Conversa na cantina e a matemática1

Situações do cotidiano, como conversa na fila da cantina sobre o dinheiro do lanche, transformam-se em situações de aprendizagem sobre cálculos e sistema numérico

Uma aprendizagem significativa é aquela que envolve a criança em sua curiosidade e em sua competência, desafiando-a em suas dúvidas cotidianas, ampliando e desencadeando novos conhecimentos e experiências. São situações que podem partir, muitas vezes, do interesse e da atitude dos próprios alunos, provocando professor a desenvolver atividades específicas. Um exemplo disso foram as conversas vivenciadas em sala de aula sobre o dinheiro do lanche e de todos os dias que  começaram a chamar a atenção de educadores do Centro Educacional Interação, em Santo André (SP).

mate5211Identificamos, nessa situação cotidiana, uma oportunidade para trabalhar conteúdos matemáticos previstos no plano anual dessa turma. Momentos antes do recreio ouvíamos os comentários: Continue lendo >

O hábito da escrita profissional

Documentar o trabalho profissional por meio da escrita é um hábito que precisa ser instituído nos espaços de formação

reflex2
No programa de formação continuada de educadores do Projeto Capacitar – EI2, o objetivo é atender às crianças de maneira mais significativa. No entanto, para mudar, é necessário que os profissionais sejam reflexivos, e a escrita sobre a própria prática é uma das ferramentas mais importantes desse processo. Escrever não é simples, ainda mais para quem não tem essa prática como hábito. Existem diversas maneiras de se analisar cuidadosamente o que acontece nas instituições educativas. Exemplos são os diários de campo, os projetos institucionais, os relatórios de acompanhamento, as devolutivas dos formadores registradas nos diários, os planejamentos, a narrativa dos projetos didáticos e as sínteses das reuniões de formação.
Continue lendo >

Os seis desafios do formador

Formar professores exige saberes refinados, que a formadora Cristiane Pelissare traduziu em um conjunto integrado de desafios a serem continuamente perseguidos

Tornei-me formadora de professores um pouco por acaso. Esses acasos que com o tempo, e sem a gente perceber, ganham espaço, despertam o desejo, provocam mudanças e se transformam em casos definitivos. Com o tempo, descobri que ser formador de professores1 não é uma tarefa fácil. O ato de formar é complexo, nem sempre linear ou totalmente prescritivo. Constituir-se formador é processual, o que significa, entre outras coisas, tempo, investimento pessoal e disponibilidade para rever-se. Aprender novas formas de ensinar professores pressupõe tempo para testá-las, avaliar seus efeitos, realizar ajustes, reavaliá-las. É preciso ter a oportunidade de trabalhar com seus pares – dentro e fora da escola – partilhar, além de idéias e conhecimentos, os sucessos e as dificuldades desse ofício especializado em transformar práticas de professores.

Constituir-se formador implica desenvolver, progressivamente, um corpo específico de saberes. Saberes esses que nem sempre coincidem com aqueles do ofício de professor (origem profissional da maioria dos formadores de professores). E quais são esses saberes? Que competências, habilidades específicas, capacidades necessitam desenvolver os formadores para que suas ações representem mudanças efetivas dentro das instituições às quais estão vinculados? Na tentativa de dialogar com essas questões e com reflexões de alguns formadores experientes, arriscome a elencar seis desafios que considero postos hoje ao contexto da formação continuada de professores e, especialmente, aos formadores de professores.
Continue lendo >