Por dentro da moda

As roupas, os sapatos e acessórios contam muito sobre uma cultura e um tempo histórico. Por isso, constituem um rico material de investigação para as crianças de todas as idades
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Caixas de leite viram sapatos (fotos do desfile das crianças: Flávia Cunha Lima)

O mundo natural e social é campo de investigação para os cientistas, mas, sobretudo, para as crianças, que têm o frescor da dúvida, da inquietação, da curiosidade, do desejo de conhecer. As crianças pequenas possuem muito interesse acerca do mundo em que vivem, portanto, é preciso que a escola corresponda às expectativas infantis e dê respaldo às suas inquietudes e investigações.

As situações de aprendizagem devem proporcionar um caldo cultural fértil, capaz de aguçar ainda mais o desejo das crianças de construir explicações para o mundo. Na Educação Infantil, a aproximação das crianças com alguns procedimentos investigativos próprios das ciências naturais e sociais traz ótimos frutos1. Portanto, é necessário auxiliá-las na formulação de perguntas e explicações sobre o universo a ser conhecido; na utilização de diferentes fontes de informação; na busca por conhecimento em locais específicos, tais como bibliotecas, museus; na leitura e interpretação de registros, como desenhos e fotografias.

Além disso, fazer com que a criança aprenda a registrar informações (utilizando desenhos, textos orais ditados ao professor, comunicação oral registrada no gravador etc.) contribui para que ela valorize o conhecimento. Esses procedimentos são ferramentas importantes para a formação desses pesquisadores mirins, que têm um jeito muito particular de ver o mundo, repleto de relações criadas segundo sua ótica, que é simbólica e lúdica por natureza.Continue lendo >

Muitos mundos numa única sala

Poderosa ferramenta de trabalho com as crianças pequenas, a organização de cantos de atividades diversificadas ainda não é uma prática usual no brasil, apesar de antiga em outros países. As instituições que experimentam a proposta obtém resultados significativos

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Os cantos de atividades diversificadas são uma modalidade de organização do espaço e do trabalho que oferece várias possibilidades de atividades ao mesmo tempo, de modo que as crianças possam escolher onde estar e o que fazer. Tais momentos são diários e acontecem por um período delimitado, entre 40 e 60 minutos. Esses cantos consideram a necessidade de acesso, por exemplo, a brinquedos e atividades de expressão plástica, sendo seguidos e/ou precedidos de outras formas de organização do tempo didático, incluindo atividades tais como roda de história, leitura, lanche, parque e também projetos e seqüências que possuem objetivos específicos de aprendizagem.

No Centro de Educação Infantil (CEI) da Mina, no bairro de Heliópolis, na cidade de São Paulo, há uma preocupação tanto com a constância como com a inovação das propostas oferecidas nos cantos de atividades diversificadas, para que estes sejam sempre convidativos e contemplem muitas oportunidades de construção de conhecimentos. Não faltam, assim, no planejamento atividades lúdicas voltadas à interação entre as crianças e objetos, como um aconchegante canto de leitura, mesa com propostas artísticas, espaço de faz-de-conta e jogos.
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Desenhando a imaginação

As gravuras da artista paranaense Denise Roman revelam um universo lúdico, povoado de personagens que flutuam, cenários de fábulas e imagens sobrepostas. Com figuras que parecem ter saído do faz-de-conta infantil, sua obra é um inspirador ponto de partida para trabalhar o desenho de imaginação na sala de aula
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Serão as aranhas que encantam os pássaros ou os pássaros que encantam as aranhas – Denise Roman

A obra de Denise Roman é um convite a olhar para o mundo infantil com seu livre trânsito entre realidade e imaginação. Seu traçado busca liberdade, brincando com os meios e suportes. Atual orientadora de litografia do Museu da Gravura da Cidade de Curitiba, Denise iniciou sua trajetória nas Artes Plásticas na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba. Em 1981, começa a usar a transparência em seu desenho. Mistura uma figura na outra e gosta de descobrir o que nasce desta junção. Esta superposição de imagens só é possível no plano da ficção, da fantasia, ingrediente fundamental de seu desenho. O desenho – caminho das linhas ou de pontos em suportes variados – carrega em si possibilidades infinitas e se presta muito bem à representação tanto do mundo real como da imaginação.
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O Rouxinol e o imperador, uma história para se criar

