Que choro é esse?

Elemento constante da vida das crianças pequenas e, portanto, da rotina dos educadores, o choro revela sentimentos e necessidades das crianças e exige um ouvido atento de quem quer ajudá-las a se desenvolver bem

Embora haja muita produção acadêmica sobre desenvolvimento infantil, nem sempre é possível derivar do material acadêmico uma prática que apóie as questões interpessoais e emocionais enfrentadas pelos professores. Faltam mais relatos sobre situações reais vividas, pois explicitar determinados episódios cotidianos ajuda na reflexão. Portanto, a decisão de publicar o material a seguir visa contribuir para ampliar o olhar sobre o tema. No CEI Grão da Vida, no qual supervisiono1 um grupo de estagiárias de enfermagem da Universidade Santos Amaro – UNISA, a coordenadora pedagógica Vera Figueiredo – Teca, ao conduzir um grupo de educadores no estudo de alguns capítulos do livro Ética na Educação Infantil2, identificou como tema importante para estudo as necessidades individuais das crianças pequenas.

Algumas situações relatadas ao longo dos grupos de estudo ajudam a pensar sobre a questão.
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Saúde todo dia

O CEU CEI Aricanduva, na Zona Leste paulistana, investe na formação dos educadores para uma efetiva promoção de saúde no cotidiano escolar das crianças
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Além do filtro no refeitório, foi implantado um bebedouro na área externa

Num Centro de Educação Infantil (CEI), educar e cuidar das crianças são faces da mesma moeda. Integra o tempo de a criança ser acolhida, cuidada, alimentada, de ela repousar, aprender a cuidar de si própria e conhecer mais sobre o mundo que está ao seu redor. Neste processo, o educador exerce um papel fundamental: ele cuida e educa especialmente seu grupo de crianças, acompanhando o desenvolvimento de cada uma, construindo parcerias com as famílias, acolhendo e negociando os conflitos que surgem no dia-a-dia. Acreditando na importância da formação desse educador, iniciamos uma parceria com o Programa Capacitar Educadores – Promoção de Saúde no Centro de Educação Infantil – CEI1 em 2006, contribuindo para a implementação do nosso projeto de educação permanente dos profissionais, integrando cuidar e educar.

A participação no projeto é coordenada pelo Instituto Avisa Lá, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo (SME) e financiada pelas empresas Gerdau e C&A. Esta parceria resulta do nosso compromisso em atender o direito das crianças a uma educação de qualidade. Tanto a direção quanto a coordenação pedagógica identificam que o principal caminho é a formação continuada, para subsidiar e operacionalizar o projeto pedagógico, tendo em vista mudanças efetivas na qualidade do atendimento destinado às crianças.
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Adeus às fraldas…

Deixar de usar fralda e aprender a ir ao banheiro é um processo significativo que precisa de atenção especial dos educadores, sempre em parceria com a família
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Desenho feito por Danyelle

Em nosso meio cultural, as crianças aprendem a usar o sanitário em torno de dois anos de idade. Nesta fase, elas começam a se interessar pelas suas excreções e experimentar, com mais consciência, as sensações provocadas pela contração e pelo relaxamento dos esfíncteres anal e vesical. Vale lembrar que os esfíncteres são músculos compostos por fibras circulares concêntricas dispostas em forma de anel, que controlam o grau de amplitude de um determinado orifício. No caso dos esfíncteres anal e vesical, eles controlam a saída das fezes e da urina. As crianças adquirem maior controle sobre essas musculaturas a partir dos 18 meses de idade. Como todo desenvolvimento orgânico, esse é um processo que integra fatores biológicos, emocionais e cognitivos. No final do segundo ano de vida, a bexiga urinária possui maior capacidade, permitindo que a criança retenha o xixi por mais tempo e mantenha-se seca em intervalos maiores, o que logo é percebido pela professora e pelos pais.
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A microbiologia e os cuidados

Os complexos conceitos da microbiologia se iluminam a partir da visita a um museu dedicado ao tema. Olhar os micróbios e bactérias pelo visor de um microscópio é um dado importante para iniciar uma ação fundamentada com vistas a profissionalizar a higienização em espaços educativos
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Os vírus não são visíveis em Microscópio comum. O Museu de Microbiologia exibe essa réplica, de
tamanho aumentado, feita em plástico

Hoje é consenso entre profissionais que atuam com Educação Infantil que cuidar é constituinte do educar. Isso significa que as creches e pré-escolas precisam planejar e manter ambiente adequado para operacionalização dos cuidados de crianças na faixa etária de quatro meses a seis anos em contexto educativo e coletivo. Para tanto, é preciso que os projetos de formação dos diretores, coordenadores, professores e agentes escolares incluam a construção de conhecimentos sobre cuidados com a saúde. Com a finalidade de contemplar essa necessidade, o Projeto Capacitar na Educação Infantil, desenvolvido na região Leste da cidade de São Paulo por meio de uma parceria entre o Instituto Avisa Lá, a Secretaria de Educação da Prefeitura do Município de São Paulo, as empresas Gerdau e o Instituto C&A, prevê, entre outros objetivos, conteúdos e estratégias formativas com vistas à integração do cuidar e educar e à promoção da saúde.
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Areia: as crianças adoram, já os adultos…

