Como destacar os conteúdos da formação

Como o formador pode ajudar o supervisor pedagógico a selecionar os conteúdos que vai trabalhar com sua equipe de professores
Encontro de formação de supervisores (fotos: Jaquelline Andréa Marques)

Encontro de formação de supervisores (fotos: Jaquelline Andréa Marques)

O município de Nova Lima (MG) participa pelo terceiro ano consecutivo do Programa Além das Letras1, realizando a formação continuada dos supervisores pedagógicos da rede municipal de ensino que, por sua vez, atuam com os professores de suas escolas. A Secretaria Municipal de Educação, ao entender a importância da formação constante desses profissionais como principal estratégia para a conquista de uma educação de qualidade, criou o Núcleo de Formação Continuada. O objetivo é investir na formação dos supervisores (como formadores de professores) a fim de que se instituam nas unidades escolares espaços de formação permanente a partir da reflexão sistemática da prática.Continue lendo >

Supervisão pedagógica como estratégia formativa

Observação da prática durante atividades de leitura pelo professor permite que o formador identifique possibilidades de melhorias da atuação do coordenador pedagógico

avisala_39_forma1No programa Formar em Rede1, a supervisão pelo formador local nas unidades educativas é uma das ações de grande importância. Tem o objetivo de apoiar e instrumentalizar o desenvolvimento de projetos institucionais. Durante os dois anos de atuação no município de Caxias – MA, muitos obstáculos precisaram ser vencidos não só por nós, formadoras, como por todos os envolvidos. No percurso, entendemos que algumas estratégias são imprescindíveis para uma reflexão sistemática sobre a prática e, nesse caso, a supervisão pedagógica foi uma dessas que implementamos, embora com algumas dificuldades.Continue lendo >

Os seis desafios do formador

Formar professores exige saberes refinados, que a formadora Cristiane Pelissare traduziu em um conjunto integrado de desafios a serem continuamente perseguidos

Tornei-me formadora de professores um pouco por acaso. Esses acasos que com o tempo, e sem a gente perceber, ganham espaço, despertam o desejo, provocam mudanças e se transformam em casos definitivos. Com o tempo, descobri que ser formador de professores1 não é uma tarefa fácil. O ato de formar é complexo, nem sempre linear ou totalmente prescritivo. Constituir-se formador é processual, o que significa, entre outras coisas, tempo, investimento pessoal e disponibilidade para rever-se. Aprender novas formas de ensinar professores pressupõe tempo para testá-las, avaliar seus efeitos, realizar ajustes, reavaliá-las. É preciso ter a oportunidade de trabalhar com seus pares – dentro e fora da escola – partilhar, além de idéias e conhecimentos, os sucessos e as dificuldades desse ofício especializado em transformar práticas de professores.

Constituir-se formador implica desenvolver, progressivamente, um corpo específico de saberes. Saberes esses que nem sempre coincidem com aqueles do ofício de professor (origem profissional da maioria dos formadores de professores). E quais são esses saberes? Que competências, habilidades específicas, capacidades necessitam desenvolver os formadores para que suas ações representem mudanças efetivas dentro das instituições às quais estão vinculados? Na tentativa de dialogar com essas questões e com reflexões de alguns formadores experientes, arriscome a elencar seis desafios que considero postos hoje ao contexto da formação continuada de professores e, especialmente, aos formadores de professores.
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Pesquisa didática é apoio para a sala de aula

Em entrevista exclusiva, a especialista argentina Mirta Castedo fala sobre os desafios da pesquisa e do ensino da leitura e escrita. A entrevista foi concedida a Silvia Carvalho, Cisele Ortiz e Immaculada Lopez1, na sede do Instituto Avisa Lá, onde prestou consultoria no último mês de abril

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Mirta Castedo, durante sua visita a São Paulo


Mirta Castedo é absolutamente comprometida com o ensino eficiente da leitura e da escrita nas escolas públicas. Nascida em La Plata, na Argentina, começou seu caminho, na área de Educação, impulsionada pelas palavras de Paulo Freire. Deparou-se, depois, com as idéias de Emilia Ferreiro, que anos mais tarde veio a ser sua orientadora no doutorado. Como professora, encontrou na sala de aula uma afinidade grande com as crianças pequenas, o que fez com que seguisse ligada para sempre a esse nível de ensino.