A artista plástica Taisa Borges cria uma versão visual para o clássico conto de Hans Christian Andersen O Rouxinol e o Imperador. Sem palavras, com muita delicadeza e sensibilidade, o livro permite que o leitor crie sua própria história.
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Ilustrações do Livro O Rouxinol e o Imperador de Hans Christian Andersen por Taisa Borges – Editora Peirópolis

Ainda menina, a artista brasileira Taisa Borges se encantou pelas histórias do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, por isso não pode deixar de participar das comemorações do bicentenário de seu nascimento, celebrado em 2005. Decidiu repetir sua viagem pelas cores e traços da antiga China e recriar a história de O Rouxinol e o Imperador, uma de suas obras mais conhecidas, compondo um livro- imagem de enredo instigante. O Rouxinol e o Imperador conta a história de um soberano chinês que descobre a cura para sua melancolia na melodia de um sábio pássaro. Quem já conhece o conto irá se surpreender com esta nova versão, de pura imagem.Continue lendo >

Traga notícias do mundo

“Quando você voltar traz mais notícias do mundo?” Assim uma criança de 5 anos de pré-escola despede-se do formador1, desejando que ao retornar traga novos aprendizados na bagagem: livros, vídeos, imagens e jogos, que sempre carrega consigo. Este artigo trata do desejo de conhecer o mundo que as crianças pequenas possuem e de como seus professores podem contribuir para concretizá- lo
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Tabuleiros de jogos feitos por crianças da rede pública de Cajamar

Esse trabalho consistiu no desenvolvimento de dois projetos simultâneos: um didático, direto com as crianças, chamado Tabuleiros do Mundo Todo, e outro de formação, com professores e coordenadores pedagógicos. A escolha dos conteúdos, a partir do desenvolvimento do trabalho com jogos, justificou-se pela demanda dos professores da rede de educação do município de Cajamar, São Paulo, que queriam ampliar seus conhecimentos em relação aos projetos na área de Natureza e Sociedade.
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Recortes Poéticos

São muitos os recortes que podemos fazer da realidade. Fazê-los com autoria é uma combinação de sensibilidade com o conhecimento de procedimentos que resultam numa grande brincadeira da criação. A poesia do mundo está ai: temperar intenção e ação, gesto e movimento, para surpreender-se com os rumos escolhidos. Assim fazem os artistas e as crianças
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“A arte é como uma janela poderosa que nos atrai; e junta a beleza da pessoa com o mundo.” Lauro Mendes Gabriel, professor Ticuna

O artista
Carlos Dala Stella, escritor e artista plástico, nascido em Curitiba (PR) é um apaixonado pelo mundo do papel, suporte da escrita e da imagem. Seus textos estão repletos de imagens, assim como seu desenho e sua pintura são marcados pelo universo da escrita e seus contextos. Como artista de genuína curiosidade e intensificado interesse pelo uso dos diferentes meios e suportes, Carlos transita pelo papel, tela, painéis de cimento, parede, vidro, fotografia, escultura em papel e por aí vai. Esta mistura, que faz como brasileiro imerso neste caldo cultural que é nosso País, está presente no livro Bicicletas de Montreal, lançado em 2002, e agora reeditado, com três capas diferentes, para representar, em agosto de 2005, o País no ano do Brasil na França, evento que reúne muitos artistas nacionais.

O livro traz diferentes imagens de bicicletas abandonadas nas ruas de Montreal – capital do Canadá –, registradas por meio da fotografia e reinterpretadas em desenho, gravura, recorte e colagem. Ao folhear o livro, podemos passear com o artista pelas ruas de sua imaginação, numa viagem simbólica, cuja trama das linhas importa mais do que o objeto bicicleta em si.Continue lendo >

O universo lúdico do conhecimento

O universo científico está intrinsecamente relacionado ao lúdico. Ambos são espaços de possibilidades, investigação, autoria, autonomia, construção de conhecimento e subjetividade. É cada vez mais urgente que a escola de educação infantil assuma uma concepção de ensino que não separe o raciocínio da imaginação. É esse o objetivo do projeto homem das cavernas: uma viagem no tempo
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Grafismos encontrados na região de São Raimundo Nonato – PI
Ilustrações: A Arte Rupestre no Brasil

Encarar o estudo na escola de Educação Infantil por meio de uma perspectiva lúdica do conhecimento implica não apenas fazer associações dos projetos de pesquisa com brincadeiras, como também propor situações nas quais o aprendizado seja uma aventura de conhecimento em consonância com a forma de pensar das crianças e seu pensamento sincrético que mescla fantasia e realidade.

