Que choro é esse?

Elemento constante da vida das crianças pequenas e, portanto, da rotina dos educadores, o choro revela sentimentos e necessidades das crianças e exige um ouvido atento de quem quer ajudá-las a se desenvolver bem

Embora haja muita produção acadêmica sobre desenvolvimento infantil, nem sempre é possível derivar do material acadêmico uma prática que apóie as questões interpessoais e emocionais enfrentadas pelos professores. Faltam mais relatos sobre situações reais vividas, pois explicitar determinados episódios cotidianos ajuda na reflexão. Portanto, a decisão de publicar o material a seguir visa contribuir para ampliar o olhar sobre o tema. No CEI Grão da Vida, no qual supervisiono1 um grupo de estagiárias de enfermagem da Universidade Santos Amaro – UNISA, a coordenadora pedagógica Vera Figueiredo – Teca, ao conduzir um grupo de educadores no estudo de alguns capítulos do livro Ética na Educação Infantil2, identificou como tema importante para estudo as necessidades individuais das crianças pequenas.

Algumas situações relatadas ao longo dos grupos de estudo ajudam a pensar sobre a questão.
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Adeus às fraldas…

Deixar de usar fralda e aprender a ir ao banheiro é um processo significativo que precisa de atenção especial dos educadores, sempre em parceria com a família
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Desenho feito por Danyelle

Em nosso meio cultural, as crianças aprendem a usar o sanitário em torno de dois anos de idade. Nesta fase, elas começam a se interessar pelas suas excreções e experimentar, com mais consciência, as sensações provocadas pela contração e pelo relaxamento dos esfíncteres anal e vesical. Vale lembrar que os esfíncteres são músculos compostos por fibras circulares concêntricas dispostas em forma de anel, que controlam o grau de amplitude de um determinado orifício. No caso dos esfíncteres anal e vesical, eles controlam a saída das fezes e da urina. As crianças adquirem maior controle sobre essas musculaturas a partir dos 18 meses de idade. Como todo desenvolvimento orgânico, esse é um processo que integra fatores biológicos, emocionais e cognitivos. No final do segundo ano de vida, a bexiga urinária possui maior capacidade, permitindo que a criança retenha o xixi por mais tempo e mantenha-se seca em intervalos maiores, o que logo é percebido pela professora e pelos pais.
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A microbiologia e os cuidados

Os complexos conceitos da microbiologia se iluminam a partir da visita a um museu dedicado ao tema. Olhar os micróbios e bactérias pelo visor de um microscópio é um dado importante para iniciar uma ação fundamentada com vistas a profissionalizar a higienização em espaços educativos
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Os vírus não são visíveis em Microscópio comum. O Museu de Microbiologia exibe essa réplica, de
tamanho aumentado, feita em plástico

Hoje é consenso entre profissionais que atuam com Educação Infantil que cuidar é constituinte do educar. Isso significa que as creches e pré-escolas precisam planejar e manter ambiente adequado para operacionalização dos cuidados de crianças na faixa etária de quatro meses a seis anos em contexto educativo e coletivo. Para tanto, é preciso que os projetos de formação dos diretores, coordenadores, professores e agentes escolares incluam a construção de conhecimentos sobre cuidados com a saúde. Com a finalidade de contemplar essa necessidade, o Projeto Capacitar na Educação Infantil, desenvolvido na região Leste da cidade de São Paulo por meio de uma parceria entre o Instituto Avisa Lá, a Secretaria de Educação da Prefeitura do Município de São Paulo, as empresas Gerdau e o Instituto C&A, prevê, entre outros objetivos, conteúdos e estratégias formativas com vistas à integração do cuidar e educar e à promoção da saúde.
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Areia: as crianças adoram, já os adultos…

Seja na praia ou no parquinho, no quintal ou na beira dos rios, os pequenos se deliciam com a areia. Mas, nos espaços de educação infantil, a vivência com a areia continua pouco incentivada. Veja como ela pode ser incorporada no dia-a-dia das crianças de forma criativa e segura

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Crianças brincam na EMEI Profa Ana Maria Pappovic


Dos centros urbanos às comunidades indígenas (como mostram algumas fotos deste artigo), a areia desperta o interesse, a imaginação e a alegria dos pequenos. Muitos são os motivos que os levam a manipulá-la, se divertir e aprender com ela. Para começar, é fácil brincar com a areia: bastam duas mãos ou um pedacinho de pau para criar formas e desenhos. A areia oferece bons desafios, como vencer sua resistência ou obter consistências diversas ao misturá-la com água. Encher baldes, formas, planejar um castelo ou outras construções possibilita às crianças vivenciarem conceitos que só mais tarde poderão ser formalizados. Observar a areia escorrer por tubos e canos, descer numa ampulheta ou fazer caminhos no chão são experiências que podem ser planejadas por um professor preocupado em estimular as crianças a construir conhecimentos.

