Uma pirueta, duas piruetas: uma seqüência para crianças pequenas

O circo é sinônimo de diversão, habilidade, magia, e é parte significativa de nossa cultura. Por isso, foi o tema escolhido para trabalhar a diversidade motora de crianças de três centros de educação infantil da capital paulista
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“No corpo se operam sempre nossas transformações. Ele é o nosso primeiro instrumento – a consciência de seu volume, de sua mobilidade, de sua flexibilidade e dinâmica, ajuda o homem a se adaptar à diversidade de situações com que se depara. O corpo também é o nosso primeiro limite, e nos ensina o senso primário de organização e desorganização”
(Inês Bogéa, crítica de dança, professora universitária e bailarina)

Fiz um primeiro encontro para identificar quais seriam as principais necessidades dos grupos, conhecer as crianças e as expectativas das educadoras. Notei características bem semelhantes entre eles, embora houvesse alguma diferença de faixa etária. Sem fugir à regra das crianças nessa idade, encontrei grupos “elétricos”, como disseram suas educadoras, que “gostam de andar e falar”, “adoram se mexer de um lado para outro, subir na mesa e correr pela sala”.

Porém, nenhuma das educadoras tinha em mente realizar um trabalho específico com movimento naquele semestre, não havia nada planejado nessa área até então. Conversando sobre minha idéia de desenvolver com as crianças uma seqüência de movimentos, as educadoras aprovaram a sugestão.

Planejamos então uma seqüência de atividades com as crianças. O principal objetivo era que elas conhecessem suas possibilidades corporais e descobrissem novas formas de se movimentar e de se expressar. Para garantir motivação e interesse ao longo de todo o semestre, a proposta foi criar brincadeiras e atividades que tivessem como contexto o circo.

A criança e o movimento
Desde que a criança nasce seus movimentos medeiam sua relação com as pessoas próximas. Expressam disposições orgânicas e estados de bem ou mal-estar afetivo: abrem e fecham os olhos, abrem a boca, sugam os lábios, se contorcem, agitam pernas e braços, etc. Tão logo acontecem, os movimentos do bebê são interpretados pelos adultos de acordo com os significados que atribuem a eles.

Rapidamente é estabelecida uma relação afetiva entre o bebê e o adulto cuidador, por meio de um diálogo baseado em componentes corporais e expressivos. Desta forma, os movimentos deixam de ser pura descarga impulsiva para tornar-se em expressão, linguagem, que o ser humano vai utilizar pelo resto da vida para se comunicar, para se divertir e solucionar problemas.

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Palhaço (Suzana)

O movimento é uma linguagem tão importante quanto qualquer outra, pois, além de ser chave para o desenvolvimento físico e motor e para a manutenção da saúde, favorece a interação das crianças com o meio físico e social, promove novas descobertas em relação ao seu próprio corpo, suas necessidades, capacidades e limites, em relação aos outros e à construção de conhecimentos. É, assim, fundamental para a construção da identidade e autonomia nos primeiros anos de vida.

Por que o circo?
Os primeiros sinais da arte circense estão gravados nas pirâmides do Egito, com desenhos de domadores, equilibristas, malabaristas e contorcionistas1. Esse tipo de atividade sempre atraiu o ser humano, pelo grau de desafio e por sua beleza plástica. Mas parece que o circo, como conhecemos hoje, só foi surgir na Europa na época do Império Romano. Foi então se diversificando em diferentes atividades e enriquecendo suas apresentações.

Alguns desses artistas vieram para o Brasil e montaram as suas próprias companhias. Hoje há escolas e trupes com espetáculos bem diferentes dos tradicionais. Mesmo sob novas roupagens, o circo continua encantando pessoas, pois é sinônimo de beleza, alegria e brincadeira, diversão, mágica.

Envolve inúmeras possibilidades de “ser” humano, enriquecendo a imaginação, alimentando a alma. O circo é um contexto perfeito para se desenvolver um trabalho interessante com crianças pequenas, pois permite trabalhar a diversidade motora, muito importante na Educação Infantil.

