A constituição de si mesmo e dos objetos

A permanência dos objetos – construção fundamental das crianças em seu primeiro ano de vida – pode estar na origem da arte e da ciência
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Fotos: Pedro Caetano

Olhar, segurar, sugar, são algumas das ações dos recém-nascidos sobre os objetos a sua volta. Estes objetos são assimilados ao eu do bebê, como prolongamento de suas ações, sem que ele tenha ainda consciência nem da realidade, nem de si próprio. Mas os esquemas, como de preensão, por exemplo, vão se diferenciando e organizando em função das experiências que a criança realiza com os outros seres ou objetos que compõem parte da realidade em que ela vive. Em torno de um ano de idade, com a possibilidade de se deslocar — seja engatinhando ou andando – meninos e meninas assimilam os objetos ao próprio eu e, ao mesmo tempo, acomodam-se a leis causais que favorecem sua localização no espaço e no tempo. Crianças muito jovens adoram brincar de esconde-esconde! A cada vez descobrem novas relações entre as coisas do mundo e elas próprias.
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Com a mão na massa

A imaginação criadora pode ser apoiada pelo trabalho experimental com substâncias diversas, tais como água, areia, terra, sempre bem-vindas em processos educativos

Sonhei que eu dirigia uma caminhonete D-20, e minha avó estava sentada ao meu lado. Íamos por uma estrada de terra paralela ao asfalto, a praia à nossa esquerda. Era um domingão, muitos automóveis, e eu que, entretanto, queria levá-la para ver as casas, as igrejas antigas e, especialmente, os lindos turbantes de chitão colorido usados por jovens moças e rapazes, tomo uma via perpendicular à rua da praia, avenida de terra larga e barrenta, um barro vermelho, denso, em que a caminhonete ia derrapando para lá e para cá e não se via o fim, como numa transamazônica. Lá em cima da estrada (que era plana…), formando ângulos improváveis, entreviam-se praias, a da esquerda com mar bravio, grandes ondas batendo em rochedos, a espuma do mar planando nas alturas; uma outra, à direita, com mar azul turquesa, calmo, brilhante, convidativo.
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Sincronicidade

Ao contrário do senso comum, as crianças pensam de forma complexa e não linear
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Desenho feito por Martin (arquivo pessoal de Monique Dehenzelin)

Estamos bastante acostumados, na vida e na escola, a uma noção de tempo diacrônica, segundo a qual organizamos os fatos à nossa volta em relações de causa e efeito. Ensinamos a criança a ler e escrever. Em breve, ela aprenderá e se tornará letrada. Cuidamos bem de um bebê. Logo, ele se mostrará grato e se sentirá bem. Entretanto, outras civilizações, como a chinesa, concebem o tempo de modo sincrônico. Assim, acontecimentos interligados no tempo e no espaço são significativos para uma pessoa que participe deles e isso abre possibilidades para conhecimentos que diferem e ultrapassam a razão racionalista, digamos assim. Eles conjugam razão, intuição, sensação e sentimento, e quem os experimenta se aproxima da sabedoria e não apenas acumula informações culturais.
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Só vê quem sabe

É comum uma família receber queixas da escola sobre o aluno que mora em área rural. Muitas professoras possuem preconceitos em relação a essas crianças e, ignorando seus saberes, não conseguem fazê-los avançar naquilo que desconhecem. Mas isto pode ser muito diferente, como mostra este artigo
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Matheus e sua avó

Matheus, para a família, nasceu no dia 6 de setembro de 1997 em Campinas, São Paulo. Desde então mora em Santa Maria da Serra das Cabras, Joaquim Egídio – um subdistrito de Campinas, com o irmão Ronei, a mãe Alessandra, os avós Ana e Benedito (o Ditão) e o tio Tidão. A primeira imagem sua que me assoma são cachos dourados e grandes olhos verdes iluminando o sorriso, que me levaram a pintar um São João, a partir de uma história de seu avô Ditão. A história a seguir Matheus fez em meu computador.
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