A prática de registrar com crianças de 1 a 3 anos

Um diário de sala compartilhado com as criancas e suas famílias guarda a memória do grupo e revela a própria identidade
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Produção feita com a participação dos pais

Registrar faz parte do projeto pedagógico da Grão de Chão1, escola em que trabalho. Cada grupo tem seu diário de sala e nele são registrados os acontecimentos mais significativos vivenciados pelas crianças, tais como uma brincadeira muito divertida, eventos realizados na escola, algumas atividades feitas com outros grupos, as receitas elaboradas, as curiosidades ou descobertas, os aniversários, entre outros. Há espaço também para os registros mais individuais, importantes para uma ou mais crianças, como o nascimento de um irmão, por exemplo. Sou professora de crianças de 1 a 3 anos (G1/G2), e é comum os pais lamentarem o fato de os filhos, pela oralidade pouco desenvolvida, quase não contarem em casa o que fazem na escola. Percebi que pelo diário de sala seria possível compartilhar com eles as vivências de seus filhos e do grupo a que eles pertencem, bem como favorecer a construção da identidade de cada um e a percepção do outro, alimentando o sentimento de pertencimento ao grupo.Continue lendo >

Chita no Carnaval e no São João

Um simples tecido pode ser o mote para desencadear um bom trabalho com crianças sobre diversidade cultural e suas manifestações artísticas na música, na dança e nas artes visuais brasileiras
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Painel coletivo das festas de São João (fotos: arquivo da escola Grão de Chão)

No início do ano letivo, é importante planejar ações pedagógicas para conhecer as crianças, deixando espaço para atividades significativas que encerrem também muitas aprendizagens. Em fevereiro, em geral, além da adaptação e dos aspectos de incentivo à socialização, outro tema que sempre vem à tona é o Carnaval. Com ênfase na música e na dança, a intenção é contextualizar essa comemoração fazendo recortes das mais diferentes manifestações populares que acontecem nesse período no Brasil. As artes visuais se beneficiam na construção de fantasias, adereços e cenários, com base em pesquisas que envolvem diferentes materiais e suportes.
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Muitos mundos numa única sala

Poderosa ferramenta de trabalho com as crianças pequenas, a organização de cantos de atividades diversificadas ainda não é uma prática usual no brasil, apesar de antiga em outros países. As instituições que experimentam a proposta obtém resultados significativos

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Os cantos de atividades diversificadas são uma modalidade de organização do espaço e do trabalho que oferece várias possibilidades de atividades ao mesmo tempo, de modo que as crianças possam escolher onde estar e o que fazer. Tais momentos são diários e acontecem por um período delimitado, entre 40 e 60 minutos. Esses cantos consideram a necessidade de acesso, por exemplo, a brinquedos e atividades de expressão plástica, sendo seguidos e/ou precedidos de outras formas de organização do tempo didático, incluindo atividades tais como roda de história, leitura, lanche, parque e também projetos e seqüências que possuem objetivos específicos de aprendizagem.

No Centro de Educação Infantil (CEI) da Mina, no bairro de Heliópolis, na cidade de São Paulo, há uma preocupação tanto com a constância como com a inovação das propostas oferecidas nos cantos de atividades diversificadas, para que estes sejam sempre convidativos e contemplem muitas oportunidades de construção de conhecimentos. Não faltam, assim, no planejamento atividades lúdicas voltadas à interação entre as crianças e objetos, como um aconchegante canto de leitura, mesa com propostas artísticas, espaço de faz-de-conta e jogos.
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Uma pirueta, duas piruetas: uma seqüência para crianças pequenas

O circo é sinônimo de diversão, habilidade, magia, e é parte significativa de nossa cultura. Por isso, foi o tema escolhido para trabalhar a diversidade motora de crianças de três centros de educação infantil da capital paulista
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“No corpo se operam sempre nossas transformações. Ele é o nosso primeiro instrumento – a consciência de seu volume, de sua mobilidade, de sua flexibilidade e dinâmica, ajuda o homem a se adaptar à diversidade de situações com que se depara. O corpo também é o nosso primeiro limite, e nos ensina o senso primário de organização e desorganização”
(Inês Bogéa, crítica de dança, professora universitária e bailarina)

Fiz um primeiro encontro para identificar quais seriam as principais necessidades dos grupos, conhecer as crianças e as expectativas das educadoras. Notei características bem semelhantes entre eles, embora houvesse alguma diferença de faixa etária. Sem fugir à regra das crianças nessa idade, encontrei grupos “elétricos”, como disseram suas educadoras, que “gostam de andar e falar”, “adoram se mexer de um lado para outro, subir na mesa e correr pela sala”.

Porém, nenhuma das educadoras tinha em mente realizar um trabalho específico com movimento naquele semestre, não havia nada planejado nessa área até então. Conversando sobre minha idéia de desenvolver com as crianças uma seqüência de movimentos, as educadoras aprovaram a sugestão.

