Redução das faltas dos professores

Gestão escolar democrática e participativa pode ser um dos caminhos para acabar com o absenteísmo em instituições de educação infantil? Conheça essas idéias
Pintura feita por Johnny, 5 anos

Pintura feita por Johnny, 5 anos

Este relato integra o projeto de pesquisa de mestrado, ainda em andamento, sobre o absenteísmo de professores de Educação Infantil na rede escolar paulistana. A intenção aqui é focar e apontar a influência da gestão democrática da EMEI Ana Maria Poppovic, em São Paulo – SP, como elemento responsável pela constituição de uma equipe autora de sua prática, capaz de intervir nos espaços escolares e também mais compromissada com a frequência ao trabalho. As faltas docentes têm ocupado manchetes de jornais, muitas vezes com informações parciais, superficiais e até tendenciosas e equivocadas. O fato é que a opinião pública, conforme investigação realizada pelo Ministério da Educação, em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2005, diz que a categoria docente pública é vista como um segmento dotado de proteções e regalias pouco comuns aos profissionais do mercado privado. Entre os argumentos, são citados o excesso de abonos e greves e a ausência de punições e responsabilização pelas faltas.

A palavra absenteísmo é de origem francesa (absenteísme) e significa pessoa que não comparece ao trabalho ou se ausenta por diferentes motivos, propositais ou por situações alheias à sua vontade. O que o caracteriza é a imprevisibilidade, pois não é algo que pode ser esperado ou planejado com antecedência como férias, folgas e feriados. Ele é marcado pelas faltas abonadas, justificadas, licenças-médicas e por outros motivos impeditivos ao trabalho.Continue lendo >

Uma gestão comprometida

Renovar a gestão da EMEI Ana Maria Poppovic, na Zona Oeste da capital paulista, foi o desafio assumido pela nova diretora e toda sua equipe. Da organização do ambiente à redefinição de papéis dos funcionários, cada decisão abriu espaço para uma forma de trabalhar mais integrada, participativa e transparente.
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“A grande mudança exige também esforço contínuo, solidário e paciente das pequenas ações” (Moacir Gadotti, professor e pesquisador de História da Filosofia da Educação, pensador pedagógico e diretor do Instituto Paulo Freire)

Acreditando na necessidade de enfrentar novos desafios e na possibilidade de buscar uma mudança pessoal e profissional, tomei uma decisão bastante significativa na virada de 1998. Deixei uma escola na periferia da cidade de São Paulo, onde fui diretora por 14 anos, para trabalhar numa escola central, no Alto da Lapa, chamada EMEI Ana Maria Poppovic. O presente relato tem, entre outros objetivos, mostrar que há muito que fazer na construção cotidiana da escola pública e que todas nossas opções são determinantes dos resultados. Espero também poder alimentar o espírito de todos que lutam pela educação pública de qualidade. Não há pretensão de aqui apresentar uma receita ou fórmula mágica para o sucesso, mas de tão somente relatar uma experiência, sempre uma boa oportunidade de reflexão sobre a prática mobilizadora de recursos na busca de novos conhecimentos.Continue lendo >