O conhecimento didático como eixo da formação

O trabalho de formação com educadoras da 4ª série de três escolas municipais, no qual a leitura e escrita foram “práticas vivas e vitais”, possibilitou o estabelecimento de uma nova relação entre ensino e aprendizagem
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“O necessário é fazer da escola um âmbito onde leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir.
(Ler e Escrever na Escola: O Real, o Possível e o Necessário, de Delia Lerner. Ed. Artmed)

Estabelecer na escola um ambiente em que as práticas de leitura e escrita se instaurem com toda sua intensidade, com todas as suas potencialidades tem sido o norte deste trabalho de formação com professoras de Escolas de Ensino Fundamental de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Para isso, é necessário transformar as práticas pedagógicas, possibilitar a construção de novos conhecimentos didáticos.

Sabemos que, de acordo com a teoria de Jean Piaget1, toda ação, seja um movimento, pensamento ou sentimento, corresponde a uma necessidade que é sempre a manifestação de um desequilíbrio. A cada instante, pode-se dizer, a ação humana é desequilibrada pelas transformações que aparecem no mundo, exterior ou interior, e cada nova conduta vai funcionar não só para restabelecer o equilíbrio, como também para tender a um equilíbrio mais estável que o do estágio anterior a essa perturbação. A ação humana consiste nesse movimento contínuo e perpétuo de reajustamento ou de equilibração2.
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Uma casa para brincar – Gera discussões ambientais e soluções matemáticas

Crianças de 4 e 5 anos de uma escola municipal de educação infantil da cidade de são paulo aprendem a projetar e construir coletivamente uma casa de brinquedo1, utilizando embalagens recicláveis a possibilidade da brincadeira no espaço a ser criado movimenta o desejo de aprender das crianças

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Fotos: Margareth Buzinaro


O Projeto Casa de Brinquedo, que envolve prioritariamente conteúdos da matemática e meio ambiente, nasceu da necessidade real das crianças de incrementar o acervo lúdico da Escola Municipal de Educação Infantil João Mendonça Falcão, localizada na zona leste da capital paulista.

Pensamos no projeto, quando a escola recebeu um kit com geladeira, fogão, pia, mesa e cadeirinhas. As crianças, quase que em coro, disseram: “Que pena que não temos uma casinha para colocar tudo dentro”. Sugeri então: “E se nós construíssemos uma casinha com caixinhas de leite?”. Essa conversa desencadeou toda a ação.

Discuti com as crianças sobre o que queriam e, principalmente, as formas de colocar em prática seus objetivos, aproveitando para trabalhar com diferentes conteúdos de forma significativa.

O Projeto nas mãos das crianças
Combinamos, primeiramente, como fazer para arrecadar as caixas. Propus a elaboração coletiva de um cartaz, pedindo que outras crianças da escola também trouxessem caixinhas vazias de leite:

“Estamos precisando de caixinha de leite Longa Vida para construir uma casinha de brinquedos. Precisa ser limpa e não pode ser amassada. Quem quiser ajudar é só trazer as caixinhas e entregar na sala 3”
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Uma pirueta, duas piruetas: uma seqüência para crianças pequenas

O circo é sinônimo de diversão, habilidade, magia, e é parte significativa de nossa cultura. Por isso, foi o tema escolhido para trabalhar a diversidade motora de crianças de três centros de educação infantil da capital paulista
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“No corpo se operam sempre nossas transformações. Ele é o nosso primeiro instrumento – a consciência de seu volume, de sua mobilidade, de sua flexibilidade e dinâmica, ajuda o homem a se adaptar à diversidade de situações com que se depara. O corpo também é o nosso primeiro limite, e nos ensina o senso primário de organização e desorganização”
(Inês Bogéa, crítica de dança, professora universitária e bailarina)

Fiz um primeiro encontro para identificar quais seriam as principais necessidades dos grupos, conhecer as crianças e as expectativas das educadoras. Notei características bem semelhantes entre eles, embora houvesse alguma diferença de faixa etária. Sem fugir à regra das crianças nessa idade, encontrei grupos “elétricos”, como disseram suas educadoras, que “gostam de andar e falar”, “adoram se mexer de um lado para outro, subir na mesa e correr pela sala”.

Porém, nenhuma das educadoras tinha em mente realizar um trabalho específico com movimento naquele semestre, não havia nada planejado nessa área até então. Conversando sobre minha idéia de desenvolver com as crianças uma seqüência de movimentos, as educadoras aprovaram a sugestão.

