Está no almanaque?

Crianças de Osasco-SP avançam na leitura e na escrita ao participar do Projeto Almanaque. Tão rica e colorida quanto o produto final foi a aventura de produzi-lo: juntas, as crianças puderam pesquisar, ditar, escrever, revisar, ilustrar e editar a publicação

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Este é o registro do Projeto Almanaque1, um projeto sobre leitura e escrita de textos de gêneros diversos por meio da confecção de um almanaque, realizado com crianças de 6 anos, em 2004. Idealizar este projeto, planejá-lo em detalhes, participar de formações que foram fonte de subsídios e avaliá-lo constantemente foi um prazer, mas nada comparado à alegria dos resultados com as crianças. Com ele, venci dois desafios que há anos vinha tentando superar: o de compreender como um propósito social pode se articular aos propósitos didáticos e o de trabalhar leitura e escrita de forma significativa em pequenos grupos, aproveitando os conhecimentos prévios das crianças.

Escrevi originalmente o projeto com a ajuda da minha parceira Ana Paula. Depois da orientação da coordenadora da escola, de alguns estudos sobre o tema e de muitas dicas que foram surgindo durante as formações das quais participei, ele foi modificado muitas vezes de acordo com as necessidades das crianças e do conteúdo.Continue lendo >

Encontros e despedidas

Talvez a competência mais importante para uma professora de educação infantil seja Ouvir – assim mesmo, com “O” maiúsculo – suas crianças. Neste relato, karina, com delicadeza, humor e sabedoria, apresenta pequenas pérolas do pensamento infantil e deixa transparecer a qualidade dos vínculos que construiu com seu grupo de crianças

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Desenho: Teresa, 5 Anos


São 25 crianças de 4 anos, no período da manhã, e mais 35 no período da tarde. Para cuidar dos pequenos na sala de aula, só eu, Deus e os cinco anjos da guarda que cada um deles deve ter. Sim, porque cada criança pequena deve ter mais de um anjo da guarda. Afinal, elas fazem as maiores loucuras todos os dias e sempre voltam para casa inteiras. Mesmo nas condições mais complicadas conseguem se divertir, já que no caso desta turma, estudam em uma “escola de latinha”1. E, além disso, elas ainda dividem a alegria de viver conosco, as desvalorizadas professoras da Educação Infantil.

Infelizmente, muita gente não percebe que, trabalhando com crianças, dá para colecionar diariamente gotinhas de sabedoria, carinho e felicidade, mesmo desde o primeiro encontro, quando muitos choram, porque querem ir embora. Difícil essas coisas da vida. Eles chegam tão bebês, não sabem pegar no lápis, ir ao banheiro sozinhos. Muitos não sabem nem tirar a blusa quando faz calor ou falar o que pensam e sentem. Sofrem demais com essa coisa de ter de ir para um lugar desconhecido, sem nenhuma pessoa familiar por perto, só porque os adultos decidiram que é bom para eles.

Alguns choram muito, desesperados, mas, aos pouquinhos vão aprendendo que tem hora para tudo. Hora para aprender a amarrar o cadarço do tênis ou hora para aprender a se defender dos outros. E logo se dão conta de que, por mais que demore, a hora de ir para casa sempre vem. E, aos pouquinhos, eles vão aprendendo a contar o que pensam, a negociar, a conviver com os “nãos” e com os pontos de vista diferentes.
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