Lasar Segall, um expressionista nas creches

Projeto museu-escola1 apresenta o artista às crianças

As parcerias entre instituições educativas e de cultura têm se mostrado uma ótima alternativa para complementar e enriquecer atividades realizadas com as crianças. Isso mais uma vez se confirmou na recente experiência com o Museu Lasar Segall, que deu às crianças a oportunidade de apreciar as obras originais do artista, refletir sobre elas e produzir belas imagens, como as que veremos a seguir.


Sete instituições entre creches, escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio foram convidadas a realizar projetos em parceria com o museu Lasar Segall. Aprofundar os conteúdos das visitas às exposições, rever os métodos e propiciar o acompanhamento do trabalho de preparação e das atividades em sala de aula foram alguns dos objetivos do projeto. Em Osasco, o projeto foi discutido e acompanhado desde o início. Cada unidade desenvolveu as propostas a seu modo, dentro de suas possibilidades, o que garantiu uma diversidade de experiências e resultados.

Ao esforço das professoras se une a supervisão das coordenadoras e da formadora responsável, Priscila Monteiro. Para dar uma pequena amostra do que foi realizado, trouxemos o texto do projeto, de autoria de Ozelma Maria Pereira Campos (Mulheres em Defesa da Educação), os registros de Keiti Cristina Lima Sales Borges (CPP Jardim Veloso) e desenhos de algumas das crianças das três unidades.

1 Coordenação de Denise Grinspum, do setor
educativo do Museu Lasar Segall

O Projeto das Creches:

Eixo de trabalho predominante: artes visuais

Objetivos:

  • compartilhado com as crianças: produzir telas para levar para casa, usando como referência os conhecimentos sobre as obras e
    os procedimentos de Lasar Segall.
  • didático: utilizar as obras de Segall para enriquecer o percurso criador das crianças em relação ao fazer e ao apreciar.

O que a professora quer que as crianças aprendam:

  • procedimentos como: cópia, desenho de observação e desenho
    com modelos vivos.

Seqüência de propostas previstas:

  1. Conversar com as crianças sobre a idéia de ir ao museu. Compartilhar a realização de um projeto com o grupo.
  2. Formar duplas de crianças e dar uma reprodução de Lasar Segall a cada uma delas. Pedir que criem uma história para aquela imagem, a partir de suas observações. Registrar o texto em papel craft para depois ler para o restante da sala.
  3. Listar as perguntas surgidas na roda de conversa sobre o pintor e sua obra. Passar o vídeo sobre Lasar Segall (cedido pelo museu) para ajudar as crianças a responderem às questões. Depois, distribuir as fotos do artista em seu ateliê, com sua família, etc., e dar um tempo para que as crianças, em grupos, possam ler as imagens e descobrir mais sobre o artista e seu trabalho.
  4. Espalhar as reproduções de Segall pela sala. Dar um tempo para que as crianças possam observar atentamente. Depois, escrever os nomes das obras em tiras de papel para que cada criança possa sortear uma: ela deve ler o nome e achar a obra que, segundo ela, deve ter aquele título. As crianças que aguardam sua vez de
    descobrir podem participar dando dicas, opiniões, comentando,
    falando sobre o que observaram e a relação que fizeram, e assim
    por diante, até que todos os nomes sejam devidamente colocados
    junto às obras.
  5. Marcar uma visita ao museu Lasar Segall para que as crianças
    possam observar os originais das reproduções estudadas em sala.
    Informar sobre o museu e as regras para a visitação.
  6. Visitar o museu. Foco principal: Navio de Emigrantes.
  7. De volta à creche, conversar com as crianças sobre a visita ajudando-
    as a lembrar o que viram lá. Mostrar o navio de Segall, observado
    no museu, e outras imagens de navios recortados de revistas,
    livros, rótulos, etc. Cada criança poderá escolher um tipo de navio e
    fazer a reprodução utilizando lápis de cor e sulfite.
  8. Levar a obra Velho Ex-Escravo. Deixar que as crianças conversem
    sobre o que estão vendo: como é o aspecto físico do velho, cabelo,
    boca, nariz, testa, olhos, etc. Chamar a atenção para o jeito como oartista representou as expressões, pensar na idade que ele deve ter,
    etc. Passar em seguida o trecho do vídeo em que o artista dá um
    depoimento sobre a realização desse trabalho. Propor em seguida
    que desenhem um rosto em papel sulfite, utilizando lápis 6B.
  9. Fazer a apreciação da obra Bananal. Alimentar a observação levantando
    questões como: Que lugar é esse? De que plantas são
    essas folhas? Quantas cores aparecem nas folhas? São todas do
    mesmo tom de verde? Trazer também uma outra obra e propor
    que estabeleçam relações, apontando diferenças e semelhanças.
    Em seguida, propor que pintem utilizando diferentes tons de
    verde. Usar guache e papel canson.
  10. Observar outros desenhos de Segall e propor desenhos de
    observação.
  11. Nova visita ao museu. Estudar com mais atenção a obra
    Retrato de Lucy.
  12. Na creche, conversar sobre os auto-retratos de Lasar Segall,
    observando as diversas maneiras como pintou. Usar como apoio as
    reproduções do livro. Pedir que as crianças tragam fotos de casa
    para observar e propor, em seguida, que façam auto-retratos,
    podendo modificar elementos como cores utilizadas, roupas, etc.
  13. Montar uma pequena exposição com as fotos ao lado dos
    auto-retratos para que todos possam apreciar e verificar o que foi
    mudando de um para outro.
  14. Relembrando a visita ao museu, conversar com o grupo sobre a
    pintura de modelo vivo. Usar o apoio de vídeo e livros para mostrar
    como Lasar Segall trabalhou com seus modelos. Pedir, então, que as
    crianças se organizem em dupla de tal forma que uma seja o modelo
    e a outra a pintora. Depois podem inverter os papéis.
  15. Dividir as crianças em grupos de três e, a partir de observações
    já feitas anteriormente, de todos os elementos gráficos e procedimentos
    que já dominam, propor que produzam uma imagem utilizando
    tela e guache.
  16. 16. Montar com as crianças a exposição usando como referência o
    jeito como o o museu organiza as obras para a visitação.

