Observação como instrumento de trabalho

Quando a coordenação pedagógica analisa a prática do professor contribui com a aprendizagem dos alunos
Fauna local

Fauna local

A observação é um valioso recurso para a coordenação pedagógica1 e, a cada dia, ganha mais espaço quando se enxerga a escola como locus de formação continuada2. É com esse objetivo que este texto foi organizado. Sua função é expor as diferentes maneiras de análise do ofício docente com vistas a contribuir para a sua prática, além de exibir outros instrumentos disponíveis para o coordenador que, no caso, faz o papel de formador.Continue lendo >

Mala da diversidade

Com histórias e bonecos que representam diferentes etnias, é possível trabalhar a questão racial com crianças de creche e de pré-escola
Toda segunda-feira um sorteio decide quem vai levar a mala para casa

Toda segunda-feira um sorteio decide quem vai levar a mala para casa

Mala cheia de bonecos e cada um representando uma criança do grupo. Esse foi o nosso ponto de partida para despertar nas turmas a valorização da autoestima, sentimentos de respeito ao outro, às diferenças e à autoaceitação. Com esse projeto, a Creche Heitor Villa-Lobos, em Santo André – SP, foi uma das vencedoras do 4º Prêmio Educar para a Igualdade Racial, promovido pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT). A instituição estava entre as quatro finalistas do estado de São Paulo e concorreu com o projeto Mala da diversidade – a viagem em busca de nossas raízes.Continue lendo >

Pensar e representar

A representação de uma vitória-régia impulsiona trabalhos que envolvem o raciocínio matemático, artes e muita interação entre crianças de pré-escola

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No fim do primeiro semestre de 2006, ao sairmos de férias, eu e a professora auxiliar Rebeca Schneider Mesquita já sabíamos que no reinício das aulas entraríamos em contato com a comunidade de Portel1, da Amazônia, para trocar informações sobre os modos de vida e aspectos da natureza. Assim, pensamos em desenvolver com o grupo 5 (crianças entre 4 e 5 anos), da Escola Vera Cruz, em São Paulo – SP, uma proposta que proporcionasse troca de experiências e permitisse o contato com outras culturas do País. Nesse contexto, e diante do intercâmbio cultural que iríamos desenvolver, aproveitei o momento para contar em sala as lendas amazônicas. Entre elas, estava a da vitória-régia. A partir da narrativa, todos ficaram muito interessados em conhecer a flor que era mencionada no texto. Começamos, assim, a coletar informações a respeito da região. Em uma das pesquisas, ficamos sabendo sobre o tamanho da folha e mais curiosidades, como o fato de ela medir até 2 metros de diâmetro e suportar o peso de uma pessoa. Em uma das fotos selecionadas pelas crianças na internet, vê-se a planta com sua flor e um bebê sentado sobre ela.
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Discurso escrito refinado

A reescrita de contos tradicionais amplia o repertório linguístico de crianças de educação infantil
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Desenhos feitos pelas crianças da Escola Global Me Bilingual School, de São Paulo – SP

Colocar as crianças de pré-escola em contato com diferentes gêneros textuais e desenvolver nelas o gosto pela leitura são tarefas da instituição escolar. As narrativas, tradicionalmente, sempre tiveram espaço marcado na Educação Infantil. Por proporcionarem momentos prazerosos ao serem lidas pelos professores, favorecem o envolvimento e a aproximação de todos com a linguagem escrita. Para a professora de linguística da Uni versi dade de Barcelona, Liliana Tolchinsky Landsmann, “quando começam a frequentar a escola, meninos e meninas já desenvolveram esquemas que lhes per mitem compreender e produzir histórias que influem na memorização dos acontecimentos relatados e na complementação que fazem de relatos. Vários autores chegam a afirmar que a organização narrativa é a metáfora orientadora pela qual os fenômenos podem ser compreendidos em quase todas as idades e culturas”.Continue lendo >

Zoom e clic!

O uso da imagem para analisar, refletir e observar o trabalho pedagógico1.

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Muito já se falou sobre a importância do registro para educadores. A primeira forma é a própria memória. Da infinidade de cenas, visões e acontecimentos diários, registramos apenas os que são selecionados inconscientemente em função de diversos filtros: os conhecimentos anteriores, a história de vida, os interesses pessoais, os desejos, os medos e demais associações.

