Desenhar com esferográfica, por que não?

Sempre à mão, a caneta esferográfica tornou-se a grande cúmplice da ilustradora laura teixeira, que compartilha neste artigo a proposta de uma oficina criativa
As crianças construíram seus próprios caderninhos de desenho (fotos: arquivo da Escola Alecrim)

As crianças construíram seus próprios caderninhos de desenho (fotos: arquivo da Escola Alecrim)

Comecei a desenhar com caneta esferográfica com uns dois anos de idade. Muitas vezes ia com minha família comer fora aos domingos e os únicos materiais disponíveis eram uma caneta Bic azul ou preta e um bloquinho pequeno, que apareciam na minha frente assim que nos sentávamos para esperar a comida. Fui, portanto, adquirindo muita familiaridade com as canetas. Por isso, resolvi usá-las para fazer os esboços de O jarro da memória, o primeiro livro infantil que ilustrei. O resultado agradou o pessoal da editora, e então decidimos que os desenhos finais teriam como base essa técnica. No entanto, para obter uma impressão mais viva, resolvemos usar cores especiais no livro inteiro (e não as cores primárias, como na grande maioria dos casos).Continue lendo >

Está no almanaque?

Crianças de Osasco-SP avançam na leitura e na escrita ao participar do Projeto Almanaque. Tão rica e colorida quanto o produto final foi a aventura de produzi-lo: juntas, as crianças puderam pesquisar, ditar, escrever, revisar, ilustrar e editar a publicação

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Este é o registro do Projeto Almanaque1, um projeto sobre leitura e escrita de textos de gêneros diversos por meio da confecção de um almanaque, realizado com crianças de 6 anos, em 2004. Idealizar este projeto, planejá-lo em detalhes, participar de formações que foram fonte de subsídios e avaliá-lo constantemente foi um prazer, mas nada comparado à alegria dos resultados com as crianças. Com ele, venci dois desafios que há anos vinha tentando superar: o de compreender como um propósito social pode se articular aos propósitos didáticos e o de trabalhar leitura e escrita de forma significativa em pequenos grupos, aproveitando os conhecimentos prévios das crianças.

Escrevi originalmente o projeto com a ajuda da minha parceira Ana Paula. Depois da orientação da coordenadora da escola, de alguns estudos sobre o tema e de muitas dicas que foram surgindo durante as formações das quais participei, ele foi modificado muitas vezes de acordo com as necessidades das crianças e do conteúdo.Continue lendo >

Ilustradores de primeira

Produzir um livro com as crianças para que seja incorporado à biblioteca da escola não é uma grande novidade, mas a elaboração de ilustrações primorosas ainda é pouco comum. Veja como as crianças do Centro de Convivência Infantil – CCI Adolfo Lutz, na cidade de São Paulo, conciliaram de forma competente a proposta de escrever e desenhar.
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Desenhos das crianças do CCI Adolfo Lutz

Para as crianças de 5 anos do CCI Adolfo Lutz, o contato com lendas, contos de fadas e diferentes tipos de texto é uma constante. A elaboração de histórias pelos pequenos é algo que parece natural e povoa até mesmo as brincadeiras espontâneas. Neste contexto, foi muito bem-vinda a proposta trazida por nós, as professoras: produzir um livro contendo uma história sobre bichos. Nosso objetivo era Continue lendo >

De olhos bem abertos

As professoras da Escola Projeto Vida, na cidade de São Paulo, descobrem que vale a pena estimular a observação das crianças como ferramenta valiosa para desenvolver as habilidades de desenho e criação
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Produções das crianças participantes do projeto

Artes Visuais foi a área de conhecimento selecionada como conteúdo principal no processo de formação continuada dos professores de Educação Infantil da Escola Projeto Vida, neste ano de 2006. Propusemos às professoras uma análise cuidadosa dos desenhos das crianças. A partir disso, optamos por discutir as imagens estereotipadas e repetidas que costumam inundar os desenhos infantis, como as casinhas, o sol, a linha do horizonte com flores e as árvores, entre outras. Definimos então o objetivo de ampliar o repertório de possibilidades de representação gráfica das crianças, principalmente da representação da figura humana. Entre tantas possibilidades, escolhemos investir no desenho ligado ao tema do movimento. Consideramos que seria um desafio instigante para as crianças, já que em geral seus desenhos apresentam figuras estáticas e vistas de frente.
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O Rouxinol e o imperador, uma história para se criar

A artista plástica Taisa Borges cria uma versão visual para o clássico conto de Hans Christian Andersen O Rouxinol e o Imperador. Sem palavras, com muita delicadeza e sensibilidade, o livro permite que o leitor crie sua própria história.
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Ilustrações do Livro O Rouxinol e o Imperador de Hans Christian Andersen por Taisa Borges – Editora Peirópolis

Ainda menina, a artista brasileira Taisa Borges se encantou pelas histórias do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, por isso não pode deixar de participar das comemorações do bicentenário de seu nascimento, celebrado em 2005. Decidiu repetir sua viagem pelas cores e traços da antiga China e recriar a história de O Rouxinol e o Imperador, uma de suas obras mais conhecidas, compondo um livro- imagem de enredo instigante. O Rouxinol e o Imperador conta a história de um soberano chinês que descobre a cura para sua melancolia na melodia de um sábio pássaro. Quem já conhece o conto irá se surpreender com esta nova versão, de pura imagem.Continue lendo >