Planejamos então uma seqüência de atividades com as crianças. O principal objetivo era que elas conhecessem suas possibilidades corporais e descobrissem novas formas de se movimentar e de se expressar. Para garantir motivação e interesse ao longo de todo o semestre, a proposta foi criar brincadeiras e atividades que tivessem como contexto o circo.
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Para cada ambiente um cuidado especial

A observação e análise dos espaços e atividades desenvolvidas em centros deeducação infantil permitem a identificação de problemas e soluções para evitar disseminação das doenças mais freqüentes entre crianças e profissionais que convivem nesses ambientes

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Quando as famílias procuram um Centro de Educação Infantil (CEI), buscam um atendimento que colabore com a tarefa de educar e criar seus filhos em um ambiente protegido, saudável e, ao mesmo tempo, desafiante e enriquecedor. Em geral, as pessoas atribuem os problemas de saúde das crianças às condições climáticas, às brincadeiras na área externa em dias mais frios, às brincadeiras com água ou areia. É comum o desconhecimento de que os riscos à saúde podem ser decorrentes da organização do trabalho, da falta de procedimentos adequados na limpeza e desinfecção dos espaços, do descuido no preparo dos alimentos e das ações de cuidados, mesmo em instituições com aparência bonita, moderna e aparentemente limpa.

Assim, a tomada de consciência de todos sobre os determinantes do processo saúde-doença é o primeiro passo para construir modos de convívio saudáveis que resultem em qualidade de vida. É necessário um trabalho intenso de informação, estudo e reflexão sobre a forma como se organiza o trabalho nos Centros de Educação Infantil e sobre a responsabilidade de cada profissional na promoção de saúde das crianças e da equipe, para que sejam adotadas as precauções adequadas.
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Recortes Poéticos

São muitos os recortes que podemos fazer da realidade. Fazê-los com autoria é uma combinação de sensibilidade com o conhecimento de procedimentos que resultam numa grande brincadeira da criação. A poesia do mundo está ai: temperar intenção e ação, gesto e movimento, para surpreender-se com os rumos escolhidos. Assim fazem os artistas e as crianças
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“A arte é como uma janela poderosa que nos atrai; e junta a beleza da pessoa com o mundo.” Lauro Mendes Gabriel, professor Ticuna

O artista
Carlos Dala Stella, escritor e artista plástico, nascido em Curitiba (PR) é um apaixonado pelo mundo do papel, suporte da escrita e da imagem. Seus textos estão repletos de imagens, assim como seu desenho e sua pintura são marcados pelo universo da escrita e seus contextos. Como artista de genuína curiosidade e intensificado interesse pelo uso dos diferentes meios e suportes, Carlos transita pelo papel, tela, painéis de cimento, parede, vidro, fotografia, escultura em papel e por aí vai. Esta mistura, que faz como brasileiro imerso neste caldo cultural que é nosso País, está presente no livro Bicicletas de Montreal, lançado em 2002, e agora reeditado, com três capas diferentes, para representar, em agosto de 2005, o País no ano do Brasil na França, evento que reúne muitos artistas nacionais.

O livro traz diferentes imagens de bicicletas abandonadas nas ruas de Montreal – capital do Canadá –, registradas por meio da fotografia e reinterpretadas em desenho, gravura, recorte e colagem. Ao folhear o livro, podemos passear com o artista pelas ruas de sua imaginação, numa viagem simbólica, cuja trama das linhas importa mais do que o objeto bicicleta em si.Continue lendo >

O direito à diferença na Educação Infantil

Uma situação vivida em uma creche da cidade de São Paulo desencadeia a reflexão sobre o que é tratar de forma igual crianças diferentes
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Ilustrações a partir da obra de Martha Simões

Diante da eminente entrada de uma criança com algum tipo de transtorno, questiona-se sobre a antecipação de suas necessidades específicas, o que corresponderia a uma preparação para recebê-la; questiona-se a formação e conhecimento necessários para essa recepção, e diz-se, em uníssono: a criança com necessidades especiais deve ser tratada igual às outras! Tratar igual? Continue lendo >

A heterogeneidade na sala de aula

Lidar com as diferenças na sala de aula sempre foi um desafio para os professores. O desejo de classes homogêneas tem sido constante nas escolas e agora a ordem é incluir. É preciso apoiar os professores nessa nova atitude
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Ilustrações a partir da obra de Martha Simões

Vivemos um momento na Educação em que a ordem é incluir. Continue lendo >