Lendo para conhecer um autor

Rodas de leitura aproximam alunos dos traços característicos de um dos maiores escritores da literatura infantil inglesa contemporânea

Há algum tempo as rodas de leitura vêm fazendo parte da rotina de muitos professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Realizadas quase sempre no início do dia, nelas os alunos apreciam diferentes tipos de textos e compartilham suas impressões acerca das obras lidas em voz alta pelo professor ou pelos próprios colegas que retiram regularmente títulos do acervo escolar para apreciá-los em casa.

Um dos grandes desafios encontrados na prática dessa atividade é o de construir e aprofundar sentidos em torno das leituras comuns, criando um espaço sistemático de convivência e de relacionamento entre leitores e livros por meio da mediação de um leitor mais experiente. Além disso, esse trabalho possibilita a experiência do compartilhar, comparando a leitura individual com aquela realizada coletivamente.

No Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação Dra. Zilda Arns (Cecape), em São Caetano do Sul (SP), as professoras participam de várias atividades formativas. Continue lendo >

O espaço e a leitura

A organização de um lugar especial colabora para a relação dos pequenos leitores com os livros
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Crianças de Araraquara (SP) exploram e aprendem a manusear os livros (fotos: Eliana Chalmers Sisla)

Todos guardamos relações valiosas com muitos espaços que frequentamos ao longo da vida. Muitos ambientes permanecem vivos dentro de nós, despertando sentimentos e sensações com suas sombras ou luzes, seus cheiros, sua imensidão ou pequenas dimensões. Quem é que não se lembra dos longos corredores da escola, do pátio, de algumas salas de aula, ou de cantinhos que viraram casas, cabanas, esconderijos? Além de nos relacionarmos de afetivamente com alguns espaços que se tornam parte de nossa história, somos apresentados ao mundo também por meio dos ambientes em que vivemos. Pense, por exemplo, numa criança que aprende a engatinhar e a ficar em pé. Ela saberá muito sobre equilíbrio, força e apoio a partir de suas experiências com o espaço e seus móveis. Uma criança que entra na escola obterá muito rapidamente informações sobre o que vai ocorrer lá dentro, a partir da disposição das mesas, ou carteiras, da lousa, se há ou não acesso a livros, a brinquedos e a materiais.

Todo ambiente é carregado de intencionalidade. A maneira como o organizamos reflete o que queremos que aconteça ali e que relações permitimos que o usuário estabeleça com o lugar. Continue lendo >

A prática de registrar com crianças de 1 a 3 anos

Um diário de sala compartilhado com as criancas e suas famílias guarda a memória do grupo e revela a própria identidade
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Produção feita com a participação dos pais

Registrar faz parte do projeto pedagógico da Grão de Chão1, escola em que trabalho. Cada grupo tem seu diário de sala e nele são registrados os acontecimentos mais significativos vivenciados pelas crianças, tais como uma brincadeira muito divertida, eventos realizados na escola, algumas atividades feitas com outros grupos, as receitas elaboradas, as curiosidades ou descobertas, os aniversários, entre outros. Há espaço também para os registros mais individuais, importantes para uma ou mais crianças, como o nascimento de um irmão, por exemplo. Sou professora de crianças de 1 a 3 anos (G1/G2), e é comum os pais lamentarem o fato de os filhos, pela oralidade pouco desenvolvida, quase não contarem em casa o que fazem na escola. Percebi que pelo diário de sala seria possível compartilhar com eles as vivências de seus filhos e do grupo a que eles pertencem, bem como favorecer a construção da identidade de cada um e a percepção do outro, alimentando o sentimento de pertencimento ao grupo.Continue lendo >

Livros e brinquedos com muito significado

Trabalho com obras literárias permite que crianças pequenas construam conhecimentos sobre si e o entorno e façam parte do mundo contemporâneo
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Hellen Jessica C. Souza, E.M. Cecília Meireles, Juiz de Fora, MG

O filósofo e historiador holandês Johan Huizinga1 nos propõe o interessante conceito de homo ludens para pensarmos naquela propriedade que caracteriza tão bem a espécie humana e sua capacidade de tornar lúdicas as relações imediatamente perceptíveis. Para além do homo sapiens, para quem a inteligência outorgava-lhe o status de ser superior aos demais, e do homo faber, para quem o trabalho operava de modo dialético como um instrumento humanizante, para Huizinga será o conceito de homo ludens o que melhor definirá nossas capacidades humanizantes e humanizadoras.

O ludens refere-se àquilo que em nós brinca, cria sentidos, opera magias e encantamentos e, para isso, não há faixa etária específica. O ludens refere-se, pois, à capacidade de interpretar e de criar realidades. Estas últimas regidas não mais pela lógica da causalidade e da funcionalidade, mas, se preferirmos, pela lógica do absurdo, da imaginação, da representação. Uma lógica ludens opera com as mais diversas relações inúteis à vida cotidiana, o que significa afirmar que não há lógica nem serventia aparente e que são exatamente tais características que definem sua magia.
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Brincar na quietude

Brinquedos e brincadeiras que envolvem elementos da natureza revelam a imaginação e a criatividade das crianças
Foto: Anne Vidal e João Correia Filho, Exposição Sesc Pinheiros, São Paulo –SP, 2006

Foto: Anne Vidal e João Correia Filho, Exposição Sesc Pinheiros, São Paulo –SP, 2006

