Apoiando a construção de uma identidade positiva

Crianças da educação infantil aprendem um caminho para a convivência e o respeito às diferenças
Autorretrato produzido por Adriane (Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos)

Autorretrato produzido por Adriane (Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos)

Com o intuito de colaborar com a construção de uma identidade positiva e de uma verdadeira autoimagem das crianças, as professoras da EMEI Prof. Arlindo Veiga dos Santos desenvolvem atividades significativas com as crianças e seus familiares que privilegiem o respeito às diferenças e à diversidade presente na sociedade brasileira.

Partindo da proposta da Escola, que é trabalhar com a questão da diversidade, sobretudo aquela que diz respeito à questão etnicorracial, cuja base está na Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Essa lei garante o direito a todas as crianças de aprenderem sobre a cultura e história africana e afro-brasileira, como também a conviver e respeitar as diferenças. Por meio de propostas diversificadas, oferecemos às crianças a oportunidade de elas conhecerem mais sobre si e seus colegas. Para isso, desenvolvemos com as turmas de segundo e terceiro estágios (crianças de 4 e 5 anos) um conjunto de atividades, intitulado “Resgatando Minhas Raízes”, propiciando a reflexão e a pesquisa sobre suas origens, cuja participação da família se deu pelo levantamento de fotos, pelo compartilhamento de informações e pela construção de bonecos de pano que os representaram fisicamente.Continue lendo >

À imagem e semelhança

A elaboração dos bonecos
Fotografei digitalmente algumas crianças muito queridas do Centro de Convivência Infantil do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, creche onde desenvolvi com as educadoras o projeto O Ambiente Físico e Objetos que Educam. Trabalhei as imagens no computador – no programa Photoshop –, primeiro transformando-as em preto-e-branco e aumentando o contraste e brilho para realçar o volume. Distorci livremente para que ficassem um pouco mais gráficas e menos realistas. Adeqüei o tamanho das imagens para uma folha de papel A4 e imprimi. Escolhi uma de menino e outra de menina para servir de referência para meu desenho.

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Com fita adesiva, fixei-as uma a uma numa chapa de eucatex um pouco maior e, sobre elas, coloquei uma folha de papel vegetal fino, onde desenhei, com lápis counté, primeiro nas cores marrom claro e escuro e depois em preto, destacando e transformando detalhes para realçar e acentuar as sombras. Assinei e copiei o resultado com o scanner. Com um toque a mais de sombreado no computador, as imagens ficaram prontas para serem impressas na quantidade requerida.

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Profissional das artes
A artista visual Beatriz Bianco orienta oficinas de artes plásticas para formação de professores, educadores de creches e cursos projetados especialmente para escolas, empresas, instituições e eventos.

(Beatriz Bianco, educadora e artista plástica, E-mail: [email protected])


Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #23 de julho de 2005. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br

Só não enxerga quem não quer: racismo e preconceito na Educação Infantil

São pequenos gestos, situações cotidianas, uma palavra aqui outra ali, um material apresentado ou a falta dele e diariamente as crianças negras sofrem situações de discriminação na escola e muitas vezes já nos centros de educação infantil. Pouco se discute sobre o assunto. Na maioria das vezes paira um silêncio revelador da desigualdade de tratamento oferecido às crianças brancas e negras
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Brinquedos para valorizar a imagem dos afro-descendentes (foto: Marco Antonio Sá)

Temos uma amiga negra, a Ba, que ainda hoje, aos 40 anos, lembra-se da primeira vez em que a diferença de cor foi motivo de tratamento discriminatório. No jardim da infância que freqüentava, uma criança branca perdeu sua pulseira de ouro e sua mãe foi à escola reclamar exigindo conversar com a mãe de Ba. Nossa amiga não esteve presente e nunca conversou sobre isso com a sua mãe, mas sabe que o conteúdo da conversa foi uma acusação de roubo. Na época, Ba intuiu que estava sendo acusada por ser a única menina negra da classe. Muitos anos se passaram até que ela conseguisse falar sobre a situação sem ficar tomada pela emoção.
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O preconceito nas entrelinhas

Quem nunca encontrou uma expressão ou informação preconceituosa e racista em algum livro, nos versos das brincadeiras tradicionais infantis, nas expressões populares? A presença desses textos no cotidiano das instituições de educação nos convida a pensar sobre os valores que queremos de fato transmitir e como os educadores podem mudar essa realidade

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