O despertar do olhar e da escuta

Diálogo entre música de vanguarda e arte visual contemporânea favorece a experiência de fruir arte pelas crianças pequenas

A prática educativa deve instigar, provocar, levar à reflexão e, sobretudo, abrir portas para a compreensão da arte que se produz hoje, pois ela caminha na contramão do que a mídia oferece. Deve, portanto, buscar novas estratégias para aproximar essas produções artísticas da realidade infantil. É desse princípio que partimos ao desenvolver um trabalho de artes com criança.Continue lendo >

Costureiros reais

Crianças de quinto ano revelam sua trajetória como leitoras e a importância de alguns influenciadores: escola e família
Produção feita pelas crianças da Escola Grão de Chão

Produção feita pelas crianças da Escola Grão de Chão

Há grande diversidade de objetos nos espaços em que as crianças estão inseridas, com diferentes características, usos e estéticas. Conhecer o mundo implica conhecer as relações entre os seres humanos, a natureza, os objetos e a forma como interagem com os recursos com os quais dispõem.

Segundo os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCNEI):

Os materiais constituem um instrumento importante para o desenvolvimento da tarefa educativa, uma vez que são um meio que auxilia a ação das crianças. Se de um lado, possuem qualidades físicas que permitem a construção de um conhecimento mais direto e baseado na experiência imediata, por outro, possuem qualidades outras que serão conhecidas apenas pela intervenção dos adultos ou de parceiros mais experientes. As crianças exploram os objetos, conhecem suas propriedades e funções e, além disso, transformam-nos nas suas brincadeiras, atribuindo-lhes novos significados. (Vol. 1. p.71)

Para que os objetos possam ser utilizados como fonte de conhecimentos para as crianças, é necessário criar situações nas quais elas observem e percebam suas características sensíveis e também suas propriedades não evidentes. Foi pensando em oferecer às crianças de 4 e 5 anos do G5 novas informações sobre os materiais e seus usos e propiciar experiências diversas que organizamos o projeto Costureiros reais na Escola Grão de Chão, em São Paulo (SP).Continue lendo >

Um começo que instiga

Ampliar o repertório de imagens pode contribuir para que as crianças se expressem de forma mais consistente e singular
Foto: Valéria Pimentel

Foto: Valéria Pimentel

O que fazer para ampliar o repertório de produção de imagens dos alunos? Há um universo de variações para encaminhar e propor desafios relacionados a esse conteúdo. Em muitas escolas, os professores respondem a essa pergunta planejando atividades que permitam aos alunos:Continue lendo >

Brincar na quietude

Brinquedos e brincadeiras que envolvem elementos da natureza revelam a imaginação e a criatividade das crianças
Foto: Anne Vidal e João Correia Filho, Exposição Sesc Pinheiros, São Paulo –SP, 2006

Foto: Anne Vidal e João Correia Filho, Exposição Sesc Pinheiros, São Paulo –SP, 2006

Olhar as nuvens no céu e imaginar bichos… Qual é o menino ou menina que tem tempo para fazer isso atualmente? As crianças, principalmente as que vivem em áreas urbanas, têm a agenda lotada de compromissos. “Os adultos inventam uma rotina maluca de serviços terceirizados com aula até para aprender a brincar com os avós”, desabafa a professora Selma Maria Kuasne1, que estuda a Cultura da Infância. “Criança é feita para inventar o mundo, como diz o poeta Manoel de Barros2, e não para aprisionar energia ficando inquieta numa cadeira.” O brincar é a atividade principal das crianças. É durante as atividades lúdicas que elas descobrem como o mundo funciona. Muitos pesquisadores têm se dedicado ao assunto e descoberto coisas valiosas. No caso de Selma, ela aborda as maneiras de brincar de quem mora distante de centros urbanos. Em 2003, por conta de sua pesquisa, ela viajou pelo interior do Brasil, especialmente pelo sertão de Minas Gerais, onde o escritor Guimarães Rosa (1908-1967) nasceu e cresceu e tão belamente descreveu em sua obra.
Continue lendo >

Coisas do cotidiano e a criação artística

Além de trabalhar áreas do conhecimento, projeto sobre obras de artista brasileiro estimula os pequenos para que deixem suas marcas na escola
manto4.jpg

Piston. Calendário Burti 2003 – Bispo do Rosário (foto: Fernando Chaves)

Como é costume na Escola Tipuana, em São Paulo – SP, homenageamos diversos artistas em nossa exposição anual de Artes. Em 2008, trabalhamos com obras de Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), artista brasileiro contemporâneo que explorava em suas obras objetos do cotidiano, reinventados com sucatas e sobras de materiais, que resultavam em miniaturas, assemblages1, bordados, mantos e estandartes (leia mais sobre ele em texto abaixo).Continue lendo >

Elementos da natureza e a produção em arte

Pesquisa e coleta de folhas, sementes, galhos e cascas de árvore despertam nas crianças o senso estético e possibilitam um trabalho com formas, linhas e texturas
Pintura da folha da palmeira e extração de tinta de beterraba