Seja na praia ou no parquinho, no quintal ou na beira dos rios, os pequenos se deliciam com a areia. Mas, nos espaços de educação infantil, a vivência com a areia continua pouco incentivada. Veja como ela pode ser incorporada no dia-a-dia das crianças de forma criativa e segura

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Crianças brincam na EMEI Profa Ana Maria Pappovic


Dos centros urbanos às comunidades indígenas (como mostram algumas fotos deste artigo), a areia desperta o interesse, a imaginação e a alegria dos pequenos. Muitos são os motivos que os levam a manipulá-la, se divertir e aprender com ela. Para começar, é fácil brincar com a areia: bastam duas mãos ou um pedacinho de pau para criar formas e desenhos. A areia oferece bons desafios, como vencer sua resistência ou obter consistências diversas ao misturá-la com água. Encher baldes, formas, planejar um castelo ou outras construções possibilita às crianças vivenciarem conceitos que só mais tarde poderão ser formalizados. Observar a areia escorrer por tubos e canos, descer numa ampulheta ou fazer caminhos no chão são experiências que podem ser planejadas por um professor preocupado em estimular as crianças a construir conhecimentos.

Oportunidades de aprendizado

Além do mais, brincar com areia proporciona muitas simbologias. Usada como elemento neutro, ela pode fazer o papel de muitas coisas: comidinhas que são misturadas nas panelas com folhas e água; material de construção que caminhões e carrinholas carregam de lá para cá e daqui para lá; sujeira para ser varrida; “pó de pirlimpimpim”; ou o que for necessário para alimentar o faz-de-conta de cada um. Também pode ser simbólica do ponto de vista da linguagem, pois muitas vezes a areia se torna a “companhia” para a criança conversar consigo mesma e estabelecerem diferentes narrativas.Continue lendo >

Sabor, saúde e afeto

Ao observar e refletir sobre sua prática, a equipe da creche CEDUC–Natura, na cidade de cajamar (SP), deu novo sentido à alimentação das crianças.

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“A gente não quer só comida…” (Titãs)


Olhar para a prática cotidiana é um exercício freqüente na vida do educador. Mas este olhar só faz sentido se vier acompanhado da reflexão. E a reflexão ganha força quando vem acompanhada da ação. Estes três ingredientes – observação-reflexão-ação – fazem parte do nosso dia a dia na Educação Infantil.

No primeiro semestre de 2005, observamos, refletimos e partimos para uma ação transformadora da nossa prática educativa, no que diz respeito à alimentação das crianças. Através da observação, percebemos que os momentos de alimentação precisam ser revistos em seus múltiplos aspectos: sociocultural, nutricional, afetivo e pedagógico.

Herança Cultural
Concebemos a alimentação como um produto cultural, pois aquilo que comemos, a maneira como comemos, oferecemos os alimentos, a organização da mesa, o uso de guardanapo e jogo americano, talheres e tantos outros “detalhes” são produtos da cultura ocidental. São hábitos dos quais nos apropriamos ao longo dos séculos, são valores transmitidos de geração a geração que vão se somando às inovações da vida moderna.

Na antigüidade, o alimento era considerado algo sagrado, uma dádiva divina, motivo pelo qual se faziam oferendas aos deuses como retribuição e agradecimento pelas boas colheitas, pela chuva, enfim, para retribuir as bênçãos. Nesse sentido, o ato de comer era também carregado de significado religioso. Assim como nas oferendas, era uma ocasião digna de rituais suntuosos, o que demonstrava a importância que os povos davam a esse momento. Essas práticas evoluíram cultural e historicamente ao longo dos séculos e chegaram aos nossos dias ainda carregadas de sentido. Assim, apesar da dinâmica da vida “moderna”, ainda sentimos prazer em nos reunir com pessoas queridas para batermos um bom papo acompanhado de uma boa comida.
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Um prato cheio de aprendizagens

Misturando saberes com procedimentos, e uma boa pitada de sensibilidade, o professor pode transformar a hora de comer em uma oportunidade de desenvolvimento infantil

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Foto: Helô Pacheco/CEI Ação Social Largo 13

A hora de comer oferece ricas aprendizagens se o educador organizar essa experiência, interagir com a criança e desafiá-la a conhecer o ambiente, os pratos, talheres e copos, o outro e a si mesma. Afinal, cuidar é uma maneira de educar as crianças, especialmente até os três anos de idade. Constitui uma forma de se relacionar com o outro que envolve uma atitude de preocupação com o crescimento e o desenvolvimento humanos em toda sua complexidade.

