Observar para conhecer e documentar

O poder do olhar informado por uma concepção de criança potente e capaz muda a forma de registrar e documentar as ações educativas

As creches municipais de Teixeira de Freitas (BA)1 reconhecem a importância da brincadeira na infância e contemplam em sua rotina atividades permanentes que envolvem essa linguagem: cantinhos de atividades diversificadas, atividades com água e misturas variadas, circuitos para incentivar diferentes tipos de movimentos e brincadeiras de faz de conta, o tão imprescindível jogo simbólico.

Nesse sentido, o desafio para a formação dos gestores em 2011 não era mais a implantação do brincar na rotina das creches, mas identificar pontos que precisavam de investimento e aprimoramento. Analisado o resultado do diagnóstico acerca do brincar, nós, formadoras locais do Programa Formar em Rede, constatamos que ainda existiam fragilidades quanto à qualidade da interação entre educadores e crianças, uma vez que o processo educativo ainda era muito centrado no adulto.Continue lendo >

O uso de materiais concretos e o ensino do sistema de numeração

Crianças da educação infantil aprendem um caminho para a convivência e o respeito às diferenças

calculo5011Nos últimos anos, as práticas de ensino de Matemática vêm sendo objeto de estudo e reflexão de muitos professores que têm se questionado sobre a qualidade das aprendizagens adquiridas e “sobre o quê” as dificuldades apresentadas pelos alunos indicam. Dentre os vários temas tratados nas discussões relacionadas a essa questão, talvez poucos sejam tão recorrentes como o uso dos materiais concretos como estratégia para o ensino do sistema de numeração decimal.

O uso de materiais decorre da crença de que é preciso tornar concreta a numeração escrita, materializando a agrupação de dezenas e centenas para levar à compreensão do valor posicional do número. Segundo Delia Lerner1, essa questão apresenta dois grandes inconvenientes:Continue lendo >

Como destacar os conteúdos da formação

Como o formador pode ajudar o supervisor pedagógico a selecionar os conteúdos que vai trabalhar com sua equipe de professores
Encontro de formação de supervisores (fotos: Jaquelline Andréa Marques)

Encontro de formação de supervisores (fotos: Jaquelline Andréa Marques)

O município de Nova Lima (MG) participa pelo terceiro ano consecutivo do Programa Além das Letras1, realizando a formação continuada dos supervisores pedagógicos da rede municipal de ensino que, por sua vez, atuam com os professores de suas escolas. A Secretaria Municipal de Educação, ao entender a importância da formação constante desses profissionais como principal estratégia para a conquista de uma educação de qualidade, criou o Núcleo de Formação Continuada. O objetivo é investir na formação dos supervisores (como formadores de professores) a fim de que se instituam nas unidades escolares espaços de formação permanente a partir da reflexão sistemática da prática.Continue lendo >

Supervisão pedagógica como estratégia formativa

Observação da prática durante atividades de leitura pelo professor permite que o formador identifique possibilidades de melhorias da atuação do coordenador pedagógico

avisala_39_forma1No programa Formar em Rede1, a supervisão pelo formador local nas unidades educativas é uma das ações de grande importância. Tem o objetivo de apoiar e instrumentalizar o desenvolvimento de projetos institucionais. Durante os dois anos de atuação no município de Caxias – MA, muitos obstáculos precisaram ser vencidos não só por nós, formadoras, como por todos os envolvidos. No percurso, entendemos que algumas estratégias são imprescindíveis para uma reflexão sistemática sobre a prática e, nesse caso, a supervisão pedagógica foi uma dessas que implementamos, embora com algumas dificuldades.Continue lendo >

Diálogos formativos

Ações formativas nos municípios do Programa Além das Letras são apoiadas a distância pelos consultores. Devolutivas, reuniões online, indicação de textos e vídeos alimentam o processo local a cada encontro de formação
Polyana Contarato

Polyana Contarato

Apoiar os planejamentos dos encontros de formação que se realizam nos municípios é uma das principais ações do programa Além das Letras1. O desafio é estabelecer ao mesmo tempo unidade de ação entre os diferentes municípios e possibilitar que as especificidades de cada grupo de profissionais sejam consideradas. Sem dúvida, o respeito ao pilar básico da metodologia que incentiva a reflexão sobre a prática pode auxiliar a possível contradição entre objetivos e metas do programa e a autonomia dos municípios. Mas abandonar uma prática tradicionalmente transmissiva para evitar o “democratismo” de só atender àquilo que cada professor manifesta como necessidade formativa é bastante difícil. Para uma ação formativa atrelada às questões de salas de aula que envolvam leitura e escrita, ponto central do programa Além das Letras, discussões sobre as estratégias de formação mais eficientes e sobre o papel do formador de coordenadores pedagógicos (CPs), e destes com os professores, são bastante relevantes.Continue lendo >

