“Era uma vez” para crianças pequenas

Desde os primeiros meses de vida, as histórias podem fazer parte da vida infantil. Ao ler ou contar histórias para bebês e crianças pequenas, os professores abrem caminhos para uma interação surpreendente com o mundo da leitura e da escrita

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Leitura de histórias no berçário


Cada vez que um adulto lê para uma criança pequena, é como fazer um convite para que ela ingresse no universo mágico da linguagem. Uma experiência que apresenta personagens divertidos, leva a lugares curiosos, oferece novos conhecimentos e permite inventar outras “realidades”. O encantamento provocado pela narrativa e pela relação que o contador ou leitor cria com a criança favorece o interesse e a participação dela nessas situações.

Podemos considerar o contar e o ler histórias momentos privilegiados de interação das crianças com a linguagem. Neles, um parceiro mais experiente lingüisticamente utiliza as histórias – um tipo de narrativa que facilita a aproximação e o fortalecimento dos vínculos afetivos – para estabelecer uma situação comunicativa com a turma.  As crianças aprendem a partir de sua interação com o meio material e social. E, no caso da aprendizagem da língua falada e escrita, não é diferente: as crianças aprendem por meio dos intercâmbios sociais gerados nas diversas situações comunicativas, com diferentes parceiros.
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E depois de ler, fazer o quê?

Trocar idéias, confrontar opiniões, conversar com as crianças… Parece simples, mas muitos professores ainda têm dúvidas do que fazer depois da leitura de histórias.
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Cerimônia para Oxalufã Artista: Carybé

Aleitura de histórias em sala de aula tem sido uma atividade permanente na Educação Infantil, mas com resultados nem sempre satisfatórios e produtivos, tanto para os educadores como para as crianças. Ainda dominam encaminhamentos que objetivam fixar o texto ou verificar sua compreensão – a conhecida interpretação de texto, herança de uma visão da leitura como passível de apenas uma interpretação.

De modo geral, esta orientação tem sido aceita quase como a seqüência natural da atividade de leitura. Os professores, pela dificuldade de acesso a novos conhecimentos ou pela escassa intimidade com o ato de ler, ou mesmo pela falta de orientações e oportunidades para construir significados sobre a leitura, acabam fazendo deste encaminhamento uma prática automatizada, sem nenhuma reflexão.

O que fazer então? Continue lendo >

Traga notícias do mundo

“Quando você voltar traz mais notícias do mundo?” Assim uma criança de 5 anos de pré-escola despede-se do formador1, desejando que ao retornar traga novos aprendizados na bagagem: livros, vídeos, imagens e jogos, que sempre carrega consigo. Este artigo trata do desejo de conhecer o mundo que as crianças pequenas possuem e de como seus professores podem contribuir para concretizá- lo
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Tabuleiros de jogos feitos por crianças da rede pública de Cajamar

Esse trabalho consistiu no desenvolvimento de dois projetos simultâneos: um didático, direto com as crianças, chamado Tabuleiros do Mundo Todo, e outro de formação, com professores e coordenadores pedagógicos. A escolha dos conteúdos, a partir do desenvolvimento do trabalho com jogos, justificou-se pela demanda dos professores da rede de educação do município de Cajamar, São Paulo, que queriam ampliar seus conhecimentos em relação aos projetos na área de Natureza e Sociedade.
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O conhecimento didático como eixo da formação

O trabalho de formação com educadoras da 4ª série de três escolas municipais, no qual a leitura e escrita foram “práticas vivas e vitais”, possibilitou o estabelecimento de uma nova relação entre ensino e aprendizagem
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“O necessário é fazer da escola um âmbito onde leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir.
(Ler e Escrever na Escola: O Real, o Possível e o Necessário, de Delia Lerner. Ed. Artmed)

Estabelecer na escola um ambiente em que as práticas de leitura e escrita se instaurem com toda sua intensidade, com todas as suas potencialidades tem sido o norte deste trabalho de formação com professoras de Escolas de Ensino Fundamental de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Para isso, é necessário transformar as práticas pedagógicas, possibilitar a construção de novos conhecimentos didáticos.