O circo e os palhaços
Iniciei o trabalho propondo atividades que descontraíssem as crianças e criassem um ambiente favorável ao desenvolvimento dos vínculos afetivos nos grupos. Com a intenção de conhecer o que as crianças já sabiam sobre o universo circense e incitálas a brincar com as diversas possibilidades de expressão facial, em uma das idas na creche, coloquei um nariz de palhaço e convidei a todos para uma roda de conversa. As crianças acharam engraçado, deram risadas, algumas só olhavam para mim, outras comentaram sobre o nariz e fizeram referências aos palhaços.

Mostrei muitas imagens de palhaços com expressões diversas e de circo. Todas as crianças conheciam bem a imagem do palhaço, mas quase nenhuma havia ido a um circo ou sabia o que era. Senti então que seria necessário ampliar seu repertório para darmos continuidade ao trabalho. Por fim, convidei todos a se maquiarem como palhaços e fizemos uma brincadeira de caretas em frente ao espelho.

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Fotos: Ana Lúcia Antunes Bresciane


Nesta etapa, crianças e professoras se divertiram muito, ampliaram seu repertório de expressões faciais e aprenderam a se comunicar por meio de caretas. Cada grupo ainda elaborou um pequeno “livro de caretas”, contendo fotos das crianças em diversas expressões.

Conhecendo mais sobre o circo
Criamos uma caixa “mágica”, dentro da qual morava um palhaço que em cada encontro escolhia uma surpresa para levar para as crianças. Em cada creche escolhemos um nome diferente para o palhaço, que passou a se chamar Ué, Tic- Tac, ou João Palhaço.

No primeiro dia de visita do palhaço nas creches, “ele” levou uma fita de vídeo. Era de um filme muito antigo: O Maior Espetáculo da Terra, que tem cenas muito bonitas e divertidas. Passei alguns trechos, de modo que as crianças pudessem ter um primeiro contato com todos os principais personagens do circo e encantar-se com seus movimentos.

A proposta de assistir a trechos do filme com as crianças foi mais interessante do que eu esperava. Por ser um filme muito antigo, com outra estética, imaginei que fossem desinteressar-se rapidamente. Mas não, ficaram encantadas com as imagens, atentas o tempo todo, participando e comentando sobre o que viam.

“Olha o palhaço!”
“A moça tá pulando.”
“Ela vai cair, ela vai cair!”
“Que maluca!”

Impressiona ver como esse universo atrai e encanta as pessoas de todas as idades e de todos os tempos. As professoras também se envolveram. Outro aspecto que me surpreendeu é que os pequenos já tinham noção do que representavam aqueles movimentos. De fato, não é normal veralguém dando piruetas no ar.

Pensei que, por serem tão pequenos, não tivessem a dimensão dos desafios a que esses artistas se submetem. Mas sim, eles têm noção. Ficaram maravilhados e aflitos ao mesmo tempo. Perguntaram insistentemente se a trapezista não ia cair. Não queriam parar de assistir. Perguntavam tudo, quem era quem, o que estavam fazendo. Quando alguém gostava de alguma cena, apontava a TV e chamava a atenção das outras crianças para olharem também.

Então, fomos ao pátio, onde eu havia organizado um pequeno “picadeiro” com cordas, caixotes, bambolês e colchões para que as crianças brincassem à vontade e imitassem os movimentos vistos no filme. Coloquei uma trilha sonora: o CD Circo, organizado pelos Parlapatões. Outra surpresa do palhaço da caixa.

Observei, tanto no Centro de Educação Infantil (CEI) São Norberto, quanto no CEI Ana de Fátima, que, embora as crianças tenham gostado muito de se movimentar e tenham tido interesse total em participar e aproveitar de tudo o que lhes foi oferecido, estavam tímidas em relação às suas habilidades motoras. Tinham medo de alguns movimentos, principalmente os que envolviam pular e se pendurar. Precisavam ainda conquistar mais autonomia para se divertirem sozinhos ou com seus colegas.