Tudo igual, tudo diferente

As turmas do Pré 1 (crianças de 5 anos) participaram de um projeto que provocou o interesse de todos: a produção de um calendário para o ano vindouro. Os calendários foram concebidos pelas crianças, que engajaram-se na sua confecção desde a organização dos dias da semana no papel, até a escolha dos temas, frases e imagens, além da cuidadosa produção dos desenhos, brinquedos e ou modelagens que serviram de ilustração para cada mês
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Calendários feitos por crianças do Colégio Santa Cruz

O Projeto Calendário Ilustrado nasceu da iniciativa de duas professoras1. O sucesso da proposta, lançada inicialmente em 2002, foi tão grande que passou a fazer parte da programação didática da escola, ganhando cada vez mais consistência, na medida em que é constantemente reavaliado pela equipe pedagógica. É uma interessante forma de congregar todas as turmas em um projeto comum que, no entanto, guarda as peculiaridades e interesses de cada classe.

Em 2005, o projeto tomou conta de todos os grupos das crianças do pré 1. O objetivo foi a elaboração de um produto coletivo destinado a ser usado no ano letivo seguinte. Com essa iniciativa, foi possível apoiar a passagem das crianças para o ano vindouro, uma vez que, de forma simbólica, levaram, no material produzido, parte dos saberes construídos ao longo do ano. Além disso, o trabalho possibilitou aprendizagens em Artes, Matemática e Língua Portuguesa. A confecção do calendário ilustrado, como portador de números, palavras e imagens, teve a duração de 6 meses, iniciada no segundo semestre letivo.

Garantindo as condições didáticas
As crianças, nessa escola, entram no pré 1 e, já no primeiro semestre, têm contato com o calendário na rotina do trabalho escolar e ganham, assim, familiaridade com o mesmo, no que diz respeito à percepção da passagem do tempo. Aprendem a assinalar os dias que passam e marcam datas importantes, como aniversários, comemorações coletivas, passeios, etc. Esse contato é uma das condições didáticas a serem seguidas para o sucesso do projeto. Crianças e professoras de cada sala escolhem um tema como ilustração. Para tanto, elas são convidadas a trazer calendários que possuem em casa para analisarem as temáticas que aparecem. Aprendem também muito sobre sua forma e função. Para que servem? Quais as especificidades? Questões como “por que o primeiro dia de cada mês nem sempre é um domingo” e outras indagações semelhantes passam a fazer parte das reflexões infantis. As crianças, enfim, estudam as regularidades e características desse instrumento de medição de tempo.Continue lendo >

A arte da gravura na madeira

A xilogravura é uma arte antiga e possibilitou as primeiras reproduções de imagens e textos. No brasil há muitos seguidores em diferentes regiões do país
Procuro porém não acho, poeta que me dê choque. Canto de qualquer maneira, quem quiser que me provoque. O gênio manda que eu diga, a viola manda que eu toque. Mestre Lourival Batista (1915-1992)

“Procuro porém não acho, poeta que me dê choque. Canto de qualquer maneira, quem quiser que me provoque. O gênio manda que eu diga, a viola manda que eu toque”. Mestre Lourival Batista (1915-1992)

Esta técnica de impressão consiste em gravar imagens numa madeira mole (cajá, imburana, cedro ou pinho) com instrumentos cortantes (goiva, faca, formão, buril). Continue lendo >

O que fazer após ler uma história para as crianças

Essa é uma questão não resolvida para muitos professores. Parece que o ato de ler, por si só, não é suficiente como atividade em sala de aula. É preciso sempre finalizar com um desenho. Acompanhe a reflexão da formadora do instituto

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Essa é uma questão que se repete nos vários grupos de formação em que atuo. Ao trabalhar o conteúdo leitura pelo professor, esse assunto surge com freqüência. Posso propor um desenho depois da leitura da história? Como formadora, meu primeiro movimento é pontuar que essa nem sempre é uma atividade adequada na seqüência de uma leitura. Depois de algum tempo, observando a reincidência deste assunto, me interessei em pesquisar quais os motivos que levam as professoras a propor esta atividade.

Nas sondagens que fiz, concluí que esta é uma das propostas mais tradicionais na Educação Infantil, que repetida e associada ao trabalho com leitura de histórias ganhou o status de “inquestionável”. As perguntas feitas às professoras “Por que desenhar depois da leitura?” e “O que as crianças aprendem nesta atividade?” constantemente causam espanto geral. Afinal, sempre fizemos assim, são as respostas.

Outras justificam o desenho pela necessidade da representação do conteúdo, para o professor poder avaliar o que foi entendido pela criança, já que elas ainda não escrevem convencionalmente na Educação Infantil. Desenhando, podem mostrar o que apreenderam da história.

Quando desenhar não significa compreender
O curioso é que, apesar da expectativa das professoras de que o “desenho da história” pode ser um indicador do nível de compreensão das crianças, em geral se aceita qualquer produção, desde que ela se remeta a algum elemento que faça referência à história. É o que podemos perceber nesta descrição:
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