Sabemos que, de acordo com a teoria de Jean Piaget1, toda ação, seja um movimento, pensamento ou sentimento, corresponde a uma necessidade que é sempre a manifestação de um desequilíbrio. A cada instante, pode-se dizer, a ação humana é desequilibrada pelas transformações que aparecem no mundo, exterior ou interior, e cada nova conduta vai funcionar não só para restabelecer o equilíbrio, como também para tender a um equilíbrio mais estável que o do estágio anterior a essa perturbação. A ação humana consiste nesse movimento contínuo e perpétuo de reajustamento ou de equilibração2.
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O universo lúdico do conhecimento

O universo científico está intrinsecamente relacionado ao lúdico. Ambos são espaços de possibilidades, investigação, autoria, autonomia, construção de conhecimento e subjetividade. É cada vez mais urgente que a escola de educação infantil assuma uma concepção de ensino que não separe o raciocínio da imaginação. É esse o objetivo do projeto homem das cavernas: uma viagem no tempo
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Grafismos encontrados na região de São Raimundo Nonato – PI
Ilustrações: A Arte Rupestre no Brasil

Encarar o estudo na escola de Educação Infantil por meio de uma perspectiva lúdica do conhecimento implica não apenas fazer associações dos projetos de pesquisa com brincadeiras, como também propor situações nas quais o aprendizado seja uma aventura de conhecimento em consonância com a forma de pensar das crianças e seu pensamento sincrético que mescla fantasia e realidade.

No projeto Homem das Cavernas: Uma Viagem no Tempo, do qual tive a oportunidade de participar enquanto coordenadora, dialogando com a professora Andréa Campidelli1, pude observar com atenção seu grupo de “pesquisadores mirins”, entre 4 e 5 anos. Foi possível investigar muitas situações de aprendizagem que realmente fazem sentido na Educação Infantil, as quais pretendo aqui partilhar com o leitor.
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O que fazer após ler uma história para as crianças

Essa é uma questão não resolvida para muitos professores. Parece que o ato de ler, por si só, não é suficiente como atividade em sala de aula. É preciso sempre finalizar com um desenho. Acompanhe a reflexão da formadora do instituto

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Essa é uma questão que se repete nos vários grupos de formação em que atuo. Ao trabalhar o conteúdo leitura pelo professor, esse assunto surge com freqüência. Posso propor um desenho depois da leitura da história? Como formadora, meu primeiro movimento é pontuar que essa nem sempre é uma atividade adequada na seqüência de uma leitura. Depois de algum tempo, observando a reincidência deste assunto, me interessei em pesquisar quais os motivos que levam as professoras a propor esta atividade.

Nas sondagens que fiz, concluí que esta é uma das propostas mais tradicionais na Educação Infantil, que repetida e associada ao trabalho com leitura de histórias ganhou o status de “inquestionável”. As perguntas feitas às professoras “Por que desenhar depois da leitura?” e “O que as crianças aprendem nesta atividade?” constantemente causam espanto geral. Afinal, sempre fizemos assim, são as respostas.

Outras justificam o desenho pela necessidade da representação do conteúdo, para o professor poder avaliar o que foi entendido pela criança, já que elas ainda não escrevem convencionalmente na Educação Infantil. Desenhando, podem mostrar o que apreenderam da história.

Quando desenhar não significa compreender
O curioso é que, apesar da expectativa das professoras de que o “desenho da história” pode ser um indicador do nível de compreensão das crianças, em geral se aceita qualquer produção, desde que ela se remeta a algum elemento que faça referência à história. É o que podemos perceber nesta descrição:
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Do jardim à sala de aula

Caçar caramujos, procurar joaninhas, descobrir formigueiros são motivações bastante comuns entre crianças que brincam no jardim. Como despertar o desejo e a competência dos professores para que esse interesse contribua na deliciosa aventura de explorar e conhecer a natureza? Uma oficina para os professores pode ser o passo inicial
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Observação direta: procedimento importante de pesquisa científica tanto para crianças como para adultos

Ao conversarmos sobre Ciências Naturais com professores da Educação Infantil, constatamos que há muitas queixas relacionadas às suas dificuldades em trabalhar com temas ligados a essa área de conhecimento. Costumam dizer que é difícil, complicado, que exige a memorização de muitos nomes e, portanto, é um conteúdo inadequado ao trabalho com os pequenos.

