Animais marinhos e suas medidas

O trabalho com grandezas deve ter relação com alguma exploração do ambiente para que as crianças aprendam o significado de uma prática social
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Desenhos feitos pelas crianças da Escola Miró, de Ribeirão Preto – SP

As medidas fazem parte do nosso cotidiano e, por isso, as crianças estão sempre em contato com elas. Desde bem pequenas, escutam quando os pais ou responsáveis pedem 200 gramas de carne no açougue, ou que às 10 horas vai começar o jogo na TV. Elas também já fazem suas relações na escola quando percebem um colega mais alto, um outro mais magro. Esses primeiros contatos com um vocabulário específico permitem afirmar que elas participam de algumas idéias transmitidas pelos adultos, aproximando-se de maneira contextualizada das palavras que implicam grandezas1.

Na pré-escola, o objetivo é incluir o tema oferecendo mais oportunidades para que as turmas possam dar sentido a algo prático, como a resolução de problemas na vida diária, quando o conteúdo resolve efetivamente uma questão. Inúmeras atividades foram propostas ao grupo formado pelos pequenos de 4 e 5 anos da Escola Miró, em Ribeirão Preto – SP, para aprofundar significados já conhecidos e construir novos. Os objetivos eram promover a familiarização com unidades de medida de comprimento, apresentar instrumentos que ajudam a medir comprimento e utilizar unidades de medidas convencionais ou não para resolver problemas de comparação de tamanhos.Continue lendo >

Professores, crianças e a cidade

O lugar onde se vive é um excelente tema de trabalho com os pequenos de pré-escola porque possibilita a valorização da produção artística com essa faixa etária
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Ilustrações feitas pelas crianças da Rede Municipal de Educação de Recife – PE

Crianças entre 4 e 6 anos constroem cenas em seus desenhos. São marcantes os entornos, os cenários e as situações em que há casinhas, ruas, jardins, habitantes, céus, carros etc. Estamos diante de um indivíduo inserido em um contexto cultural, com imagens estáticas e em movimento, e que, por isso mesmo, alimentam suas produções. Por esse motivo, é fundamental oferecer desenhos, pinturas e gravuras aos pequenos. A intenção é dar repertório para ampliar o próprio universo gráfico e as possibilidades de representações com linguagens particulares, além de permitir que eles pensem sobre suas produções.

Exatamente por isso, elaborei algumas seqüências de atividades que serviram como guias, motes para propor conversas entre os professores, suas turmas e as cidades. Contudo, caberia fundamentalmente a cada educador adequar, criar situações, selecionar materiais e, principalmente, acompanhar todas as etapas para, coletivamente, definir novos passos. E assim, como parte do processo de formação continuada Continue lendo >

O desafio de formar…formando-se

Após freqüentarem curso do Programa Além das Letras1, participantes revelam que as transformações se deram em relação à aprendizagem escolar e (principalmente) em suas vidas
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Museu Imperial de Petrópolis (Imagem: www.flickr.com)

Trabalho com alfabetização há muitos anos. Já dei aula para crianças e hoje leciono para adultos, formando professores. Também fui coordenadora geral do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa), do Ministério da Educação. Atualmente, coordeno o Programa Além das Letras, que consiste na formação continuada de profissionais de redes municipais de ensino em leitura e escrita. A última turma atendida pelo Programa na cidade de Petrópolis, que fica a 72 quilômetros da capital fluminense, foi formada por orientadoras pedagógicas2 e diretoras. O compromisso dessas profissionais não se restringia apenas a acompanhar o curso. Elas também tinham de atuar como formadoras de suas equipes escolares.