Observação como instrumento de trabalho

Quando a coordenação pedagógica analisa a prática do professor contribui com a aprendizagem dos alunos
Fauna local

Fauna local

A observação é um valioso recurso para a coordenação pedagógica1 e, a cada dia, ganha mais espaço quando se enxerga a escola como locus de formação continuada2. É com esse objetivo que este texto foi organizado. Sua função é expor as diferentes maneiras de análise do ofício docente com vistas a contribuir para a sua prática, além de exibir outros instrumentos disponíveis para o coordenador que, no caso, faz o papel de formador.Continue lendo >

A escrita e a prática pedagógica

Síntese é uma forma de registro profissional que auxilia a organização, a continuidade e a reflexão sobre os processos de formação

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Neste artigo, a idéia é discutir a importância da elaboração de síntese de uma reunião profissional e verificar seu impacto na formação presencial ou a distância. Esse tipo de registro tem por objetivo organizar as discussões realizadas durante um encontro, cujas reflexões feitas, se não registradas de alguma maneira, podem se perder em vez de virar material de apoio ao aprimoramento de trabalho. Segundo o professor Miguel Zabalza1, há vários tipos de registro: descritivos, analíticos, avaliativos, reflexivos. No entanto, todos devem contemplar três dimensões, imprescindíveis quando se pretende ter um material de qualidade: o pensamento, a ação e o sentimento. Isso implica integrar aspectos descritivos e reflexivos de modo a atribuir ao texto escrito uma natureza histórica e longitudinal, que retrate a continuidade do processo formativo.Continue lendo >

Um projeto aliado ao brincar

Nas unidades educacionais o brincar organiza o ambiente, a rotina e traz à tona o papel do professor
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Fotos: Arquivo Sme de São Bernardo do Campo

No município de São Bernardo do Campo, em São Paulo, um dos 30 participantes da primeira edição do Programa Formar em Rede1, percebeu-se, após a realização de uma avaliação inicial sobre o brincar em suas creches conveniadas, a necessidade de ampliação dos olhares dos educadores em relação ao espaço destinado às brincadeiras. O diagnóstico revelou, ainda, a necessidade de se investir na proposição de momentos de brincadeiras e suas intervenções, direta ou indiretamente. Essa tarefa colocou o profissional em um contexto de aprendizagem real no qual ele aprende fazendo, errando, acertando, tomando decisões. Desta forma, a resolução de problemas, um dos princípios da formação de educadores, foi contemplado diretamente.
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Planejar para ler melhor

A leitura em voz alta pelo professor pode ser muito proveitosa para as crianças, mas, para tanto, é necessária a escolha prévia do texto a ser lido e o preparo cuidadoso da atividade
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Imagens retiradas dos livros de Ricardo Azevedo

Nosso encontro aconteceu na Escola Alto do Maracanã1, pois sua coordenadora, que faz parte do Programa Além das Letras, organizou, em parceria com as professoras, uma sala temática para a leitura de contos de Ricardo Azevedo2. Consideramos que seria uma ótima oportunidade para reflexão e aprendizado sobre o que vínhamos discutindo até então. Combinamos com as outras coordenadoras pedagógicas (CPs), que gostaram muito da idéia, e fomos à inauguração da sala temática. A sala para leitura recentemente organizada pela escola (ainda não há biblioteca) estava muito bem decorada, com os elementos do conto “A tartaruga e a fruta amarela3”, lembrando um agradável ambiente de floresta. Sobre o chão, onde cada turma que chegava se sentava para ouvir a leitura da história, por sua professora, havia muitas folhas espalhadas, compondo a atmosfera. Nas paredes, os personagens e também um cartaz com uma foto ampliada do autor, com um breve resumo sobre a sua vida, destacando sua competência de escritor e ilustrador.
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Formando alunos escritores

Formadoras relatam sua prática junto aos supervisores para desenvolver a competência de produção textual pelos alunos. Também em formação, elas próprias têm a chance de refletir e rever suas propostas
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Fotos: Assecom

No município mato-grossense de Sinop, a formação continuada das supervisoras e professores1 é desenvolvida por meio do projeto “Formando Formadores para Desenvolver a Competência na Produção Textual”, que tem o apoio do Programa Além das Letras2. Já no terceiro encontro, em junho deste ano, desenvolvemos uma proposta com atividades práticas e bastante reflexivas. Desde o início, esta reunião foi um pouco diferente das duas outras formações, pois a leitura realizada pelo formador no encontro anterior teve continuidade neste. As supervisoras estavam ansiosas para saber o final da história, e três delas confessaram não ter segurado a curiosidade e entraram na internet para descobrir o desfecho da crônica “Os Noivos”, de Nelson Rodrigues.Continue lendo >