Planejamos então uma seqüência de atividades com as crianças. O principal objetivo era que elas conhecessem suas possibilidades corporais e descobrissem novas formas de se movimentar e de se expressar. Para garantir motivação e interesse ao longo de todo o semestre, a proposta foi criar brincadeiras e atividades que tivessem como contexto o circo.
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Prazeres e saberes de leitores não convencionais

Muitos educadores não vêem com bons olhos a relação de crianças muito pequenas com a escrita. Neste artigo, Pedro (3 anos), Duda (4 anos), Diogo (5 anos) e Ana (5 anos) desafiam essa postura. Veja com que alegria e competência eles se revelam participantes da cultura escrita

“Ensinar a ler e escrever continua sendo uma das tarefas mais especificamente escolares. Um número muito significativo (demasiadamente significativo) de crianças fracassa já nos primeiros passos da alfabetização. O objetivo deste livro é mostrar que existe uma nova maneira de considerar esse problema. Pretendemos demonstrar que a aprendizagem da leitura, entendida como o questionamento a respeito da natureza, função e valor desse objeto cultural que é a escrita, inicia-se muito antes do que a escola o imagina, transcorrendo por insuspeitos caminhos.” (Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, psicogênese da língua escrita, nota preliminar)

Ilustração de aluno representando os ciclopes, personagens presentes nos mitos gregos (VIrginia Gastaldi)

Ilustração de aluno representando os ciclopes, personagens presentes nos mitos gregos (VIrginia Gastaldi)

O texto acima foi escrito há mais de duas décadas, mas a polêmica sobre alfabetizar ou não crianças na pré-escola ainda é grande. Há uma tendência à concordância na rejeição das práticas de exercício motor, repetição e cópia. O que a elas se opõe, porém, deve ser objeto de discussão, visto que, muitas vezes, essa oposição acaba por desconsiderar o que nelas há de melhor, ou seja, a responsabilidade da Educação Infantil com a alfabetização. Cabem, então, esclarecimentos sobre o que se entende por alfabetização, uma vez que é isso que está em jogo quando a discussão emerge, mas nem sempre a isso se faz referência. Enquanto as discussões se arrastam, grande parte das pré-escolas (e escolas) – públicas e particulares – está longe de serem ambientes em que circulam práticas de leitura e escrita em suas variadas formas, ou seja, ambientes alfabetizadores, e assim deixam de criar para as crianças a oportunidade de participar dessas práticas e com elas aprender. Um ambiente alfabetizador na Educação Infantil em nada se assemelha a práticas tediosas ou precoces.Continue lendo >

Arte e histórias das máscaras

Presentes na história da humanidade desde épocas muito remotas, as máscaras encantam adultos e crianças. Conheça algumas possibilidades de trabalho com crianças de 2 a 4 anos
Cavalhada – São Luís do Paraitinga

Cavalhada – São Luís do Paraitinga (Rômulo Fialdini)

Na antiguidade, os povos árabes usavam a palavra maskhara para dizer que alguém era um farsante, isto é, uma pessoa que finge ser de um jeito que não é. Sentido próximo ao que usamos hoje para falar de um objeto que é um falso rosto: uma máscara. As máscaras aparecem na história da humanidade desde as épocas mais remotas. Há registros de pinturas rupestres em que há cenas representando caçadores mascarados com cabeças de animais. É presumível que o homem primitivo usasse a máscara e a dança num ritual mágico para influir no êxito da caça. A máscara seria o elemento catalisador de forças misteriosas.

Na cultura africana, esse artefato representa a possibilidade de participar da multiplicidade da vida do universo, criando novas realidades fora daquela meramente humana – é o poder transfigurador da máscara que une o homem à energia extra-humana, ao mundo sagrado.Continue lendo >

Brincar com a água e aprender na ação

Um dia de sol, muito calor no parque. Na volta para a sala, um grupo de crianças da creche educandário são domingos fez uma parada para beber água. mas nesse dia, tomar água foi algo diferente do que acontece todos os outros dias no grupo de crianças de 2 e 3 anos

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Sol, água e brincadeiras no desenho de uma criança do minigrupo da Creche Jardim Miriam


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Cestinhas Surpresa

Cestinhas Surpresa

Regularidade e diversidade: componentes fundamentais no planejamento de atividades para bebês

Professora e crianças em interação (Foto: Rosemeire Rodrigues)


Em um um berçário as crianças devem explorar com segurança o mundo que as cerca, interagir com adultos e entre elas, brincar, transformar, aprender a se comunicar, ir conquistando maior independência. A diversidade de experiências amplia as possibilidades de um desenvolvimento pleno e da participação ativa nos desafios que o dia-a-dia impõe.

Foi nesta perspectiva que iniciei um trabalho com crianças das creches Papa João XXIII e Dom José Gaspar, ambas integrantes do Programa Capacitar Educadores, de São Paulo1. Meu trabalho consistia em uma intervenção de duas horas com as crianças, seguidas de uma hora de discussão com as professoras, que observavam atentamente minha prática.
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Apresentando a cultura e o mundo – O dia-a-dia da criança dos 2 aos 3 anos

O que trazemos nas próximas páginas é um registro interessante e emocionado de um trabalho comprometido com a necessidade de apresentar o mundo e a cultura para as crianças pequenas. Nele se percebe como esses conhecimentos são alimentos poderosos para a inteligência e a imaginação dos pequenos.Veja o que é possível fazer com esta faixa etária nas delicadas palavras de uma professora

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Estratégias de Leitura

No diário de campo de uma professora, encontramos uma interessante atividade cujo objetivo é ajudar crianças de 5 a 6 anos a avançar na reflexão sobre o sistema de escrita. Propõe-se a elas encontrar em uma lista, palavras que fazem parte de um poema lido com a professora. Como ainda não são alfabetizadas, precisam pôr em jogo tudo o que sabem sobre o sistema de escrita – conhecimento sobre o valor sonoro convencional das letras e das estratégias de leitura – para descobrir o que não sabem. Veja como elas pensam.

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