Em um Centro de Educação Infantil – CEI, as atitudes e os procedimentos que operacionalizam o acolhimento diário dos pais e da criança, as refeições, os cuidados pessoais e a segurança devem ser integrados às brincadeiras e atividades pedagógicas, atendendo às necessidades individuais e coletivas de conforto, proteção, segurança, alimentação e aprendizagens específicas para cada idade.

Quando um professor de Educação Infantil toma para si esta tarefa, ele favorece a construção de vínculos de uma forma saudável. Para a criança pequena é imprescindível que alguém a acolha, conforte, cuide, alimente e entenda as razões de seus protestos ou expressões de contentamento e satisfação.
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Para cada ambiente um cuidado especial

A observação e análise dos espaços e atividades desenvolvidas em centros deeducação infantil permitem a identificação de problemas e soluções para evitar disseminação das doenças mais freqüentes entre crianças e profissionais que convivem nesses ambientes

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Quando as famílias procuram um Centro de Educação Infantil (CEI), buscam um atendimento que colabore com a tarefa de educar e criar seus filhos em um ambiente protegido, saudável e, ao mesmo tempo, desafiante e enriquecedor. Em geral, as pessoas atribuem os problemas de saúde das crianças às condições climáticas, às brincadeiras na área externa em dias mais frios, às brincadeiras com água ou areia. É comum o desconhecimento de que os riscos à saúde podem ser decorrentes da organização do trabalho, da falta de procedimentos adequados na limpeza e desinfecção dos espaços, do descuido no preparo dos alimentos e das ações de cuidados, mesmo em instituições com aparência bonita, moderna e aparentemente limpa.

Assim, a tomada de consciência de todos sobre os determinantes do processo saúde-doença é o primeiro passo para construir modos de convívio saudáveis que resultem em qualidade de vida. É necessário um trabalho intenso de informação, estudo e reflexão sobre a forma como se organiza o trabalho nos Centros de Educação Infantil e sobre a responsabilidade de cada profissional na promoção de saúde das crianças e da equipe, para que sejam adotadas as precauções adequadas.
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Um ambiente seguro e saudável na Educação Infantil

Os espaços de educação infantil reúnem crianças de várias idades, provenientes de diferentes famílias, o que favorece a sociabilidade e a ampliação dos conhecimentos. Ao mesmo tempo, o contato cotidiano e prolongado de crianças em ambiente coletivo demanda alguns cuidados para preservar a segurança e a saúde de todos os envolvidos
Ilustrações: The Golden Dictionary

Ilustrações: The Golden Dictionary

Embora seja esperado que as crianças usuárias de creches e pré-escolas, na maior parte do tempo, sejam saudáveis, isto não impede que o risco potencial de transmissão de vírus, bactérias, fungos e parasitas exista, sobretudo porque as infecções que afetam essa faixa etária podem ser assintomáticas ou transmitidas ainda na fase de incubação, quando as manifestações clínicas não são evidentes.

As crianças menores de dois anos têm maior suscetibilidade às infecções, porque seu sistema imunológico está em desenvolvimento, além do que, pela característica do seu processo de desenvolvimento, levam as mãos e os objetos à boca com freqüência.

Para que o ambiente dos centros e escolas de Educação Infantil seja seguro, sob o ponto de vista sanitário, recomenda-se, a exemplo do que já ocorre em outros países, o emprego de precauções-padrão, cuidados que visam à segurança biológica de todos os envolvidos, independente da informação que se tenha sobre o estado de saúde das crianças, famílias e profissionais.
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Como receber bem a criança e sua família

A entrada de uma criança pequena em uma instituição de educação não é preocupação apenas do seu educador, mas responsabilidade de todos os envolvidos. É importante que seja fruto de uma interação planejada entre os dirigentes, os educadores, os funcionários de apoio, a família, tendo em vista acolher a criança da melhor forma possível. Esta é a proposta da equipe do Centro de Educação Infantil Isabel Ribeiro1

A criança, ao ingressar na escola e separar-se dos pais, vive um momento delicado, em que precisa aprender a ficar longe do convívio familiar e a relacionar-se com diferentes pessoas em um novo ambiente. Por isso, é fundamental que o Centro de Educação Infantil (CEI) que a acolhe esteja preparado para lidar com este momento, planejando suas ações de forma a contribuir para que a criança não se sinta só e abandonada, facilitando assim sua adaptação.

O trabalho de acolher bem a criança e sua família deve implicar toda a equipe da instituição de educação: diretor, coordenador, professores, funcionários da administração, cozinha e limpeza. É um período especial, em que a rotina e o espaço da instituição são modificados. A reflexão sobre o acolhimento de crianças pequenas que ingressam na vida escolar pode ser feita a partir de diferentes aspectos que dizem respeito aos “personagens” envolvidos nesse momento: podemos enfocá-lo mais sob o ponto de vista da criança que chega, de sua família, do professor, da instituição e das crianças que já estavam nela.
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