Três focos para começar

O Programa Além das Letras tem como objetivo específico apoiar as práticas de leitura e escrita nas séries iniciais do ensino fundamental. Para isto, definiu três conteúdos principais que são apresentados por módulos à escolha dos municípios integrantes da rede. Para apoiar o formador local foi elaborado um manual, do qual o programa socializa alguns trechos neste artigo

avisala_31_formacao3O objetivo final do Programa Além das Letras1 é contribuir para a formação de usuários competentes da língua escrita. Ensinar a ler e escrever – missão original e irrenunciável da escola – significa desenvolver práticas sociais que envolvam a escrita. Hoje em dia não é mais possível pensar na alfabetização somente como um processo de apropriação de um código. Os estudos sobre didática do ensino da língua afirmam que para aprender a ler e escrever são necessários dois processos:Continue lendo >

Redescobrir o lugar da leitura na escola

Um diagnóstico inicial sobre a situação de leitura nas escolas municipais levou a equipe técnica da Secretaria de Educação de Umuarama, no Paraná, a repensar a formação dos coordenadores pedagógicos
Mãe e filha encantadas com a leitura de um livro durante a inauguração da Biblioteca Gerdau

Mãe e filha encantadas com a leitura de um livro durante a inauguração da Biblioteca Gerdau

Com o apoio do Programa Além das Letras1, iniciamos em 2006 um projeto de formação de coordenadores pedagógicos para implantação de novas práticas de leitura nas escolas de Ensino Fundamental e de Educação Infantil. Elaboramos um diagnóstico da situação de leitura dos professores e dos alunos nas séries iniciais. Ficamos perplexas com os resultados descritos, pois pensávamos que, com os cursos e as formações anteriores, a importância da leitura para a inserção plena na cultura escrita estivesse internalizada. Mas que decepção: a leitura, na verdade, estava sendo realizada, na maioria das vezes, apenas como instrumento para o desenvolvimento da escrita e muito pouco com a finalidade de desenvolver práticas com propósitos explícitos como buscar informação, estudar ou, ainda, pelo prazer literário, como acontece fora da escola.Continue lendo >

Apoio à leitura pelo aluno

Visando ampliar as práticas pedagógicas que incentivam a leitura pela criança, formadoras de Boa Vista do Tupim, no interior da Bahia, atuam com os coordenadores pedagógicos das escolas da rede municipal e obtêm resultados no trabalho dos professores. Elas contam com apoio do Projeto Chapada e do Programa Além das Letras.
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Ilustrações Thais Linhares

Ao trabalhar as diferentes possibilidades de leitura desde as séries iniciais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, o professor, além de oferecer textos variados aos seus alunos, deve planejar situações em que as crianças possam ler por si mesmas, mesmo antes que elas saibam ler convencionalmente. Nessas situações, as crianças utilizam-se de estratégias de leituras quando formulam hipóteses sobre o que pode estar escrito, inferem o que não está escrito e antecipam o que encontrarão escrito mais adiante. As crianças pequenas podem apoiar-se em diferentes recursos, como nas imagens de um determinado texto, naquilo que já sabem sobre o seu conteúdo e, até mesmo, no reconhecimento de algumas palavras conhecidas.

É função do professor intervir de maneira que “as crianças consigam ler por si mesmas, que progridam no uso de estratégias efetivas, em suas possibilidades de compreender melhor aquilo que lêem”, como afirma Delia Lerner1. Ainda segundo essa autora, “a ajuda dada pelo professor consiste em propor estratégias das quais as crianças irão se apropriando progressivamente e que lhes serão úteis para abordar novos textos que apresentem certo grau de dificuldade. Além disso, nessas situações o professor incitará a cooperação entre os alunos, com o objetivo de que a confrontação de pontos de vista leve a uma melhor compreensão do texto2”.

No entanto, ainda são poucos os professores que compreendem e conhecem essas possibilidades pedagógicas. Portanto, uma formação tendo como conteúdo a gênese da leitura pelas crianças, o reconhecimento das estratégias que utilizam para ler e os tipos de intervenções que as fazem avançar contribuirá, sem dúvida, para uma alfabetização mais plena. Foi exatamente a que formadoras de Boa Vista do Tupim, participantes do Programa Além das Letras3, e também do Projeto Chapada4, se dedicaram no primeiro semestre de 2006.

Como ensinamos?
Todos os anos temos nas escolas de Ensino Fundamental muitas crianças que ainda não sabem ler convencionalmente. Dessas crianças, a maioria freqüenta a escola por dois, três ou mais anos, seguindo sem aprender a ler. Grande parte delas é proveniente de contextos sociais nos quais as práticas de leitura não são privilegiadas e, por isso, dependem unicamente da escola para ter acesso à cultura escrita e para tornarem-se plenas usuárias dela. Ora, se consideramos que todas as crianças são capazes de aprender – e efetivamente não têm aprendido –, precisamos refletir sobre a nossa maneira de ensinar. Uma vez que a minha atuação como formadora volta-se diretamente para os coordenadores pedagógicos, decidimos investir, nos encontros de formação, em conteúdos que apoiassem o trabalho destes profissionais com os professores.
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A função formadora dos coordenadores pedagógicos

