Desenhando a imaginação

As gravuras da artista paranaense Denise Roman revelam um universo lúdico, povoado de personagens que flutuam, cenários de fábulas e imagens sobrepostas. Com figuras que parecem ter saído do faz-de-conta infantil, sua obra é um inspirador ponto de partida para trabalhar o desenho de imaginação na sala de aula
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Serão as aranhas que encantam os pássaros ou os pássaros que encantam as aranhas – Denise Roman

A obra de Denise Roman é um convite a olhar para o mundo infantil com seu livre trânsito entre realidade e imaginação. Seu traçado busca liberdade, brincando com os meios e suportes. Atual orientadora de litografia do Museu da Gravura da Cidade de Curitiba, Denise iniciou sua trajetória nas Artes Plásticas na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba. Em 1981, começa a usar a transparência em seu desenho. Mistura uma figura na outra e gosta de descobrir o que nasce desta junção. Esta superposição de imagens só é possível no plano da ficção, da fantasia, ingrediente fundamental de seu desenho. O desenho – caminho das linhas ou de pontos em suportes variados – carrega em si possibilidades infinitas e se presta muito bem à representação tanto do mundo real como da imaginação.
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O Rouxinol e o imperador, uma história para se criar

A artista plástica Taisa Borges cria uma versão visual para o clássico conto de Hans Christian Andersen O Rouxinol e o Imperador. Sem palavras, com muita delicadeza e sensibilidade, o livro permite que o leitor crie sua própria história.
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Ilustrações do Livro O Rouxinol e o Imperador de Hans Christian Andersen por Taisa Borges – Editora Peirópolis

Ainda menina, a artista brasileira Taisa Borges se encantou pelas histórias do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, por isso não pode deixar de participar das comemorações do bicentenário de seu nascimento, celebrado em 2005. Decidiu repetir sua viagem pelas cores e traços da antiga China e recriar a história de O Rouxinol e o Imperador, uma de suas obras mais conhecidas, compondo um livro- imagem de enredo instigante. O Rouxinol e o Imperador conta a história de um soberano chinês que descobre a cura para sua melancolia na melodia de um sábio pássaro. Quem já conhece o conto irá se surpreender com esta nova versão, de pura imagem.Continue lendo >

Recortes Poéticos

São muitos os recortes que podemos fazer da realidade. Fazê-los com autoria é uma combinação de sensibilidade com o conhecimento de procedimentos que resultam numa grande brincadeira da criação. A poesia do mundo está ai: temperar intenção e ação, gesto e movimento, para surpreender-se com os rumos escolhidos. Assim fazem os artistas e as crianças
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“A arte é como uma janela poderosa que nos atrai; e junta a beleza da pessoa com o mundo.” Lauro Mendes Gabriel, professor Ticuna

O artista
Carlos Dala Stella, escritor e artista plástico, nascido em Curitiba (PR) é um apaixonado pelo mundo do papel, suporte da escrita e da imagem. Seus textos estão repletos de imagens, assim como seu desenho e sua pintura são marcados pelo universo da escrita e seus contextos. Como artista de genuína curiosidade e intensificado interesse pelo uso dos diferentes meios e suportes, Carlos transita pelo papel, tela, painéis de cimento, parede, vidro, fotografia, escultura em papel e por aí vai. Esta mistura, que faz como brasileiro imerso neste caldo cultural que é nosso País, está presente no livro Bicicletas de Montreal, lançado em 2002, e agora reeditado, com três capas diferentes, para representar, em agosto de 2005, o País no ano do Brasil na França, evento que reúne muitos artistas nacionais.

O livro traz diferentes imagens de bicicletas abandonadas nas ruas de Montreal – capital do Canadá –, registradas por meio da fotografia e reinterpretadas em desenho, gravura, recorte e colagem. Ao folhear o livro, podemos passear com o artista pelas ruas de sua imaginação, numa viagem simbólica, cuja trama das linhas importa mais do que o objeto bicicleta em si.Continue lendo >

O que fazer após ler uma história para as crianças

Essa é uma questão não resolvida para muitos professores. Parece que o ato de ler, por si só, não é suficiente como atividade em sala de aula. É preciso sempre finalizar com um desenho. Acompanhe a reflexão da formadora do instituto

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Essa é uma questão que se repete nos vários grupos de formação em que atuo. Ao trabalhar o conteúdo leitura pelo professor, esse assunto surge com freqüência. Posso propor um desenho depois da leitura da história? Como formadora, meu primeiro movimento é pontuar que essa nem sempre é uma atividade adequada na seqüência de uma leitura. Depois de algum tempo, observando a reincidência deste assunto, me interessei em pesquisar quais os motivos que levam as professoras a propor esta atividade.

