Revista Avisa lá #38

Não ao desperdício

Mudança de cultura em relação à preservação do ambiente pode e deve começar cedo pela incorporação de novos hábitos ao cotidiano
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Fotos: Renata Rendeiro

O projeto “Não ao desperdício” teve início em fevereiro de 2007, no Jardim de Infância do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo – SP, e permanece até hoje. Professores e demais funcionários da escola, crianças de 2 a 6 anos e suas famílias se envolveram com o trabalho. Ele baseou-se na “Carta da Ecopedagogia”, do livro Pedagogia da terra, de Moacir Gadotti, que propõe “reeducar o olhar das pessoas, isto é, desenvolver a atitude de observar e evitar a presença de agressões ao meio ambiente e aos viventes e o desperdício, a poluição sonora, visual, da água e do ar. Para intervir no mundo no sentido de reeducar o habitante do planeta e reverter a cultura do descartável”. Desperdício pode ser tanta coisa. Sugere uso excessivo de água, da energia, dos alimentos. Nós, que lidamos com crianças, temos de educá-las para consumir apenas o necessário. O projeto surgiu das ideias que vêm sendo discutidas de modo geral no mundo e da preocupação da equipe docente em orientar suas turmas para uma nova realidade que se vislumbra no planeta. Muito tem se falado na mídia, porém o que tem sido feito efetivamente no dia-a-dia em casa e nas escolas sobre o assunto? Com essa questão, demos o pontapé inicial.
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Voando alto

O estudo das aves dá asas à imaginação, desperta a curiosidade e estimula o conhecimento das crianças. Nesse percurso, a produção de desenhos contribui para a observação e a pesquisa da turma
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Desenhos feitos pelas crianças do pré 2, do Colégio Santa Cruz e ilustrações de pássaros retiradas do livro Brasil 500 Pássaros, Eletronorte, 2000

Ao longo de um semestre, os alunos do Pré 2, com 5 anos de idade, estudaram as aves. As propostas desenvolvidas durante esse período favoreceram rodas de conversa, atividades de observação e registro, além de pesquisas e muitas descobertas. Como sabemos, do estudo nascem dúvidas, e com este assunto não foi diferente: as crianças trouxeram para as conversas suas certezas, fizeram conjecturas e demonstraram curiosidades que desencadearam um movimento de observação e pesquisa acerca do mundo das aves:Continue lendo >

Uma casa para brincar – Gera discussões ambientais e soluções matemáticas

Crianças de 4 e 5 anos de uma escola municipal de educação infantil da cidade de são paulo aprendem a projetar e construir coletivamente uma casa de brinquedo1, utilizando embalagens recicláveis a possibilidade da brincadeira no espaço a ser criado movimenta o desejo de aprender das crianças

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Fotos: Margareth Buzinaro


O Projeto Casa de Brinquedo, que envolve prioritariamente conteúdos da matemática e meio ambiente, nasceu da necessidade real das crianças de incrementar o acervo lúdico da Escola Municipal de Educação Infantil João Mendonça Falcão, localizada na zona leste da capital paulista.

Pensamos no projeto, quando a escola recebeu um kit com geladeira, fogão, pia, mesa e cadeirinhas. As crianças, quase que em coro, disseram: “Que pena que não temos uma casinha para colocar tudo dentro”. Sugeri então: “E se nós construíssemos uma casinha com caixinhas de leite?”. Essa conversa desencadeou toda a ação.

Discuti com as crianças sobre o que queriam e, principalmente, as formas de colocar em prática seus objetivos, aproveitando para trabalhar com diferentes conteúdos de forma significativa.

O Projeto nas mãos das crianças
Combinamos, primeiramente, como fazer para arrecadar as caixas. Propus a elaboração coletiva de um cartaz, pedindo que outras crianças da escola também trouxessem caixinhas vazias de leite:

“Estamos precisando de caixinha de leite Longa Vida para construir uma casinha de brinquedos. Precisa ser limpa e não pode ser amassada. Quem quiser ajudar é só trazer as caixinhas e entregar na sala 3”
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Água com moderação é questão de educação

Água com moderação é questão de educação

Como conciliar as aprendizagens, a vontade e o prazer que as brincadeiras de água proporcionam com a saúde e o cuidado com o meio ambiente
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O educador tem um papel fundamental no planejamento das atividades com água

Lavar panelinhas, dar banho nas bonecas, fazer bolhas de sabão, navegar o barquinho de papel, tomar banho de esguicho. Que criança não gosta de brincar com água? O contato da água com o corpo, a pele, os cabelos, sobretudo nos dias de intenso calor, é fonte de prazer e muita aprendizagem. Por esses motivos, as brincadeiras com água são tão freqüentes entre os pequenos.

Apesar dos benefícios e do prazer que o contato com a água traz para as crianças, é preciso cuidado ao desenvolver atividades que envolvam consumo de água, sobretudo nos dias de hoje, em que o mundo todo discute formas de enfrentar uma das maiores crises sociais e naturais de todos os tempos: a falta de água.

Estudos prevêem que, nos próximos 20 anos, haverá uma queda de cerca de um terço na média mundial de abastecimento por habitante. Embora a Terra seja um planeta composto em sua maior parte por água, apenas 1% é próprio para o consumo, e é justamente essa pequena cifra que está ameaçada pela poluição, pelo desperdício, pelas mudanças climáticas e, principalmente, pelo aumento do consumo mundial de água que, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), dobra a cada 20 anos.
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