Areia: as crianças adoram, já os adultos…

Seja na praia ou no parquinho, no quintal ou na beira dos rios, os pequenos se deliciam com a areia. Mas, nos espaços de educação infantil, a vivência com a areia continua pouco incentivada. Veja como ela pode ser incorporada no dia-a-dia das crianças de forma criativa e segura

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Crianças brincam na EMEI Profa Ana Maria Pappovic


Dos centros urbanos às comunidades indígenas (como mostram algumas fotos deste artigo), a areia desperta o interesse, a imaginação e a alegria dos pequenos. Muitos são os motivos que os levam a manipulá-la, se divertir e aprender com ela. Para começar, é fácil brincar com a areia: bastam duas mãos ou um pedacinho de pau para criar formas e desenhos. A areia oferece bons desafios, como vencer sua resistência ou obter consistências diversas ao misturá-la com água. Encher baldes, formas, planejar um castelo ou outras construções possibilita às crianças vivenciarem conceitos que só mais tarde poderão ser formalizados. Observar a areia escorrer por tubos e canos, descer numa ampulheta ou fazer caminhos no chão são experiências que podem ser planejadas por um professor preocupado em estimular as crianças a construir conhecimentos.

Oportunidades de aprendizado

Além do mais, brincar com areia proporciona muitas simbologias. Usada como elemento neutro, ela pode fazer o papel de muitas coisas: comidinhas que são misturadas nas panelas com folhas e água; material de construção que caminhões e carrinholas carregam de lá para cá e daqui para lá; sujeira para ser varrida; “pó de pirlimpimpim”; ou o que for necessário para alimentar o faz-de-conta de cada um. Também pode ser simbólica do ponto de vista da linguagem, pois muitas vezes a areia se torna a “companhia” para a criança conversar consigo mesma e estabelecerem diferentes narrativas.Continue lendo >

Lendas brasileiras e computador: uma combinação que dá certo

Usar as novas tecnologias para envolver os alunos em situações reais de comunicação por meio da leitura e escrita foi o desafio enfrentado pelo projeto “Aventuras com as Letras e as Teclas”, realizado em Campinas (SP). Para promover esse aprendizado entre os alunos, foi preciso trabalhar na mesma direção com os educadores

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O projeto “Aventuras com as Letras e as Teclas” foi desenvolvido pelo Grupo Comunitário Criança Feliz, na cidade de Campinas (SP) em 2005 e teve repercussões na EEPG Prof. Alberto Medaljon. Com a finalidade de diminuir o número de crianças e pré-adolescentes com dificuldades na escrita e leitura, foi concebido como um projeto de formação de educadores com três metas concretas: implantar uma biblioteca alternativa enquanto espaço de uso comum para a escola, para o Grupo Comunitário e comunidade; desenvolver uma oficina de informática que possibilitasse o acesso e o uso contextualizado do computador; e organizar uma oficina de contos com intuito de preparar adolescentes para serem contadores de histórias e assim se tornarem multiplicadores do projeto com outros grupos de crianças.

O trabalho atendeu especificamente os educadores sociais do grupo de crianças de 7 a 10 anos que já fazia parte da oficina de informática. A equipe escolheu para trabalhar o gênero da narrativa literária, mais especificamente as lendas, por oferecer oportunidade de conhecer outras culturas e ampliar os horizontes. O produto final deste projeto foi o livro Lendas Contadas e Aprendidas. As crianças foram motivadas a pesquisar na Internet, digitar seus textos no Word e a fazer as ilustrações usando o Paint Brush1. O computador foi, assim, usado como ferramenta de aprendizado para estimular a leitura e a escrita de forma contextualizada e significativa.
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“Era uma vez” para crianças pequenas

Desde os primeiros meses de vida, as histórias podem fazer parte da vida infantil. Ao ler ou contar histórias para bebês e crianças pequenas, os professores abrem caminhos para uma interação surpreendente com o mundo da leitura e da escrita

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Leitura de histórias no berçário


Cada vez que um adulto lê para uma criança pequena, é como fazer um convite para que ela ingresse no universo mágico da linguagem. Uma experiência que apresenta personagens divertidos, leva a lugares curiosos, oferece novos conhecimentos e permite inventar outras “realidades”. O encantamento provocado pela narrativa e pela relação que o contador ou leitor cria com a criança favorece o interesse e a participação dela nessas situações.

Podemos considerar o contar e o ler histórias momentos privilegiados de interação das crianças com a linguagem. Neles, um parceiro mais experiente lingüisticamente utiliza as histórias – um tipo de narrativa que facilita a aproximação e o fortalecimento dos vínculos afetivos – para estabelecer uma situação comunicativa com a turma.  As crianças aprendem a partir de sua interação com o meio material e social. E, no caso da aprendizagem da língua falada e escrita, não é diferente: as crianças aprendem por meio dos intercâmbios sociais gerados nas diversas situações comunicativas, com diferentes parceiros.
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Pesquisa didática é apoio para a sala de aula

Em entrevista exclusiva, a especialista argentina Mirta Castedo fala sobre os desafios da pesquisa e do ensino da leitura e escrita. A entrevista foi concedida a Silvia Carvalho, Cisele Ortiz e Immaculada Lopez1, na sede do Instituto Avisa Lá, onde prestou consultoria no último mês de abril

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Mirta Castedo, durante sua visita a São Paulo


Mirta Castedo é absolutamente comprometida com o ensino eficiente da leitura e da escrita nas escolas públicas. Nascida em La Plata, na Argentina, começou seu caminho, na área de Educação, impulsionada pelas palavras de Paulo Freire. Deparou-se, depois, com as idéias de Emilia Ferreiro, que anos mais tarde veio a ser sua orientadora no doutorado. Como professora, encontrou na sala de aula uma afinidade grande com as crianças pequenas, o que fez com que seguisse ligada para sempre a esse nível de ensino.

Lançou-se ao trabalho de pesquisa na escola e se especializou em didática da leitura e escrita. Co-autora do documento Pré-Desenhos Curriculares para Educação Geral Básica da Cidade de Buenos Aires e de diversos artigos, coordenou vários projetos de capacitação de docentes, sempre apoiados em uma visão construtivista. Hoje, Mirta é professora titular da cátedra de Didática do Nível Primário e Observação da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, e membro da Rede Latino-Americana de Alfabetização/Argentina.

Com essa bagagem, Mirta fala, a seguir, sobre os desafios do trabalho do professor e como a pesquisa pode ajudar na busca de alternativas para formar crianças que leiam e escrevam plenamente.Continue lendo >

De olhos bem abertos

As professoras da Escola Projeto Vida, na cidade de São Paulo, descobrem que vale a pena estimular a observação das crianças como ferramenta valiosa para desenvolver as habilidades de desenho e criação
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Produções das crianças participantes do projeto

Artes Visuais foi a área de conhecimento selecionada como conteúdo principal no processo de formação continuada dos professores de Educação Infantil da Escola Projeto Vida, neste ano de 2006. Propusemos às professoras uma análise cuidadosa dos desenhos das crianças. A partir disso, optamos por discutir as imagens estereotipadas e repetidas que costumam inundar os desenhos infantis, como as casinhas, o sol, a linha do horizonte com flores e as árvores, entre outras. Definimos então o objetivo de ampliar o repertório de possibilidades de representação gráfica das crianças, principalmente da representação da figura humana. Entre tantas possibilidades, escolhemos investir no desenho ligado ao tema do movimento. Consideramos que seria um desafio instigante para as crianças, já que em geral seus desenhos apresentam figuras estáticas e vistas de frente.
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