Dediquei as primeiras reuniões com as educadoras basicamente à leitura e reflexão da seqüência. Discutimos cada etapa como uma forma de organização didática composta de atividades com propósitos e graus de desafios diversos, tendo como foco principal o trabalho com o movimento.
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Brincando de acrobata
Num outro dia levei para as creches um palhaço feito de fuxicos, bem maleável, e imagens de acrobatas e contorcionistas. Depois de observar as imagens, imitei os movimentos vistos com o boneco. As crianças ficaram muito atentas e quiseram brincar com o palhacinho também.

Eu havia combinado com as professoras que elas fariam bonecos de pano para que as crianças brincassem movimentando-os, construindo assim mais noções sobre o corpo humano e sobre suas possibilidades de movimento. Era importante que os bonecos tivessem dimensões próximas às do corpo humano real e que ficassem firmes, porém flexíveis, permitindo uma grande variedade de movimentos.

Todas construíram os bonecos, e as crianças brincaram e se divertiram bastante com eles. No pátio, brincamos de fazer acrobacias usando bolas grandes de circo e colchonetes. As crianças puderam experimentar movimentos de equilíbrio sobre a bola e de contorção sobre o próprio corpo, o que lhes dá possibilidades de ampliação da consciência corporal.

Na quinzena seguinte as professoras realizaram outras propostas nas quais as crianças puderam enfrentar novos desafios e desenvolver outras habilidades, como utilizar diferentes formas de apoiar-se – sobre quatro apoios, de cabeça para baixo – e de equilibrar-se – sobre um só pé, andando sobre uma superfície estreita. (Ver abaixo “Registros de Áurea”-1)

Dançando com as bailarinas
Como os filmes de vídeo envolviam muito as crianças e traziam uma dimensão mais real dos movimentos, levei trechos do filme Sapatinhos Vermelhos, com cenas de balé. Depois de assistirem ao filme as crianças foram convidadas para a brincadeira Seu Mestre Mandou, na qual deviam imitar os movimentos das bailarinas.

Porém, mais interessante que a brincadeira de imitação foi a proposta de dançar vários ritmos: clássico, rock, baião, etc., em que todos imitavam os movimentos de todos. No CEI Cantinho da Criança incluí na atividade um pano bem grande, com o qual foi possível realizar vários movimentos bonitos e interessantes em grupo, como uma cobra gigante.

Ficou evidente a preferência das crianças pelas atividades em grupo na hora de dançar. Por isso, sugeri às professoras que, nas outras atividades, planejadas para esta etapa, abusassem das brincadeiras de roda, que oferecessem desafios em relação aos movimentos corporais. Deixei com elas o CD-Rom Pandalelê.

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É importante adequar os desafios motores às necessidades e capacidades das crianças


Brincando de malabarista e equilibrista
Os vídeos do Cirque du Soleil, que mostrei em outra ocasião, deram uma boa referência do que é um circo e ainda alimentaram o repertório de movimentos. Como escreveu Isabel Filgueiras2 em um artigo na Revista avisa lá (edição no 11, julho/2002), mais importante que buscar o jeito certo de arremessar uma bola no jogo, de derrubar latas, por exemplo, é estimular a criança a resolver este desafio de diferentes maneiras, de diferentes distâncias, com diferentes tipos de bola. Essas ações colaboram para o desenvolvimento de um repertório motor que permite à criança escolher as respostas para os diferentes desafios, buscando soluções alternativas e criativas para os mesmos problemas.

Baseada nisso,convidei as crianças para explorarem possibilidades de lançamento com bolinhas de tamanhos e pesos diversos. Lançar forte, fraco, longe, perto, alto, dentro da boca do palhaço, através de bambolês, sobre um pano grande esticado, etc. Todos envolveram-se e esforçaram-se para alcançar seus objetivos e, ao final do dia, já eram observáveis os avanços de algumas crianças.