Na profissão docente, a memória tem papel fundamental para o professor, pois é parcialmente responsável pela constituição de suas histórias pessoal e profissional, compreensão e apropriação dos conhecimentos relacionados à carreira, bem como pela construção de novas experiências. No entanto, por si só, ela não é suficiente para o trabalho reflexivo, pois só registra aquilo que pode reconhecer ou o que está acostumada a enxergar, aquilo que tem significado ou que já passou por uma filtragem familiar à própria experiência, aos esquemas assimilativos. Sendo assim, qual é o espaço para a novidade? Quando e como podemos utilizar nossos registros como meios não apenas para acomodar as observações, para preservar a memória do que já sabemos, mas sim para aprender a ver o novo?
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Mural de marcas

Elaborar com os pequenos um espaço com fotos e outros elementos relacionados a eles contribui para a construção da identidade
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Fotos: arquivo da Escola Criarte – SP/SP

O início da vida escolar marca um período de transição para qualquer criança, pois ela passa a conviver num segundo ambiente socializador. O primeiro é a sua casa. Esse processo de introdução à escola é gradual. As primeiras experiências são usualmente chamadas de adaptação, um tempo que varia de acordo com cada uma e que estabelece os primeiros vínculos dentro da instituição. Todo processo educativo envolve, de alguma maneira, aspectos emocionais. Na Educação Infantil, eles são intensos, pois desempenham papel fundamental no desenvolvimento infantil. A emoção age no nível da segurança, e essa estrutura possibilita prazer e bem-estar. A escola propicia a relação com o conhecimento e isso só acontece de maneira eficiente quando há confiança e estímulo.Continue lendo >

Elementos da natureza e a produção em arte

Pesquisa e coleta de folhas, sementes, galhos e cascas de árvore despertam nas crianças o senso estético e possibilitam um trabalho com formas, linhas e texturas
Pintura da folha da palmeira e extração de tinta de beterraba

Pintura da folha da palmeira e extração de tinta de beterraba

Todos os anos, realizamos na Escola Tipuana, em São Paulo – SP, uma exposição de artes na festa da primavera, homenageando a Tipuana, árvore que dá nome à instituição e que floresce nessa época do ano. Unindo a beleza da estação com o nosso olhar artístico, realizamos, em 2008, um trabalho que favoreceu o diálogo das crianças com alguns artistas contemporâneos brasileiros. Luiz Sôlha, Arthur Luiz Piza, Beatriz Milhazes, Vick Muniz, Artur Bispo do Rosário, Carlos Vergara e Frans Krajcberg foram os escolhidos. Suas obras contribuíram para despertar e aguçar nos pequenos o olhar sensível e indagador, bem como o senso estético por meio da exploração de cores, formas, linhas e texturas. Além disso, esses fazeres artísticos alimentaram e possibilitaram estabelecer relações com os projetos de sala do semestre.Continue lendo >

Acalentar e acalantos

Quem canta para um bebê dormir primeiro se acalma com a toada e, assim, transmite tranqüilidade para o pequeno que está sendo embalado
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Sempre Juntas, Sandra Guinle

Costumamos dizer com relação a certas coisas que elas são tão antigas quanto o homem. Outras vezes, sobre essas, ou outras coisas, afirmamos que são tão naturais como o andar para frente. Ambas as afirmações integram nosso repertório corriqueiro. À sua maneira, dizem algo da verdade, como também a mascaram. Desconheço se existe uma história sobre os acalantos, assim como temos uma cronologia sobre a vestimenta ou os modos à mesa. No entanto, não duvido de que as cantigas de ninar sejam tão velhas quanto o homem, bem como tão naturais quanto andarmos para frente. Arrisco-me nesta afirmação: o fato de um adulto embalar um bebê é inerente àquilo que chamamos humanidade. Acalentar não é dedicadamente apreendido como, por exemplo, a escrita na escola, embora o ser humano seja o único animal capaz de fazer isso e, portanto, em certo sentido, o escrever também entranhe algo de nossa sempre frágil existência.

Afirmar que cantarmos para adormecer o outro seja tão velho quanto o ser humano e tão natural quanto o caminhar não significa, no entanto, que seja dado de graça, que essa prática caia do céu ou, em outras palavras, que o adulto – a imensa maioria das vezes a mãe, mas não excludentemente –, que cantarola no escuro tentando fazer adormecer o pequeno, não esteja implicado nesse ato. Em suma, todos fazem o possível quando colocam seus esforços no acalento, assim como tudo aquilo que é decididamente humano bem pode, também, em dado momento, desmanchar-se no ar. Os animais não cantam para seus filhotes. Não apenas porque os animais não falam – mesmo que às vezes isso possa nos parecer, como no caso dos papagaios –, senão também porque os filhotes não são seus filhos, ou seja, seus filhotes.

Nós embalamos nossas crianças porque são nossas ou, caso não o sejam, porque bem poderiam sê-lo. O acalentar e o filiar são duas caras de uma mesma moeda. No entanto, o acalentar e o familiar são verso e reverso de uma mesma realidade. Os bichos não fazem suas crias adormecerem com músicas, pois não têm família, mesmo que possam andar em bandos na natureza. Também é possível pensar que, por exemplo, os gorilas não tenham família porque não podem, de direito e de fato, recitar canções ao anoitecer.Continue lendo >