Conversa vai, conversa vem – Do centro de São Paulo ao Alto dos Solimões, no Amazonas

O diálogo entre os professores Ticunas e as crianças da creche Adolfo Lutz, em São Paulo, começou por meio da pintura1 e prosseguiu por meio de cartas, desenhos e trocas de fotos. Veja um pouco do relato da coordenadora Ana Chistina contando um pouco do projeto Brasil 500 anos- Nossa Cultura, Nossa Origem.

Ninhos da Garça
A inspiração dos Ticunas vem da exuberante natureza de onde moram

Depois do sucesso dos trabalhos das crianças, a partir dos desenhos dos Ticunas, ficamos sabendo que a Adriana iria visitar a Tribo dos Ticunas. Logo, movidas pela empolgação, tivemos uma idéia. Fizemos uma proposta para as crianças, de escrevermos uma carta para eles, em que pudéssemos perguntar algumas coisas que queríamos saber. Mandaram fotos deles vestidos e pintados (no dia em que brincamos de índio no parque da creche) e da exposição da qual participaram no Lutz. Este era o último ano das crianças na creche, e a resposta da carta só chegou quando já estavam em outra escola.

Nesse intervalo, a revista avisa lá publicou, na sexta edição, um desses trabalhos sobre interferências1. Não queríamos que as crianças ficassem sem ver a revista e sem receber a resposta da carta. Como era mês de julho (férias escolares), resolvemos marcar com todos um dia para que viessem aqui na creche. Vieram todos. Ficaram muito orgulhosos, pois receberam uma carta endereçada a eles e alguns desenhos exclusivos que um dos “professores pintores” da tribo mandou.


No final, todos juntos, fizemos uma carta de agradecimento e novos desenhos em retribuição aos recebidos, enviando assim atenção e carinho aos nossos mais novos amigos, que nos proporcionaram momentos tão especiais.

Como ainda não escrevem convencionalmente, ditaram o texto para a professora, Maria Rosivane Batista Madeira, que foi a escriba. As cartas escritas em fevereiro de 2001 foram respondidas por João Gabriel Feres. A seguir alguns trechos dessa correspondência.

Olá crianças, tudo bem com vocês?
Caríssimos amiguinhos É uma alegria para mim, que vocês ganharam algumas cores e formas dos nossos desenhos, para ampliar os novos conhecimentos de cada um. Que todos tenham curiosidade e desejo de aprender a nova cor e a nova cultura que existem no nosso país, o Brasil.

Neste mês, nós estamos na nossa casa de estudo (ESCOLA TORÜ/NGUEPATAÜ) Centro de Formação dos Professores Ticuna Bilíngües, localizada na comunidade Filadélfia, município de Benjamim Constant, AM.

João Otaviano e João Gaspar (segurando a revista) , ambos são
desenhistas, pintores e ilustradores, além de professores bilíngües

Eu moro numa pequena comunidade, com 197 pessoasao todo e 32 casas feitas depalha de caranã e algumas cobertas de alumínio e cercadas de tábuas. Tem uma pequena usina elétrica e uma escola que mede 11 metros de comprimento. Essa escola hoje tem 10 anos e até agora não teve reforma. Trabalho com alunos multisseriados, leciono de manhã e de tarde. Obrigado e um grande abraço!

João Clemente Gaspar

1 Artigo da revista avisa lá 6: “Interferência Gráfica – uma proposta para alimentar o desenho infantil”


Ficha técnica:

Equipe: Maria Rosivane Batista Madeiro, Ana Christina Romani e Adriana Klisys

  • Centro de Convivência Infantil do Instituto Adolfo Lutz: Rua Itaquera, 519, Pacaembu – 01246 030, São Paulo. Tel: (11) 258-7547


Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #9 de janeiro de 2002. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br

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