O espaço e a leitura

A organização de um lugar especial colabora para a relação dos pequenos leitores com os livros
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Crianças de Araraquara (SP) exploram e aprendem a manusear os livros (fotos: Eliana Chalmers Sisla)

Todos guardamos relações valiosas com muitos espaços que frequentamos ao longo da vida. Muitos ambientes permanecem vivos dentro de nós, despertando sentimentos e sensações com suas sombras ou luzes, seus cheiros, sua imensidão ou pequenas dimensões. Quem é que não se lembra dos longos corredores da escola, do pátio, de algumas salas de aula, ou de cantinhos que viraram casas, cabanas, esconderijos? Além de nos relacionarmos de afetivamente com alguns espaços que se tornam parte de nossa história, somos apresentados ao mundo também por meio dos ambientes em que vivemos. Pense, por exemplo, numa criança que aprende a engatinhar e a ficar em pé. Ela saberá muito sobre equilíbrio, força e apoio a partir de suas experiências com o espaço e seus móveis. Uma criança que entra na escola obterá muito rapidamente informações sobre o que vai ocorrer lá dentro, a partir da disposição das mesas, ou carteiras, da lousa, se há ou não acesso a livros, a brinquedos e a materiais.

Todo ambiente é carregado de intencionalidade. A maneira como o organizamos reflete o que queremos que aconteça ali e que relações permitimos que o usuário estabeleça com o lugar. Continue lendo >

Livros e brinquedos com muito significado

Trabalho com obras literárias permite que crianças pequenas construam conhecimentos sobre si e o entorno e façam parte do mundo contemporâneo
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Hellen Jessica C. Souza, E.M. Cecília Meireles, Juiz de Fora, MG

O filósofo e historiador holandês Johan Huizinga1 nos propõe o interessante conceito de homo ludens para pensarmos naquela propriedade que caracteriza tão bem a espécie humana e sua capacidade de tornar lúdicas as relações imediatamente perceptíveis. Para além do homo sapiens, para quem a inteligência outorgava-lhe o status de ser superior aos demais, e do homo faber, para quem o trabalho operava de modo dialético como um instrumento humanizante, para Huizinga será o conceito de homo ludens o que melhor definirá nossas capacidades humanizantes e humanizadoras.

O ludens refere-se àquilo que em nós brinca, cria sentidos, opera magias e encantamentos e, para isso, não há faixa etária específica. O ludens refere-se, pois, à capacidade de interpretar e de criar realidades. Estas últimas regidas não mais pela lógica da causalidade e da funcionalidade, mas, se preferirmos, pela lógica do absurdo, da imaginação, da representação. Uma lógica ludens opera com as mais diversas relações inúteis à vida cotidiana, o que significa afirmar que não há lógica nem serventia aparente e que são exatamente tais características que definem sua magia.
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Professores, crianças e a cidade

O lugar onde se vive é um excelente tema de trabalho com os pequenos de pré-escola porque possibilita a valorização da produção artística com essa faixa etária
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Ilustrações feitas pelas crianças da Rede Municipal de Educação de Recife – PE

Crianças entre 4 e 6 anos constroem cenas em seus desenhos. São marcantes os entornos, os cenários e as situações em que há casinhas, ruas, jardins, habitantes, céus, carros etc. Estamos diante de um indivíduo inserido em um contexto cultural, com imagens estáticas e em movimento, e que, por isso mesmo, alimentam suas produções. Por esse motivo, é fundamental oferecer desenhos, pinturas e gravuras aos pequenos. A intenção é dar repertório para ampliar o próprio universo gráfico e as possibilidades de representações com linguagens particulares, além de permitir que eles pensem sobre suas produções.

Exatamente por isso, elaborei algumas seqüências de atividades que serviram como guias, motes para propor conversas entre os professores, suas turmas e as cidades. Contudo, caberia fundamentalmente a cada educador adequar, criar situações, selecionar materiais e, principalmente, acompanhar todas as etapas para, coletivamente, definir novos passos. E assim, como parte do processo de formação continuada Continue lendo >

O que fazer após ler uma história para as crianças

Essa é uma questão não resolvida para muitos professores. Parece que o ato de ler, por si só, não é suficiente como atividade em sala de aula. É preciso sempre finalizar com um desenho. Acompanhe a reflexão da formadora do instituto

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Essa é uma questão que se repete nos vários grupos de formação em que atuo. Ao trabalhar o conteúdo leitura pelo professor, esse assunto surge com freqüência. Posso propor um desenho depois da leitura da história? Como formadora, meu primeiro movimento é pontuar que essa nem sempre é uma atividade adequada na seqüência de uma leitura. Depois de algum tempo, observando a reincidência deste assunto, me interessei em pesquisar quais os motivos que levam as professoras a propor esta atividade.

Nas sondagens que fiz, concluí que esta é uma das propostas mais tradicionais na Educação Infantil, que repetida e associada ao trabalho com leitura de histórias ganhou o status de “inquestionável”. As perguntas feitas às professoras “Por que desenhar depois da leitura?” e “O que as crianças aprendem nesta atividade?” constantemente causam espanto geral. Afinal, sempre fizemos assim, são as respostas.

Outras justificam o desenho pela necessidade da representação do conteúdo, para o professor poder avaliar o que foi entendido pela criança, já que elas ainda não escrevem convencionalmente na Educação Infantil. Desenhando, podem mostrar o que apreenderam da história.

Quando desenhar não significa compreender
O curioso é que, apesar da expectativa das professoras de que o “desenho da história” pode ser um indicador do nível de compreensão das crianças, em geral se aceita qualquer produção, desde que ela se remeta a algum elemento que faça referência à história. É o que podemos perceber nesta descrição:
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Uma carta para Inos Corradin – O artista que não pára de pintar

Aproximar crianças da produção dos artistas já é uma prática bastante comum na educação. Nomes como Picasso, Miró, Volpi e Tarsila são freqüentemente explorados e trazem um fato em comum: todos produziram num tempo passado. Será que as produções artísticas são mais consideradas depois que seu autor morre? E as obras de arte produzidas por artistas vivos? Essas preocupações das educadoras levaram crianças de 4 a 5 anos a conhecerem Inos Corradin, artista que trabalha nos dias de hoje.

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Sei não, só sei que foi assim

“Conte um causo pra gente e leve outro de brinde”, anunciava o garoto de 10 anos, em meio ao troca-troca de histórias que encantavam as crianças pelo humor, pelo suspense ou assombro. Esse repente de criatividade aconteceu durante uma deliciosa experiência que usou os “causos” e outras narrativas da tradição popular para trabalhar as linguagens oral e escrita
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