As professoras confeccionaram outros instrumentos para o trapézio, como argolas de conduítes encapados e garrafas pet enfeitadas. Improvisaram materiais para brincar de equilibrista, como copinhos de iogurte coloridos e bandejas de isopor. Tudo muito bonito e mágico. Propuseram diversas atividades com desafios com qualidade e nível diferentes. As crianças desenvolveram muitas competências como mira, força e precisão para lançamento, equilíbrio e capacidade de agarrar objetos no ar. (Ver abaixo “Registros de Áurea”-2)

Brincando de trapezista
Na caixa-surpresa, levei um boneco trapezista para conversar com as crianças sobre seus movimentos. Ninguém conhecia aquele brinquedo. Ficaram muito curiosas para brincar e entender como o boneco balançava e virava cambalhotas sozinho no ar. Depois de brincar com o trapezista de madeira, conhecer o nome e alguns possíveis movimentos do boneco, foi o momento de assistir a mais um trecho do Cirque du Soleil. Dessa vez, as crianças não ficaram tão assustadas, achando que os trapezistas iriam cair, como da primeira vez em que viram o vídeo.

Como nos demais encontros, organizei no pátio um cenário de verdade, com brinquedos para as crianças se divertirem e se movimentarem. Para que algumas se aventurassem no trapézio foi preciso coragem e ajuda. Para outras, a mãozinha de um amigo já foi suficiente. Mas sempre há aqueles destemidos, que na primeira chance já se viravam de cabeça para baixo.

Para que desenvolvam suas capacidades motoras, é essencial que as crianças experimentem diversos movimentos, mesmo envolvendo um desafio maior. O desafio é necessário para que haja aprendizagem. Por isso, é imprescindível o educador constatar se o ambiente está preparado e se os materiais utilizados nas atividades são seguros o suficiente para garantir que a criança possa arriscar-se sem correr perigo.

As educadoras deram continuidade às atividades, repetiram o mesmo formato várias vezes, pois, assim como a diversidade, a constância é indispensável para que a criança estabilize suas novas aprendizagens e possa superar desafios.

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Integrando aspectos lúdicos nas situações propostas


Como os bichos do circo
Iniciei o dia lendo a história Cliford no Circo, que teve a função de disparar a conversa sobre os animais no circo. Além da história, levei várias imagens para observar com as crianças, que conversavam entre si sobre o que viam.

“Olha o cavalo!”
“Não é cavalo! É elefante!”
“Esse gato é feio, né?”
“Não acho ele feio. Ele tem cara de bravo.”
“O nome desse bicho é tigre.”
“É o tigre. O tigre é bravo, né?!”

Propus que cada uma se maquiasse como um animal de sua escolha e criamos no pátio uma brincadeira de faz-de-conta, na qual as crianças eram os animais e eu, a domadora. Os “bichos” ainda brincaram de corrida e de pega-pega, usando os apoios como os animais.

Avaliação
O aspecto mais importante da seqüência é o da continuidade, de como o professor vai propondo os novos desafios para as crianças. Foi muito marcante neste trabalho a constatação, por parte de todas nós, educadoras, de como os elementos lúdicos são fundamentais para que as crianças participem ativamente das propostas. Desta maneira, a cada início de uma nova etapa, verificávamos o nível de desenvolvimento das crianças naquele determinado aspecto que gostaríamos de trabalhar mais profundamente e nos esforçávamos em planejar brincadeiras para desafiar as crianças, dando sentido para as atividades motoras sugeridas.

Nesta seqüência as crianças puderam aprender muitas coisas sobre seu próprio corpo, ampliaram sua consciência sobre ele e sobre os movimentos que podem realizar. Tornaram-se assim mais autônomas e independentes para se divertirem. Descortinaram um novo e mágico universo, o circo, com o qual poderão continuar se encantando, se divertindo por toda a vida. (Ver abaixo “Registros de Áurea”-3)

(Ana Lúcia Antunes Bresciane, formadora do Instituto Avisa Lá. É professora de apoio em três Centros de Educação Infantil)

1Site: www.facom.ufba.br/cordabamba/histo1.html
2Formadora do Instituto Avisa Lá.

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O movimento torna-se linguagem, uma forma de expressão

Registros de Áurea

1)
Logo que fiz o planejamento, vi os materiais necessários para esta atividade de acrobacias. Na roda, retomamos a conversa sobre os personagens do circo, focalizando as figuras dos acrobatas através do painel de imagens confeccionado com as crianças.

