, a juventude, a escolha profissional e acontecimentos marcantes. Essa escolha não aconteceria à toa. Falar da própria história é também dizer sobre quem somos. Identifica-nos e nos faz pertencer a um grupo social, a um ambiente, a uma região.
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Como será que crianças entre 5 e 6 anos falariam sobre si? Como seriam suas autobiografias? Contariam fatos já vividos em sua curta existência? Esses meninos e meninas da pré-escola, oferecem-nos alguns exemplos interessantes que explicitam suas opções. Nos textos que lemos nas páginas deste artigo, não encontramos histórias passadas. Em nenhum exemplo nos deparamos com o tradicional: “Um dia, quando eu era pequeno…” ou “Uma vez, quando eu tinha 1 ano…”. Nenhuma frase desse tipo. Por que será?

Evidentemente, quem está nessa faixa etária já se acha bem grandinho. E de fato é, se formos compará-lo com bebês. É bem comum ouvirmos: “Quando eu era pequeno…”. Isso ocorre porque naturalmente já possui um passado e o que contar sobre ele. Então, por que ele não apareceu em nenhum texto dessa classe? Os pequenos escreveram sobre suas vidas, mas não com base no que viveram. Todos escolheram falar sobre quem são atualmente, o que fazem, do que gostam, o que temem e até o que sonham e planejam para o futuro.

As autobiografias se parecem mais com uma apresentação. Esse também é um jeito de contar a própria história. Porque ela está sendo construída na biografia de cada um. Aquele tipo que contaremos mais tarde e que certamente fará parte de nossa identidade: “Quando eu era pequena, tinha tanto medo do escuro que precisava adormecer na cama dos meus pais” ou “Tinha medo de ter pesadelos e dormia com o abajur aceso” ou, ainda, “Quando eu era pequeno, queria ser cientista para poder inventar o Pokémon”.
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Quando as crianças falam de si, constroem a própria história e antecipam o que falarão delas no futuro. Naturalmente, sem se darem conta, têm sabedoria, pois nos mostram que, além daquilo que já vivemos, nossa vida é feita a todo o momento, no presente e nas escolhas mais rotineiras, no mais comezinho do nosso cotidiano. E aí também mora a poesia de nossas autobiografias.

(Ana Carolina Pereira de Carvalho, psicóloga e colaboradora da Revista Avisa lá)

Ficha técnica

Colégio Santo Américo – Rua: Santo Américo, 275 – Morumbi – CEP: 05629-900 – São Paulo – SP – Tel.: (11) 2244-1888 – Site: www.colegiosantoamerico.com.b
E-mail: [email protected]
Diretora: Elenice Lobo
Coordenadora: Liamara Montagner Salamani
Professoras: Lucy M. Andrade, Renata H. Alabi, Márcia Cristina R.D de Souza, Karina T. Simões, Gláucia B. Albertoni, Daniela Franco Claris, Maristela Basile L. Ribeiro, Danielle Guimarães Ferreira.
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Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #36 de outubro de 2008. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br

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