Olhar as nuvens no céu e imaginar bichos… Qual é o menino ou menina que tem tempo para fazer isso atualmente? As crianças, principalmente as que vivem em áreas urbanas, têm a agenda lotada de compromissos. “Os adultos inventam uma rotina maluca de serviços terceirizados com aula até para aprender a brincar com os avós”, desabafa a professora Selma Maria Kuasne1, que estuda a Cultura da Infância. “Criança é feita para inventar o mundo, como diz o poeta Manoel de Barros2, e não para aprisionar energia ficando inquieta numa cadeira.” O brincar é a atividade principal das crianças. É durante as atividades lúdicas que elas descobrem como o mundo funciona. Muitos pesquisadores têm se dedicado ao assunto e descoberto coisas valiosas. No caso de Selma, ela aborda as maneiras de brincar de quem mora distante de centros urbanos. Em 2003, por conta de sua pesquisa, ela viajou pelo interior do Brasil, especialmente pelo sertão de Minas Gerais, onde o escritor Guimarães Rosa (1908-1967) nasceu e cresceu e tão belamente descreveu em sua obra.
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Portfólios bem aproveitados

Não só para guardar as produções infantis mas, principalmente, esse instrumento auxilia na avaliação formativa das crianças e dos professores
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foto: Denise Tonello

Havia uma inquietação que eu e minha equipe de professores tínhamos ao fim de cada trimestre quando precisávamos formalizar a avaliação das turmas de Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental. Já havíamos incorporado o registro e as reflexões contínuas dos educadores aos registros diários. As professoras anotavam as inúmeras atividades desenvolvidas e refletiam sobre a própria atuação, sobre o desenvolvimento dos pequenos e sobre as intervenções necessárias para que todos avançassem. Nesse grupo, compreendíamos a aprendizagem como construção do conhecimento que depende do desenvolvimento em processo dos saberes pedagógicos e das relações afetivas e, por isso, fazíamos uma avaliação contínua e formativa dos avanços de cada criança e também de suas dificuldades.
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Prazer de fazer em casa

Atividades lúdicas feitas por crianças em seus lares permitem que os pequenos aprendam a estudar de maneira autônoma e responsável

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As atividades enviadas para casa pelas escolas de Educação Infantil da rede municipal de ensino de São José dos Campos (SP) vão além das tarefas. Elas constituem um conjunto de ações que as instituições desenvolvem há tempos, como empréstimos de livros, pastas de socialização de projetos e trabalho com leitura de textos memorizados (caderno de leitura). No entanto, há dois anos, iniciamos um trabalho, em parceria com as famílias, com o objetivo de significar essas atividades. Para ampliar o envolvimento dos pais com a aprendizagem dos filhos, buscamos melhorar a compreensão deles em relação à proposta pedagógica estendendo as ações para além das reuniões, de palestras e conversas.Continue lendo >

Formatura na Educação Infantil?

As comemorações dos rituais de passagem nas etapas da vida da criança devem ser significativas e adequadas à cada faixa etária

avisala_39_jeitos4“Olá! Por favor, me ajudem. Preciso de textos para formatura de Educação Infantil. Onde posso encontrá-los? Texto de abertura, orador, juramento etc. Ou que falem sobre crianças de um modo bonito e carinhoso…” “Preciso de mensagens de agradecimento para uma formatura de Educação Infantil. Mensagem de agradecimento feita pelas crianças e feita pela professora. Se alguém tiver uma ideia, um texto pronto…”

As mensagens acima foram encontradas na internet. Elas nos fazem pensar, pois temos visto muito investimento na cerimônia de formatura dos pequenos. Beca, diploma, discursos (mensagens prontas!), além, é claro, do empreendimento financeiro, muitas vezes, bem alto. Muitas escolas festejam a saída das crianças pequenas da escola ou da creche com cópias de eventos de formatura de adultos. A tradição dos importantes rituais de passagem tem perdido o a escola. Afinal, estes primeiros anos de escolaridade foram momentos de descobertas significativas e de convívio intenso. É necessário também deixar registros ou “marcas” para que as crianças
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A constituição de si mesmo e dos objetos

A permanência dos objetos – construção fundamental das crianças em seu primeiro ano de vida – pode estar na origem da arte e da ciência
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Fotos: Pedro Caetano

Olhar, segurar, sugar, são algumas das ações dos recém-nascidos sobre os objetos a sua volta. Estes objetos são assimilados ao eu do bebê, como prolongamento de suas ações, sem que ele tenha ainda consciência nem da realidade, nem de si próprio. Mas os esquemas, como de preensão, por exemplo, vão se diferenciando e organizando em função das experiências que a criança realiza com os outros seres ou objetos que compõem parte da realidade em que ela vive. Em torno de um ano de idade, com a possibilidade de se deslocar — seja engatinhando ou andando – meninos e meninas assimilam os objetos ao próprio eu e, ao mesmo tempo, acomodam-se a leis causais que favorecem sua localização no espaço e no tempo. Crianças muito jovens adoram brincar de esconde-esconde! A cada vez descobrem novas relações entre as coisas do mundo e elas próprias.
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Coisas do cotidiano e a criação artística

Além de trabalhar áreas do conhecimento, projeto sobre obras de artista brasileiro estimula os pequenos para que deixem suas marcas na escola
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Piston. Calendário Burti 2003 – Bispo do Rosário (foto: Fernando Chaves)

Como é costume na Escola Tipuana, em São Paulo – SP, homenageamos diversos artistas em nossa exposição anual de Artes. Em 2008, trabalhamos com obras de Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), artista brasileiro contemporâneo que explorava em suas obras objetos do cotidiano, reinventados com sucatas e sobras de materiais, que resultavam em miniaturas, assemblages1, bordados, mantos e estandartes (leia mais sobre ele em texto abaixo).Continue lendo >