Após a conversa, fizemos alguns combinados a respeito das regras das brincadeiras e apresentei os materiais que iríamos utilizar. Após a apresentação, organizei os materiais deixando as caixas e bambolês enfileirados e fiz uma demonstração prévia para as crianças de como os materiais poderiam ser utilizados.

Durante a atividade, observei que algumas crianças utilizaram os impulsos e pulavam com os dois pés, mas ainda não estavam totalmente seguras, principalmente a Thais, o Leonardo e o Robson. As demais crianças necessitavam de ajuda para passar em cima da caixa e, quando pulavam, observei que ficavam tensas, e saiam correndo levando os bambolês nos pés.

Conforme notamos na atividade anterior, precisamos oferecer percursos menores e com menos desafios devido à faixa etária das crianças e ao pouco contato que elas têm com estes materiais. Com isso, senti a necessidade de replanejar a atividade, podendo assim facilitar e auxiliar as crianças que sentiram dificuldades na atividade de percurso.

2)
Como o dia estava chuvoso, fizemos uma alteração no planejamento, transferindo a atividade de segunda-feira para sexta-feira. Como o planejamento do uso do pé-de-lata estava preparado, e eu já havia confeccionado três pares de pés-de-lata, propus desenvolver esta atividade no espaço interno da creche. Planejei com o objetivo de possibilitar o desenvolvimento do equilíbrio. Então, trouxe para a roda os pés-de-lata e perguntei se conheciam o brinquedo. Fiz uma demonstração de como equilibrar-se em cima do brinquedo. As crianças mostraram interesse, curiosidade, e quiseram brincar também.

Ao observar a brincadeira, notei que algumas crianças conseguiam equilibrar-se somente com ajuda do educador. Leonardo conseguiu dar alguns passos sozinho. Esta atividade durou aproximadamente uma hora e eu não conseguia interromper, pois as crianças não abandonavam o brinquedo

3)
A partir do segundo semestre, comecei a desenvolver no minigrupo um trabalho de seqüência de movimentos. No início de agosto, tendo como tema o circo, foram planejadas várias atividades de acordo com os personagens e suas profissões: palhaço, acrobatas, equilibristas, etc. Este tema, além de ter promovido desafios, trouxe atividades de movimentos que contribuíram para que as crianças desenvolvessem sua autonomia de forma lúdica e prazerosa e se apropriassem da cultura circense.

Nas primeiras atividades fiquei um pouco insegura e com medo. Um certo receio de enfrentar o novo. Percebi, com o decorrer das atividades, que minhas inseguranças foram diminuindo, e as crianças também se envolviam melhor nas atividades propostas, adquirindo mais confiança nos movimentos sugeridos a elas. Essa segurança só foi possível quando sentiram em mim um apoio.

Nas rodas de conversa, as crianças tornaram-se mais participativas, pois tinham assuntos diversos para falar, em especial sobre o circo e seus personagens. A cada dia me surpreendiam com seus interesses, iniciativas e comentários a respeito do mundo circense. No final do semestre, percebi, por meio das devolutivas que Ana Lúcia fazia em meu diário, que precisava rever alguns aspectos.

Um deles foi que cada criança tem seu movimento próprio e cabe a nós, educadores, respeitá-las em suas individualidades, e não achar que devem imitar os movimentos que o educador faz. Uma dificuldade encontrada foi a falta de alguns materiais necessários e a organização do espaço para desenvolver as atividades, pois nestes momentos é sempre importante a ajuda do educador de apoio ou uma educadora volante.

Infelizmente, nem sempre isto é possível, o que dificultava o desenrolar das atividades, uma vez que eu tinha que cuidar das crianças e organizar o espaço. Sendo esta organização feita na presença das crianças, isso tirava um pouco a surpresa e o entusiasmo das mesmas.

Mas apesar das dificuldades e inseguranças, posso dizer que este trabalho de seqüência sobre o circo trouxe para minha prática como educadora e para meu processo de formação um enriquecimento muito grande.

