Cuidado é Educação: o trabalho com bebês

“Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro”, Leonardo Boff1
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Fotos: Fernanda Carolina Dias Tristão

A perspectiva moderna de compreender o ser humano em categorias estanques e já definidas implicou fragmentações no modo de conceber homens, mulheres e crianças. Herdamos a tradição de binarismos, em que um componente do par seria mais importante do que o outro. Um exemplo disso é a tendência de privilegiar a racionalidade, e, conseqüentemente, as atividades e profissões que supostamente lidam com a mente, preterindo as emoções e tudo o que se refere ao corpo. Essas dicotomias fizeram-se presentes na história da educação de crianças pequenas, quer sob a forma da existência de profissionais com funções diferentes atuando junto às crianças, quer na estruturação de formas de atendimento diferenciado para crianças de meios socioeconômicos diferentes, ou, ainda, no privilégio que as ações ditas educativas tiveram sobre as ações ditas de cuidados.

A expressão cuidar/educar foi uma tentativa de superar essas antinomias, sendo compreendidas como unidades indissociáveis do trabalho pedagógico em creches e pré-escolas. Desde a década de noventa, pesquisadores e professores vêm afirmando que o binômio cuidar e educar é definidor das ações pedagógicas com crianças pequenas. Contudo, a prática dessas instituições, que vem sendo colocada em evidência por diversas pesquisas, mostra que esses termos ainda estão entendidos e aplicados de forma dissociada. Assim, é predominante a visão do cuidado resumida apenas às atividades ligadas ao corpo, bem como da educação como a necessidade de ensinar algo, revelando a incapacidade de perceber o ser humano constituído de muitos aspectos que não podem ser descolados uns dos outros.

Em uma pesquisa realizada em uma creche do município Continue lendo >

Um mundo novo para as crianças a partir da formação musical

Um trabalho voltado para a formação de ouvintes sensíveis e reflexivos e para a valorização da criação musical infantil


A educação musical no Espaço Gente Jovem Santa Clara2, localizado na zona oeste em São Paulo, tem como objetivo construir conhecimento musical por meio do fazer musical, valorizando o desenvolvimento das qualidades humanas envolvidas nesse processo. Com esse propósito, desenvolvi uma seqüência de atividades no EGJ Santa Clara, que contemplava, de forma integrada, a interpretação, a criação, a escuta e a reflexão sobre a música.

A maioria das crianças de minha turma, de 8 anos, já tinha algum contato com a música, graças ao professor do ano anterior, que lhes ensinara, entre outras coisas, um repertório vivamente relembrado pelo grupo desde o nosso primeiro encontro: Maracangalha; Canto do Povo de Um Lugar; Asa Branca, além de cantigas e brincadeiras tradicionais da cultura infantil, como Bambu Tirabu, Senhora Dona Sancha, A Casinha da Vovó, e outras.

Pela conversa inicial e pelas fitas e cadernos que pude analisar, notei que a turma já havia trabalhado com improvisos e acompanhamento musical, usando alguns instrumentos. E também com timbres, usando como forma de registro o desenho dos próprios instrumentos.

Nesse contexto, um desafio para o grupo seria aprofundar os conhecimentos específicos da música e, para tanto, planejei uma seqüência de trabalho: uma experiência de um semestre, que se iniciou com uma brincadeira rítmica e se encerrou com uma pequena composição coletiva.
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