Projeto Comer e Brincar na Escola Serve Para Quê?

Desenvolvido pelo Avisa Lá, com apoio da Fundação Cargill, o projeto propõe a capacitação de profissionais da Educação Infantil para o desenvolvimento de boas práticas voltadas para a educação alimentar e movimento em escolas de cinco municípios no interior de São Paulo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a alimentação saudável aliada a prática de atividade física como estratégias efetivas para reduzir doenças e mortes no mundo, em conformidade com a ODS 3. Como a formação de hábitos se dá desde cedo, as boas práticas alimentares e de atividade física devem ser vivenciadas também na escola, espaço privilegiado de construção de conhecimento, aquisição de valores e formação de atitudes.

No Brasil, a Lei Federal 11.947, presente no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), determina as diretrizes da alimentação escolar que devem garantir, entre outros pontos, a inclusão da educação alimentar e nutricional no processo de ensino e aprendizagem. Nessa perspectiva, a escola se apresenta como uma instituição relevante por seu poder de atuar com profissionais da educação e alimentação em conjunto com as crianças.

A curiosidade e o e encantamento de movimentar o corpo

O uso do movimento nas escolas de educação infantil é um daqueles consensos difíceis de se tornar prática. Mas para algumas crianças ele é uma realidade na rotina

Eu me enrolo,
me espicho,
aprendo a rolar.
Olho o tatu-bola no chão e na mão.
Espio dentro de um buraco que me parece muito
fundo e me estico para dar uma
olhadinha no coelho.
Abaixo e levanto.
Me escondo embaixo da mesa e preciso ficar
muito alto para alcançar aquela bolinha de
sabão que quer escapar.
Testo meu equilíbrio, agora já não caio mais!
Me aperto dentro das caixas, me alongo para
olhar nas janelas.
Rodo, giro e rolo, mexo o meu corpo sem parar,
e no final do dia quero um colinho gostoso para
me enroscar!
(Mariana Americano e Carmen Orofino)

Foto: Mariana Americano

Foto: Mariana Americano

Segundo Rudolf Steiner1, os primeiros anos de vida de uma criança são principalmente dedicados ao desenvolvimento da motricidade, desde a coordenação dos músculos que controlam o globo ocular e possibilitam a visão do mundo até o controle da cabeça, dos braços, das mãos, do arrastar-se, do rolar, da capacidade de se sentar, seguidos pelo deslocamento no engatinhar e culminando com a posição vertical e o andar.

Na Escola Viva, muitas crianças, assim que aprendem a andar, passam a fazer parte da nossa escola, num momento em que seu corpo fala muito mais alto do que a comunicação oral. A curiosidade faz com que as crianças queiram conhecer o mundo, explorando cada possibilidade de movimento com o corpo. Para ajudá-las nesse processo de crescimento, proporcionamos muito mais do que apenas a exploração natural do espaço. Fazemos um planeja mento das atividades, uma organização intencional do espaço e um preparo do olhar voltado ao corpo des sas crianças, oferecendo desafios e também apoio para que se descubram e desenvolvam as habilidades motoras esperadas.Continue lendo >

Uma pirueta, duas piruetas: uma seqüência para crianças pequenas

O circo é sinônimo de diversão, habilidade, magia, e é parte significativa de nossa cultura. Por isso, foi o tema escolhido para trabalhar a diversidade motora de crianças de três centros de educação infantil da capital paulista
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“No corpo se operam sempre nossas transformações. Ele é o nosso primeiro instrumento – a consciência de seu volume, de sua mobilidade, de sua flexibilidade e dinâmica, ajuda o homem a se adaptar à diversidade de situações com que se depara. O corpo também é o nosso primeiro limite, e nos ensina o senso primário de organização e desorganização”
(Inês Bogéa, crítica de dança, professora universitária e bailarina)

Fiz um primeiro encontro para identificar quais seriam as principais necessidades dos grupos, conhecer as crianças e as expectativas das educadoras. Notei características bem semelhantes entre eles, embora houvesse alguma diferença de faixa etária. Sem fugir à regra das crianças nessa idade, encontrei grupos “elétricos”, como disseram suas educadoras, que “gostam de andar e falar”, “adoram se mexer de um lado para outro, subir na mesa e correr pela sala”.

Porém, nenhuma das educadoras tinha em mente realizar um trabalho específico com movimento naquele semestre, não havia nada planejado nessa área até então. Conversando sobre minha idéia de desenvolver com as crianças uma seqüência de movimentos, as educadoras aprovaram a sugestão.

Planejamos então uma seqüência de atividades com as crianças. O principal objetivo era que elas conhecessem suas possibilidades corporais e descobrissem novas formas de se movimentar e de se expressar. Para garantir motivação e interesse ao longo de todo o semestre, a proposta foi criar brincadeiras e atividades que tivessem como contexto o circo.
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