(Áurea Maria Gonçalves, educadora do CEI Ana de Fátima)

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O universo circense encanta as crianças que assistem ao vídeo do Cirque du Soleil

Seqüência uma pirueta, duas piruetas…

Objetivos gerais

  • Ampliar conhecimentos sobre o circo e seus personagens
  • Ampliar expressão corporal
  • Desenvolvimento da autonomia
  • Sete encontros desencadeadores

1º Encontro – O circo e os palhaços

1) Roda de conversa:
A partir das imagens, conversar com as crianças sobre o circo e seus personagens, mais especificamente o palhaço.
Objetivos (que a criança seja capaz de…):

  • Observar as imagens mostradas e se manifestar sobre o que vê.
  • Contar o que sabe sobre os palhaços: quem são, como são, o que fazem.

Desenvolvimento (o que e como pretendo encaminhar a atividade):

  • Organizar a sala, deixando algumas possibilidades de atividades diversificadas.
  • Colocar um nariz de palhaço e convidar a todos para que se sentem em roda.
  • Esperar para ver se as crianças têm alguma reação frente ao nariz e conversar sobre ele.
  • Perguntar quem já viu um palhaço e pedir para contar sobre ele.
  • Fazer perguntas mais diretas para que as crianças respondam.
  • Mostrar o livro Circo, atentando para as imagens e estimulando-os a falar por meio de algumas perguntas e comentários.

2) Fazendo caretas: depois de terem o rosto pintado, fazer caretas e observá-las no espelho da sala. Fotografar as caretas das crianças.
Objetivos:

  • Interessar-se em maquiar-se ou em participar da proposta
  • Imitar as caretas do professor ou as caretas dos palhaços observados no livro.
  • Observar-se no espelho fazendo as caretas.
  • Tentar reconhecer que sentimentos ou sensações estão relacionados às caretas.
  • Divertir-se fazendo caretas.

Desenvolvimento

  • Convidar uma das crianças a se maquiar como os palhaços e maquiá-la de forma que as outras crianças vejam e sintam vontade de se maquiarem também.
  • Pedir ajuda da professora para organizar as crianças e maquiá-las em frente ao espelho, de forma que possam observar-se.
  • Atentar para as caretas que fazem e sugerir que imitem uns aos outros.
  • Convidá-los a fazer caretas de tristeza, alegria, braveza, sono, etc.

Recursos utilizados

  • Livro com imagens de circo;
  • maquiagem de palhaço não-tóxica; espelho.

Possíveis desdobramentos

  • Leitura de novas imagens / caixa de imagens.
  • Jogo tipo Siga o Mestre de caretas, ou jogo de adivinhar Qual é a Careta.
  • Cantos de maquiagem e fantasia de palhaço.

2º Encontro – Brincadeiras de circo

1) Sessão de vídeo

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Palhaço (Wellington)

Objetivos:

  • Apreciar as imagens do vídeo e ver como é um circo.
  • Conhecer quem são os seus personagens.
  • Observar os movimentos realizados pelos personagens.

Desenvolvimento

  • Passar trechos do vídeo nomeando os personagens e chamando a atenção para seus movimentos.
  • Escutar os comentários que as crianças fazem. Depois conversar com o grupo, perguntando o que eles observaram, o que mais gostaram.

2) Brincadeira de circo
Objetivos

  • Imitar os movimentos dos personagens do circo.
  • Divertir-se ao imitar os personagens.

Desenvolvimento

  • Organizar no parque ou solário alguns materiais como cordas, bambolês, caixotes, bolinhas, colchões.
  • Realizar movimentos semelhantes aos observados no filme e propor que as crianças imitem.
  • Colocar música de circo de fundo.

Recursos utilizados

  • Cordas, bambolês, colchonetes, caixotes, bolas de vários tamanhos, videocassete e TV.

Possíveis desdobramentos

  • Passeio ao circo.
  • Organizar brincadeiras de circo para as crianças brincarem: esticar panos coloridos na sala imitando a tenda e disponibilizar os objetos.
  • Ouvir CD com músicas do circo.

3º Encontro – Acrobacias

1) Apreciação de imagens e conversa
Objetivos:

  • Conhecer os movimentos desses artistas.