Os documentos oficiais mais recentes, ao contrário, indicam como uma das prioridades na educação da infância, que os educadores propiciem oportunidades de aproximação entre as crianças e os conhecimentos culturalmente produzidos, o que inclui aqueles vindos da Ciência. Diz o Referencial Curricular para a Educação Infantil: “O conhecimento científico socialmente construído e acumulado historicamente, por sua vez, apresenta um modo particular de produção de conhecimento de indiscutível importância no mundo atual e difere das outras formas de explicação e representação do mundo, como as lendas e mitos ou os conhecimentos cotidianos, ditos de ‘senso comum’1”.

De acordo com os Referenciais Curriculares Nacionais para Educação Infantil, ao final da Educação Infantil a criança deve ter desenvolvido as seguintes capacidades:

  • “explorar o ambiente, para que possa se relacionar com pessoas, estabelecer contato com pequenos animais, com plantas e com objetos diversos, manifestando curiosidade e interesse”;
  • “(…) interessar-se pelo mundo social e natural, formulando perguntas, imaginando soluções para compreendê-lo, manifestando opiniões próprias sobre os acontecimentos, buscando informações e confrontando idéias”;
  • “estabelecer algumas relações entre o meio ambiente e as formas de vida que ali se estabelecem, valorizando sua importância para a preservação das espécies e para a qualidade da vida humana2”.

avisala_21_reflex6Mas como levar os educadores a transporem suas dificuldades e a sentirem vontade de abordar temas de Ciências com as crianças? De que modo propiciar momentos de envolvimento significativo com os conhecimentos científicos para esses educadores? Como despertar o desejo de que os profissionais tornem-se aliados das crianças na deliciosa aventura de explorar a natureza e, principalmente, os conhecimentos relacionados a ela?
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Ler para estudar, escrever e desenhar para comunicar

A partir de muita pesquisa, alunos da segunda série na cidade de Rio Piracicaba escrevem textos informativos, descritivos, fichas técnicas que auxiliam a produção de lindos postais ilustrados. Confira o desenrolar do projeto por meio das reflexões da formadora local

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PM Rio Piracicaba


Escolher um projeto para trabalhar em sala de aula sempre foi uma expectativa para os professores de 2ª série. Para as crianças, era um alvoroço, uma animação, uma curiosidade tremenda para saber qual seria o tema eleito e dar idéias de qual projeto poderiam trabalhar no semestre seguinte.

O projeto pequena enciclopédia foi o escolhido do 10 semestre de 2004 e foi desenvolvido por uma equipe de seis professoras, cada uma com sua turma, na respectiva escola, num total de quatro, todas situadas na zona urbana da cidade. As professoras trabalharam no mesmo projeto, de forma integrada, trocando suas experiências e sempre se reunindo, participando ativamente do processo de formação.

Após várias análises das aprendizagens adquiridas pelas crianças em projetos anteriores e muitas discussões sobre o que queriam que suas crianças aprendessem, a equipe de professoras decidiu que trabalhariam com textos informativos, desenvolvendo um projeto com textos de enciclopédia. Mas sobre que assunto poderia ser a Pequena Enciclopédia?
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Formação de leitores: por onde começar

O que é ser leitor? Como crianças não alfabetizadas podem ler um texto? essas são algumas das perguntas que foram discutidas no encontro de formação que você vai conhecer a seguir. Veja como a resolução de problemas e a análise de situações homólogas de leitura ajudam o professor a construir novas práticas educativas no campo da alfabetização inicial.

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As vantagens de trabalhar a memória oral na escola

“Não há realidade histórica que não seja humana. Não há história sem homens, como não há história para os homens, mas uma história de homens que, feita por eles, também os faz”1

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O resgate da história oral se constitui em uma possibilidade real de construir a história. Desenvolvido como projeto de trabalho na escola, é um meio interessante de produzir conhecimentos, propiciar um processo de aproximação entre escola e comunidade, além de contribuir para a construção, pelos alunos, da própria identidade e para a percepção de si mesmos como seres históricos cuja experiência e saberes têm valor.

Nesta entrevista, a educadora Zilda Kessel2, integrante do projeto Memória Local3, discorre sobre a importância do resgate da memória local pela escola e aponta caminhos para a implantação de projetos desse tipo.

Avisa lá: Qual é o sentido de um projeto de memória na escola?
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