Recortes Poéticos

São muitos os recortes que podemos fazer da realidade. Fazê-los com autoria é uma combinação de sensibilidade com o conhecimento de procedimentos que resultam numa grande brincadeira da criação. A poesia do mundo está ai: temperar intenção e ação, gesto e movimento, para surpreender-se com os rumos escolhidos. Assim fazem os artistas e as crianças
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“A arte é como uma janela poderosa que nos atrai; e junta a beleza da pessoa com o mundo.” Lauro Mendes Gabriel, professor Ticuna

O artista
Carlos Dala Stella, escritor e artista plástico, nascido em Curitiba (PR) é um apaixonado pelo mundo do papel, suporte da escrita e da imagem. Seus textos estão repletos de imagens, assim como seu desenho e sua pintura são marcados pelo universo da escrita e seus contextos. Como artista de genuína curiosidade e intensificado interesse pelo uso dos diferentes meios e suportes, Carlos transita pelo papel, tela, painéis de cimento, parede, vidro, fotografia, escultura em papel e por aí vai. Esta mistura, que faz como brasileiro imerso neste caldo cultural que é nosso País, está presente no livro Bicicletas de Montreal, lançado em 2002, e agora reeditado, com três capas diferentes, para representar, em agosto de 2005, o País no ano do Brasil na França, evento que reúne muitos artistas nacionais.

O livro traz diferentes imagens de bicicletas abandonadas nas ruas de Montreal – capital do Canadá –, registradas por meio da fotografia e reinterpretadas em desenho, gravura, recorte e colagem. Ao folhear o livro, podemos passear com o artista pelas ruas de sua imaginação, numa viagem simbólica, cuja trama das linhas importa mais do que o objeto bicicleta em si.Continue lendo >

À imagem e semelhança

A elaboração dos bonecos
Fotografei digitalmente algumas crianças muito queridas do Centro de Convivência Infantil do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, creche onde desenvolvi com as educadoras o projeto O Ambiente Físico e Objetos que Educam. Trabalhei as imagens no computador – no programa Photoshop –, primeiro transformando-as em preto-e-branco e aumentando o contraste e brilho para realçar o volume. Distorci livremente para que ficassem um pouco mais gráficas e menos realistas. Adeqüei o tamanho das imagens para uma folha de papel A4 e imprimi. Escolhi uma de menino e outra de menina para servir de referência para meu desenho.

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Com fita adesiva, fixei-as uma a uma numa chapa de eucatex um pouco maior e, sobre elas, coloquei uma folha de papel vegetal fino, onde desenhei, com lápis counté, primeiro nas cores marrom claro e escuro e depois em preto, destacando e transformando detalhes para realçar e acentuar as sombras. Assinei e copiei o resultado com o scanner. Com um toque a mais de sombreado no computador, as imagens ficaram prontas para serem impressas na quantidade requerida.

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Profissional das artes
A artista visual Beatriz Bianco orienta oficinas de artes plásticas para formação de professores, educadores de creches e cursos projetados especialmente para escolas, empresas, instituições e eventos.

(Beatriz Bianco, educadora e artista plástica, E-mail: [email protected])


Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #23 de julho de 2005. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br

A arte da gravura na madeira

A xilogravura é uma arte antiga e possibilitou as primeiras reproduções de imagens e textos. No brasil há muitos seguidores em diferentes regiões do país
Procuro porém não acho, poeta que me dê choque. Canto de qualquer maneira, quem quiser que me provoque. O gênio manda que eu diga, a viola manda que eu toque. Mestre Lourival Batista (1915-1992)

“Procuro porém não acho, poeta que me dê choque. Canto de qualquer maneira, quem quiser que me provoque. O gênio manda que eu diga, a viola manda que eu toque”. Mestre Lourival Batista (1915-1992)

Esta técnica de impressão consiste em gravar imagens numa madeira mole (cajá, imburana, cedro ou pinho) com instrumentos cortantes (goiva, faca, formão, buril). Continue lendo >

Construções lúdicas

As crianças são mestres em transformar objetos. Como em um passe de mágica, gravetos viram varinhas de condão, materiais aparentemente sem utilidade se tornam brinquedos inventivos. É possível aproveitar esse potencial infantil na escola
O tonel que virou barco

O tonel que virou barco

Os objetos utilitários, brinquedos, diferentes materiais servem como elos entre a criança e o meio. Proporcionam oportunidades para ela representar ou expressar seus sentimentos, preocupações ou interesses e se constituem em um canal para a interação social com os adultos ou com as outras crianças.

Os brinquedos industrializados de formas e funções predefinidas possibilitam um tipo de brincadeira mais dirigida. Quando as crianças brincam com objetos “menos realistas”, como muitos dos brinquedos elaborados artesanalmente, os espaços da invenção e da imaginação se ampliam, permitindo a elas transformá-los segundo sua própria ótica.

