Coisas do cotidiano e a criação artística

Além de trabalhar áreas do conhecimento, projeto sobre obras de artista brasileiro estimula os pequenos para que deixem suas marcas na escola
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Piston. Calendário Burti 2003 – Bispo do Rosário (foto: Fernando Chaves)

Como é costume na Escola Tipuana, em São Paulo – SP, homenageamos diversos artistas em nossa exposição anual de Artes. Em 2008, trabalhamos com obras de Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), artista brasileiro contemporâneo que explorava em suas obras objetos do cotidiano, reinventados com sucatas e sobras de materiais, que resultavam em miniaturas, assemblages1, bordados, mantos e estandartes (leia mais sobre ele em texto abaixo).Continue lendo >

Quem sou eu

Produzir um livro de autobiografias com crianças em processo de alfabetização coloca em evidência a sua competência escritora
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Produção final: um livro do grupo

Em 2001, coordenei um projeto didático, ou seja, uma modalidade de trabalho que tinha uma seqüência de atividades com vistas a um produto final. No caso, um livro1. Desde o início, as crianças já sabiam que iriam escrever autobiografias e se empenharam em todas as atividades para alcançar o melhor resultado. Essa é a diferença mais relevante para outras formas de organizar os saberes culturais, quer dizer, os pequenos compartilham o objetivo do estudo, sabem por que estão realizando determinadas tarefas, qual é a funcionalidade delas e, com isso, esforçam-se e envolvem-se porque atribuem sentido a elas, condição determinante para uma relação favorável com o conhecimento.

Condições didáticas
Tudo começou com o grupo mostrando o que conhecia sobre autobiografias e biografias (leia a definição abaixo) por meio do contato com livros que foram selecionados previamente. Folheando e lendo as publicações, as crianças foram reconhecendo algumas leituras já feitas. O menino Mário Gabriel definiu o gênero com base no que conhecia: “São livros que contam a vida de pessoas que já morreram. Às vezes, elas escrevem sobre sua vida antes de morrer. Falam o nome dos filhos, da mulher, o que gostavam de fazer, sobre o trabalho”. Caroline completou: “No livro do Drácula, não foi ele que escreveu. Foi outra pessoa”.

Seguimos com a leitura de personalidades da música, pintura e literatura. Com isso, os pequenos foram se familiarizando com esse tipo de texto e conhecendo um pouco da vida de Cândido Portinari2, da magnitude da obra de Mozart4, encantando-se com as férias de Monteiro Lobato5 no sítio e indignando-se com a infância de Heitor Villa-Lobos6, que tinha suas pernas amarradas pelo pai para fazer a lição. A partir desse repertório, eles prepararam um roteiro contemplando todos os assuntos que gostariam de escrever nas autobiografias: nome, local de nascimento, nomes dos pais e irmãos, o que mais gostavam de fazer na escola, as comidas preferidas e as histórias mais queridas.Continue lendo >

Ilustradores de primeira

Produzir um livro com as crianças para que seja incorporado à biblioteca da escola não é uma grande novidade, mas a elaboração de ilustrações primorosas ainda é pouco comum. Veja como as crianças do Centro de Convivência Infantil – CCI Adolfo Lutz, na cidade de São Paulo, conciliaram de forma competente a proposta de escrever e desenhar.
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Desenhos das crianças do CCI Adolfo Lutz

Para as crianças de 5 anos do CCI Adolfo Lutz, o contato com lendas, contos de fadas e diferentes tipos de texto é uma constante. A elaboração de histórias pelos pequenos é algo que parece natural e povoa até mesmo as brincadeiras espontâneas. Neste contexto, foi muito bem-vinda a proposta trazida por nós, as professoras: produzir um livro contendo uma história sobre bichos. Nosso objetivo era Continue lendo >

Transformação de versos

Os alunos do Instituto Materno Infantil Flávio Lenzi, na Cidade de São José dos Campos, interior paulista, descobrem a poesia, transformam versos e produzem seus próprios livros, lançados e vendidos na escola

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É cada vez mais comum que as crianças se interessem pela escrita. Em nossa escola procuro, como coordenadora, incentivar os professores a realizarem propostas que desafiem ainda mais esse interesse de seu grupo. Creio que, pelo caminho da autoria, podemos oferecer boas oportunidades de aprendizagem, pois, ao produzir seus textos, as crianças participam do processo de construção de conhecimento.

Desde 2003, realizamos nas salas da Educação Infantil IV (crianças com seis anos) um projeto de produção de livros escritos pelas crianças e editados com apoio da Divisão de Publicações Técnicas da Secretaria Municipal de Educação e da Gráfica da Secretaria Municipal de Educação. Sem dúvida, uma edição bonita dos textos dá ao grupo motivo de orgulho, além da possibilidade de socializá-los com mais pessoas.
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O Rouxinol e o imperador, uma história para se criar

A artista plástica Taisa Borges cria uma versão visual para o clássico conto de Hans Christian Andersen O Rouxinol e o Imperador. Sem palavras, com muita delicadeza e sensibilidade, o livro permite que o leitor crie sua própria história.
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Ilustrações do Livro O Rouxinol e o Imperador de Hans Christian Andersen por Taisa Borges – Editora Peirópolis

Ainda menina, a artista brasileira Taisa Borges se encantou pelas histórias do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, por isso não pode deixar de participar das comemorações do bicentenário de seu nascimento, celebrado em 2005. Decidiu repetir sua viagem pelas cores e traços da antiga China e recriar a história de O Rouxinol e o Imperador, uma de suas obras mais conhecidas, compondo um livro- imagem de enredo instigante. O Rouxinol e o Imperador conta a história de um soberano chinês que descobre a cura para sua melancolia na melodia de um sábio pássaro. Quem já conhece o conto irá se surpreender com esta nova versão, de pura imagem.Continue lendo >