Lançou-se ao trabalho de pesquisa na escola e se especializou em didática da leitura e escrita. Co-autora do documento Pré-Desenhos Curriculares para Educação Geral Básica da Cidade de Buenos Aires e de diversos artigos, coordenou vários projetos de capacitação de docentes, sempre apoiados em uma visão construtivista. Hoje, Mirta é professora titular da cátedra de Didática do Nível Primário e Observação da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, e membro da Rede Latino-Americana de Alfabetização/Argentina.

Com essa bagagem, Mirta fala, a seguir, sobre os desafios do trabalho do professor e como a pesquisa pode ajudar na busca de alternativas para formar crianças que leiam e escrevam plenamente.Continue lendo >

Encontros e despedidas

Talvez a competência mais importante para uma professora de educação infantil seja Ouvir – assim mesmo, com “O” maiúsculo – suas crianças. Neste relato, karina, com delicadeza, humor e sabedoria, apresenta pequenas pérolas do pensamento infantil e deixa transparecer a qualidade dos vínculos que construiu com seu grupo de crianças

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Desenho: Teresa, 5 Anos


São 25 crianças de 4 anos, no período da manhã, e mais 35 no período da tarde. Para cuidar dos pequenos na sala de aula, só eu, Deus e os cinco anjos da guarda que cada um deles deve ter. Sim, porque cada criança pequena deve ter mais de um anjo da guarda. Afinal, elas fazem as maiores loucuras todos os dias e sempre voltam para casa inteiras. Mesmo nas condições mais complicadas conseguem se divertir, já que no caso desta turma, estudam em uma “escola de latinha”1. E, além disso, elas ainda dividem a alegria de viver conosco, as desvalorizadas professoras da Educação Infantil.

Infelizmente, muita gente não percebe que, trabalhando com crianças, dá para colecionar diariamente gotinhas de sabedoria, carinho e felicidade, mesmo desde o primeiro encontro, quando muitos choram, porque querem ir embora. Difícil essas coisas da vida. Eles chegam tão bebês, não sabem pegar no lápis, ir ao banheiro sozinhos. Muitos não sabem nem tirar a blusa quando faz calor ou falar o que pensam e sentem. Sofrem demais com essa coisa de ter de ir para um lugar desconhecido, sem nenhuma pessoa familiar por perto, só porque os adultos decidiram que é bom para eles.

Alguns choram muito, desesperados, mas, aos pouquinhos vão aprendendo que tem hora para tudo. Hora para aprender a amarrar o cadarço do tênis ou hora para aprender a se defender dos outros. E logo se dão conta de que, por mais que demore, a hora de ir para casa sempre vem. E, aos pouquinhos, eles vão aprendendo a contar o que pensam, a negociar, a conviver com os “nãos” e com os pontos de vista diferentes.
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Viver a arte, uma experiência transformadora

Rosa Iavelberg1 é arte-educadora e professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e também coordena o setor educativo do Centro Universitário Maria Antônia. Sua longa e importante trajetória na arte-educação faz dela uma referência nacional. Nesta entrevista ela retoma o sentido da arte na educação infantil e as novas demandas para a formação do professor

avisa lá: Que experiências em artes visuais são fundamentais na educação infantil?

Rosa: Em Educação Infantil, o mais importante, o básico, é a criança ter espaço para viver a arte na escola. Ter oportunidade de fazer, criar, explorar materiais, poder se expressar. Ter garantido um momento, dentro das atividades que a escola programa, em que pode escolher, a partir de uma gama de ofertas, o que vai trabalhar e o que quer fazer. Pode parecer muito simples, mas é complexo e é a base de tudo.

No plano da criação e do trabalho do artista adulto há uma intenção, um método que organiza a sua ação e que resulta na criação de um produto. No caso da criança, a escola é que vai organizar o espaço dessa ação e auxiliar para que ela ocorra da maneira mais informada para a criança, próxima às práticas sociais.

O que a escola e o professor devem prover para que a criança expresse seu poder criativo?
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