Viver a arte, uma experiência transformadora

Rosa Iavelberg1 é arte-educadora e professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e também coordena o setor educativo do Centro Universitário Maria Antônia. Sua longa e importante trajetória na arte-educação faz dela uma referência nacional. Nesta entrevista ela retoma o sentido da arte na educação infantil e as novas demandas para a formação do professor

avisa lá: Que experiências em artes visuais são fundamentais na educação infantil?

Rosa: Em Educação Infantil, o mais importante, o básico, é a criança ter espaço para viver a arte na escola. Ter oportunidade de fazer, criar, explorar materiais, poder se expressar. Ter garantido um momento, dentro das atividades que a escola programa, em que pode escolher, a partir de uma gama de ofertas, o que vai trabalhar e o que quer fazer. Pode parecer muito simples, mas é complexo e é a base de tudo.

No plano da criação e do trabalho do artista adulto há uma intenção, um método que organiza a sua ação e que resulta na criação de um produto. No caso da criança, a escola é que vai organizar o espaço dessa ação e auxiliar para que ela ocorra da maneira mais informada para a criança, próxima às práticas sociais.

O que a escola e o professor devem prover para que a criança expresse seu poder criativo?
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Cestinhas Surpresa

Cestinhas Surpresa

Regularidade e diversidade: componentes fundamentais no planejamento de atividades para bebês

Professora e crianças em interação (Foto: Rosemeire Rodrigues)


Em um um berçário as crianças devem explorar com segurança o mundo que as cerca, interagir com adultos e entre elas, brincar, transformar, aprender a se comunicar, ir conquistando maior independência. A diversidade de experiências amplia as possibilidades de um desenvolvimento pleno e da participação ativa nos desafios que o dia-a-dia impõe.

Foi nesta perspectiva que iniciei um trabalho com crianças das creches Papa João XXIII e Dom José Gaspar, ambas integrantes do Programa Capacitar Educadores, de São Paulo1. Meu trabalho consistia em uma intervenção de duas horas com as crianças, seguidas de uma hora de discussão com as professoras, que observavam atentamente minha prática.
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Um baú de histórias para ler e contar

Saber ler e contar histórias para crianças pequenas é muito importante, tanto pelas questões afetivas que envolve como pela aproximação das crianças com o mundo da escrita. Mas essa é uma competência que precisa ser desenvolvida, como conta a professora Kátia.


A vida da gente muitas vezes dá uma história. É como se abríssemos um baú e descobríssemos dentro dele algo que não imaginávamos pudesse existir.

Assim é a minha vida. Não me lembro de ter lido um livro de contos nos meus primeiros anos na escola, não sentia prazer na leitura, achava cansativa, só tinha meus livros escolares e seu conteúdo não me atraía.

Eu sabia apenas que precisava passar de ano. Não tive o privilégio de encontrar alguém que despertasse em mim o prazer pela leitura, que me fizesse sonhar, imaginar, viver esse momento maravilhoso no mundo das histórias. Só aos 11 anos li meu primeiro livro de história. Antes disso não me lembro de nenhuma situação relacionada a histórias com meus pais, professores e nem de ter ao menos segurado um livro de contos infantis.

Foi aos 11 anos que sonhei, pela primeira vez, diante de um livro. Quem diria que um dever de casa me traria tanta emoção, suspense, prenderia minha atenção, me fazendo mergulhar num mundo cheio de fantasias que fez até rolar dos meus olhos algumas lágrimas.

“A Borboleta Atíria”, Continue lendo >

O que o jornal de hoje nos traz?

O que o jornal de hoje nos traz?

Viver em um ambiente onde ler é parte do cotidiano das pessoas, faz toda a diferença no processo de alfabetização. A leitura de jornais, hábito em nosso país de algumas famílias apenas, pode fazer parte do dia-a-dia da educação infantil (e não apenas de outros níveis de ensino)


Quem acredita que ler e escrever não é mera questão de conhecer letras, sílabas e seus respectivos sons, mas sim um processo muito mais amplo e complexo, costuma eleger o trabalho com textos para aproximar as crianças do universo da escrita. E, nesse caso,muitos educadores têm dúvidas sobre que textos podem ser usados e quais são os mais adequados às diferentes faixas etárias.
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A Música da Criança

Importa, prioritariamente, a criança, o sujeito da experiência, e não a música em si. A educação musical não deve visar à formação de possíveis músicos do amanhã, mas sim à formação integral das crianças de hoje

Ilustração extraída do livro Música na Educação Infantil – Teca Alencar de Brito

Isso é o que diz Teca Alencar de Brito, professora de música, consultora da área e pianista de formação. Curiosa ouvinte das crianças e investigadora de práticas do ensino de música, Teca efende o direito fundamental da criança apreciar, pensar e produzir sua própria música. Ela critica a falta de reconhecimento e valorização da produção musical infantil.

Nas artes plásticas, por exemplo, a produção das crianças é muito mais respeitada. As pessoas, de um modo geral, tendem a reconhecer o valor de uma garatuja. Um papel com manchas de cores tem um valor estético.

Considera-se interessante como a criança misturou cores e as texturas resultantes. O que ela fez é valorizado, há também uma preocupação com a existência ou não de intenção em suas produções. Mas esse reconhecimento não acontece com a música produzida pela criança.
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Contextos de alfabetização na Era Tecnologica

Gostando ou não, isto é fato: não se alfabetiza mais crianças como antigamente. Em tempo de avanços tecnológicos e diante das pesquisas sobre a didática da alfabetização, faz-se necessário pensar novos contextos para se ensinar a ler e a escrever


Trabalhei com muitos grupos de educadores. E nenhum ou apenas um dos integrantes sabia realizar operações muito simples com aparelhos e recursos audiovisuais, e raras foram as situações em que esses recursos eram de boa qualidade e funcionavam.

Costumava brincar dizendo que, definitivamente, educação e tecnologia não andam juntas. É uma brincadeira, mas junto com o riso vem o triste reconhecimento de quanto nós, da educação, estamos desinformados e distantes dos recursos tecnológicos existentes no mundo em que vivemos.
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Quantas intenções cabem em um projeto

Uma mesma idéia pode gerar projetos didáticos com diferentes focos e aprendizagens. Confira como e por quê.


A prática de projetos na escola é objeto de muitas discussões entre educadores, nos dias de hoje. Mas é preciso reconhecer a idéia não é nova. Foi Dewey, em 1896, quem primeiro pôs à prova os projetos, na escola experimental de Chicago. De lá em diante, muitos outros educadores vêm pesquisando, ampliando esta prática e defendendo-a por diferentes motivos, alimentando o debate sobre o assunto (veja texto abaixo, no fim da matéria).
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Mil e Uma Noites – uma aventura de faz de conta

Quando era professora, desenvolvi um projeto que procurava integrar o estudo sobre diferentes povos e o faz-de-conta da criança. Hoje, distanciada dessa experiência, aproveito este espaço para avaliar e refletir a respeito da relação lúdica que as crianças estabelecem com o conhecimento, procurando mostrar, por meio de minha experiência, como é possível alimentar suas brincadeiras e ao mesmo tempo apresentar a elas uma outra cultura

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Apresentando a cultura e o mundo – O dia-a-dia da criança dos 2 aos 3 anos

O que trazemos nas próximas páginas é um registro interessante e emocionado de um trabalho comprometido com a necessidade de apresentar o mundo e a cultura para as crianças pequenas. Nele se percebe como esses conhecimentos são alimentos poderosos para a inteligência e a imaginação dos pequenos.Veja o que é possível fazer com esta faixa etária nas delicadas palavras de uma professora

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