No entanto, nos dias de hoje são poucas as oportunidades que as crianças têm de criar seus próprios brinquedos. Por esse motivo, pareceu-nos que uma proposta de construção de brinquedos pelas próprias crianças seria uma experiência nova e enriquecedora. Por meio de um projeto que envolvesse planejamento e confecção de novos objetos, a partir de materiais de sucata, favoreceríamos o resgate do brinquedo feito artesanalmente no contexto da brincadeira infantil.

Assim nasceu o projeto Construções Lúdicas, no qual as crianças tiveram a oportunidade de explorar materiais inéditos, por meio de pesquisa em depósitos de sucatas da cidade. A proposta esteve pautada na reutilização de materiais descartados pela sociedade, matéria-prima para o processo criativo das crianças.
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Viver a arte, uma experiência transformadora

Rosa Iavelberg1 é arte-educadora e professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e também coordena o setor educativo do Centro Universitário Maria Antônia. Sua longa e importante trajetória na arte-educação faz dela uma referência nacional. Nesta entrevista ela retoma o sentido da arte na educação infantil e as novas demandas para a formação do professor

avisa lá: Que experiências em artes visuais são fundamentais na educação infantil?

Rosa: Em Educação Infantil, o mais importante, o básico, é a criança ter espaço para viver a arte na escola. Ter oportunidade de fazer, criar, explorar materiais, poder se expressar. Ter garantido um momento, dentro das atividades que a escola programa, em que pode escolher, a partir de uma gama de ofertas, o que vai trabalhar e o que quer fazer. Pode parecer muito simples, mas é complexo e é a base de tudo.

No plano da criação e do trabalho do artista adulto há uma intenção, um método que organiza a sua ação e que resulta na criação de um produto. No caso da criança, a escola é que vai organizar o espaço dessa ação e auxiliar para que ela ocorra da maneira mais informada para a criança, próxima às práticas sociais.

O que a escola e o professor devem prover para que a criança expresse seu poder criativo?
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Observadores da natureza

O Brasil sempre exerceu grande fascínio sobre o olhar dos viajantes. Os relatos de viagens, as descrições das terras brasileiras, dos animais e das flores, tão estranhos ao estrangeiro, enchiam sua imaginação e excitavam sua curiosidade
Maracujá (ao fundo) Maria Sibylla Merian Metamorphosis Insectorum Surinamensium (em primeiro plano) Amsterdam 1705

Maracujá (ao fundo) Maria Sibylla Merian Metamorphosis Insectorum Surinamensium (em primeiro plano) Amsterdam 1705

As primeiras imagens das paisagens brasileiras foram produzidas pelos holandeses entre 1637 e 1645. Os pintores que acompanharam Maurício de Nassau em sua chegada ao Brasil vieram com a missão de registrar e enviar por meio de suas pinturas um pouco do que viam nas terras brasileiras. Frans Post é um dos mais importantes da época, seguido de Eckhout, que trouxe para o centro da paisagem os tipos humanos que aqui viviam. As produções, misto de realidade com a ficção criada pelos olhares dos artistas, traziam em suas paletas os tons e os modos da pintura holandesa do século XVII. Continue lendo >

Leitura, escrita e grafite

Educadores da zona sul de São Paulo descobriram, no grafite, um grande aliado para o ensino de práticas de leitura, escrita e de artes visuais. Além de promover o avanço na leitura, os conhecimentos adquiridos ao longo do projeto ajudaram crianças e jovens de 8 a 14 anos a pensar formas de intervenção que melhoraram o aspecto dos muros da instituição. Veja como esse trabalho foi realizado com pouco recurso e muito apoio da comunidade.


As crianças e os jovens que freqüentam o Espaço Gente Jovem (EGJ) Santa Cecília eram também alunos de uma escola pública. Mas, mesmo assim, muitos não sabiam escrever, e mesmo os alfabetizados não eram leitores.
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Com a mão na massa

A escola de educação infantil tradicionalmente propõe colagens às crianças. Como fazê-lo bem? Que materiais são possíveis além do enfadonho papel crepon rasgado e amassado, do feijão, do macarrão e de formas geométricas recortadas? O que mais pode entrar em uma composição? Quem dá as dicas são as professoras de crianças de 2 a 3 anos da Escola Projeto Vida em São Paulo

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Para além do desenho livre – Quando a interferência ajuda as crianças

Desenhar não é uma atividade inata, mas aprendida. As crianças pequenas podem iniciar uma formação artística desde que encontrem um professor que alimente seus processos. Para que ele possa fazer propostas significativas e tomar decisões adequadas ao que pretende ensinar, precisa conhecer o percurso criador das crianças e regular as interferências de acordo com as reais possibilidades de aprendizagem

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