Vamos ler para aprender

Ao refletir sobre o papel do formador de apoio, a autora dá o exemplo de como ajudar os professores a redescobrir a leitura como ferramenta de estudo

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O processo de formação de um professor envolve inúmeros aspectos ligados à dimensão pessoal, profissional e organizacional. Segundo António Nóvoa1:

“O professor é pessoa. E uma parte importante da pessoa é professor. Urge por isso (re)encontrar espaço de interações entre as dimensões pessoais e profissionais, permitindo aos professores apropriar-se de seus processos de formação e dar-lhes um sentido no quadro das suas histórias de vida”.

Isso quer dizer que, para um professor de fato se envolver num processo de formação continuada, ele precisa passar por intervenções nestes âmbitos, além de construir sua identidade profissional e pessoal de uma maneira complementar. Assim, formadores de professores têm um grande desafio pela frente: despertar um interesse pessoal do professor pela formação, envolvendo-o nos aspectos profissionais e institucionais. Não é algo simples, mas é possível, como relato a seguir, a partir da experiência que vivi como formadora de professoras de três CEIs2 em São Paulo.
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Uma cabana no deserto

A partir do interesse das crianças por animais, a formadora de apoio, Silvana Augusto, propôs uma viagem por um mundo diferente: o deserto. Durante três meses, as crianças do centro de educação infantil meu abacateiro, na capital paulista, pesquisaram, desenharam, escreveram, brincaram e aprenderam sobre a relação dos animais, vida humana e meio ambiente.

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Mesquita


As crianças pequenas são muito atraídas pelo mundo dos bichos, sejam domésticos ou selvagens, pequenos ou gigantes. Descobrir a diversidade da vida animal pode ser um tema interessante e legítimo para ampliar o entendimento sobre o que é a própria vida. Uma criança de dois anos, por exemplo, pode com muita naturalidade confirmar que um carro é vivo só porque se mexe. Ela ainda não sabe que ser vivo requer outros atributos além da mobilidade.

Ficam encantadas quando descobrem que seres vivos têm pernas, boca, orelhas, e podem ser mamãe e filhote, características que as crianças conhecem bem. “Estudar” a vida dos bichos é fonte de prazer e curiosidade para os pequenos. Há muitas maneiras de trabalhar o tema, e eu escolhi apresentar-lhes os bichos nos ambientes em que vivem, e não apenas como organismos vivos isolados. Eu imaginava que o tema dos animais deveria aparecer em um contexto que incluísse o ser humano, afinal, o meio ambiente também contém a cultura de um povo.

Na Amazônia, por exemplo, macaco, onça pintada, arara convivem com índios, seringueiros, etc. Tudo num ambiente está relacionado. E como seria no deserto? Essa foi a minha pergunta ao grupo e à professora Sônia Boaventura. Para tanto, trilhei os caminhos do jogo simbólico e da própria pesquisa. Queria mostrar como seres humanos e animais vivem em diferentes partes do mundo. Queria apresentar não só a diversidade animal, mas também a integração da vida.
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