Professores, crianças e a cidade

O lugar onde se vive é um excelente tema de trabalho com os pequenos de pré-escola porque possibilita a valorização da produção artística com essa faixa etária
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Ilustrações feitas pelas crianças da Rede Municipal de Educação de Recife – PE

Crianças entre 4 e 6 anos constroem cenas em seus desenhos. São marcantes os entornos, os cenários e as situações em que há casinhas, ruas, jardins, habitantes, céus, carros etc. Estamos diante de um indivíduo inserido em um contexto cultural, com imagens estáticas e em movimento, e que, por isso mesmo, alimentam suas produções. Por esse motivo, é fundamental oferecer desenhos, pinturas e gravuras aos pequenos. A intenção é dar repertório para ampliar o próprio universo gráfico e as possibilidades de representações com linguagens particulares, além de permitir que eles pensem sobre suas produções.

Exatamente por isso, elaborei algumas seqüências de atividades que serviram como guias, motes para propor conversas entre os professores, suas turmas e as cidades. Contudo, caberia fundamentalmente a cada educador adequar, criar situações, selecionar materiais e, principalmente, acompanhar todas as etapas para, coletivamente, definir novos passos. E assim, como parte do processo de formação continuada Continue lendo >

Ver além dos rabiscos

Uma das competências mais importantes de um professor de educação infantil é saber observar as crianças com o suporte de um apoio teórico consistente. Neste relato, a professora conta como acompanhou atentamente os desenhos dos alunos eduardo e vitória

Nas primeiras atividades desenvolvidas com o grupo de crianças na faixa etária de quatro anos, me senti frustrada por ver apenas alguns rabiscos que para mim nada diziam. Porém, com os textos que passei a estudar, fui compreendendo o exercício do desenho. A partir daí comecei a observar as crianças individualmente e percebi que a maioria delas já modificava a garatuja e que nem todas permaneciam na mesma linha de conduta. Muitas estavam no movimento longitudinal1 desordenado e não tinham apropriação na forma de segurar o lápis, mas algumas faziam círculos soltos e já enovelavam. Vale lembrar também que todas nomeavam os desenhos. Com base no que fui aprendendo, escolhi as produções do Eduardo e da Vitória, ambos com quatro anos, para relatar a evolução dos desenhos.Continue lendo >

Uma flor para a borboleta ficar

Como as crianças pequenas constroem significado sobre os seres vivos a partir de conhecimentos mediados por adultos? Em busca desta compreensão, duas pesquisadoras da USP acompanharam e analisaram conversas e desenhos produzidos por uma turma em atividade

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Este artigo nasce de uma investigação que buscou compreender como as crianças pequenas constroem significados sobre os seres vivos, quando elas estão em interação social, acessando diferentes conhecimentos mediados por adultos. Para realizar esta pesquisa, estivemos durante quatro meses na Creche Oeste, localizada no campus da Universidade de São Paulo, na capital paulista. Acompanhamos um grupo de crianças com quatro anos de idade durante as atividades do projeto “Pequenos Animais”, cuja finalidade era possibilitar que as crianças conhecessem um pouco mais sobre os animais de jardim e, em especial, sobre as borboletas.

As atividades propostas pela educadora Cristiane Domingos de Souza foram bastante diversificadas. Ela escolheu materiais informativos ricos em imagens, de modo que as crianças – ainda não leitoras – pudessem fazer suas apreciações e interpretações. As imagens eram apresentadas pela educadora (que lia as legendas e textos complementares) e depois discutidas pelas crianças nas rodas de conversa. As informações eram extraídas de revistas, livros paradidáticos, literatura infantil, poesias e pinturas, além de observações de um viveiro com lagartas mantido na sala de aula, de passeios ao jardim da creche e a um bosque localizado nas imediações.

A educadora criou situações Continue lendo >

Uma carta para Inos Corradin – O artista que não pára de pintar

Aproximar crianças da produção dos artistas já é uma prática bastante comum na educação. Nomes como Picasso, Miró, Volpi e Tarsila são freqüentemente explorados e trazem um fato em comum: todos produziram num tempo passado. Será que as produções artísticas são mais consideradas depois que seu autor morre? E as obras de arte produzidas por artistas vivos? Essas preocupações das educadoras levaram crianças de 4 a 5 anos a conhecerem Inos Corradin, artista que trabalha nos dias de hoje.

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