Oportunidades de aprendizado

Além do mais, brincar com areia proporciona muitas simbologias. Usada como elemento neutro, ela pode fazer o papel de muitas coisas: comidinhas que são misturadas nas panelas com folhas e água; material de construção que caminhões e carrinholas carregam de lá para cá e daqui para lá; sujeira para ser varrida; “pó de pirlimpimpim”; ou o que for necessário para alimentar o faz-de-conta de cada um. Também pode ser simbólica do ponto de vista da linguagem, pois muitas vezes a areia se torna a “companhia” para a criança conversar consigo mesma e estabelecerem diferentes narrativas.Continue lendo >

Um prato cheio de aprendizagens

Misturando saberes com procedimentos, e uma boa pitada de sensibilidade, o professor pode transformar a hora de comer em uma oportunidade de desenvolvimento infantil

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Foto: Helô Pacheco/CEI Ação Social Largo 13

A hora de comer oferece ricas aprendizagens se o educador organizar essa experiência, interagir com a criança e desafiá-la a conhecer o ambiente, os pratos, talheres e copos, o outro e a si mesma. Afinal, cuidar é uma maneira de educar as crianças, especialmente até os três anos de idade. Constitui uma forma de se relacionar com o outro que envolve uma atitude de preocupação com o crescimento e o desenvolvimento humanos em toda sua complexidade.

Em um Centro de Educação Infantil – CEI, as atitudes e os procedimentos que operacionalizam o acolhimento diário dos pais e da criança, as refeições, os cuidados pessoais e a segurança devem ser integrados às brincadeiras e atividades pedagógicas, atendendo às necessidades individuais e coletivas de conforto, proteção, segurança, alimentação e aprendizagens específicas para cada idade.

Quando um professor de Educação Infantil toma para si esta tarefa, ele favorece a construção de vínculos de uma forma saudável. Para a criança pequena é imprescindível que alguém a acolha, conforte, cuide, alimente e entenda as razões de seus protestos ou expressões de contentamento e satisfação.
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Um ambiente seguro e saudável na Educação Infantil

Os espaços de educação infantil reúnem crianças de várias idades, provenientes de diferentes famílias, o que favorece a sociabilidade e a ampliação dos conhecimentos. Ao mesmo tempo, o contato cotidiano e prolongado de crianças em ambiente coletivo demanda alguns cuidados para preservar a segurança e a saúde de todos os envolvidos
Ilustrações: The Golden Dictionary

Ilustrações: The Golden Dictionary

Embora seja esperado que as crianças usuárias de creches e pré-escolas, na maior parte do tempo, sejam saudáveis, isto não impede que o risco potencial de transmissão de vírus, bactérias, fungos e parasitas exista, sobretudo porque as infecções que afetam essa faixa etária podem ser assintomáticas ou transmitidas ainda na fase de incubação, quando as manifestações clínicas não são evidentes.

As crianças menores de dois anos têm maior suscetibilidade às infecções, porque seu sistema imunológico está em desenvolvimento, além do que, pela característica do seu processo de desenvolvimento, levam as mãos e os objetos à boca com freqüência.

Para que o ambiente dos centros e escolas de Educação Infantil seja seguro, sob o ponto de vista sanitário, recomenda-se, a exemplo do que já ocorre em outros países, o emprego de precauções-padrão, cuidados que visam à segurança biológica de todos os envolvidos, independente da informação que se tenha sobre o estado de saúde das crianças, famílias e profissionais.
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O que significa cuidar de alguém

Cuidar dos bebês e educá-los são faces da mesma moeda: a promoção do desenvolvimento orgânico não está separada das atitudes e dos procedimentos que ajudam a criança a construir conhecimentos sobre a vida sociocultural

Mães cuidando dos filhos no Congo

Para refletirmos sobre o cuidado com crianças atendidas em berçário das unidades de educação infantil, precisamos rever dois conceitos: berçário e cuidado. De acordo com o dicionário de língua portuguesa, “berçário” é uma sala ou quarto das maternidades onde ficam os berços destinados às crianças recém- nascidas.

Provavelmente foi com base nesta concepção que as primeiras creches da cidade de São Paulo, algumas localizadas em empresas, denominaram berçário: o setor que atendia crianças “de berço”. Em que pesem os avanços na educação infantil, a palavra ainda é utilizada tanto para designar um setor da creche quanto uma unidade de educação infantil destinada ao atendimento de crianças menores de 2 anos.
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O sol e as crianças

Crianças de todas as idades necessitam tomar sol e permanecer algum tempo ao ar livre para que possam crescer e se desenvolver com saúde. Muitas vezes a organização da rotina não garante que crianças de todas as idades usufruam os benefícios do sol e da área externa em horários adequados. Conheça nessa matéria benefícios e cuidados que garantem às crianças bons momentos ao ar livre.

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Colo: um cuidado que educa

Ser seguro no colo, ser abraçado e tocado são experiências humanas essenciais. Os jeitos de segurar e tocar variam conforme as diferentes culturas. Hoje existe, na maioria das sociedades urbanas, todo um aparato de objetos e mobiliário para conter os bebês e crianças pequenas, o que reduz em muitos casos as oportunidades de contato físico com os pais e outros adultos.
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