Ficha Técnica:

Participaram deste projeto as educadoras e coordenadoras pedagógicas Keiti Cristina Borges e Rosana Ferreira de Oliveira, do Centro de Participação Popular do Jardim Veloso, Ozelma Pereira Campos e Luzeni de Souza, da Associação das Mulheres em Defesa das Crianças, educadoras da Casa do
Aprender e todas as crianças de 5 a 6 anos das três entidades.

As crianças estavam empolgadas para ir ao museu. Assim que
chegaram elas perguntaram pelo quadro Navio de Emigrantes.
Foi a obra que mais lhes chamou a atenção. Comentaram que era
igual ao da novela Terra Nostra: “Um navio cheio de gente”.
Ficaram espantadas com o tamanho: “Eu não achava que fosse
tão grande, disse Leonardo. Depois de encerrada a visita as crianças foram para o ateliê; e pintaram seu barco:

Navio de Emigrantes, 1999. Guache, 42 x29,7 cm. Rafael Ferreira, 5 anos (Ass. das Mulheres em Defesa das Crianças

O

O “Navio de Emigrantes” e desenho de criança inspirado nessa obra de Lasar Segall

Navio de Emigrantes, 1999. Guache, 42 x29,7 cm. Rafael Ferreira, 5 anos (Ass. das Mulheres em Defesa das Crianças

Coloquei o slide de Lasar Segall
pintando Lucy e pedi que as
crianças olhassem bem o jeito
dela. Depois cada criança teve sua vez de ser modelo para que o
amigo que desenhava, como Luc

Quem foi Lasar Segall

Lasar Segall pintando

Lasar Segall pintando “Navio de Emigrantes” em seu ateliê. São Paulo, 1939/41. Fotografia de Hildegard Rosenthal. Arquivo Fotográfico Lasar Segall

Lasar Segall nasceu em 21
de julho de 1891 na comunidade judaica de Vilna, na Lituânia. Sua carreira
começou aos quinze anos, em Berlim. Três anos depois ganhou seu
primeiro prêmio e rompeu com a Academia de Belas Artes: ele procurava
mais liberdade para criar. “Uma nova linguagem, que já sentia viva e
fermentando em mim, iria eu encontrá-la no Expressionismo”- disse em
1909 ao ingressar na Academia de Dresden. Foi ainda para a Holanda,
onde participou do movimento expressionista alemão – sua mais profunda
influência – e recebeu alguns prêmios. Em 1913 vem ao Brasil pela
primeira vez. Com a ajuda de sua irmã Luba, Segall expôs em São Paulo
e Campinas, deixando por aqui sementes de modernidade. Este seria o
país que ele escolheria para viver, anos mais tarde. Aqui trabalhou dando
aulas a jovens artistas, dentre eles Jenny Klabin, com quem vem a se
casar em 1925. Entre idas e vindas Brasil-Europa, naturalizou-se brasileiro
em 1927 e cinco anos depois fixou-se definitivamente em São Paulo.

No período em que trabalhou aqui seus quadros ganharam as cores
fortes das paisagens brasileiras, principalmente de Campos do Jordão,
muitos tons de verde e alguns personagens como o negro, tema de várias
obras. Também produziu uma série de retratos de artistas e intelectuais do
país, dentre eles Gofredo da Silva Telles, Mário de Andrade, Guilherme de
Almeida e Victor Brecheret. Mas esses não são os únicos tipos humanos
que interessam a Segall: na força de seus traços ele revela veementemente
a simpatia pelos velhos, doentes, pobres, prostitutas e perseguidos, como
o povo judeu, que é sua própria origem. Essas pessoas que estão na
Alemanha, na Holanda, na Rússia e no Brasil são personagens de um drama que ele entende universal, tanto quanto sua preciosa obra.
A residência e ateliê do artista, seus materiais, objetos e grande parte de
sua diversificada produção – desenhos, gravuras, pinturas, fotografia e
escultura – pertencem hoje ao Museu Lasar Segall, que cuida e preserva
sua memória e sua obra.