Desenvolvimento

  • Levar um boneco de pano e imagens de acrobatas em uma caixa-surpresa.
  • Apreciar as imagens e relembrar os movimentos dos acrobatas vistos no filme.
  • Repetir os movimentos com o boneco para ajudar as crianças a relembrarem.

2) Acrobacias
Objetivos

  • Realizar movimentos que se aproximem dos movimentos dos artistas: rolar, dar cambalhotas, rolar sobre bolas.

Desenvolvimento

  • Organizar na área externa colchões, para que as crianças possam realizar alguns movimentos e bolões, para que rolem por cima.

Recursos utilizados

  • Colchonetes, bolões de parque, imagens de acrobatas, boneco de pano.

Possíveis desdobramentos

  • Confeccionar um boneco de arame e pano para cada criança e propor situações de brincadeira com eles.
  • Jogo de Siga o Mestre.
  • Circuitos.

4º Encontro – Ponta dos pés, saltos e piruetas: a bailarina

1) Apreciação de imagens e conversa
Objetivos

  • Conhecer os movimentos desses artistas.

Desenvolvimento

  • Levar uma boneca bailarina de pano ou fotografia em uma caixa-surpresa.
  • Perguntar para as crianças se elas lembram como faz a bailarina.
  • Mostrar outras imagens e relembrar os movimentos, nomeando-os.

2) Dançando como as bailarinas do circo
Objetivos

  • Realizar movimentos que se aproximem dos movimentos dos artistas: andar na ponta dos pés, saltitar e girar.

Desenvolvimento

  • Colocar uma sapatilha e propor um jogo em que as crianças imitem os movimentos que eu fizer.
  • Deixar que dancem à vontade músicas lentas e rápidas.

Recursos utilizados

  • Aparelho de som, sapatilha, boneca, imagens de bailarina.

Possíveis desdobramentos

  • Ver trechos de filmes de espetáculos de dança.
  • Cantos de fantasia e maquiagem.
  • Momentos de dançar músicas diversas.

5º Encontro – Brincando de malabarista e equilibrista

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Cavalo (Sheina)


1) Apreciação de imagens e conversa
Objetivos

  • Conhecer o que esses artistas fazem no circo.

Desenvolvimento

  • Levar imagens de equilibristas e malabaristas e apreciá-las identificando os movimentos, instrumentos utilizados, as roupas.

2) Brincando de malabarista
Objetivos

  • Lançar objetos de diversas maneiras: forte, fraco, alto, a curta distância, a longa distância etc.
  • Lançar objetos uns para os outros e tentar apanhar.

Desenvolvimento

  • Convidar as crianças a explorar possibilidades de lançamento de objetos.
  • Primeiro fazer uma roda e jogar uma bola grande e leve de uma para a outra criança.
  • Experimentar jogar bolinhas de diversas maneiras, para cima, para longe, contra a parede etc.
  • Deixar que as crianças brinquem à vontade.

Recursos utilizados

  • Bola grande e leve, bolinhas individuais, imagens de malabarista.

Possíveis desdobramentos

  • Confeccionar garrafas e tubos coloridos e propor novos jogos que exijam novas formas de lançamento com os diferentes objetos.
  • Equilibrar diferentes objetos: copos de iogurte, bandejas de isopor, caixinhas de embalagem.

6º Encontro – Brincando de trapezista

1) Apreciação de imagens e conversa
Objetivos

  • Conhecer os movimentos desses artistas.

Desenvolvimento

  • Levar um boneco trapezista em uma caixa-surpresa.
  • Perguntar se as crianças se lembram desse artista.
  • Mostrar outras imagens de trapezistas e observar os instrumentos, as roupas, os movimentos.

2) Trapezistas mirins
Objetivos

  • Realizar movimentos dos artistas: balançar sentado e segurando uma corda; se dependurar com as duas mãos e balançar; se dependurar com uma só mão e com as pernas com ajuda dos adultos.

Desenvolvimento

  • Organizar na área externa: cordas, balanços e trapézios.
  • Dar modelos do que as crianças podem fazer e ajudá-las a explorar os brinquedos.

Recursos utilizados

  • Cordas, balanças e trapézios; imagens e boneco trapezista.