Pintura da folha da palmeira e extração de tinta de beterraba

Todos os anos, realizamos na Escola Tipuana, em São Paulo – SP, uma exposição de artes na festa da primavera, homenageando a Tipuana, árvore que dá nome à instituição e que floresce nessa época do ano. Unindo a beleza da estação com o nosso olhar artístico, realizamos, em 2008, um trabalho que favoreceu o diálogo das crianças com alguns artistas contemporâneos brasileiros. Luiz Sôlha, Arthur Luiz Piza, Beatriz Milhazes, Vick Muniz, Artur Bispo do Rosário, Carlos Vergara e Frans Krajcberg foram os escolhidos. Suas obras contribuíram para despertar e aguçar nos pequenos o olhar sensível e indagador, bem como o senso estético por meio da exploração de cores, formas, linhas e texturas. Além disso, esses fazeres artísticos alimentaram e possibilitaram estabelecer relações com os projetos de sala do semestre.Continue lendo >

Chita no Carnaval e no São João

Um simples tecido pode ser o mote para desencadear um bom trabalho com crianças sobre diversidade cultural e suas manifestações artísticas na música, na dança e nas artes visuais brasileiras
avisala_36_chita10.jpg

Painel coletivo das festas de São João (fotos: arquivo da escola Grão de Chão)

No início do ano letivo, é importante planejar ações pedagógicas para conhecer as crianças, deixando espaço para atividades significativas que encerrem também muitas aprendizagens. Em fevereiro, em geral, além da adaptação e dos aspectos de incentivo à socialização, outro tema que sempre vem à tona é o Carnaval. Com ênfase na música e na dança, a intenção é contextualizar essa comemoração fazendo recortes das mais diferentes manifestações populares que acontecem nesse período no Brasil. As artes visuais se beneficiam na construção de fantasias, adereços e cenários, com base em pesquisas que envolvem diferentes materiais e suportes.
Continue lendo >

A cara das crianças

Conhecer artistas que ousam e inovam e usar diferentes materiais de maneira inusitada favorecem o trabalho criativo com o auto-retrato

O tema auto-retrato surgiu em meados de outubro de 2006. Estávamos, eu e mais três crianças1, no ateliê: Iago, de 8 anos; Laura, de 6 e Valter, de 7. Antes de prosseguir nessa história, preciso contar um pouco sobre onde tudo isso aconteceu. A escola Ziarte-Viveka, em São Paulo, desenvolve práticas nas oficinas de desenho, pintura e escultura, introduzindo gramáticas visuais e história da arte (brasileira e internacional). A intenção é estimular a sensibilidade e a construção do pensamento visual dos alunos. A instituição recebe de iniciantes a profissionais (professores e estudantes da disciplina e artistas), contemplando, portanto, diversos interesses teórico-práticos.

São comuns, no início, as visões mais estéticas e acadêmicas, pautadas em concepções de dom e de habilidade. O caminho escolhidoContinue lendo >

Tentativas, experimentos e uso de tecnologia

Na educação infantil, o importante é criar e produzir com singularidade usando os meios e suportes tradicionais ou as novas tecnologias. Duas propostas em escolas muito distantes entre si estão a serviço de uma produção infantil criativa
avisala_34_sustanca1.jpg

Arquivo Instituto Avisa Lá

Desde sempre, o desenho ocupou lugar de destaque na Educação Infantil porque toda criança tem necessidade de desenhar. Porém, o gosto pela atividade depende das oportunidades oferecidas a ela. Sendo assim, é grande a responsabilidade da escola em criar um ambiente favorável para que as crianças desenhem com propriedade e autoria. Muitas vezes, o professor não possui conhecimentos que lhe permita olhar o desenho elaborado pela criança de um jeito produtivo. Conseqüentemente tem dificuldade em estimular o progresso da produção gráfica infantil e a ampliação da expressão artística.Continue lendo >

Interferências gráficas como apoio para o desenho infantil

As interferências gráficas constituem referência para a construção do percurso criativo nos desenhos
avisala_33_sustanca1.jpg

Desenhos feitos pelas crianças da Escola Criarte, de São Paulo

O desenho é uma marca tão presente da ação humana nos espaços e ambientes em que vivem os homens que, muitas vezes, podemos tomá-lo como espontâneo ou inato. Porém, a história e a evolução de diferentes percursos artísticos nos indicam que esta é uma atividade aprendida, que envolve ações, reflexões e pesquisas que influenciam os caminhos desta aprendizagem. Na Escola Criarte, entendemos o desenho como uma importante forma de experimentação, interação e comunicação.

Por esta razão, diferentes propostas e oportunidades de apropriação e diálogo com esta linguagem são proporcionadas aos nossos alunos em todos os grupos da escola. O desenho tem espaço garantido em diversos momentos de nossa rotina, e acompanha o desenvolvimento das crianças em toda a sua escolarização. A proposta desta série de trabalhos que ora apresentamos é acompanhar as produções de crianças de diferentes idades frente a uma mesma interferência: como reagem a este estímulo? Que condutas adotam? Que caminhos trilham? A interferência proposta foi um círculo branco sobre um fundo colorido.
Continue lendo >