Lasar Segall e uma expedição à Spamolândia

Cenários e personagens do carnaval modernista de Lasar Segall, produções da Casa do Aprender para usar em sala com as crianças

A atuação política de Lasar Segall no Brasil foi uma das mais importantes contribuições para a repercussão da arte moderna
no país. Ele foi um dos fundadores do SPAM (Sociedade Pró-Arte Moderna), que promoveu, durante os anos de
1932 a 1935, um intenso intercâmbio cultural entre artistas e amantes da arte, estando na raiz de um processo que possibilitou
o surgimento do Museu de Arte Moderna. Durante o tempo de sua existência, o SPAM realizou algumas ações
para angariar fundos: exposições de artistas nacionais e estrangeiros e dois bailes de carnaval – Carnaval na Cidade de
SPAM e Expedição às Matas Virgens de Spamolândia – cujos cenários foram pintados pelo próprio Lasar Segall. As crianças
da Casa do Aprender conheceram o trabalho cenográfico do artista e se inspiraram nele para produzir as imagens
que apreciamos aqui:

Obra de Lasar Segall

Desenhos das crianças inspirados nos de Lasar Segall, da série Baile de Carnaval Expedição às matas virgens de Spamolândia de 1934

Desenhos das crianças inspirados nos de Lasar Segall, da série Baile de Carnaval Expedição às matas virgens de Spamolândia de 1934

Desenhos das crianças inspirados nos de Lasar Segall, da série Baile de Carnaval Expedição às matas virgens de Spamolândia de 1934 Desenhos da

align=”alignleft” width=”234″]Obra de Lasar Segalls crianças inspirados nos de Lasar Segall, da série Baile de Carnaval Expedição às matas virgens de Spamolândia de 1934

Para saber mais:

  • Lasar Segall, Cláudia Valladão, EDUSP,
    Tel.: (0XX11) 3813-8837
  • Lasar Segall: textos, depoimentos e exposições,
    Museu Lasar Segall, Tel.:(0XX11) 5574 7322
  • O Desenho de Lasar Segall, Museu Lasar Segall.
  • A escultura de Lasar Segall, Museu Lasar Segall.
  • A gravura de Lasar Segall, Museu Lasar Segall.
  • Lasar Segall: antologia de textos nacionais sobre a
    obra do artista, Rio de Janeiro, Funarte. Creches que participaram do projeto:
  • Associação das Mulheres em Defesa das Crianças –
    Av. Presidente Costa e Silva, 1522, Helena Maria,
    Osasco, SP, 06250-000, Tel.: 3603-8243
  • Centro de Participação Popular do Jardim Veloso –
    Rua Martins Fontes, 373, Jd. Veloso – Osasco, SP,
    06154-040, Tel.: 3605-6084
  • Casa do Aprender – Rua Piacutu, 2058, Jd. Munhoz –
    Osasco, SP, 06240-160, Tel.: 3696 8354

Conheça o museu Lasar Segall

O museu recebe e organiza exposições diversas durante o ano
e preserva uma exposição de longa duração, Lasar Segall:
Construção poética de uma obra. A mostra traz uma visão crítica
da obra do artista, por meio de uma retrospectiva com cerca
de 300 trabalhos nas mais variadas linguagens e técnicas e
ampla documentação sobre sua vida. Painéis deslizantes apresentam
desenhos do acervo, renovados periodicamente. A
cada três meses, uma obra é colocada em destaque no
“Exercício de Leitura”. Uma excelente oportunidade para
aprender a ler imagens. As obras utilizadas no projeto Museu-
Escola fazem parte desse acervo.
Além do projeto educativo, as escolas ainda podem desfrutar
de outros serviços como:

  • Monitorias especiais para grupos de crianças e
    adolescentes, marcadas previamente;
  • Videoteca Arte na Escola, um acervo de mais de 300
    vídeos de arte brasileira e internacional disponíveis para
    empréstimo;
  • Arte em Família – Sábados no Segall, um programa de
    visitas monitoradas à exposição de longa duração, com
    atividades lúdicas, oferecido para famílias com crianças
    maiores de cinco anos, sempre no último sábado do mês;
    Para quem quer realizar pesquisas, recomenda-se:
  • Biblioteca Jenny Klabin Segall, especializada em teatro,
    ópera, dança, cinema, fotografia, rádio e televisão. Abriga
    extensa documentação sobre a vida e a obra de Lasar Segall.
    Por fim, os interessados em produção e criação, com a orientação
    de profissionais especializados, podem procurar:
  • Oficinas de criação literária, fotografia e ateliê de gravura,
    todos com vagas limitadas; é preciso se inscrever nos dias
    marcados com antecedência pois a procura é grande.
    E o melhor: tudo gratuitamente.
    Para conhecer mais:
    Museu Lasar Segall, Rua Berta, 111,
    Vila Mariana,
    Tel.: (0XX11) 5574-7322,
    E-mail: [email protected]

Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #5 de janeiro de 2001. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br

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