No projeto Homem das Cavernas: Uma Viagem no Tempo, do qual tive a oportunidade de participar enquanto coordenadora, dialogando com a professora Andréa Campidelli1, pude observar com atenção seu grupo de “pesquisadores mirins”, entre 4 e 5 anos. Foi possível investigar muitas situações de aprendizagem que realmente fazem sentido na Educação Infantil, as quais pretendo aqui partilhar com o leitor.
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A arte da gravura na madeira

A xilogravura é uma arte antiga e possibilitou as primeiras reproduções de imagens e textos. No brasil há muitos seguidores em diferentes regiões do país
Procuro porém não acho, poeta que me dê choque. Canto de qualquer maneira, quem quiser que me provoque. O gênio manda que eu diga, a viola manda que eu toque. Mestre Lourival Batista (1915-1992)

“Procuro porém não acho, poeta que me dê choque. Canto de qualquer maneira, quem quiser que me provoque. O gênio manda que eu diga, a viola manda que eu toque”. Mestre Lourival Batista (1915-1992)

Esta técnica de impressão consiste em gravar imagens numa madeira mole (cajá, imburana, cedro ou pinho) com instrumentos cortantes (goiva, faca, formão, buril). Continue lendo >

Construções lúdicas

As crianças são mestres em transformar objetos. Como em um passe de mágica, gravetos viram varinhas de condão, materiais aparentemente sem utilidade se tornam brinquedos inventivos. É possível aproveitar esse potencial infantil na escola
O tonel que virou barco

O tonel que virou barco

Os objetos utilitários, brinquedos, diferentes materiais servem como elos entre a criança e o meio. Proporcionam oportunidades para ela representar ou expressar seus sentimentos, preocupações ou interesses e se constituem em um canal para a interação social com os adultos ou com as outras crianças.

Os brinquedos industrializados de formas e funções predefinidas possibilitam um tipo de brincadeira mais dirigida. Quando as crianças brincam com objetos “menos realistas”, como muitos dos brinquedos elaborados artesanalmente, os espaços da invenção e da imaginação se ampliam, permitindo a elas transformá-los segundo sua própria ótica.

No entanto, nos dias de hoje são poucas as oportunidades que as crianças têm de criar seus próprios brinquedos. Por esse motivo, pareceu-nos que uma proposta de construção de brinquedos pelas próprias crianças seria uma experiência nova e enriquecedora. Por meio de um projeto que envolvesse planejamento e confecção de novos objetos, a partir de materiais de sucata, favoreceríamos o resgate do brinquedo feito artesanalmente no contexto da brincadeira infantil.

Assim nasceu o projeto Construções Lúdicas, no qual as crianças tiveram a oportunidade de explorar materiais inéditos, por meio de pesquisa em depósitos de sucatas da cidade. A proposta esteve pautada na reutilização de materiais descartados pela sociedade, matéria-prima para o processo criativo das crianças.
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Esse jogo é nosso!

No dia combinado, todos compareceram cheios de expectativa. Para participar de uma experiência inédita e preciosa. 150 crianças de 5 a 7 anos, com 30 tabuleiros confeccionados por elas mesmas, se reuniram para jogar numa das creches de Osasco que participaram do projeto. O evento, organizado pelas crianças, é resultado de uma boa combinação entre conhecimento, tecnologia e muita diversão.


O primeiro semestre de 2002 trouxe importantes conquistas para as crianças das creches A.M.U.N.O (Associação das Mães Unidas de Novo Osasco) e A.M.E. (Associação das Mulheres pela Educação) com duas de suas unidades, Casa do Aprender e Menino Jesus, de Osasco, São Paulo.

Foi a primeira vez que as turmas puderam contar com um computador na própria sala, como um recurso a mais no desenvolvimento de seus projetos.

Além do computador, disponível para as crianças todos os dias, a professora também oferecia outras opções de atividades, já que um único computador não pode ser usado por todo mundo, ao mesmo tempo.

Um dia, entre as opções, ela levou jogos de percurso. Foi a maior animação: todo mundo queria jogar! Com a febre do jogo, em pouco tempo, as crianças começaram a produzir diferentes trilhas de percurso. Esses momentos de confecção e de jogo propriamente dito foram ganhando espaço no grupo. Assim nasceu o projeto Jogos de Percurso.

Gostamos da idéia: um projeto de construção de jogos pelas crianças valorizaria esse gosto e o interesse e legitimaria seus conhecimentos sobre regras e estratégias como algo que realmente tem importância e merece ser compartilhado.
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