Ao longo de todos os 17 anos de experiência nessa área, várias questões me inquietaram e deram origem ao meu mestrado3 em Educação. No capítulo 6 da dissertação, por exemplo, discorro sobre o quanto é reflexivo e complexo formar docentes. Além disso, revelo avanços em relação às concepções teórico-metodológicas e a evolução na utilização da escrita como instrumento de análise e reflexão pelo ser humano. Ao redigir, uma pessoa elabora um entendimento sobre si mesma. Por isso, solicitei a algumas alunas do Além das Letras que produzissem registros reflexivos sobre seus percursos, de 2005 a 2007, durante a capacitação. Continue lendo >

Pelo direito de beber água

Algo aparentemente simples e fundamental, como o ato de matar a sede, em geral, encontra dificuldades de ser concretizado a contento em escolas de educação infantil
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Torneiras com água filtrada para adultos e crianças maiores

Imagine a seguinte cena: Um bebedouro de alvenaria e uma caneca de plástico. Quem tem sede na escola – seja aluno, funcionário ou qualquer outra pessoa da comunidade –, basta ir até ele e se servir de um pouco de água. A pessoa toma a água na caneca disponível e coloca-a de volta no mesmo lugar. Detalhe: sem lavá-la. Esse procedimento era corriqueiro em nossa instituição. A situação incomodava-nos, mas não sabíamos como resolver o problema.
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A cara das crianças

Conhecer artistas que ousam e inovam e usar diferentes materiais de maneira inusitada favorecem o trabalho criativo com o auto-retrato

O tema auto-retrato surgiu em meados de outubro de 2006. Estávamos, eu e mais três crianças1, no ateliê: Iago, de 8 anos; Laura, de 6 e Valter, de 7. Antes de prosseguir nessa história, preciso contar um pouco sobre onde tudo isso aconteceu. A escola Ziarte-Viveka, em São Paulo, desenvolve práticas nas oficinas de desenho, pintura e escultura, introduzindo gramáticas visuais e história da arte (brasileira e internacional). A intenção é estimular a sensibilidade e a construção do pensamento visual dos alunos. A instituição recebe de iniciantes a profissionais (professores e estudantes da disciplina e artistas), contemplando, portanto, diversos interesses teórico-práticos.

São comuns, no início, as visões mais estéticas e acadêmicas, pautadas em concepções de dom e de habilidade. O caminho escolhidoContinue lendo >

Sincronicidade

Ao contrário do senso comum, as crianças pensam de forma complexa e não linear
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Desenho feito por Martin (arquivo pessoal de Monique Dehenzelin)

Estamos bastante acostumados, na vida e na escola, a uma noção de tempo diacrônica, segundo a qual organizamos os fatos à nossa volta em relações de causa e efeito. Ensinamos a criança a ler e escrever. Em breve, ela aprenderá e se tornará letrada. Cuidamos bem de um bebê. Logo, ele se mostrará grato e se sentirá bem. Entretanto, outras civilizações, como a chinesa, concebem o tempo de modo sincrônico. Assim, acontecimentos interligados no tempo e no espaço são significativos para uma pessoa que participe deles e isso abre possibilidades para conhecimentos que diferem e ultrapassam a razão racionalista, digamos assim. Eles conjugam razão, intuição, sensação e sentimento, e quem os experimenta se aproxima da sabedoria e não apenas acumula informações culturais.
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Calorias e preconceitos

Reza a lenda que Calorias são seres minúsculos, praticamente invisíveis, que se escondem nos armários (têm preferência pelos femininos) e trabalham a noite toda, apertando as roupas. Já os Preconceitos são seres com características semelhantes de tamanho e invisibilidade, que formam uma família grande, mas com um traço comum: a violência moral ou física.

Alguns Preconceitos circulam livremente à luz do Sol, pois não têm medo de serem vistos. Acham que têm razão e, por isso, se mostram. São truculentos e valentões. Massacram quem não concorda com seus pontos de vista, pois não têm argumentos que resistam à reflexão ou à comprovação. Reproduzem-se de forma exuberante, especialmente em algumas épocas do ano e em diferentes lugares. Basta lembrar da prima Eugenia, que reinou absoluta na Alemanha nazista; dos primos Apartheid, da África do Sul; nos diversos momentos de escravidão, que se apoiaram no ramo do racismo. Na geração mais jovem, o Bullying está na crista da onda, mas, na verdade, ele esteve sempre por aí. Apenas modernizaram seu nome e, por isso, hoje é mais conhecido.Continue lendo >