Em geral, a trajetória de formação do coordenador pedagógico apresenta uma grande defasagem entre os conteúdos aprendidos e a demanda de trabalho relacionada à atuação junto aos professores. Neste artigo, a cidade de Itupiranga revela como está resolvendo a questão
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Produtos finais do Projeto Didático Contos de Fadas – Exposição realizada na Escola Serafina de Carvalho, Itupiranga – PA

A participação em processos de profissionalização, que responda às especificidades da função do coordenador pedagógico, tem se colocado como condição necessária para o desenvolvimento de uma prática de intervenção adequada aos processos de ensino e de aprendizagem realizados no interior da escola. A não existência de um preparo específico leva o coordenador a manter-se distante de seu verdadeiro objeto de trabalho: a formação continuada do professor. Não é de se espantar que, durante muito tempo, este profissional tenha se envolvido com questões burocráticas ou tenha atuado como uma espécie de supervisor controlador.
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Nenhum a menos*

Inclusão na escola e democratização do acesso à cultura letrada é, sem dúvida, uma das prioridades da educação em nosso país. No município de embu, são paulo, um esforço coletivo de professores e formadores garante a aprendizagem de todas as crianças, incluindo-as na cultura escrita

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O título deste artigo, inspirado na produção cinematográfica de mesmo nome, reflete o espírito do projeto educacional desenvolvido pelo município de Embu. No filme, uma jovem novata no ofício de lecionar, ao ter que substituir o professor titular numa escola de precárias condições, segue as orientações que recebeu de seu antecessor: “Quando eu voltar quero encontrar todos os alunos, não quero nenhum a menos”. O desafio lançado ajuda-a a perceber que é preciso empenhar-se para que os alunos não desistam de estudar, abandonando a escola.Continue lendo >

Capacitação continuada de professores é responsabilidade de toda a comunidade

Não basta preocupar-se apenas com a questão didática na qualificação de professores. É preciso conseguir apoio da sociedade civil, poder público e entidades privadas para garantir a permanência da ação nas redes públicas. Uma professora baiana transformou a idéia em projeto e conseguiu essa façanha

O Projeto Chapada, na Bahia, teve origem no Programa de Apoio e Auxílio ao Professor: Agentes de Educação (1997-1999), que contou com a parceria do Programa Crer para Ver – uma aliança da Natura Cosméticos com a Fundação Abrinq. O objetivo do Agentes de Educação era formar professores da zona rural do município de Palmeiras (BA). Seus bons resultados, a redução em 80% no índice de evasão escolar e de 70% no índice de repetência, levaram à ampliação da proposta para todos os municípios da 27ª Diretoria de Educação Regional (DIREC 27) do Estado da Bahia. Nos anos de 1999 e 2000, já com o nome de Projeto Chapada, essa ação envolveu gestores públicos das secretarias municipais de Educação e Cultura (Semecs) de 12 municípios baianos e a sociedade civil organizada (Ongs) dos locais onde foi implementado, tais como: Associação de Pais, Educadores e Agricultores de Caeté-açú (Palmeiras), Associação Rádio Comunitária Avante Lençóis, Associação Comunitária dos Produtores de Queixada (Iraquara), Grupo Ambientalista de Seabra, Associação dos Moradores e Produtores do Lagoão (Boninal), Grupo de Educação Alternativa de Piatã, Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Souto Soares, Casa do Menor de Jacobina, Associação Comunitária do Brejo Luiza de Brito (Novo Horizonte), Conselho Municipal de Assistência Social de Ibitiara, Associação Barbado de Mucugê e Associação Família Agrícola de Boa Vista do Tupim.Continue lendo >

Alto e em bom som – A importância da leitura em voz alta no processo inicial de alfabetização

Projeto de formação de coordenadoras pedagógicas, desenvolvido no sul do país, com consultoria do além das letras, contribui para que as professoras desenvolvam práticas diárias de leitura para seus alunos

São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, é um dos 20 municípios integrantes da Rede Além das Letras1 e vem desenvolvendo importante trabalho de formação de coordenadoras pedagógicas. O projeto visa implementar nas escolas práticas de leitura em voz alta pelo professor. Hoje sabe-se, por meio de pesquisas didáticas, a importância dessa atividade para uma alfabetização ampla. Realizado entre setembro e dezembro de 2004, a primeira fase do Projeto Formando Formadores envolveu coordenadoras pedagógicas, professoras e alunos da Educação Infantil e 1ª séries do Ensino Fundamental de São Miguel do Oeste. Apoiada por Beatriz Gouveia, uma das consultoras da Rede Além das Letras, a formadora do município de São Miguel do Oeste, Terezinha Bagatini, conduziu a formação das coordenadoras pedagógicas e relata aqui o desenvolvimento do projeto.

Passos iniciais
São Miguel do Oeste vinha desenvolvendo o Projeto de Formação Continuada de Professores Alfabetizadores baseado no PROFA2 do MEC, com resultados muito positivos para a alfabetização. Essa ação possibilitou que o município recebesse o Prêmio Além das Letras como destaque da região Sul. Em seminário em São Paulo, com os cinco municípios que foram destaques regionais, um novo desafio foi lançado às equipes técnicas. A proposta do Além das Letras foi dar ênfase à formação de formadores locais, ainda em caráter experimental, partindo de contextos3 que favorecem a alfabetização inicial. São Miguel optou pelo desenvolvimento do contexto de leitura em voz alta pelo professor para iniciar a formação de coordenadoras pedagógicas.Continue lendo >