Nas sondagens que fiz, concluí que esta é uma das propostas mais tradicionais na Educação Infantil, que repetida e associada ao trabalho com leitura de histórias ganhou o status de “inquestionável”. As perguntas feitas às professoras “Por que desenhar depois da leitura?” e “O que as crianças aprendem nesta atividade?” constantemente causam espanto geral. Afinal, sempre fizemos assim, são as respostas.

Outras justificam o desenho pela necessidade da representação do conteúdo, para o professor poder avaliar o que foi entendido pela criança, já que elas ainda não escrevem convencionalmente na Educação Infantil. Desenhando, podem mostrar o que apreenderam da história.

Quando desenhar não significa compreender
O curioso é que, apesar da expectativa das professoras de que o “desenho da história” pode ser um indicador do nível de compreensão das crianças, em geral se aceita qualquer produção, desde que ela se remeta a algum elemento que faça referência à história. É o que podemos perceber nesta descrição:
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Verde que te quero ver diversificar

Ajude as crianças a fugir do lugar comum! Veja como é possível substituir os desenhos simplificados e empobrecidos por uma diversidade de encher os olhos

Produções ricas em detalhes das crianças da EMEI Maria José Dupré

Comecei a trabalhar na Escola Municipal de Educação Infantil Maria José Dupré em agosto de 2002. Como professora recém chegada, precisava conhecer melhor as crianças e o que elas sabiam, por isso planejei momentos para que elas desenhassem utilizando os recursos que conheciam.

Ao analisar os resultados, chamou-me a atenção, em especial, a produção do 3o estágio F, um grupo de 35 crianças com 6 anos de idade. Observei que a maioria fazia casinhas e árvores estereotipadas.
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Leitura, escrita e grafite

Educadores da zona sul de São Paulo descobriram, no grafite, um grande aliado para o ensino de práticas de leitura, escrita e de artes visuais. Além de promover o avanço na leitura, os conhecimentos adquiridos ao longo do projeto ajudaram crianças e jovens de 8 a 14 anos a pensar formas de intervenção que melhoraram o aspecto dos muros da instituição. Veja como esse trabalho foi realizado com pouco recurso e muito apoio da comunidade.


As crianças e os jovens que freqüentam o Espaço Gente Jovem (EGJ) Santa Cecília eram também alunos de uma escola pública. Mas, mesmo assim, muitos não sabiam escrever, e mesmo os alfabetizados não eram leitores.
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Para além do desenho livre – Quando a interferência ajuda as crianças

Desenhar não é uma atividade inata, mas aprendida. As crianças pequenas podem iniciar uma formação artística desde que encontrem um professor que alimente seus processos. Para que ele possa fazer propostas significativas e tomar decisões adequadas ao que pretende ensinar, precisa conhecer o percurso criador das crianças e regular as interferências de acordo com as reais possibilidades de aprendizagem

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Eu sou assim – Como as crianças elaboram seus auto-retratos

“Estamos nesse grupo e precisamos nos conhecer melhor”, é o que dizem as crianças de uma creche em São Paulo ao apresentar os auto-retratos da turma. Observar imagens, conhecer procedimentos e formas diversas de expressar-se foram algumas das oportunidades oferecidas ao grupo nas propostas levadas pela professora. O resultado salta aos olhos: imagens belíssimas que recheiam as páginas seguintes. Conheça essas crianças por meio de suas letras, traços e cores.

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Lasar Segall, um expressionista nas creches

Projeto museu-escola1 apresenta o artista às crianças

As parcerias entre instituições educativas e de cultura têm se mostrado uma ótima alternativa para complementar e enriquecer atividades realizadas com as crianças. Isso mais uma vez se confirmou na recente experiência com o Museu Lasar Segall, que deu às crianças a oportunidade de apreciar as obras originais do artista, refletir sobre elas e produzir belas imagens, como as que veremos a seguir.

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