Sincronicidade

Ao contrário do senso comum, as crianças pensam de forma complexa e não linear
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Desenho feito por Martin (arquivo pessoal de Monique Dehenzelin)

Estamos bastante acostumados, na vida e na escola, a uma noção de tempo diacrônica, segundo a qual organizamos os fatos à nossa volta em relações de causa e efeito. Ensinamos a criança a ler e escrever. Em breve, ela aprenderá e se tornará letrada. Cuidamos bem de um bebê. Logo, ele se mostrará grato e se sentirá bem. Entretanto, outras civilizações, como a chinesa, concebem o tempo de modo sincrônico. Assim, acontecimentos interligados no tempo e no espaço são significativos para uma pessoa que participe deles e isso abre possibilidades para conhecimentos que diferem e ultrapassam a razão racionalista, digamos assim. Eles conjugam razão, intuição, sensação e sentimento, e quem os experimenta se aproxima da sabedoria e não apenas acumula informações culturais.
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O Brincar e o Professor de Educação Infantil

O professor que trabalha com crianças de 0 a 5 anos precisa ter uma postura investigativa para compreender a complexidade da natureza infantil e favorecer o enriquecimento das competências imaginativas dos alunos por meio do lúdico
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Ilustrações feitas pelas crianças da Associação de Mulheres pela Educação (AME – Osasco)

Conceber as crianças como seres que pensam e sentem o mundo de uma forma própria é considerar a importância que o brincar tem no desenvolvimento infantil. Desde a mais tenra idade, as crianças revelam, pela brincadeira de faz-de-conta, o esforço que fazem para compreender o mundo em que vivem e as relações contraditórias que presenciam, explicitando também as condições de vida a que são submetidas. O fato de a criança poder se comunicar desde o período sensório-motor (0 a 2 anos) por meio de gestos, sons e, posteriormente, representar determinado papel na brincadeira, faz com que ela incremente sua imaginação. Nas brincadeiras que faz, ela pode desenvolver algumas capacidades importantes, como atenção, imitação, memória e imaginação.Continue lendo >

Escrever é uma aventura que vale a pena

Um olhar sensível e informado sobre as primeiras escritas; preocupado com a autoria e construção de significados pelas crianças

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Produções feitas pelos ex-alunos do Centro Educacional Monteiro Lobato, atual Coeducar – Viçosa – MG

Numa tarde ensolarada de domingo, Mayana, com seus cinco anos e meio, apanha uma rosa no jardim, arruma-a com cuidado num vaso com água, leva-a para o quarto, em seguida pega um papel e com os olhos brilhando, realiza a seguinte escrita:Continue lendo >

Que choro é esse?

Elemento constante da vida das crianças pequenas e, portanto, da rotina dos educadores, o choro revela sentimentos e necessidades das crianças e exige um ouvido atento de quem quer ajudá-las a se desenvolver bem

Embora haja muita produção acadêmica sobre desenvolvimento infantil, nem sempre é possível derivar do material acadêmico uma prática que apóie as questões interpessoais e emocionais enfrentadas pelos professores. Faltam mais relatos sobre situações reais vividas, pois explicitar determinados episódios cotidianos ajuda na reflexão. Portanto, a decisão de publicar o material a seguir visa contribuir para ampliar o olhar sobre o tema. No CEI Grão da Vida, no qual supervisiono1 um grupo de estagiárias de enfermagem da Universidade Santos Amaro – UNISA, a coordenadora pedagógica Vera Figueiredo – Teca, ao conduzir um grupo de educadores no estudo de alguns capítulos do livro Ética na Educação Infantil2, identificou como tema importante para estudo as necessidades individuais das crianças pequenas.

Algumas situações relatadas ao longo dos grupos de estudo ajudam a pensar sobre a questão.
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Lendas brasileiras e computador: uma combinação que dá certo

Usar as novas tecnologias para envolver os alunos em situações reais de comunicação por meio da leitura e escrita foi o desafio enfrentado pelo projeto “Aventuras com as Letras e as Teclas”, realizado em Campinas (SP). Para promover esse aprendizado entre os alunos, foi preciso trabalhar na mesma direção com os educadores

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O projeto “Aventuras com as Letras e as Teclas” foi desenvolvido pelo Grupo Comunitário Criança Feliz, na cidade de Campinas (SP) em 2005 e teve repercussões na EEPG Prof. Alberto Medaljon. Com a finalidade de diminuir o número de crianças e pré-adolescentes com dificuldades na escrita e leitura, foi concebido como um projeto de formação de educadores com três metas concretas: implantar uma biblioteca alternativa enquanto espaço de uso comum para a escola, para o Grupo Comunitário e comunidade; desenvolver uma oficina de informática que possibilitasse o acesso e o uso contextualizado do computador; e organizar uma oficina de contos com intuito de preparar adolescentes para serem contadores de histórias e assim se tornarem multiplicadores do projeto com outros grupos de crianças.

O trabalho atendeu especificamente os educadores sociais do grupo de crianças de 7 a 10 anos que já fazia parte da oficina de informática. A equipe escolheu para trabalhar o gênero da narrativa literária, mais especificamente as lendas, por oferecer oportunidade de conhecer outras culturas e ampliar os horizontes. O produto final deste projeto foi o livro Lendas Contadas e Aprendidas. As crianças foram motivadas a pesquisar na Internet, digitar seus textos no Word e a fazer as ilustrações usando o Paint Brush1. O computador foi, assim, usado como ferramenta de aprendizado para estimular a leitura e a escrita de forma contextualizada e significativa.
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Mãe! E agora, o que é que eu falo?

Saber comunicar-se, fazer pedidos, obter informações são algumas das inúmeras competências comunicativas que todos devem ter. Pensando nessa necessidade, uma professora de São Paulo desenvolveu uma interessante seqüência didática com alunos de 5 anos. Falar ao telefone em inúmeras situações, conhecendo alguns dos serviços que se pode conseguir com um simples telefonema, foi uma importante descoberta dessa turma.

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