Possíveis desdobramentos:

  • Confeccionar trapézios.
  • Fazer trapézios para os bonecos de arame.

7º Encontro – Os bichos do circo

1) Apreciação de imagens e conversa
Objetivos

  • Conhecer os movimentos dos animais no circo.

Desenvolvimento

  • Levar imagens de animais no circo: elefantes sobre duas patas, cavalos correndo, cachorrinhos fazendo acrobacias, leões e tigres saltando obstáculos

2) Correria de bichos
Objetivos

  • Andar e correr sobre quatro apoios como os bichos.

Desenvolvimento

  • Confeccionar máscaras de bichos e deixar que as crianças escolham qual animal querem ser.
  • Propor brincadeiras em que as crianças devem andar e correr como os bichos.

Recursos utilizados

  • Imagens e máscaras.

Possíveis desdobramentos

  • Confeccionar bichos grandes nos quais as crianças possam subir, para alimentar a brincadeira.
  • Corrida de Bichos.

Ficha Técnica

Programa de Educação Infantil – PEI

Iniciativa: Fundação Abrinq e Fundação Brasileira Safra
Responsabilidade Técnica: Instituto Avisa Lá
Formadora: Denise Nalini
Professora de Apoio: Ana Lúcia Bresciane
Realização:

  • CEI Jd. São Norberto – Rua Vicenzo Neriti, 610 – Jd. São Norberto – São Paulo – SP. CEP: 04884-140 Tel.: (11) 5920-3506. E-mail: [email protected]Gerente: Rosemary Gregio de Oliveira / Coordenadora: Isabel Cordeiro Leme
  • CEI Cantinho da Criança – Rua Frei Luís de Leon, viela II – Vila Jd. Floresta – São Paulo – SP. CEP: 04836-080 – Tel.: (11) 5929-5824. E-mail: [email protected] ou [email protected] –  Gerente: Silvana Silva Silveira / Coordenadora: Mariana Cristina Goes Areda
  • CEI Ana de Fátima – Forte Maurício, 13 – Jd. Iporã – São Paulo – SP. CEP: 04865-130 Tel.: (11) 5979-6422  – Gerente: Roseneide de Araújo / Coordenadora: Kelly Cristina de O. Braga

Para saber mais


Livros e Revistas

  • “A Criança e o Movimento”, de Isabel Filgueiras. Revista avisa lá, edição no 11, julho/2002
  • Cliford no Circo, de Norman Bridwell. Ed. Cosac & Naif. Tel. (11) 3218-1444
  • “Desenvolvimento Motor: Passado, Presente e Futuro”, de Isabel Filgueiras. Revista Paulista de Educação Física. Suplemento 3/2000. Tel.: (11) 3091-3147
  • Faz e Acontece no Circo, de Lalau. Ilustrações de Laurabeatriz. Ed. Cia. das Letrinhas. Tel.: (11) 3707-3501
  • Henri Wallon: Uma Concepção Dialética do Desenvolvimento Infantil, de Izabel Galvão. Ed.Vozes. Tel.: (24) 223-9000
  • Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil: Movimento. MEC, 1998. Arquivos disponíveis no site: www.mec.gov.br

Filmes disponíveis em formato DVD e VHS

  • Cirque du Soleil – A Reinvenção do Circo, 1989. Direção de Jaques Payette
  • O Maior Espetáculo da Terra, 1952. Direção de Cecil B. Demille
  • Os Sapatinhos Vermelhos, 1948. Direção de Michael Powell

CDs e CD-Rom

  • O Grande Circo Místico, de Edu Lobo e Chico Buarque. Som Livre. Site: www.somlivre.com.br
  • Pandalelê – Brinquedos Cantados. Vol. 1. Contém CD, CD-Rom e livro. Informações e vendas: Eugenio Tadeu. Tel.: (31) 3499-5199. E-mails: [email protected] e [email protected]
  • Cd do Circo, dos Parlapatões, Patifes e Paspalhões. Informações e vendas: Tel.: (11) 3061-9799. E-mail: [email protected] Site: www.parlapatoes.com.br

Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #24 de outubro de 2005. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br

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